O Brasil conquistou mais três medalhas — um ouro e duas pratas — nos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar 2026 nas provas de estrada do ciclismo, nesta sexta-feira, 3, segundo dia de disputas na Colômbia.
Com o resultado, o Brasil acumula dez pódios na Colômbia: cinco ouros e cinco pratas, e lidera o quadro de medalhas. A Colômbia, anfitriã, está na segunda colocação, com quatro ouros, três pratas e um bronze. A Venezuela aparece na terceira posição, com um ouro.
A medalha dourada do Brasil no dia veio com o ciclista mineiro Roberto Neto, que encerrou sua participação nos Jogos subindo duas vezes ao lugar mais alto do pódio, incluindo também o título do contrarrelógio obtido na quinta-feira, 2.
As disputas da modalidade acontecem no município de Agustín Codazzi, a cerca de uma hora de carro de Valledupar, capital do departamento de Cesar.
Nesta sexta-feira, 3, Roberto terminou a disputa de 45km em 1h15min10s; o colombiano Esneider Muñoz, da Colômbia, chegou a 2min06s do líder para ficar com a prata. O bronze ficou com Esteban Goddard, do Panamá, que completou a prova a 7min49s do brasileiro.
O atleta mineiro vibrou com suas primeiras conquistas em um grande evento fora do Brasil. Antes, em fevereiro, ele já havia sido medalhista de ouro no contrarrelógio e na prova de eliminação no Campeonato Pan-Americano da modalidade, mas em solo brasileiro — a competição foi realizada em Indaiatuba (SP).
“Tenho um carinho muito grande pela Colômbia por toda a paixão e a tradição dos atletas daqui no ciclismo. Ganhar essa competição aqui representando o Brasil em alto rendimento é uma satisfação muito grande”, afirmou o atleta.
Roberto, que compete pela classe C2 (atletas que utilizam bicicletas convencionais) foi submetido à amputação da perna esquerda em razão de um acidente de moto em 2006. No ano seguinte, buscou o esporte como ferramenta de socialização e qualidade de vida e, em 2012, chegou ao ciclismo.
Logo alcançou destaque e participou de um evento teste no Velódromo do Rio de Janeiro, que seria utilizado nos Jogos de 2016, para verificar a acessibilidade da instalação. Porém, em 2018 o atleta decidiu se dedicar ao setor de vendas de uma empresa de propriedade de sua família, fabricante de molhos e condimentos. Foi só em 2024, atraído novamente pelo esporte, que Roberto retornou aos treinos na mesma intensidade de antes.
“Eu colocava a cabeça no travesseiro e sabia que não tinha fechado um ciclo na minha vida. Havia um sonho lá dentro sempre me cutucando. Ainda tinha algo no ciclismo para realizar. Com a idade que tenho agora, acredito que minha última chance é esta”, lembrou o atleta de 39 anos.
Roberto disse que o apoio da família e, em especial, da namorada, são fundamentais para conseguir um bom rendimento. “Quando ela incentivou que eu voltasse, ela não tinha noção da dedicação. Eu durmo e passo o dia pensando em como vou ser mais rápido. Não consigo desfocar. Tudo o que eu como, o que faço, estou pensando se isso vai me colocar mais próximo do meu propósito. Por vezes ela pede uma pizza e eu não como, janto outra coisa para não interferir no meu desempenho. E ela entende e me apoia”, disse.
Além das medalhas de Neto, os demais pódios brasileiros vieram com o mineiro Eduardo Pimenta, da classe H3 (usam bicicletas impulsionadas com as mãos), e com a paulista Sabrina Custódia, da C2, ambas na disputa de estrada.
A prova da classe H3 foi acirrada até o final, com todos os atletas com o mesmo tempo, 1h04min22s. O ouro foi para Richard Espinoza, da Venezuela, que passou com a bicicleta à frente dos demais. A prata ficou com Eduardo Pimenta e o bronze para Sebastian Morales, do Chile.
Sabrina garantiu a prata ao completar seu percurso a cinco segundos da líder, a colombiana Daniela Munévar, que fez 1h05min04s. O bronze foi para Maria Sergo, da Argentina, a 12min10s da primeira colocada.
As disputas de ciclismo se encerram neste sábado, 4, com provas de estrada para atletas da classe B (deficiência visual) e C4/C5 (bicicletas convencionais).
Basquete em cadeira de rodas estreia com vitória
Na
manhã de sexta-feira começaram as disputas do basquete em cadeira de
rodas para o Brasil, no Coliseo de Baloncesto de la Gota Fría, em
Valledupar.
A Seleção Brasileira feminina venceu a Bolívia por 74 a 9, impondo amplo domínio desde o início da partida, abrindo vantagem de 30 pontos (34 a 4) ao fim do segundo quarto.
O Brasil está no grupo B do torneio e ainda enfrenta a Colômbia na primeira fase. Os dois primeiros colocados de cada grupo se classificam para as semifinais.
Jogos Parasul-Americanos
O Brasil participa dos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar 2026 com 237 atletas de 13 modalidades, além de quatro atletas-guia (atletismo), quatro pilotos (ciclismo), dois goleiros (futebol de cegos) e dois calheiros (bocha).
Este é o primeiro evento multimodalidade com a participação brasileira dentro do ciclo dos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028, nos Estados Unidos. Na edição anterior dos Jogos, o país ficou com um histórico quinto lugar no quadro geral de medalhas, após conquistar 25 ouros, 25 pratas e 38 bronzes.
O Brasil participa do evento com uma delegação formada por atletas de 26 estados e do Distrito Federal que une experiência e juventude, com 131 homens e 106 mulheres.
Por um lado, são 50 atletas que já conquistaram medalhas em Mundiais e 48 que já subiram ao pódio em edições dos Jogos Paralímpicos entre os convocados para competir na Colômbia. Por outro, o grupo conta com 80 atletas que terão no máximo 23 anos na data de início da competição.
Os primeiros Jogos Parasul-Americanos foram realizados em 2014, em Santiago, no Chile. Mais de 580 atletas de oito países competiram em sete modalidades. Na ocasião, o Brasil terminou em segundo no quadro geral de medalhas, com 104 pódios conquistados, atrás apenas da Argentina.
Uma segunda edição do evento chegou a ser prevista para 2018 em Buenos Aires, na Argentina, mas foi cancelada por questões financeiras.
Time São Paulo
A
atleta Sabrina Custódia integra o Time São Paulo, parceria entre o CPB e
a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São
Paulo, que beneficia 157 atletas.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)
Fonte https://cpb.org.br/noticias/valledupar-2026-ciclista-revive-sonho-no-esporte-apos-pausa-na-carreira-e-conquista-dois-ouros-nos-jogos-parasul-americanos/
Postado Pôr Antônio Brito
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