21/08/2026

Mãe Atípica também precisa de colo: a urgência de uma rede de apoio que ainda não existe

Mãe Atípica também precisa de colo: a urgência de uma rede de apoio que ainda não existe - OPINIÃO - * Por Igor Lima

OPINIÁO

  • * Por Igor Lima

Há um silêncio específico que atravessa a vida de muitas mães de crianças com deficiência ou autismo no Brasil. Não é o silêncio da ausência de amor, é exatamente o oposto: é o silêncio de quem ama tanto que não sobra tempo, nem espaço social, nem permissão emocional para dizer que está exausta. E, quando tentam verbalizar esse cansaço, muitas vezes esbarram numa resposta que fere mais do que ajuda: que é frescura, que toda mãe é cansada, que ela escolheu ser mãe e agora precisa dar conta.

A ciência não corrobora esse discurso. Ela desmente.

Uma revisão sistemática com meta-análise conduzida por Scherer, Verhey e Kuper, publicada na revista PLOS One em julho de 2019, reuniu dezenove estudos internacionais sobre pais de crianças com deficiência intelectual e do desenvolvimento e constatou que, em média, 31% desses pais apresentavam níveis elevados de sintomas depressivos, acima do ponto de corte clínico para depressão moderada, contra 7% entre pais de crianças sem essa condição. O mesmo estudo identificou que a gravidade da deficiência e a menor renda familiar estavam entre os fatores associados a níveis mais altos de sintomas depressivos entre esses pais. Outro estudo publicado na mesma revista, conduzido com base em pesquisa nacional japonesa sobre cuidadores de crianças com deficiência, identificou que o apoio de familiares além do cônjuge, incluindo avós, reduzia os efeitos negativos da deficiência do filho sobre a saúde mental parental, e que a ausência de apoio do cônjuge ou dos avós configurava fator de risco significativo para o adoecimento psíquico do cuidador.

No Brasil, a literatura acadêmica caminha na mesma direção. Artigo publicado na Revista FT, sobre os impactos psicossociais da maternagem atípica, aponta que essas mães vivenciam sobrecarga física e emocional significativa, marcada por sentimentos ambíguos de amor, culpa, exaustão e impotência diante das demandas cotidianas, e que essa sobrecarga está associada à insuficiência das redes de apoio institucional e à fragilidade das políticas públicas voltadas à saúde mental das cuidadoras. Uma revisão sistemática publicada na revista ID on line, de Psicologia, chegou a conclusão semelhante ao identificar, entre as categorias mais recorrentes na literatura sobre mães atípicas no Brasil, a sobrecarga de cuidar, a falta de rede de apoio, as barreiras no acesso aos serviços de saúde e o despreparo das escolas, fatores que acarretam desgaste emocional e comprometem a saúde mental dessas mães.

Esse conjunto de estudos, nacionais e internacionais, converge para um ponto que merece ser dito com todas as letras: o problema não é a maternidade atípica em si. É a ausência estrutural de rede, institucional, familiar e comunitária. Quando essa rede existe, o impacto emocional diminui de forma documentada na literatura científica. Quando não existe, a mãe adoece, silenciosamente, muitas vezes sem sequer perceber que aquilo que sente tem nome, tem causa identificada e tem, principalmente, solução possível.

A Lei Brasileira de Inclusão e a Política Nacional de Saúde Mental já preveem, ao menos no papel, estruturas de apoio às famílias de pessoas com deficiência. Mas a efetividade prática dessas políticas ainda esbarra em limitações concretas, como falta de profissionais especializados e descontinuidade de programas municipais de apoio.

Fica aqui um convite, mais do que uma reflexão: se você é mãe atípica e se reconhece em cada linha deste texto, procure apoio psicológico, procure outras mães que vivam essa mesma realidade, procure associações e grupos de apoio na sua cidade. Pedir ajuda não é fraqueza. É, segundo a própria evidência científica, o fator que mais protege sua saúde mental, e, por consequência, a qualidade do cuidado que você consegue oferecer ao seu filho. Você não precisa sofrer calada. Você precisa, e merece, ser cuidada também.

  • * Igor Lima é advogado (OAB/RJ), especialista em Direitos Humanos e sustentabilidade, pesquisador e pessoa com deficiência. Com formação complementar em Direitos das Pessoas com Deficiência pela PUC-Rio e em Direito Antidiscriminatório, construiu sua trajetória na interseção entre o Direito, a inclusão e a transformação social.
  • É idealizador e coordenador da coletânea jurídica Deficiência e os Desafios para uma Sociedade Inclusiva, obra que reúne 90 autores e contribuições dedicadas aos direitos das pessoas com deficiência, com referências no STF, STJ e TST e presença em instituições como Harvard e a Universidade de Coimbra.
  • Autor de artigos publicados em espaços como ABDConst, Future Law e revistas jurídicas nacionais, atua como palestrante em instituições como UERJ, UFRJ, UFF, OAB/RJ e Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Sua experiência profissional reúne atuação nos setores público e privado, produção intelectual e participação em iniciativas relacionadas à inclusão, acessibilidade e direitos das pessoas com deficiência.
  • Sua atuação articula conhecimento jurídico, pesquisa, experiência institucional e vivência da deficiência, com foco em direitos das pessoas com deficiência, acessibilidade, políticas públicas e ESG. A partir dessa perspectiva, desenvolve pesquisas, conteúdos e iniciativas que buscam ampliar o debate sobre inclusão e transformar conhecimento em diálogo, participação e mudanças concretas na sociedade e nas instituições.
  • LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/igor-lima-pcd-404321198/
  • Instagram: https://www.instagram.com/igor_lima_adv/

Fonte https://diariopcd.com.br/mae-atipica-tambem-precisa-de-colo-a-urgencia-de-uma-rede-de-apoio-que-ainda-nao-existe/

Postado Pôr Antonio Brito 

Brasil perde para Colômbia e busca igualar colocação do último Mundial de rúgbi em CR neste sábado

Rafael Hoffman, atleta da Seleção Brasileira, driblando jogadores colombianos. | Foto: Marcello Zambrana/WWR

O Brasil perdeu para a Colômbia por 52 a 45 nesta sexta-feira, 21, no confronto direto pela disputa do nono lugar do Mundial de rúgbi em cadeira de rodas, realizado no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo.

Com o resultado, a Seleção Brasileira disputará a 11ª colocação neste sábado, 22, e pode igualar a melhor campanha do país em Mundiais. Em sua primeira participação, em 2022, o Brasil terminou na 11ª posição, após conquistar uma única vitória na competição, sobre a Suíça, por 48 a 44.

A comissão técnica brasileira optou por diferentes composições de line ao longo dos quatro quartos, mantendo a partida equilibrada nos três primeiros períodos. Na última parcial, a Colômbia abriu vantagem e conseguiu administrar o resultado até o fim. Segundo o técnico do Brasil, Benoit Labrecque, a estratégia faz parte do processo de testar novas formações e dar experiência aos jogadores.

“Acredito que voltaremos a enfrentar a Nova Zelândia, e pode ser um bom jogo, porque já conhecemos o adversário. Espero que seja uma partida melhor para o Brasil também, porque nossos melhores jogadores devem estar descansados. Esperamos sair com a vitória amanhã”, disse Benoit Labrecque, técnico da Seleção Brasileira.

Apesar de não ter avançado à fase eliminatória da competição, a equipe brasileira segue na disputa pelas posições finais. Neste sábado, 22, às 9h30 (horário de Brasília), o Brasil aguarda o confronto entre Alemanha e Nova Zelândia para conhecer seu próximo adversário.

Classificação
As quatro primeiras equipes de cada grupo avançaram às quartas de final, que começam na tarde desta sexta-feira, 21. No Grupo A, a Austrália garantiu a primeira colocação, seguida pelos Estados Unidos. Canadá e Países Baixos ficaram em terceiro e quarto lugares, respectivamente. A Nova Zelândia terminou na sexta colocação.

No Grupo B, o Japão ficou com a primeira posição, seguido por Grã-Bretanha, França, Dinamarca, Alemanha e Colômbia.

A equipe brasileira disputou cinco jogos na fase de grupos. Na estreia, foi derrotada pelos Países Baixos por 49 a 47. Depois, venceu o Canadá por 49 a 48 e perdeu para a Austrália por 59 a 32. Na quinta-feira, 20, pela manhã, venceu a Nova Zelândia por 58 a 44. À noite, perdeu para os Estados Unidos por 57 a 56, em uma partida decidida nos últimos segundos.

Ao fim da fase de grupos, a posição de cada seleção na tabela definiu os confrontos das quartas de final. O primeiro colocado do Grupo A enfrenta o quarto do Grupo B; o segundo do Grupo A encara o terceiro do Grupo B; o terceiro do Grupo A joga contra o segundo do Grupo B; e o quarto do Grupo A enfrenta o primeiro do Grupo B.

Neste sábado, 22, as seleções eliminadas na fase de grupos disputam as partidas pelas posições do 9º ao 12º lugar, enquanto as equipes classificadas jogam as semifinais. No domingo, 23, serão realizadas as disputas pelo 5º e 7º lugares, além das partidas pelo bronze e pelo ouro.

Sobre o Mundial
Organizado pela World Wheelchair Rugby (WWR), federação internacional da modalidade, o Campeonato Mundial reúne 12 seleções e aproximadamente 140 atletas.

Esta é a a primeira vez que a principal competição internacional da modalidade é realizada na América do Sul. Atualmente, o Brasil ocupa a sétima posição no ranking mundial.

O Mundial tem entrada gratuita e é aberto ao público. Os interessados podem comparecer ao Centro de Treinamento Paralímpico, na zona sul de São Paulo, para acompanhar os jogos da Seleção Brasileira e das demais equipes participantes.

A tabela de classificação e os resultados de todas as partidas estão disponíveis no site oficial da competição. Os demais confrontos também podem ser acompanhados pelos canais do Comitê Paralímpico Brasileiro e da Associação Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas (ABRC) no YouTube.

Imprensa
Os profissionais de imprensa interessados em cobrir o Campeonato Mundial de rúgbi em cadeira de rodas deve enviar um e-mail para imp@cpb.org.br com os seguintes dados: nome completo, RG ou CPF, veículo por qual irá cobrir o evento. No dia da competição, os profissionais deverão se identificar na sala de imprensa do local.

Serviço
Campeonato Mundial de rúgbi em cadeira de rodas
Datas:
de 17 a 23 de agosto
Local: Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro (CTPB)
Endereço: Rodovia dos Imigrantes KM 11,5 – Vila Guarani – São Paulo

Patrocínio
A CAIXA e as Loterias CAIXA são as patrocinadoras oficiais do rúgbi em cadeira de rodas.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

Fonte https://cpb.org.br/noticias/brasil-perde-para-colombia-e-busca-igualar-colocacao-do-ultimo-mundial-de-rugbi-em-crneste-sabado/

Postado Pôr Antonio Brito 

McDia Feliz 2026 mobiliza voluntários em todo o Brasil para fortalecer a saúde infantojuvenil

McDia Feliz 2026 mobiliza voluntários em todo o Brasil para fortalecer a saúde infantojuvenil


Campanha acontece neste sábado, 22 de agosto, beneficiará 69 projetos de 49 instituições e já arrecadou mais de R$ 445 milhões desde sua criação

Neste sábado, 22 de agosto, acontece o McDia Feliz 2026, e a Casa Ronald McDonald Brasil intensifica a mobilização para uma das maiores campanhas solidárias do país. A iniciativa reúne voluntários, empresas, franqueados, colaboradores e consumidores em uma grande rede de apoio para fortalecer projetos que ampliam o acesso ao tratamento de crianças e adolescentes e oferecem suporte às famílias durante toda a jornada de cuidado.

Realizada desde 1988, a campanha já destinou mais de R$ 445 milhões à saúde infantojuvenil no Brasil. Neste ano, os recursos arrecadados beneficiarão 69 projetos desenvolvidos por 49 instituições em 19 estados e no Distrito Federal, alcançando todas as cinco regiões do país.

Os investimentos apoiarão iniciativas de diagnóstico precoce, acolhimento, hospedagem, atenção integral, melhoria da infraestrutura hospitalar, capacitação de profissionais da saúde e programas que ajudam famílias que precisam deixar suas cidades para garantir a continuidade do tratamento dos filhos.

“O McDia Feliz é um movimento que mobiliza milhares de pessoas em torno de um mesmo propósito. A cada edição vemos voluntários, empresas, instituições e consumidores mostrando que pequenas atitudes, quando somadas, conseguem ampliar o acesso ao tratamento e oferecer mais dignidade para milhares de famílias. Essa rede de solidariedade é o que torna a campanha tão importante para a saúde infantojuvenil brasileira”, afirma Bianca Provedel, CEO da Casa Ronald McDonald Brasil.

Muito além do Big Mac

A força do McDia Feliz vai além da venda de sanduíches. Todos os anos, a campanha mobiliza uma ampla rede de voluntários que atua na venda antecipada de tíquetes, na divulgação da iniciativa, na organização de ações locais e no engajamento de empresas, escolas e comunidades.

Essa mobilização permite que os recursos arrecadados cheguem a projetos que apoiam crianças e adolescentes em diferentes etapas do tratamento, desde o diagnóstico precoce até o acolhimento das famílias durante longos períodos de internação.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar cerca de 7.560 novos casos de câncer infantojuvenil por ano entre 2026 e 2028. Embora as chances de cura possam chegar a 80% quando o diagnóstico acontece precocemente e o tratamento é realizado em centros especializados, muitas famílias ainda enfrentam dificuldades para permanecer próximas dos filhos durante esse período.

“Quando falamos em tratamento, falamos também de permanência. Muitas famílias precisam viajar centenas de quilômetros, deixar trabalho, casa e rotina para acompanhar seus filhos. Por isso investimos em uma rede que oferece hospedagem, alimentação, transporte, acolhimento e apoio durante todo esse processo. Cada projeto apoiado pelo McDia Feliz ajuda a reduzir essas barreiras e permite que mais crianças consigam seguir o tratamento”, destaca Bianca.

Ainda dá tempo de participar

A 38ª edição do McDia Feliz será realizada no dia 22 de agosto, e os tíquetes antecipados já estão disponíveis por R$ 21 no site oficial da campanha, www.mcdiafeliz.org.br. Cada tíquete poderá ser trocado por um Big Mac nos restaurantes participantes do McDonald’s em todo o Brasil no dia da ação.

Além da compra antecipada dos tíquetes, consumidores também podem contribuir adquirindo os produtos oficiais da campanha, cuja renda é revertida para os projetos beneficiados.

Quem deseja participar de forma ainda mais ativa também pode se cadastrar como voluntário e apoiar a mobilização em diferentes frentes da campanha.

As inscrições estão abertas e podem ser feitas em Link.

A lista completa dos projetos e instituições apoiados pelo McDia Feliz 2026 está disponível em: Link.

Impacto nacional

Ao longo de 27 anos, a Casa Ronald McDonald Brasil já investiu mais de R$ 445 milhões na saúde infantojuvenil, apoiou mais de 2.100 projetos em 111 instituições brasileiras e impactou diretamente mais de 3,3 milhões de crianças e adolescentes.

Somente no último ano, mais de 7 mil profissionais e estudantes da saúde foram capacitados em diagnóstico precoce, mais de 9 mil pessoas passaram pelos Espaços da Família Ronald McDonald instalados em hospitais parceiros, 1.201 famílias foram acolhidas nas Casas Ronald McDonald, 2.343 deslocamentos foram realizados para garantir o acesso ao tratamento, 5.293 cestas de alimentos e 13.415 suplementos nutricionais foram distribuídos às famílias atendidas.

Sobre a Casa Ronald McDonald Brasil

A Casa Ronald McDonald Brasil, anteriormente conhecida como Instituto Ronald McDonald, é uma organização social sem fins lucrativos, mantida por doações de pessoas físicas e jurídicas, que atua para que famílias possam permanecer ao lado de crianças e adolescentes durante o tratamento de saúde. Desde 1999, a organização trabalha para remover barreiras que dificultam o acesso e a continuidade do tratamento, oferecendo apoio às famílias desde o diagnóstico precoce até diferentes frentes de acolhimento e cuidado. A atuação inclui iniciativas de treinamento de profissionais da saúde, hospedagem, alimentação, apoio psicossocial e espaços de acolhimento dentro de hospitais parceiros em diferentes regiões do Brasil.

Ao longo de sua trajetória, a Casa Ronald McDonald Brasil já beneficiou diretamente mais de 3,3 milhões de crianças e jovens em todo o país, treinou mais de 50 mil profissionais e estudantes da saúde em diagnóstico precoce e apoiou mais de 2 mil projetos de 111 instituições de norte a sul do Brasil.

Para saber mais, acesse AQUI.

Fonte https://diariopcd.com.br/mcdia-feliz-2026-mobiliza-voluntarios-em-todo-o-brasil-para-fortalecer-a-saude-infantojuvenil/

Postado Pôr Antonio Brito 

20/08/2026

Autismo também afeta o corpo: por que alterações na marcha e na postura ainda passam despercebidas

Autismo também afeta o corpo: por que alterações na marcha e na postura ainda passam despercebidas

Especialistas alertam que dificuldades motoras, alterações na caminhada e problemas de consciência corporal podem favorecer deformidades posturais e impactar a qualidade de vida de pessoas com TEA

Quando se fala em Transtorno do Espectro Autista (TEA), a atenção costuma se concentrar nos desafios relacionados à comunicação, interação social e comportamento. No entanto, existe uma dimensão frequentemente negligenciada do autismo que pode acompanhar a pessoa desde a infância: as alterações motoras e posturais.

Dificuldades de equilíbrio, coordenação motora, consciência corporal e até mudanças no padrão de caminhada — a chamada marcha — são mais comuns entre pessoas com TEA do que muitos imaginam. Quando não identificadas precocemente, essas alterações podem favorecer compensações musculares, desalinhamentos e até deformidades posturais ao longo da vida.

A neuropsicopedagoga especialista em autismo Silvia Kelly Bosi explica que o desenvolvimento motor precisa receber a mesma atenção dada aos demais aspectos do transtorno.

“Durante muito tempo, as alterações motoras foram tratadas como uma característica secundária do autismo. Hoje sabemos que elas podem impactar diretamente a autonomia, a funcionalidade e a qualidade de vida da pessoa. O corpo também comunica sinais importantes que não podem ser ignorados”, afirma.

O que a ciência já sabe sobre a marcha no autismo

Pesquisas internacionais demonstram que crianças e adolescentes com TEA podem apresentar padrões de marcha diferentes dos observados em indivíduos neurotípicos. Entre as características descritas na literatura científica estão menor estabilidade corporal, alterações no comprimento dos passos, dificuldades de coordenação, mudanças na distribuição do peso durante a caminhada e maior esforço para manter o equilíbrio.

A fisioterapeuta Nathalia Barreto Castro Leitão explica que essas alterações não estão relacionadas apenas à forma de caminhar, mas refletem desafios mais amplos no controle motor e na percepção do próprio corpo.

“A marcha depende da integração entre equilíbrio, coordenação, força muscular, planejamento motor e processamento sensorial. Quando existe alguma dificuldade nesses sistemas, podem surgir padrões compensatórios que afetam a mobilidade, a postura e a participação da criança em atividades do dia a dia. Por isso, a avaliação precoce é tão importante”, explica.

Uma revisão publicada no Research in Autism Spectrum Disorders identificou que alterações motoras estão entre os achados mais consistentes no espectro autista. Já estudos divulgados no Journal of Autism and Developmental Disorders apontam déficits de controle postural e equilíbrio como características frequentemente observadas nessa população.

Segundo Silvia, esses sinais nem sempre são percebidos por familiares ou profissionais porque costumam surgir de forma gradual.

“Muitas vezes os pais observam que a criança tropeça com frequência, anda de forma diferente, apresenta desalinhamentos corporais ou dificuldade para realizar movimentos simples. Como o foco normalmente está em outras demandas do autismo, essas questões podem acabar sendo subestimadas”, explica.

Nathalia acrescenta que quedas frequentes, dificuldade para correr, pular ou manter o equilíbrio devem servir como sinais de alerta.

“Muitas famílias acreditam que essas dificuldades fazem parte apenas do perfil da criança, quando na verdade podem indicar alterações motoras que merecem acompanhamento especializado. Quanto mais cedo essas questões são identificadas, maiores são as possibilidades de intervenção e desenvolvimento funcional”, destaca.

Consciência corporal: uma habilidade essencial para o desenvolvimento

Outro fator importante é a consciência corporal, capacidade que permite reconhecer a posição, os movimentos e os limites do próprio corpo no espaço.

Em pessoas com TEA, alterações sensoriais podem interferir nesse processo, dificultando a percepção de postura, equilíbrio e movimento. Como consequência, surgem padrões compensatórios que podem sobrecarregar músculos e articulações.

“A conscientização corporal ajuda a pessoa a entender como seu corpo funciona e como ele se relaciona com o ambiente. Quando esse processo é estimulado adequadamente, observamos ganhos importantes na coordenação motora, na estabilidade, na postura e até na participação em atividades escolares, esportivas e sociais”, destaca Silvia.

Para Nathalia, o trabalho voltado à percepção corporal tem reflexos que vão além da mobilidade.

“Quando a criança compreende melhor seu corpo e seus movimentos, ela passa a executar atividades com mais segurança e eficiência. Isso favorece a independência, a confiança e a participação em diferentes contextos sociais e educacionais”, afirma.

Correções posturais podem prevenir problemas futuros

Especialistas defendem que a identificação precoce dessas alterações permite intervenções mais eficazes, reduzindo o risco de complicações musculoesqueléticas ao longo do desenvolvimento.

Entre as estratégias utilizadas estão atividades psicomotoras, exercícios voltados para equilíbrio, coordenação e organização motora, além de abordagens que estimulam a integração sensorial e a percepção corporal.

“Não se trata apenas de corrigir uma postura inadequada. O objetivo é ensinar o cérebro a construir padrões motores mais eficientes. Quanto mais cedo isso acontece, maiores são as chances de prevenir compensações que podem gerar deformidades ou limitações funcionais no futuro”, explica Silvia.

Segundo Nathalia, a fisioterapia também desempenha papel importante na prevenção de sobrecargas e dores decorrentes de padrões inadequados de movimento.

“Quando uma alteração postural ou de marcha não é identificada precocemente, o corpo cria mecanismos de compensação para realizar determinadas tarefas. Com o passar dos anos, isso pode gerar sobrecarga muscular, desconfortos e limitações funcionais. O acompanhamento fisioterapêutico busca justamente promover movimentos mais eficientes, seguros e saudáveis”, ressalta.

Estudos reunidos em revisões sistemáticas mostram que programas estruturados de intervenção motora podem promover melhorias significativas no controle postural, na coordenação global e nas habilidades funcionais de crianças com TEA.

Um olhar além do comportamento

Para Silvia Kelly Bosi, ampliar a discussão sobre os aspectos físicos do autismo é fundamental para garantir um acompanhamento mais completo.

“Quando cuidamos apenas das questões comportamentais e cognitivas, deixamos de observar uma parte importante do desenvolvimento. O corpo também precisa ser estimulado, compreendido e acompanhado. Investir na consciência corporal e nas correções posturais não significa apenas prevenir deformidades; significa promover mais autonomia, independência e qualidade de vida para pessoas com autismo”, conclui.

Nathalia reforça que os melhores resultados costumam surgir quando há atuação integrada entre profissionais da saúde, escola e família.

“Cada pessoa com autismo possui características motoras e sensoriais próprias. Por isso, o acompanhamento deve ser individualizado e construído de forma multidisciplinar. Quando diferentes profissionais e familiares trabalham em conjunto, os ganhos em mobilidade, funcionalidade e qualidade de vida tendem a ser mais consistentes e duradouros”, conclui.

Silvia Kelly Bosi 

Cientista e neuropsicopedagoga, graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional, com especializações em Autismo, Desenvolvimento Infantil, Análise do Comportamento, Neurociências e Neuroaprendizagem. Certificada internacionalmente pelo CBI of Miami em Desenvolvimento Infantil e Avaliação Comportamental. Mestre em Atenção Precoce pela Universidad del Atlántico (Espanha), Doutoranda em Psicologia e Perita Judicial certificada pela PUC-Rio. Atua com foco em avaliação neuropsicopedagógica e intervenção nos contextos clínico e educacional.

Nathalia Barreto Castro Leitão

Fisioterapeuta, pós-graduada em Psicomotricidade Clínica e Relacional, com especializações em Fisioterapia no Transtorno do Espectro Autista (TEA), Atrasos no Desenvolvimento Infantil, Estimulação Precoce, DIR/Floortime, Acomodação Sensorial, Pediasuit Protocol e Terapia Intensiva com a Gaiola de Habilidades, Método RTA (Reequilíbrio Toracoabdominal) e Comunicação Alternativa (CAA).

Fonte https://diariopcd.com.br/autismo-tambem-afeta-o-corpo-por-que-alteracoes-na-marcha-e-na-postura-ainda-passam-despercebidas/

Postado Pôr Antonio Brito 

Mutirão em SP reúne pessoas com deficiência para lançamento de projeto inclusivo e distribuição de cortesias

Mutirão em SP reúne pessoas com deficiência para lançamento de projeto inclusivo e distribuição de cortesias

Iniciativa será apresentada neste domingo, durante o Aviva Leopoldina, e dará acesso gratuito a próximas experiências de aprendizagem realizadas em espaços culturais da cidade

Criadora do projeto autoral “Aprender na Prática, Territórios do Conhecimento”, a psicopedagoga Luciana Zandoná Santana participará do Aviva Leopoldina, um dos maiores mutirões de cidadania da região da Vila Leopoldina, em São Paulo, que será realizado neste domingo (23),  com o objetivo de aproximar sua metodologia de famílias de pessoas com deficiência (PCDs) e de crianças e adolescentes com transtornos ou dificuldades de aprendizagem. O evento reunirá, em um único dia, mais de 40 serviços gratuitos nas áreas de saúde, cidadania, capacitação, acolhimento, lazer e entretenimento, com a proposta de promover dignidade, acesso a direitos, dignidade e  promover o fortalecimento dos vínculos comunitários.

Durante o evento, Luciana irá apresentar às famílias o “Aprender na Prática, Territórios do Conhecimento”, projeto que utiliza museus, espaços históricos, equipamentos culturais e outros territórios da cidade como ambientes para estimular a aprendizagem a partir de experiências concretas.

A psicopedagoga também estará acompanhada de crianças, adolescentes e familiares que já participaram das atividades e poderão compartilhar suas experiências com o público. Como forma de ampliar o acesso à iniciativa, Luciana concederá cortesias a famílias interessadas para participarem das próximas atividades em grupo programadas para agosto e setembro.

“Quero aproveitar o Aviva para chegar a famílias que muitas vezes não conhecem esse tipo de possibilidade. Mais do que explicar o projeto, queremos mostrar, por meio de quem já participou, como essas experiências acontecem e como a cidade pode se transformar em um espaço de aprendizagem, convivência e descoberta”, explica Luciana.

Com 27 anos de experiência na educação, sendo 20 dedicados à alfabetização e 16 à reabilitação neurológica infantil, Luciana desenvolveu a metodologia a partir de sua experiência profissional. Ela também acumula 13 anos de atuação no Centro de Reabilitação da AACD.

Nas vivências do projeto, os participantes são estimulados a observar, experimentar, interpretar e estabelecer relações com os ambientes visitados. A partir dessas experiências, a psicopedagoga pode observar aspectos relacionados à atenção, memória, linguagem, raciocínio, comportamento, autonomia e interação social.

“Quando levamos a aprendizagem para uma experiência real, conseguimos perceber habilidades e necessidades que nem sempre aparecem nos espaços tradicionais. Um museu, um jardim, um prédio histórico ou uma rua podem despertar curiosidade, favorecer a autonomia e criar novas possibilidades de aprendizagem”, afirma. Entre as próximas atividades está uma visita mediada à Casa das Rosas, na Avenida Paulista, programada para 29 de agosto, das 10h às 11h30, destinada a crianças com dificuldades de aprendizagem e/ou pessoas com deficiência. A experiência terá como tema “Rosas que nomeiam: o jardim da Casa das Rosas”. A participação nas atividades será gratuita, mediante inscrição antecipada. Novas vivências serão realizadas em setembro, dando continuidade à programação do projeto.

Serviço: Aviva Leopoldina 2026

Data: 23 de agosto de 2026, das 10h às 16h

Entrada: gratuita

Local: Rua José César de Oliveira, 120 – região da Vila Leopoldina, São Paulo

Realização: Associação Aviva

Fonte https://diariopcd.com.br/mutirao-em-sp-reune-pessoas-com-deficiencia-para-lancamento-de-projeto-inclusivo-e-distribuicao-de-cortesias/

Postado Pôr Antonio Brito

Brasil busca classificação às quartas de final do Mundial de rúgbi em CR nesta quinta-feira, 20

Gabriel Benevides, atleta mais jovem da Seleção Brasileira, correndo com a bola no jogo contra a Austrália. | Foto: Alessandra Cabral/CPB

*nota atualizada em 20/08/2026, às 6h00

A Seleção Brasileira busca a classificação às quartas de final do Campeonato Mundial de rúgbi em cadeira de rodas nesta quinta-feira, 20, após ser derrotada pela Austrália nesta quarta-feira, 19, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo. O placar final foi de 59 a 32.

A equipe brasileira contou com uma formação diferente, com atletas que ainda não haviam estreado na competição. Entre eles estavam a carioca Hawanna Ribeiro, única mulher da equipe; o paulista Gabriel Benevides, atleta mais jovem da Seleção Brasileira, com 16 anos; e o catarinense Rafael Hoffmann, que foi o maior pontuador do Brasil, com oito tries.

“A Austrália é um time muito forte, está entre o top 5 do mundo, foi um jogo difícil, mas foi um bom teste para rodarmos outras peças da equipe e ganharmos experiência”, afirmou Hoffmann.

As quatro primeiras equipes de cada grupo avançam às quartas de final, que começam na sexta-feira, 21. Com o resultado desta quarta-feira, o Brasil segue na quarta colocação do Grupo A. A Austrália lidera a chave, seguida por Estados Unidos e Países Baixos. Canadá e Nova Zelândia completam a classificação, em quinto e sexto lugares, respectivamente.

No Grupo B, o Japão ocupa a primeira colocação, seguido por França, Grã-Bretanha, Dinamarca, Alemanha e Colômbia.

Nesta quinta-feira, 20, o Brasil encerra sua participação na fase de grupos com dois jogos. Às 11h (horário de Brasília), enfrenta a Nova Zelândia e, às 19h30, encara os Estados Unidos. Ambos os jogos serão transmitidos nos canais SporTV.

Na terça-feira, 18, a equipe brasileira garantiu a primeira vitória na competição ao vencer o Canadá por 49 a 48.

Ao fim da fase de grupos, a posição de cada seleção na tabela define os confrontos das quartas de final. O primeiro colocado do Grupo A enfrenta o quarto do Grupo B; o segundo do Grupo A encara o terceiro do Grupo B; o terceiro do Grupo A joga contra o segundo do Grupo B; e o quarto do Grupo A enfrenta o primeiro do Grupo B.

Sobre o Mundial
Organizado pela World Wheelchair Rugby (WWR), federação internacional da modalidade, o Campeonato Mundial reúne 12 seleções e aproximadamente 140 atletas.

O Brasil integra o Grupo A, ao lado de Austrália, Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia e Países Baixos. O Grupo B é formado por Japão, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Colômbia e Dinamarca.

Esta é a segunda participação da Seleção Brasileira em um Mundial de rúgbi em cadeira de rodas. O torneio também marca a primeira vez que a principal competição internacional da modalidade é realizada na América do Sul. Atualmente, o Brasil ocupa a sétima posição no ranking mundial.

O Mundial tem entrada gratuita e é aberto ao público. Os interessados podem comparecer ao Centro de Treinamento Paralímpico, na zona sul de São Paulo, para acompanhar os jogos da Seleção Brasileira e das demais equipes participantes.

A tabela de classificação e os resultados de todas as partidas estão disponíveis no site oficial da competição. Os demais confrontos também podem ser acompanhados pelos canais do Comitê Paralímpico Brasileiro e da Associação Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas (ABRC) no YouTube.

Confira todos os resultados desta quarta-feira (19/08):
Colômbia 40 x 51 França
Alemanha 44 x 52 Grã-Bretanha
Japão 56 x 43 Dinamarca
Países Baixos 44 x 40 Nova Zelândia
França 54 x 40 Alemanha
Grã-Bretanha 48 x 62 Japão
Canadá 39 x 49 Estados Unidos
Colômbia 43 x 64 Dinamarca
Brasil 32 x 59 Austrália

Confira todos os jogos desta quarta-feira (20/08):
9h – Canadá x Países Baixos
9h30 – França x Japão
11h – Brasil x Nova Zelândia
11h30 – Austrália x Estados Unidos
15h – Dinamarca x Alemanha
15h30 – Japão x Colômbia
17h – Canadá x Nova Zelândia
17h30 – Austrália x Países Baixos
19h – França x Grã-Bretanha
19h30 – Brasil x Estados Unidos

Imprensa
Os profissionais de imprensa interessados em cobrir o Campeonato Mundial de rúgbi em cadeira de rodas deve enviar um e-mail para imp@cpb.org.br com os seguintes dados: nome completo, RG ou CPF, veículo por qual irá cobrir o evento. No dia da competição, os profissionais deverão se identificar na sala de imprensa do local.

Serviço
Campeonato Mundial de rúgbi em cadeira de rodas
Datas: de 17 a 23 de agosto
Local: Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro (CTPB)
Endereço: Rodovia dos Imigrantes KM 11,5 – Vila Guarani – São Paulo

Patrocínio
A CAIXA e as Loterias CAIXA são as patrocinadoras oficiais do rúgbi em cadeira de rodas.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

Fonte https://cpb.org.br/noticias/brasil-busca-classificacao-as-quartas-de-final-do-mundial-de-rugbi-em-cr-nesta-quinta-feira-20/

Postado Pôr Antonio Brito 

Rede In apresenta propostas estratégicas e aguarda compromisso de candidatos para um Brasil Anticapacitista

Rede In apresenta propostas estratégicas e aguarda compromisso de candidatos para um Brasil Anticapacitista

A Rede In apresenta, no Pacto 33, 69 metas para educação, trabalho, acessibilidade, vida independente e outras áreas e convoca candidaturas ao Executivo e ao Legislativo a assumi-las publicamente.

Ampliar em 70% os vínculos formais de trabalho; expandir progressivamente a acessibilidade nos serviços públicos, assegurando condições de autonomia e vida independente para  pessoas com deficiência; qualificar a educação inclusiva e articular uma resposta nacional às violências estão entre as propostas do Pacto 33: Recomendações para um Brasil Anticapacitista (2027 a 2030), lançado pela Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Rede In). A publicação está disponível em duas versões, ampliada e executiva, cada uma com um QR Code que leva a formatos acessíveis, para que mais pessoas possam conhecer e acompanhar a iniciativa.

O documento reúne oito propostas estratégicas e intersetoriais, 69 metas com prazos entre 2027 e 2030 e nove diretrizes de governança. A publicação foi elaborada coletivamente pelas organizações que integram a Rede In, em um processo de diálogo e sistematização conduzido por oito grupos de trabalho. Dirigido a quem concorre a cargos no Executivo e no Legislativo, principalmente na esfera federal, o Pacto busca contribuir para que os direitos das pessoas com deficiência estejam presentes nos compromissos públicos, programas de governo e prioridades legislativas do próximo ciclo governamental.

Entre as metas estão a estruturação do Sistema Nacional de Avaliação Unificada da Deficiência (Sisnadef), a instituição de um sistema nacional de proteção e resposta às violências contra pessoas com deficiência, a regulamentação da profissão de assistente pessoal e a garantia de que ao menos 70% dos profissionais da educação tenham acesso, até 2030, à formação inicial e/ou continuada em práticas pedagógicas acessíveis e anticapacitistas.

“O Pacto 33 existe porque os direitos humanos das pessoas com deficiência ainda encontram inúmeras  barreiras para serem efetivados no cotidiano. Queremos contribuir para que o próximo ciclo governamental transforme direitos já reconhecidos em políticas públicas concretas, com metas, prazos, responsabilidades e acompanhamento”, afirma Ana Cláudia M. de Figueiredo, diretora executiva da Rede In.

As candidaturas e partidos que se comprometem a incorporar as propostas ao programa de governo ou de mandato poderão preencher o formulário específico, disponível na bio do Instagram da Rede In. As adesões serão divulgadas nas redes sociais da rede, na ordem de recebimento e sem distinção partidária.

@redebrasileiradeinclusao

“A publicação será um importante subsídio de apoio às ações de transição de governo, além de instrumento de mobilização e controle social, que permitirá à sociedade acompanhar e cobrar dos novos representantes públicos o fortalecimento de políticas públicas e a efetivação dos direitos das pessoas com deficiência no país”, enfatiza Ana Cláudia.

Por que Pacto 33?

O nome faz referência ao artigo 33 da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD), que assegura a participação da sociedade civil, especialmente das próprias pessoas com deficiência e de suas organizações representativas, no monitoramento da implementação da CDPD.

A Convenção  foi incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro com valor  de emenda constitucional e completa, em 2026, 20 anos da sua adoção pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo o Censo Demográfico de 2022, o Brasil tem 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 7,3% da população com dois anos ou mais, além de 2,4 milhões de pessoas autistas. A Rede In considera que esses números podem estar subdimensionados diante da estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), de que aproximadamente 15% da população mundial vive com deficiência.

Focos prioritários

As propostas do Pacto 33 estão organizadas em oito eixos:

1. Avaliação Biopsicossocial Unificada da Deficiência

2. Reconhecimento do igual direito ao exercício da capacidade jurídica

3. Educação Inclusiva e Anticapacitista

4. Inclusão Produtiva, Trabalho, Emprego e Renda

5. Vida Independente e Inclusão na Comunidade

6. Seguridade Social Inclusiva: Saúde, Assistência e Previdência Social

7. Acessibilidade, Tecnologia Assistiva e Desenho Universal

8. Prevenção e Enfrentamento ao Capacitismo e às Violências

Além das metas específicas de cada eixo, o documento apresenta nove diretrizes de governança. As recomendações incluem a incorporação das propostas nas transições de governo, nos planos de mandato e nos instrumentos de planejamento e orçamento público, como o Plano Plurianual, a Lei de Diretrizes Orçamentárias e a Lei Orçamentária Anual. Incluem ainda a criação, por lei, de um Fundo Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência.

Sobre a Rede In

Criada em 2018, a Rede In é composta por 14 organizações da sociedade civil, entre as quais coletivos e associações nacionais. Atua como força política independente de governos, ideologias, partidos e religiões, comprometida com a promoção e efetivação dos direitos humanos e liberdades fundamentais das pessoas com deficiência.

Seu propósito é consolidar-se como um espaço permanente de mobilização, advocacy, diálogo, formação e reflexão propositiva, contribuindo para que políticas públicas e leis assegurem a inclusão social das pessoas com deficiência desde a primeira infância e ao longo de toda a vida.

Integram a Rede In: Associação Nacional de Membros do Ministério Público de Defesa da Pessoa com Deficiência (AMPID); Associação de Pais, Amigos e Pessoas com Deficiência de Funcionários do Banco do Brasil e da Comunidade (APABB); Associação Amigos Metroviários dos Excepcionais (AME); Escola de Gente, Comunicação em Inclusão; Federação Nacional do Emprego Apoiado (FANEA); Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD); Instituto JNG, Moradia para a Vida Adulta Independente; Instituto Jô Clemente (IJC); Instituto Rodrigo Mendes (IRM); Mais Diferenças; Mangata, Coletivo Brasileiro de Pesquisadoras e Pesquisadores dos Estudos da Deficiência; Movimento Brasileiro de Mulheres Cegas e com Baixa Visão (MBMC); Rede Brasileira do Movimento de Vida Independente (Rede MVI); e Visibilidade Cegos Brasil (VCB). Membras honorárias: Ana Cláudia M. de Figueiredo e Izabel Loureiro Maior.

Fonte: Comunicação da Rede In

 
Fonte https://diariopcd.com.br/rede-in-apresenta-propostas-estrategicas-e-aguarda-compromisso-de-candidatos-para-um-brasil-anticapacitista/
 
Postado Pôr Antonio Brito 

19/08/2026

Uber e 99 tem noventa dias para responder ao MPF sobre acessibilidade no Brasil

Uber e 99 tem noventa dias para responder ao MPF sobre acessibilidade no Brasil

Recomendações às empresas visam à plena acessibilidade no transporte por aplicativos; Secretaria Nacional do Consumidor também foi acionada

O Ministério Público Federal (MPF) recomendou que as empresas de transporte por aplicativo Uber e 99 implementem mecanismos mais eficazes para garantir a acessibilidade de pessoas com deficiência e idosos no uso dos serviços prestados. As medidas devem assegurar o embarque e o desembarque seguro desses consumidores, assim como a acomodação de cadeiras de rodas, andadores e outros equipamentos assistivos nos veículos durante os trajetos. Além das adequações físicas nos carros, as empresas devem capacitar os motoristas, com o objetivo de prevenir discriminações e cancelamentos de viagens solicitadas por clientes com esse perfil.

O MPF concedeu também um prazo de 90 dias para que as plataformas apresentem um estudo sobre a viabilidade de implementação, no Brasil, de modalidades específicas de viagem para pessoas com mobilidade reduzida e outras limitações, a exemplo do chamado “Uber Access”. O modelo, já disponível para clientes da Uber em outros países, oferece veículos acessíveis e motoristas habilitados para o auxílio ativo dos passageiros no embarque e no desembarque.

Denúncias de desrespeito – As recomendações são um desdobramento das apurações que o MPF conduz sobre o desrespeito aos direitos de pessoas com deficiência e idosos no uso dos serviços que a Uber e a 99 ofertam. O inquérito civil verificou a ocorrência frequente de condutas que, na prática, impedem a utilização do transporte por esses consumidores, como a recusa de chamadas em locais de grande fluxo e o cancelamento de viagens motivado pela presença de equipamentos assistivos ou cães-guia.

As constatações tornaram-se ainda mais evidentes após a realização de uma audiência pública que o MPF promoveu em maio para debater o assunto. Na ocasião, as empresas foram requisitadas a apresentar, em 15 dias, propostas para o aperfeiçoamento dos serviços e dados sobre sanções aplicadas a motoristas que deixaram de atender adequadamente idosos e pessoas com deficiência.

As respostas, no entanto, foram insatisfatórias. A Uber não apresentou as informações requeridas e limitou-se a justificar a inviabilidade de melhoria operacional alegando uma suposta falta de incentivos governamentais para isso. Já a 99 admitiu ser impossível extrair de seu sistema os dados sobre denúncias de passageiros que enfrentaram os constrangimentos relatados, sob o argumento de que os registros não são categorizados por perfil de usuário.

Para solucionar essas lacunas, a recomendação do MPF requer que as plataformas aprimorem o monitoramento das reclamações de clientes e das eventuais sanções aplicadas aos motoristas infratores. O procurador regional dos Direitos do Cidadão adjunto em São Paulo, José Rubens Plates, autor dos pedidos, destaca que a aferição das informações é fundamental para a efetiva fiscalização e prevenção de práticas capacitistas e etaristas contra os usuários.

Direitos dos consumidores – Ao mesmo tempo, o MPF cobra providências da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) para a defesa dos direitos de pessoas com deficiência e idosos no uso de transporte por aplicativo. Em recomendação enviada ao órgão, o Ministério Público Federal pede a apuração de falhas no atendimento aos passageiros da Uber e da 99 e a avaliação de possíveis medidas regulatórias que levem à oferta de categorias de viagem específicas para esses clientes, com motoristas capacitados e veículos sem barreiras físicas que impeçam a prestação inclusiva do serviço.

Recomendações são instrumentos de atuação extrajudicial do MPF para a resolução de pendências na área cível. Caso deixem de acatar os pedidos, a Uber, a 99 e a Senacon ficam sujeitas a medidas judiciais, como o ajuizamento de ação civil pública.

Leia a íntegra das recomendações expedidas à Uber e à 99 e à Senacon.



Fonte: Assessoria de Comunicação em São Paulo
Ministério Público Federal (MPF)

Fonte https://diariopcd.com.br/uber-e-99-tem-noventa-dias-para-responder-ao-mpf-sobre-acessibilidade-no-brasil/

Postado Pôr Antonio Brito 

 

Brasil vence Canadá e conquista primeira vitória no Mundial de rúgbi em CR

Os atletas Julio Braz e Gabriel feitosa disputando a bola com os canadenses no jogo válido pelo Campeonato mundial de rúgbi em CR no CT Paralímpico | Foto: Alessandra Cabral/CPB

A Seleção Brasileira de rúgbi em cadeira de rodas conquistou sua primeira vitória no Campeonato Mundial da modalidade nesta terça-feira, 18, ao derrotar o Canadá por 49 a 48, no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro (CTPB), em São Paulo.

Em uma partida equilibrada do início ao fim, o Brasil contou com o apoio da torcida presente no CTPB. O primeiro quarto terminou empatado em 14 a 14. Na segunda etapa, os canadenses passaram à frente, mas a diferença permaneceu mínima, com o placar de 27 a 26. No terceiro quarto, a Seleção Brasileira retomou a vantagem e fechou o período em 39 a 37. Na última etapa, o Brasil marcou mais 10 pontos e confirmou a vitória por 49 a 48.

O carioca Julio Braz foi eleito o melhor jogador da partida. “Sabíamos que seria um jogo difícil, porque o Canadá tem uma excelente equipe, mas conseguimos impor nosso jogo e sair com a vitória”, afirmou o atleta.

O Brasil havia estreado no Campeonato Mundial na segunda-feira, 17, com derrota para os Países Baixos por 49 a 47. Com o resultado desta terça-feira, a Seleção soma uma vitória e uma derrota na competição.

O próximo compromisso do Brasil será nesta quarta-feira, 19, às 19h30, contra a Austrália, pela terceira rodada da fase de grupos. A partida será transmitida pelos canais SporTV.

Na quinta-feira, 20, a Seleção Brasileira terá dois jogos, contra Nova Zelândia e Estados Unidos, que definirão sua posição no Grupo A. As quatro primeiras equipes de cada grupo avançam para as fases eliminatórias, que começam na sexta-feira, 21.

Sobre o Mundial
Organizado pela World Wheelchair Rugby (WWR), federação internacional da modalidade, o Campeonato Mundial reúne 12 seleções e aproximadamente 140 atletas.

O Brasil integra o Grupo A, ao lado de Austrália, Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia e Países Baixos. O Grupo B é formado por Japão, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Colômbia e Dinamarca.

Esta é a segunda participação da Seleção Brasileira em um Mundial de rúgbi em cadeira de rodas. O torneio também marca a primeira vez que a principal competição internacional da modalidade é realizada na América do Sul. Atualmente, o Brasil ocupa a sétima posição no ranking mundial.

O Mundial tem entrada gratuita e é aberto ao público. Os interessados podem comparecer ao Centro de Treinamento Paralímpico, na zona sul de São Paulo, para acompanhar os jogos da Seleção Brasileira e das demais equipes participantes.

A tabela e os resultados de todas as partidas estão disponíveis no site oficial da competição. Os demais confrontos também podem ser acompanhados pelos canais do Comitê Paralímpico Brasileiro e da Associação Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas (ABRC) no YouTube.

Confira todos os resultados desta terça-feira (18/08):
Dinamarca 56 x 57 Grã-Bretanha
Colômbia 44 x 57 Alemanha
Nova Zelândia 31 x 62 Austrália
Estados Unidos 57 x 33 Países Baixos
Alemanha 44 x 60 Japão
Dinamarca 53 x 56 França
Colômbia 42 x 55 Grã-Bretanha
Nova Zelândia 38 x 53 Estados Unidos

Confira todos os jogos desta quarta-feira (19/08):
9h – Colômbia x França
9h30 – Alemanha x Grã-Bretanha
11h – Japão x Dinamarca
15h – Países Baixos x Nova Zelândia
15h30 – França x Alemanha
17h – Grã-Bretanha x Japão
17h30 – Canadá x Estados Unidos
19h – Colômbia x Dinamarca
19h30 – Brasil x Austrália

Imprensa
Os profissionais de imprensa interessados em cobrir o Campeonato Mundial de rúgbi em cadeira de rodas deve enviar um e-mail para imp@cpb.org.br com os seguintes dados: nome completo, RG ou CPF, veículo por qual irá cobrir o evento. No dia da competição, os profissionais deverão se identificar na sala de imprensa do local.

Serviço
Campeonato Mundial de rúgbi em cadeira de rodas
Datas: de 17 a 23 de agosto
Local: Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro (CTPB)
Endereço: Rodovia dos Imigrantes KM 11,5 – Vila Guarani – São Paulo

Patrocínio
A CAIXA e as Loterias CAIXA são as patrocinadoras oficiais do rúgbi em cadeira de rodas.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

Fonte https://cpb.org.br/noticias/brasil-vence-canada-e-conquista-primeira-vitoria-no-mundial-de-rugbi-em-cr/

Postado Pôr Antonio Brito 

Diário PcD prepara primeira relação com informações de candidatos e candidatas com deficiência que disputam as eleições 2026

Diário PcD prepara primeira relação com informações de candidatos e candidatas com deficiência que disputam as eleições 2026

Projeto Eleições Inclusivas 2026 dará visibilidade aos candidatos com deficiência que disputam as eleições de 2026. Relação será atualizada quinzenalmente. Informações sobre candidaturas devem ser encaminhadas para email coberturadiariopcd@gmail.com

O Diário PcD iniciará um amplo levantamento nacional para identificar e divulgar as candidaturas de pessoas com deficiência que disputarão as Eleições Gerais de 2026. O projeto reunirá informações sobre as candidaturas aos cargos de deputado federal, deputado estadual e distrital, senador, governador e presidente da República, oferecendo à sociedade um panorama da participação política das pessoas com deficiência no Brasil.

A cobertura será destinada a candidatos que se enquadrem em pelo menos uma das seguintes situações:

  • pessoas com deficiência que estejam concorrendo nas eleições;
  • pais e mães atípicas com candidatura oficializada;
  • candidatos que tenham histórico comprovado de atuação na defesa das pessoas com deficiência;
  • candidatos com participação reconhecida em movimentos, entidades, organizações ou iniciativas relacionadas à inclusão e à acessibilidade;
  • pessoas cuja trajetória profissional, social ou política demonstre relação efetiva com as pautas do segmento.

O objetivo não será estabelecer preferência eleitoral, mas oferecer informação jornalística ao eleitor.

Candidatos poderão enviar suas informações

Para organizar a cobertura nacional, o Diário PcD criou um e-mail específico para receber as informações dos próprios candidatos.

coberturadiariopcd@gmail.com

Cada candidato interessado em participar deverá encaminhar:

 Nome completo
• Nome pelo qual será identificado como candidato
• Cargo disputado
• Partido / Estado em que disputa as eleições
• Federação ou coligação, quando aplicável
• Breve currículo
• Informações sobre sua relação com a pauta das pessoas com deficiência
• No caso de pais ou mães atípicas, breve descrição dessa relação

A equipe de jornalismo do Diário PcD fará a organização das informações recebidas e poderá buscar dados complementares para a produção do conteúdo.

O envio das informações não significa garantia automática de publicação. A inclusão na cobertura estará sujeita aos critérios editoriais e jornalísticos do Diário PcD e à legislação eleitoral vigente.

Cobertura começa na última semana de agosto

O Diário PcD iniciará a divulgação dos candidatos selecionados na última semana de agosto, após o encerramento das convenções partidárias e com as candidaturas já apresentadas à Justiça Eleitoral.

O calendário oficial do TSE estabelece que as convenções partidárias para escolha de candidatas e candidatos ocorrem de 20 de julho a 5 de agosto de 2026, enquanto o prazo para o registro das candidaturas termina em 15 de agosto.

Por isso, a opção editorial do Diário PcD é iniciar a publicação na última semana de agosto, buscando trabalhar com informações eleitorais mais consolidadas.

Uma eleição com a participação da comunidade PcD

A iniciativa surge diante da necessidade de ampliar a visibilidade desse segmento no processo eleitoral e facilitar o acesso dos eleitores a informações confiáveis sobre candidaturas que representam a pauta da inclusão, da acessibilidade e dos direitos das pessoas com deficiência.

Embora o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disponibilize o campo de autodeclaração de deficiência no sistema de registro de candidaturas, ainda não existe uma relação organizada que permita identificar, de forma simples e acessível, quem são os candidatos com deficiência em todo o país.

As candidaturas serão registradas oficialmente até 15 de agosto de 2026, conforme o calendário eleitoral detalhado ao final da matéria.

https://youtu.be/yIeqUEsekPE?si=4Z5lxTLu7mQeMfKX 

Além da identificação das candidaturas, o portal também acompanhará o desempenho eleitoral dos candidatos, analisando o crescimento da representatividade política das pessoas com deficiência em comparação às eleições anteriores.

Nas eleições de 2022, o TSE registrou 284 candidatos a deputado estadual; 167 candidatos a deputado federal; 2 candidatos ao Senado que se autodeclararam pessoas com deficiência, uu seja, 453 candidatos com deficiência disputaram vagas nas Assembleias Legislativas, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. O TSE indeferiu 28 registros de candidaturas.

As pessoas com deficiência representaram apenas 1,6% do total de candidaturas nas eleições gerais de 2022. Entre os candidatos com deficiência:

  • 53,7% declararam deficiência física;
  • 23,4% deficiência visual;
  • 12% deficiência auditiva;
  • 2,6% autismo;
  • 8,3% outros tipos de deficiência

Em 2026 a população brasileira vai escolher quem serão os 1.059 deputados estaduais e distritais, 513 deputados federais.

Atualmente o Brasil conta com 81 parlamentares, mas no Senado Federal terá 54 vagas em disputa neste ano (duas para cada estado e duas para o Distrito Federal). As eleições ocorrem de forma alternada a cada 4 anos (renovando ora um terço, ora dois terços das vagas).

Também serão eleitos os Governadores de Estados e do Distrito Federal e quem ocupará o Palácio do Planalto.

O projeto Eleições Inclusivas 2026 busca incentivar uma democracia mais participativa e fortalecer o protagonismo das pessoas com deficiência nos espaços de decisão. A participação do segmento ainda permanece muito inferior à proporção de pessoas com deficiência existente na população brasileira.

“O eleitor precisa saber quem são os candidatos que conhecem de perto os desafios da acessibilidade, da inclusão e da defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Nosso compromisso é oferecer uma ferramenta de consulta baseada em dados oficiais, permitindo que a sociedade acompanhe e valorize a participação desse segmento na política brasileira”, afirmou Abrão Dib, editor do Diário PcD

O levantamento utilizará como base as informações públicas disponibilizadas pela Justiça Eleitoral por meio do sistema de registro de candidaturas e das bases de dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral, respeitando os critérios de transparência e publicidade do processo eleitoral.

Após a homologação das candidaturas, o Diário PcD divulgará uma relação atualizada dos candidatos com deficiência de todo o país e produzirá reportagens especiais sobre representatividade política, acessibilidade nas campanhas eleitorais, participação feminina, juventude, pessoas autistas, pessoas com doenças raras e demais segmentos da comunidade das pessoas com deficiência.

A iniciativa reafirma o compromisso do Diário PcD com a promoção da cidadania, da inclusão e da participação política, contribuindo para que as Eleições 2026 sejam também um espaço de fortalecimento da democracia e da representatividade das pessoas com deficiência no Brasil.

CALENDÁRIO ELEITORAL 2026

Julho 

Condutas vedadas 

Já a partir de 4 de julho (três meses antes do 1º turno), ficam vedadas algumas condutas por parte de agentes públicos, como nomeações, exonerações e contratações, assim como participação em inauguração de obras públicas.   

Mobilidade 

Pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida que queiram votar em outra seção ou local de votação da circunscrição têm de 18 de julho a 18 de agosto para informar a Justiça Eleitoral. 

Quantitativo do eleitorado 

Em julho, o TSE publicará, na internet, o número oficial de eleitoras e eleitores aptos a votar. Esse número servirá de base para fins de cálculo do limite de gastos dos partidos e de candidatas e candidatos nas respectivas campanhas. 

Agosto 

Convenções partidárias e registro de candidaturas   

De 20 de julho a 5 de agosto, partidos e federações realizam convenções partidárias para deliberar sobre coligações e escolher candidatas e candidatos que concorrerão aos cargos de presidente e vice-presidente da República, governador e vice-governador, senador e respectivos suplentes, bem como aos cargos de deputado federal, estadual e distrital nas Eleições de 2026. Os pedidos de registro de candidatura devem ser apresentados à Justiça Eleitoral até 15 de agosto. 

Começo da propaganda eleitoral e horário gratuito 

No dia seguinte, 16 de agosto, tem início a propaganda eleitoral nas ruas e na internet. Já o horário eleitoral gratuito nas emissoras de rádio e televisão relativo ao 1º turno das eleições passa a ser exibido a partir de 28 de agosto e termina no dia 1º de outubro. 

Vedação às emissoras de rádio e TV   

A partir de 4 de agosto, emissoras de rádio e de televisão não podem, em sua programação normal e em seu noticiário, ainda que sob a forma de entrevista jornalística:  

– transmitir imagens de realização de pesquisa ou de qualquer outro tipo de consulta popular de natureza eleitoral em que seja possível identificar o entrevistado ou em que haja manipulação de dados; 

– veicular propaganda política; 

– dar tratamento privilegiado a candidata, candidato, partido político, federação ou coligação, inclusive sob a forma de retransmissão de live eleitoral;  

– veicular ou divulgar filmes, novelas, minisséries ou qualquer outro programa com alusão ou crítica voltada especificamente a candidata, candidato, partido, federação ou coligação, mesmo que dissimuladamente, exceto programas jornalísticos ou debates políticos; 

– divulgar nome de programa que se refira a candidata ou candidato escolhido em convenção.  

Setembro 

Cerimônia de Assinatura Digital e Lacração dos Sistemas   

Até 14 de setembro, os sistemas eleitorais e os programas de verificação desenvolvidos pelas entidades fiscalizadoras deverão estar lacrados, mediante apresentação, compilação, assinatura digital e guarda das mídias pelo TSE, em Cerimônia de Assinatura Digital e Lacração dos Sistemas.  

Dia 14 de setembro também é o último dia para a eleitora ou o eleitor com deficiência ou mobilidade reduzida, bem como a população de territórios indígenas, de comunidades remanescentes de quilombos e demais comunidades tradicionais, requererem, por conta própria ou por curadora ou curador, apoiadora ou apoiador, ou procuradora ou procurador, o fornecimento de transporte especial previsto na resolução que disciplina o programa Seu Voto Importa. 

Flagrante delito   

A partir de 19 de setembro (15 dias antes do 1º turno), candidatas e candidatos não poderão ser presos, salvo no caso de flagrante delito.  

Já eleitoras e eleitores não poderão ser presos a partir de 29 de setembro até 6 de outubro, a não ser em caso de flagrante delito, em cumprimento de sentença judicial por crime inafiançável ou em razão de desrespeito a salvo-conduto.   

Outubro 

Verificação dos sistemas 

No dia 3, o TSE realiza a Cerimônia de Verificação do Sistema de Gerenciamento da Totalização, Receptor de Arquivos de Urnas, InfoArquivos e do Transportador WEB, mediante comunicação prévia às entidades fiscalizadoras. 

Transporte de armas e munições   

De 3 a 5 de outubro (um dia antes e até um dia depois do 1º turno), fica proibido a colecionadoras, colecionadores, atiradoras, atiradores, caçadoras e caçadores transportar armas e munições em todo o território nacional.  

Em razão da possibilidade de 2º turno, também não podem circular armas e munições no período de 24 a 26 de outubro em todo o território nacional.   

Data das eleições (1º turno) 

O 1º turno do pleito ocorrerá no primeiro domingo de outubro, dia 4. Eventual 2º turno será realizado no dia 25 do mesmo mês. A votação começará às 8h e terminará às 17h, sendo a votação uniformizada pelo horário de Brasília em todos os estados e no Distrito Federal. 

Em caso de 2º turno 

Do dia 9 até 23 de outubro, será veiculada propaganda eleitoral gratuita nas emissoras de rádio e televisão relativa ao 2º turno. 

A partir do dia 10, nenhum candidato que participará do 2º turno de votação poderá ser detido ou preso, salvo no caso de flagrante delito. 

A partir do dia 19, nenhum eleitor poderá ser preso ou detido, salvo em flagrante delito, ou em virtude de sentença criminal condenatória por crime inafiançável, ou por desrespeito a salvo-conduto. 

No dia 24, será realizada no TSE a Cerimônia de Verificação do Sistema de Gerenciamento da Totalização, Receptor de Arquivos de Urnas, InfoArquivos e do Transportador WEB, mediante comunicação prévia às entidades fiscalizadoras. 

Eventual 2º turno das eleições será realizado no dia 25.

Novembro

Abertura do cadastro eleitoral  

Em 3 de novembro, serão retomados:

  • a emissão da certidão de quitação eleitoral pela internet, pelo Sistema Elo e pelo E-Título;
  • o atendimento às eleitoras e aos eleitores nas unidades da Justiça Eleitoral; e
  • o serviço de pré-atendimento, via internet, para requerimento de alistamento, transferência e revisão.

Dezembro 

Justificativa eleitoral   

Eleitoras e eleitores que não votaram no 1º turno e não justificaram a falta no dia das eleições devem apresentar justificativa, até 3 de dezembro de 2026, em qualquer cartório eleitoral, pelo e-Título ou pelos portais do TSE e dos TREs na internet.  

Já a ausência no 2º turno das eleições deve ser justificada até 6 de janeiro de 2027.  

Diplomação  

Eleitas e eleitos serão diplomados pela Justiça Eleitoral até 18 de dezembro.  

Janeiro de 2027  

Posse das eleitas e eleitos 

Pela primeira vez, eleita ou eleito para o cargo de presidente da República tomará posse em 5 de janeiro de 2027 e os governadores no dia seguinte. 

Fonte: https://www.tse.jus.br/

Fonte https://diariopcd.com.br/diario-pcd-anuncia-projeto-eleicoes-inclusivas-com-a-divulgacao-de-candidatos-e-candidatas-com-deficiencia-em-2026/

Postado Pôr Antonio Brito 

18/08/2026

Escola inclusiva se constrói todos os dias

Escola inclusiva se constrói todos os dias - OPINIÃO - * Por André Barbeiro e William Ulisses

OPINIÃO

  • * Por André Barbeiro e William Ulisses

Inclusão não é favor. É direito. E é, também, um projeto de futuro para a educação brasileira. Quando falamos em inclusão nas escolas, falamos de garantir que cada estudante, com suas diferenças, ritmos e necessidades, encontre um lugar legítimo de aprendizagem e pertencimento. Um espaço inclusivo não seleciona quem pode aprender. Ela se reorganiza para que todos aprendam. 

Os números mostram que essa urgência já chegou às salas de aula. Segundo dados do Instituto Rodrigo Mendes, as matrículas da Educação Especial cresceram de 930 mil para 2,07 milhões entre 2015 e 2024. Ou seja: as escolas estão recebendo um número crescente de estudantes que compõem o público-alvo da Educação Especial: estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista e altas habilidades. O desafio agora é transformar presença em participação real. 

Para isso, o ambiente precisa acolher. Acolher é planejar aulas que considerem a diversidade, é tornar materiais, recursos e atividades acessíveis, é rever tempos e formas de avaliação. É compreender que os estudantes aprendem por diferentes caminhos e que o ensino deve oferecer múltiplas formas de acesso, participação e demonstração da aprendizagem. É a condição humana. Uma escola que acolhe entende que a diferença ensina tanto quanto o conteúdo. 

Mais do que adaptar o estudante, a inclusão exige transformar o ecossistema para eliminar barreiras e garantir acessibilidade a todos. Nesse processo, o papel do professor é central, mas não pode ser solitário. O professor é o profissional que lê a turma, que ajusta a prática, que cria pontes. Para isso, ele precisa de formação continuada, tempo para planejamento coletivo, apoio de equipes multiprofissionais e condições de trabalho dignas. Não se faz inclusão com boa vontade isolada. Faz-se com política pública, com gestão comprometida e com comunidade escolar envolvida.  

Incluir também é combater o capacitismo que ainda circula: nas falas, nas expectativas baixas, na ideia de que alguns “não dão conta”. A escola inclusiva reconhece o potencial de todos os estudantes e oferece os apoios, recursos de acessibilidade e estratégias pedagógicas necessários para que possam desenvolver suas aprendizagens. 

Construir uma educação assim exige coragem. Exige sair do modelo único de aluno ideal e assumir que a turma real é diversa. Exige parceria entre família, gestão, professores e estudantes. Exige escuta. 

Que este seja o nosso compromisso: que cada escola se pergunte diariamente: o que precisamos mudar hoje para que todos aprendam? Porque escola inclusiva não é um destino distante. É uma possibilidade. E ela começa nas pequenas escolhas que fazemos dentro da sala de aula. 

— 

André Barbeiro e William Ulisses são professores e escritores, autores do livro Matemática e inclusão: repensando o ensino para todos. 

Fonte https://diariopcd.com.br/escola-inclusiva-se-constroi-todos-os-dias/

Postado Pôr Antonio Brito 

Brasil estreia com derrota no Mundial de rúgbi em cadeira de rodas no CT Paralímpico

Gabriel Feitosa, capitão da equipe brasileira, no jogo contra os Países Baixos pelo Campeonato mundial de rúgbi em CR, no CT Paralímpico | Foto: Alessandra Cabral/CPB

*Nota atualizada 17/08/2026 às 22h54

A Seleção Brasileira estreou no Campeonato Mundial de rúgbi em cadeira de rodas com derrota diante dos Países Baixos nesta segunda-feira, 17, pelo placar apertado de 49 a 47, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo.

No primeiro quarto, os Países Baixos terminaram na frente por 14 a 13. No segundo período, a equipe holandesa manteve a vantagem e foi para o intervalo vencendo por 27 a 26. No início do terceiro quarto, o Brasil passou à frente pela primeira vez, com o fluminense Júlio Braz fazendo 29 a 28. Os Países Baixos responderam e fecharam o período vencendo por 38 a 34.

No último quarto, Júlio Braz reduziu a diferença para 44 a 41. Na sequência, o paulista Lucas Junqueira fez 44 a 42, e o paulista Gabriel Feitosa diminuiu para 44 a 43. O holandês Davy Van den Dop marcou para os Países Baixos, que voltaram a ampliar a vantagem e confirmaram a vitória por 49 a 47.

Além disso, Gabriel, que também é capitão da Seleção Brasileira, foi o maior pontuador da equipe na partida, com 30 dos 47 pontos feitos.

Mais cedo, Austrália e Canadá fizeram o primeiro confronto da competição, que terminou com vitória dos australianos por 50 a 41.

O Brasil volta às quadras nesta terça-feira, 18, às 19h30, contra o Canadá, pela segunda rodada da fase de grupos. A partida será transmitida pelos canais SporTV.

Os resultados de todos os jogos podem ser acompanhados pelo site oficial da competição, enquanto as demais partidas serão transmitidas pelo canal do Comitê Paralímpico Brasileiro e pelo canal da Associação Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas (ABRC) no YouTube. A competição é aberta ao público, e os interessados podem comparecer ao CT Paralímpico para acompanhar as partidas do Brasil e das demais seleções.

Cerimônia de abertura
A cerimônia de abertura do Campeonato Mundial contou com a presença do vice-presidente do CPB, Yohansson Nascimento; de John Timms, gerente de operações da World Wheelchair Rugby (WWR); de José Higino, presidente da Associação Brasileira de Rugby em Cadeira de Rodas (ABRC); de Joanne Lemay, cônsul-geral do Canadá em São Paulo; e de Claudia Carletto, secretária de Esportes do Governo do Estado de São Paulo.

Durante a cerimônia, Yohansson Nascimento destacou a importância da realização do Mundial no Brasil: “Foi uma alegria enorme estar aqui hoje, e aproveito para parabenizar todos os organizadores envolvidos que estão realizando esse marco para o rúgbi em cadeira de rodas. Tenho certeza de que esse evento será muito importante para o crescimento do Brasil na modalidade”.

A abertura também contou com uma apresentação musical do Corpo Musical da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Alunos da Escola Paralímpica de Esportes carregaram as bandeiras das seleções participantes durante a cerimônia.

Confira todos os jogos desta terça-feira (18/08):
9h – Dinamarca x Grã-Bretanha
9h30 – Colômbia x Alemanha
11h – Austrália x Nova Zelândia
11h30 – Estados Unidos x Países Baixos
15h30 – Alemanha x Japão
17h – Dinamarca x França
17h30 – Grã-Bretanha x Colômbia
19h – Nova Zelândia x Estados Unidos
19h30 – Brasil x Canadá

Imprensa
Os profissionais de imprensa interessados em cobrir o Campeonato Mundial de rúgbi em cadeira de rodas deve enviar um e-mail para imp@cpb.org.br com os seguintes dados: nome completo, RG ou CPF, veículo por qual irá cobrir o evento. No dia da competição, os profissionais deverão se identificar na sala de imprensa do local.

Serviço
Campeonato Mundial de rúgbi em cadeira de rodas
Datas:
de 17 a 23 de agosto
Local: Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro (CTPB)
Endereço: Rodovia dos Imigrantes KM 11,5 – Vila Guarani – São Paulo

Patrocínio
A CAIXA e as Loterias CAIXA são as patrocinadoras oficiais do rúgbi em cadeira de rodas.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

Fonte https://cpb.org.br/noticias/brasil-estreia-com-derrota-no-mundial-de-rugbi-em-cadeira-de-rodas-no-ct-paralimpico/

Postado Pôr Antonio Brito