24/02/2020

Folia com TEA: nem todo autista é sensível a barulho

Apesar de ser ainda pouco conhecido, o autismo vem ganhando espaço nas telas nos últimos anos. Novelas recentes tiveram personagens no espectro, como “Amor à Vida” e “Malhação”, e atualmente há duas séries protagonizadas por autistas no ar, “The Good Doctor” e “Atypical”.

Como costuma acontecer com obras de ficção, no entanto, alguns estereótipos acabam reforçados em vez de esclarecidos. Um dos mais frequentes, o de que todo autista tem pavor de barulho ou de toque, é um clichê, sim, mas parte de uma premissa bem verdadeira.

Cinco sentidos?
O ponto de partida desse clichê é o Transtorno do Processamento Sensorial, uma condição em que a pessoa apresenta dificuldade em processar, através do cérebro e do sistema nervoso, os estímulos que recebe do ambiente pelos sete sentidos. Isso mesmo, sete!

Além de visão, audição, olfato, tato e paladar, quando a gente descobre o TEA, aprende que existem ainda os sentidos vestibular e proprioceptivo, que regem o equilíbrio, a percepção do corpo no espaço e o tônus muscular. É possível ter TPS sem ser autista, mas estima-se que 90% dos autistas tenham TPS.

Hipo X Hiper
Quando a gente vê a cena clássica do autista tapando os ouvidos com as mãos em desespero, ou aquele que não gosta de ser tocado, o vilão é o TPS. Mas a dificuldade de processamento sensorial não se restringe à hipersensibilidade, que leva a evitar os estímulos.

Também é possível ser hipossensível, o que, ao contrário, leva a buscar quase incessantemente os estímulos. Essa costuma ser a criança que não para quieta, prefere brincadeiras físicas, é resistente à dor e à variação de temperatura, é barulhenta e põe tudo na boca.

Claro que este é um resumão bem superficial do TPS e, infelizmente, não é tão simples quanto parece. É praticamente impossível ser totalmente hipo ou hipersensível; o comum é ser hipersensível para alguns sentidos e hipo para outros, nas mais diversas combinações.

E é por isso que o autoconhecimento ou, no caso das crianças, a observação dos pais é tão fundamental. Quem diagnostica e aplica o tratamento de integração sensorial é o terapeuta ocupacional. Ele é o especialista em TPS, mas o especialista no seu filho é você.

Fonte  https://blog.jovempan.com.br/mulheresdapan/folia-com-tea-nem-todo-autista-e-sensivel-a-barulho/

Postado por Antônio Brito 

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