Carta
com pedido de exoneração do então Secretário de Esportes do município
de São Caetano do Sul foi aceita pelo prefeito Tite Campanella.
O secretário municipal de Esportes, Mauro Chekin, pediu exoneração do
cargo após a forte repercussão de declarações consideradas capacitistas
durante uma audiência pública na Câmara Municipal. A informação foi
divulgada com exclusividade pelo Diário PcD.
As falas do então secretário provocaram reação imediata de entidades
ligadas à defesa dos direitos das pessoas com deficiência,
parlamentares, atletas paralímpicos e do próprio Ministério do Esporte e
Comite Paralimpíco Brasileito. Durante a audiência, Chekin afirmou ter
dificuldades em lidar com pessoas com deficiência e classificou a
inclusão como um “problema”, o que gerou acusações de preconceito e
despreparo para exercer a função pública.
Organizações da sociedade civil apontaram que as declarações
reforçavam o capacitismo institucional e desrespeitavam princípios
previstos na Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Para
Abrão Dib, presidente da ANAPcD – Associação Nacional de Apoio às
Pessoas com Deficiência, “de nada adiantar trocar uma pessoa no alto
escalão do município se não houver a colocação em prática de respeito e
compromisso com o segmento. Já aconteceram fatos parecidos no passado em
outros momentos, e o que parece é que somente um pedido de exoneração
resolve o problema. A partir de agora será que a cidade de São Caetano
do Sul vai rever o conceito de inclusão e acessibilidade?”.
Para André Naves, Defensor Público Federal, “as falas são violentas,
mas é o retrato do capacitismo estrutural que o Brasil escolheu não ver.
Quando alguém diz que falta estrutura, só está confessando uma escolha
política: a escolha de não incluir’.
Nos bastidores, a pressão pela saída do secretário aumentou nos
últimos dias, incluindo pedidos públicos de exoneração e representações
encaminhadas ao Ministério Público. A saída de Chekin ocorre em meio ao
desgaste político provocado pelo caso.
Confira trecho da carta de pedido de exoneração de Mauro Checkin
“Em razão dos fatos ocorridos na audiência pública na Câmara
Municipal, da Secretaria de Esportes, Lazer e Juventude da Prefeitura de
São Caetano do Sul, peço exoneração do cargo, reconhecendo o erro de
abordagem do tema inclusão no esporte, pedindo sinceras desculpas pelo
ocorrido.
Reafirmo meu compromisso como professor de Educação Física de
carreira da municipalidade e vou procurar aperfeiçoamento profissional
relacionado à inclusão.
Agradeço ao prefeito Tite Campanella pela oportunidade, reforçando
que sigo e seguirei trabalhando pelo esporte, como fiz em toda minha
carreira. – Mauro Chekin”.
Atleta Patricia Pereira no Mundial Paralímpico de Natação em Singapura em 2025 | Foto: Marcelo Zambrana/CPB
A Seleção Brasileira de natação conquistou um ouro, duas pratas e um bronze nesta sexta-feira, 8, segundo dia do World Series de natação em Berlim, na Alemanha.
Com estes resultados, o Brasil chega a 14 pódios na competição:
quatro ouros, sete pratas e dois bronzes, entre adultos, e um ouro entre
jovens.
As provas do World Series são disputadas no formato multiclasses, em
que atletas de diferentes classes competem na mesma série. As
classificações às finais e a definição das medalhas são feitas por meio
do Índice Técnico da Competição (ITC).
O ouro brasileiro do dia veio com a mineira Patrícia Pereira
(classes S4 e SB3, para atletas com comprometimento físico-motor), na
prova dos 50m peito. A nadadora venceu a disputa com a marca de 56s19 e
921 pontos. A prata ficou com a ucraniana Maryna Verbova, da classe SB3,
com 59s12 e 842 pontos. O bronze foi para a espanhola Teresa Perales,
da classe SB1, com 1min36s31 e 754 pontos.
“Esta medalha é muito importante em razão de todo o processo de
evolução que estou vivendo aos 49 anos. É complexo para nós atletas
mulheres viverem este momento de mudanças em nosso corpo. Mas é bacana
enfrentar este desafio aos lado dos profissionais que nos cercam e
conseguir um resultado assim como o de hoje. Isto fortalece nosso
trabalho, me fortalece como mulher e como atleta. Mostra que estou no
caminho certo. Que bom eu não ter desistido. Ainda vou dar muito
trabalho para minhas adversárias”, afirmou a nadadora.
O mineiro Arthur Xavier,
da classe S14 (deficiência intelectual), conquistou a prata nos 200m
livre, com 1min58s90 e 934 pontos. O ouro foi do britânico William
Ellard, também S14, com 1min56s77 e 964 pontos. O espanhol Antoni Ponce
Bertran, da classe S5 (comprometimento físico-motor), com 2min36s75 e
913 pontos, completou o pódio.
“Esta é uma prova que comecei a treinar neste ano. Tenho muito a
melhorar. Eu gostei. Poderia ter feito um final melhor, mas sei que vou
me desenvolver”, disse Arthur. Na véspera, o mineiro já havia
conquistado a prata na prova dos 100m livre.
A paulista Beatriz Flausino
também conquistou sua segunda medalha em Berlim, desta vez um bronze
nos 100m borboleta. A atleta da classe S14 terminou a prova em 1min09s55
e marcou 869 pontos. A britânica Faye Rogers, da classe S10
(comprometimento físico-motor), ficou em primeiro, com 1min03s54 e 982
pontos. A também britânica Tara Beard, da classe S14, ficou em segundo,
com 1min05s53 e 973 pontos.
O paulista Gabriel Bandeira,
da classe S14, foi prata na prova dos 100m borboleta, com 55s57 e 1000
pontos. O pódio foi todo formado por atletas da mesma classe de Gabriel.
O ouro foi obtido pelo dinamarquês Alexander Hillhouse, da classe S14,
com 55s18 e 1011 pontos, e o bronze pelo britânico Mark Tompsett, com
57s81 e 930 pontos.
“Minha expectativa era nadar para 55 segundos, pois não fazia um tiro
de borboleta desde o Mundial de Singapura no ano passado [em setembro] e
estou voltando de lesão. Agora é seguir evoluindo”, analisou Gabriel,
que foi o campeão paralímpico dos 100m borboleta em Tóquio 2020.
A etapa de Berlim do World Series segue até sábado, 9, com 17
brasileiros em ação. A seguir, 11 jovens atletas se juntam à Seleção
para a disputa do IDM (Campeonato Alemão internacional de natação), a
partir de domingo, 10.
Patrocínio As Loterias CAIXA e a CAIXA são as patrocinadoras oficiais da natação.
Programa Loterias CAIXA Atletas de Alto Nível Os
atletas Arthur Xavier, Gabriel Bandeira e Patrícia Pereira são
integrantes do Programa Loterias CAIXA Atletas de Alto Nível, programa
de patrocínio individual da Loterias CAIXA e da CAIXA que beneficia 142
atletas.
Time São Paulo As atletas Beatriz Flausino e
Patrícia Pereira integram o Time São Paulo, parceria entre o CPB e a
Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São
Paulo, que beneficia 156 atletas.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)
Golpistas
usam inteligência artificial para criar perfis falsos de mulheres com
deficiência e aplicar fraudes com promessas de conteúdo e
relacionamentos.
Não falta mais nada... A Inteligência Artificial alcançou um novo e perigoso patamar de exploração.
Perfis
que simulam lindas jovens com deficiência estão viralizando nas redes
sociais com vídeos dramáticos sobre solidão e busca por um amor. Só que,
por trás das imagens realistas de mulheres amputadas ou cadeirantes,
não há uma pessoa real, mas sim algoritmos programados para o lucro
ilícito e a exploração de fetiches.
Os
perfis seguem um roteiro padrão: são publicados vídeos de jovens
"chorando" ou lamentando a dificuldade de encontrar um parceiro devido à
sua deficiência. O objetivo é simples e duplo: alcançar e atingir
milhares de homens, que são impactados pela beleza das moças e os
sentimentos de fragilidade delas.
Eles então começam uma conversa com investidas sexuais ou promessas de amor, impulsionando o perfil falso e golpista.
Na
bio ou nos comentários, os links levam a grupos de Telegram onde se
promete conteúdo adulto para esses interessados. Em muitos casos, após
um pagamento via Pix, o usuário recebe links quebrados ou então acaba
sendo bloqueado, configurando estelionato.
Embora
criar um perfil de IA não seja ilegal, o uso dela para criação desse
tipo de material com intenção ilícita, segundo especialistas, é crime e
caracteriza estelionato a partir do momento que eles recebem pagamentos.
É preciso ficar atento a tudo que se recebe hoje em dia em suas redes sociais e até pelo WhatsApp.
Mostra
traz 20 obras do artista de 14 anos, que tem Síndrome de Down e TEA, e
já expôs sua arte em Londres. Abertura nesta quarta-feira (13) e a
entrada é gratuita
A partir do dia 13 de maio, o Museu da Inclusão recebe a exposição
“Arte, Harmonia&Paz, que busca promover a conscientização sobre o
potencial criativo e as oportunidades das pessoas com deficiência,
reafirmando a arte como um território verdadeiramente democrático:
livre, plural e sem amarras.
As 20 obras da exposição foram pintadas por Henrique Yasuhiro, de 14
anos. O jovem artista natural de Santo André (SP) é uma pessoa com
Síndrome de Down, autismo e uma produção marcada pela espontaneidade,
intensidade e mescla de cores, uma linguagem visual abstrata, mas
intuitiva, que dialoga diretamente com o campo da arte contemporânea.
Henrique já tem duas exposições internacionais no currículo. Sua
estreia ocorreu em 2022, na mostra Artistas pela Paz, realizada no
Circolo Italiano San Paolo. No mesmo ano, expôs em Londres, doando obras
ao Rotary Club Chiswick & Brentford, Londres – Uk para leilão
beneficente em apoio a crianças refugiadas da Ucrânia.
Para o secretário de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência,
Marcos da Costa, a exposição representa muito mais do que um conjunto de
belos quadros coloridos. “O Henrique nos lembra, com suas obras e as
exposições internacionais no currículo, que, quando abrimos espaço e
oferecemos oportunidades reais, as pessoas com deficiência transformam o
mundo. Cada um deve exercer seu papel de agente transformador para
juntos construirmos uma sociedade mais inclusiva”.
O diálogo entre arte visual e música, reunindo fragmentos de canções
que ecoam, ampliam e atravessam o sentido das obras apresentadas, levam
os visitantes a refletirem sobre a importância de cada pessoa aceitar a
si mesmo, o outro, entendendo que todos somos resultado das histórias e
sentimentos vivenciados ao longo da trajetória percorrida. Essa reflexão
é muito importante para construirmos uma sociedade mais inclusiva,
encarando as diferenças com maior empatia.
Os quadros repletos de cores e elementos que simbolizam a
persistência das pessoas com deficiência, resistindo à violação de
diversos direitos para seguir lutando por seu espaço, convida o público a
transformar pontos de vista e comportamentos para abrir novas
oportunidades de interação e conviver de forma mais pacífica e harmônica
com as diferenças, sejam elas aparentes ou não.
A exposição vai até o dia 22 de maio, de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h. A entrada é gratuita.
Serviço
Exposição: Arte, Harmonia&Paz
Local: Museu da Inclusão
Endereço: Av Mário de Andrade, 564 – Portão 10
Abertura oficial: 13 de maio de 2026, às 14h
Realização: Ministério da Cultura, com apoio institucional da Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência
Encontro internacional em Londres reuniu artistas de diversos países para marcar a trajetória da Associação
A Associação Internacional dos Pintores com a Boca e os Pés (APBP)
celebra seus 70 anos de atuação com a realização de um encontro
internacional em Londres, reunindo artistas de diversos países.
A iniciativa marcou uma trajetória construída ao longo de sete
décadas, dedicada à promoção da autonomia, inclusão e valorização de
artistas que produzem suas obras utilizando a boca e os pés, devido ao
impedimento do uso dos seus membros superiores. Mais do que uma
celebração, o encontro representa um importante momento de conexão e
troca de experiências.
A programação contou com momentos de grande destaque, como o jantar
de gala realizado no histórico Guildhall, que reuniu convidados e
artistas em uma noite especial de celebração. Outro marco foi a
inauguração da exposição no dia 14 de abril, no Lindley Hall, onde foram
apresentadas obras de artistas de mais de 33 países, evidenciando a
diversidade e o alcance global da associação. A exposição também contou
com a presença da Duquesa de Edimburgo, reforçando a relevância
institucional e cultural do encontro.
Durante a programação, artistas de diferentes nacionalidades
compartilharam vivências, apresentaram seus trabalhos e celebraram o
impacto cultural e social gerado pela APBP ao longo de sua história. A
iniciativa reforça o compromisso contínuo da associação com o
desenvolvimento artístico e a ampliação de oportunidades para seus
membros.
A celebração dos 70 anos, realizada em Londres, simboliza não apenas a
história construída até aqui, mas também o olhar voltado para o futuro —
pautado pela expansão, inovação e fortalecimento de sua marca.
Disputa entre São Paulo e Paraíba no Rúgbi em Cadeira de Rodas nas
Paralímpiadas Escolares 2025, no CT Paralímpico | Foto: Wander Roberto/CPB
O Centro de Treinamento do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), em São Paulo, recebe neste sábado, 9, o Festival Escola Paralímpica de rúgbi em cadeira de rodas.
O evento, das 9h às 12h (horário de Brasília), reúne cerca de 70
crianças participantes da Escolinha Paralímpica em uma manhã marcada por
integração, diversão e aprendizado.
Voltado exclusivamente para os alunos já inscritos no projeto, o
festival não contará com inscrições abertas ao público. A proposta é que
as crianças possam vivenciar o rúgbi de forma lúdica, por meio de
atividades recreativas adaptadas.
Um dos destaques do evento é a participação das famílias. Pais e
responsáveis também poderão se envolver nas dinâmicas, fortalecendo os
vínculos e promovendo um momento especial de convivência entre todos os
participantes.
A iniciativa reforça o compromisso do CPB com o desenvolvimento
esportivo, incentivando a prática esportiva desde a infância em um
ambiente acolhedor e divertido, incluindo os familiares.
Além das atividades esportivas, o festival oferece um kit de lanche
para as crianças. Ao final do evento, elas também receberão um brinde.
Assessoria de Imprensa do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)
Corinthians
abre inscrições para seletiva de futsal Down em São Paulo. Atletas a
partir de 16 anos podem participar do projeto inclusivo até 9 de maio.
Estão
abertas as inscrições para a Seletiva de Futsal Down do Corinthians, na
zona leste da capital paulista, para atletas masculino e feminino, a
partir de 16 anos.
As inscrições estão acontecendo e vão até o dia 9 de maio.
A
seletiva em si acontecerá no dia 16 de maio, sábado, no Parque São
Jorge, sede do Corinthians, Ginásio Bernardão, no bairro do Tatuapé, em
São Paulo/SP.
Você
pode fazer parte desse grande projeto de inclusão, esporte e superação.
Mostre seu talento e venha vestir essa camisa do Corinthians.
Para participar, é preciso preencher a inscrição no link:
Paraná
realiza avaliação com ampla acessibilidade para mais de 113 mil
estudantes da Educação Especial, incluindo provas em Braille, Libras e
adaptações para diferentes necessidades.
Mais
de 113 mil estudantes da Educação Especial da rede estadual de ensino
do Paraná fazem a chamada “Prova Paraná”, com adaptações específicas.
Será nos dias 19 e 20 de maio, em uma avaliação que mobiliza cerca de
1,1 milhão de alunos em todo o Estado. A avaliação mantém o mesmo
conteúdo para todos, mas adapta a forma de aplicação conforme o perfil
do estudante, com mudanças no formato, tempo adicional, apoio
profissional e uso de recursos específicos.
Conforme
dados da Secretaria Estadual da Educação (SEED-PR), nesta edição, 1.773
estudantes dos ensinos fundamental e médio realizam a avaliação com
recursos especializados: 57 alunos cegos fazem a prova em Braille; 1.692
com baixa visão recebem versões ampliadas ou superampliadas, com
ajustes de contraste e organização visual; e 24 estudantes com Síndrome
de Irlen contam com adaptações de cor e luminosidade, incluindo o uso de
lâminas coloridas. Estudantes surdos têm acesso a vídeos com tradução
em Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Outros
28 mil estudantes realizam a avaliação com tempo adicional, apoio
profissional, aplicação em ambiente específico, transcrição de respostas
e leitura assistida. As adaptações atendem diferentes perfis de
aprendizagem, incluindo estudantes com deficiências, transtornos do
neurodesenvolvimento, transtornos funcionais específicos e altas
habilidades ou superdotação.
A
rede estadual soma atualmente 113.861 estudantes da educação especial,
12,5% do total. A maior parte das matrículas está concentrada em
transtornos funcionais específicos (71.287), como dislexia e TDAH
(transtorno de déficit de atenção e hiperatividade), além de estudantes
com transtorno do espectro autista — TEA (17.441) e deficiência
intelectual (17.351).
Outros
grupos incluem deficiências visuais, com 2.433 estudantes com baixa
visão e 172 com cegueira; deficiências físicas (1.872) e deficiências
auditivas (1.109), além de surdez (668). Há ainda registros de
deficiência múltipla (779), atraso no desenvolvimento neuropsicomotor
(718), surdocegueira (31) e visão monocular (11).
O
crescimento da educação especial acompanha a ampliação das adaptações. O
número de estudantes atendidos passou de 71,5 mil em 2021 para mais de
113 mil em 2026, aumento de quase 63%.
A
prova é padronizada quanto ao conteúdo e aos objetivos. O diferencial
está na oferta de recursos e apoios necessários para assegurar condições
adequadas de participação dos estudantes da Educação Especial.
As
versões acessíveis da Prova Paraná levam de 40 a 60 dias para serem
produzidas. A partir da prova original, cada questão é adaptada conforme
o público: há transcrição em Braille, arquivos digitais para leitores
de tela, versões ampliadas e superampliadas e tradução para Libras em
vídeo. Todo o material passa por revisão técnica e validação pedagógica
antes da aplicação.
Para
estudantes autistas ou com deficiência intelectual, a adaptação vai
além do formato. Inclui preparação prévia, explicação da rotina, tempo
ampliado, mediação de professor especializado, apoio com leitor ou
transcritor e aplicação em ambientes mais controlados, garantindo
participação com acessibilidade.
Criada
em 2019, a “Prova Paraná” atualmente inclui conteúdos da formação geral
básica e dos itinerários formativos do Novo Ensino Médio.
Aplicada
às redes estadual e dos municípios que aderem ao sistema, a avaliação
orienta o acompanhamento contínuo da aprendizagem e subsidia decisões
pedagógicas ao longo do ano letivo. Desde as primeiras edições,
estudantes da Educação Especial participam da avaliação, com ampliação
progressiva dos recursos de acessibilidade.
Quando
tratamentos essenciais são recusados, adiados ou esvaziados pela
burocracia, não é apenas o paciente que sofre. Toda a família adoece
junto.
Há dores que não aparecem nos laudos médicos.
Não constam em exames. Não entram em planilhas. Não costumam ser consideradas nas negativas administrativas.
São as noites sem dormir de mães e pais aflitos. A angústia de quem
vê o tempo passar enquanto uma criança perde estímulos importantes. O
desgaste emocional de famílias que precisam implorar por terapias
básicas. O medo silencioso de idosos que aguardam reabilitação sem saber
se recuperarão autonomia.
Quando uma terapia essencial é negada, atrasada ou interrompida, o impacto ultrapassa o paciente.
Ele alcança a casa inteira.
O sofrimento que não entra no processo
Muito se discute sobre custos assistenciais, cobertura contratual,
rol de procedimentos e equilíbrio financeiro do sistema. São temas
relevantes. Mas existe uma dimensão frequentemente ignorada: o custo
humano da demora.
Enquanto setores burocráticos trocam documentos e decisões são
postergadas, famílias reorganizam suas vidas em torno da urgência.
Há mães que abandonam o emprego para acompanhar tratamentos.
Há pais que acumulam jornadas exaustivas para custear sessões particulares.
Há avós que se tornam cuidadores em tempo integral.
Há casais que entram em colapso emocional.
Há irmãos que crescem em meio ao estresse constante.
A negativa raramente atinge uma única pessoa.
Ela se espalha.
Crianças que não podem esperar
No caso de crianças com deficiência, especialmente em situações que
demandam intervenção precoce, o tempo possui valor terapêutico.
Meses perdidos podem significar regressões, atraso no desenvolvimento, dificuldades futuras e sofrimento evitável.
No caso de crianças autistas, a continuidade do acompanhamento
multiprofissional frequentemente é decisiva para comunicação, autonomia,
socialização e aprendizagem.
Fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia, fisioterapia,
análise do comportamento aplicada e outras intervenções indicadas
clinicamente não representam luxo nem excesso.
Representam cuidado.
Negar ou retardar esse acompanhamento não configura simples discussão contratual.
Pode significar perda concreta de oportunidades de desenvolvimento.
As famílias sabem disso. Por isso insistem tanto.
Não se trata de capricho.
Trata-se de urgência.
As negativas que mudaram de forma
Nem toda recusa chega por escrito.
Muitas vezes ela aparece na limitação arbitrária de sessões, na
ausência de profissionais especializados na rede credenciada, na troca
constante de terapeutas, na exigência interminável de relatórios, na
demora para autorizações, no descredenciamento repentino de clínicas ou
na oferta de atendimento incompatível com a necessidade do paciente.
Em tese, o tratamento existe.
Na prática, não chega.
Negar por obstáculos também é negar.
Para quem depende de continuidade terapêutica, cada mês perdido pesa.
O que dizem a Justiça e a regulação
A Agência Nacional de Saúde Suplementar promoveu avanços regulatórios
ao afastar limites automáticos para determinadas terapias relacionadas
ao tratamento do transtorno do espectro autista, reconhecendo a
necessidade de cuidado contínuo e individualizado.
Em março de 2026, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento
de que planos de saúde não podem limitar o número de sessões de
psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia e terapia ocupacional
prescritas a pessoas com transtorno do espectro autista. A Corte
considerou abusivas restrições padronizadas incompatíveis com a
necessidade clínica do paciente.
A decisão foi fixada sob o rito dos recursos repetitivos, o que
reforça sua relevância nacional para casos semelhantes em tramitação.
Idosos também sofrem em silêncio
A discussão pública costuma concentrar-se na infância, mas milhares de pessoas idosas enfrentam dramas semelhantes.
Após AVCs, fraturas, internações prolongadas ou doenças
degenerativas, terapias de reabilitação podem definir se alguém voltará a
andar, falar com autonomia, alimentar-se sozinho ou realizar atividades
básicas da vida cotidiana.
Quando esse cuidado não chega a tempo, o prejuízo pode se tornar irreversível.
E junto com o idoso sofre toda a rede familiar.
Filhos adoeçam emocionalmente. Cuidadores se esgotam. A rotina se desestrutura.
O que a lei protege
A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 consagra a
dignidade da pessoa humana e o direito à saúde como valores centrais do
Estado brasileiro.
A Lei nº 12.764/2012 assegura às pessoas autistas acesso à saúde, diagnóstico precoce e atendimento multiprofissional.
O Estatuto da Pessoa Idosa reforça a prioridade no acesso à saúde e à reabilitação.
A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência garante
atenção integral à saúde da pessoa com deficiência, inclusive com
serviços adequados às necessidades individuais.
No campo da saúde suplementar, a jurisprudência brasileira consolidou
importantes limites contra negativas abusivas, especialmente quando há
prescrição médica idônea, indicação técnica fundamentada e necessidade
comprovada.
Em outras palavras, o ordenamento jurídico não protege apenas contratos.
Protege pessoas.
Judicialização não é escolha livre
Quando a terapia é negada, muitas famílias recorrem ao Judiciário como último caminho.
Mas acionar a Justiça exige energia, tempo e recursos emocionais que frequentemente já estão esgotados.
É preciso reunir documentos, laudos, receitas, relatórios, protocolos
de atendimento, histórico clínico e enfrentar a ansiedade da espera.
Muitas famílias não judicializam por estratégia.
Judicializam por desespero.
Enquanto isso, o relógio clínico continua correndo.
Ganhar a ação, em muitos casos, não apaga o desgaste vivido até ali.
Omissão também produz dano
Há quem trate negativas como mero procedimento administrativo. Não são.
Quando a recusa injustificada posterga cuidado essencial, a omissão produz efeitos concretos:
agravamento clínico;
regressão funcional;
sofrimento psíquico;
endividamento familiar;
ruptura da rotina doméstica;
exaustão emocional de cuidadores.
O dano nem sempre é visível, mas existe.
O que precisa mudar
É necessário avançar em medidas reais:
respostas administrativas céleres;
análise técnica individualizada;
respeito à prescrição fundamentada;
rede credenciada efetiva e suficiente;
canais rápidos de revisão;
mediação menos burocrática;
fiscalização de abusos;
apoio às famílias cuidadoras;
prioridade a casos urgentes.
Saúde não pode ser tratada com indiferença protocolar.
Quando uma terapia necessária é negada, não se interrompe apenas um tratamento.
Interrompem-se as expectativas. Abalam-se rotinas. Exaurem-se famílias. Adia-se dignidade.
Por trás de cada negativa existe alguém tentando evoluir, recuperar
movimentos, desenvolver linguagem, preservar autonomia ou simplesmente
viver com menos dor.
O sistema não pode continuar discutindo custos financeiros
enquanto tantas famílias pagam, sozinhas, o custo emocional da omissão.
* Igor Lima é advogado (OAB/RJ), especialista em Direitos Humanos e
sustentabilidade, e pessoa com deficiência. Coordenador da coletânea
jurídica “Deficiência e os Desafios para uma Sociedade Inclusiva”,
citada no STJ, TST, STF e presente em instituições como Harvard e
Universidade de Coimbra. Autor de artigos publicados em espaços como
ABDConst, Future Law e revistas jurídicas nacionais, atua como
palestrante em instituições como UERJ, UFRJ, UFF, OAB/RJ e MPRJ.
Dedica-se à pesquisa e defesa dos direitos das pessoas com deficiência,
com experiência em inclusão, políticas públicas e ESG.
Morreu
aos 59 anos Alessandro Zanardi, ex-piloto da Fórmula 1 e multicampeão
paralímpico, símbolo mundial de superação e inspiração no esporte.
Faleceu
nesta última sexta-feira, 1º de maio, aos 59 anos, o ex-piloto de
Fórmula 1 e multicampeão do paraciclismo Alessandro Zanardi.
Zanardi
foi destaque da Fórmula 3000 em 1991, chegando até a Fórmula 1 no ano
seguinte. Foi campeão de Fórmula Indy em 1997 e 1998 e, em 2001,
correndo pela equipe Honda, sofreu um grave acidente na categoria e teve
que amputar as duas pernas. No acidente, Zanardi teve o corpo partido
ao meio na hora.
O
acidente aconteceu a 320 km/h e o piloto perdeu 75% do sangue do seu
corpo. Seu coração parou sete vezes e as suas pernas foram arrancadas
instantaneamente com a pancada.
Mas,
para ele, parar nunca foi uma possibilidade. O italiano se reinventou
no esporte, conquistando medalhas de ouro e prata nos Jogos Paralímpicos
de Londres 2012 e Rio 2016.
O mundo lamenta a perda deste grande esportista, grande homem, grande exemplo de vida e superação.
Coincidentemente
ou não, Zanardi faleceu no mesmo dia que o nosso campeão e também ídolo
mundial da Fórmula 1, Airton Senna. Zanardi dizia: “Eu não perdi minhas
pernas, eu ganhei minha vida.”
Assista ao vídeo do acidente de Zanardi na Fórmula Indy no link: