11/06/2026

Copa do Mundo é oportunidade para trabalhar socialização e lidar com frustrações no autismo

Copa do Mundo é oportunidade para trabalhar socialização e lidar com frustrações no autismo

Interesse pelo futebol, troca de figurinhas e atividades temáticas ajudam no desenvolvimento de habilidades sociais; especialistas orientam famílias sobre quebra de rotina e excesso de estímulos

A Copa do Mundo costuma mobilizar emoções, conversas e atividades coletivas em escolas, famílias e grupos de amigos. Para crianças e adolescentes no Transtorno do Espectro Autista (TEA), esse período pode representar tanto desafios relacionados às mudanças na rotina e ao excesso de estímulos quanto oportunidades reais para desenvolver habilidades sociais, comunicação e regulação emocional.

Segundo especialistas do GAIADI – Grupo de Avaliação e Intervenção dos Atrasos do Desenvolvimento Infantil, em Ribeirão Preto (SP), o interesse pelo futebol e pelos eventos ligados à competição pode ser utilizado de forma positiva no cotidiano, desde que as experiências sejam planejadas e respeitem as características de cada criança.

Para a psicóloga Giovanna Bim Sebastiani, eventos de grande mobilização têm potencial para favorecer interações sociais de maneira mais espontânea. “A Copa cria situações em que crianças e adolescentes autistas podem se engajar socialmente a partir de um interesse genuinamente compartilhado, sem que a interação seja o foco explícito da situação. Isso reduz a pressão interpessoal e favorece um aprendizado mais próximo do cotidiano real”, explica.

Ela ressalta, porém, que não existe uma fórmula única. “O espectro autista é heterogêneo, e para muitos jovens esses mesmos eventos representam sobrecarga sensorial e emocional. O que faz a diferença não é o evento em si, mas o uso intencional e planejado dele, considerando o perfil individual de cada pessoa”, afirma.

Interesse em comum favorece interação

Atividades típicas desse período, como colecionar figurinhas, conversar sobre os jogos, participar de bolões ou de ações temáticas nas escolas ou no trabalho, podem criar oportunidades naturais para o desenvolvimento de habilidades sociais.

A aplicadora ABA Marina Matos de Oliveira explica que interesses compartilhados funcionam como uma ponte para a comunicação. “Ao partir de algo que já desperta interesse na pessoa, é possível aumentar o engajamento, fortalecer a motivação e trabalhar habilidades como atenção compartilhada, manutenção de conversas e respeito ao turno de fala. Também é uma oportunidade para estimular a expressão de opiniões, preferências e emoções”, comenta.

Segundo ela, atividades como a troca de figurinhas estimulam iniciativa social, negociação e interação entre pares. “Quando a atividade é significativa e prazerosa, a participação acontece com mais segurança, e isso abre espaço para desenvolver habilidades sociais, comunicação funcional e sentimento de pertencimento”, diz.

Na avaliação de Giovana, essas situações funcionam como verdadeiros roteiros sociais do cotidiano. “Pedir uma figurinha, oferecer outra, negociar uma troca: são sequências simples, mas que treinam iniciação de conversa, reciprocidade e manutenção de tópico de forma contextualizada. O aprendizado em contextos com motivação real tende a ser mais duradouro e funcional”, explica.

Mudanças na rotina exigem atenção

Ao mesmo tempo, a Copa do Mundo também pode trazer desafios. Horários alterados, suspensão de atividades, comemorações, visitas e ambientes mais movimentados podem gerar ansiedade e dificuldades de adaptação.

“Os desafios mais comuns costumam estar ligados à quebra de previsibilidade. Muitas pessoas autistas se organizam melhor quando a rotina é estável. Mudanças como horários diferentes, viagens, barulho extra e maior movimentação podem gerar ansiedade, irritabilidade e dificuldade de adaptação”, explica Marina.

Além disso, comemorações com sons altos, fogos, telas, músicas e aglomerações podem provocar sobrecarga sensorial. Para Giovana, pequenas estratégias fazem diferença para minimizar esses impactos. “Protetores auriculares, antecipação do ambiente por meio de fotos ou explicações e a existência de um espaço mais tranquilo para pausas podem tornar a experiência muito mais confortável”, orienta.

Aprender a lidar com vitórias e derrotas

As emoções despertadas pela competição também podem ser utilizadas para ensinar tolerância à frustração e flexibilidade diante de resultados inesperados.

“Tolerância à frustração não é algo que se desenvolve espontaneamente. Ela precisa ser ensinada de forma gradual. Antes do jogo, por exemplo, a família pode conversar sobre os diferentes resultados possíveis, inclusive os negativos. Antecipar essas situações reduz o impacto emocional quando elas acontecem”, explica Giovana.

Para Marina, a participação deve acontecer sem pressão e respeitando o ritmo de cada criança. “Nem toda criança vai querer acompanhar tudo da mesma forma, e isso precisa ser respeitado. Quando a participação acontece de forma gradual, com apoio e sem exigência excessiva, a experiência tende a ser muito mais positiva”, afirma.

Segundo as especialistas, quando bem mediada, eventos como a Copa do Mundo podem se transformar em uma oportunidade de conexão, pertencimento e aprendizado emocional. “O mais importante é que esses momentos sejam vividos de forma acolhedora e inclusiva, e não como uma fonte de sobrecarga”, conclui Marina.

Fonte https://diariopcd.com.br/copa-do-mundo-e-oportunidade-para-trabalhar-socializacao-e-lidar-com-frustracoes-no-autismo/

Postado Pôr Antônio Brito 

Valledupar 2026: São Paulo é estado com mais atletas na delegação dos Jogos Parasul-Americanos

A halterofilista Mariana D’Andrea durante competição no CT Paralímpico | Foto: Alessandra Cabral/CPB

A delegação que representará o Brasil nos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar 2026 contará com esportistas de 25 estados e do Distrito Federal. O evento terá a participação de 237 atletas com deficiência brasileiros em disputas de 13 modalidades, de 5 a 15 de julho, na Colômbia.

Confira a convocação completa aqui.

São Paulo será o estado com mais representantes, com 71 convocados, cerca de 30% do total. Entre os destaques paulistas está a bicampeã paralímpica do halterofilismo Mariana D’Andrea, vencedora na categoria até 73kg em Tóquio 2020 e Paris 2024.

A seguir vem Minas Gerais, com 24 atletas, e Rio de Janeiro, com 18. É do estado fluminense que vem um dos destaques do tênis em cadeira de rodas, a jovem Vitória Miranda, que em 2025 foi a campeã em simples e em duplas de dois Grand Slams, Roland Garros e o Australian Open na categoria junior.

Na região Sul a liderança é do Paraná, com 17 atletas. No grupo está a nadadora Beatriz Carneiro, da classe S14 (deficiência intelectual), bronze nos 100m peito e no revezamento 4x100m livre nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024.

Goiás é o estado do Centro-Oeste com mais representantes, 11. O grupo conta com a arqueira Jane Karla, que conquistou uma medalha de bronze individual e duas de prata nas duplas no Mundial disputado em Pilsen, na República Tcheca, em 2023.

O Pará tem 10 convocados e é o estado com mais representantes da região Norte. Uma das atletas naturais do estado é a velocista Fernanda Yara, da classe F47 (comprometimento em membros superiores), campeã paralímpica dos 400m nos Jogos de Paris 2024.

Os Jogos de Valledupar 2026 terão disputas em 13 modalidades: atletismo, badminton, basquete em cadeira de rodas, bocha, ciclismo, futebol de cegos, goalball, halterofilismo, natação, tênis de mesa, tênis em cadeira de rodas, tiro com arco e vôlei sentado.

Os primeiros Jogos Parasul-Americanos foram realizados em 2014, em Santiago, no Chile. Mais de 580 atletas de oito países competiram em seis modalidades. Na ocasião, o Brasil terminou em segundo no quadro geral de medalhas, com 104 pódios conquistados, atrás apenas da Argentina.

Uma segunda edição do evento chegou a ser prevista para 2018 em Buenos Aires, na Argentina, mas foi cancelada por questões financeiras.

Confira a quantidade de atletas por estado:

São Paulo – 71
Minas Gerais – 24
Rio de Janeiro – 18
Paraná – 17
Goiânia – 11
Pará – 10
Pernambuco – 10
Ceará – 8
Bahia – 6
Distrito Federal – 6
Espírito Santo – 6
Rio Grande do Sul – 6
Paraíba – 5
Rio Grande do Norte – 5
Santa Catarina – 5
Amazonas – 4
Mato Grosso – 4
Rondônia – 4
Acre – 3
Maranhão – 3
Alagoas – 2
Sergipe – 2
Amapá – 1
Mato Grosso do Sul – 1
Tocantins – 1

Patrocínio
As Loterias CAIXA, a CAIXA, a Braskem e a Asics são as patrocinadoras oficiais do atletismo.
As Loterias CAIXA e a CAIXA são as patrocinadoras oficiais do badminton, basquete em cadeira de rodas, bocha, futebol de Cegos, goalball, halterofilismo, natação, tênis de mesa, tiro com arco e vôlei sentado.

Programa Loterias CAIXA Atletas de Alto Nível
As atletas Mariana D’Andrea, Fernanda Yara e Beatriz Carneiro são integrantes do Programa Loterias CAIXA Atletas de Alto Nível, programa de patrocínio individual da Loterias CAIXA e da CAIXA que beneficia 141 atletas.

Time São Paulo
As atletas Mariana D’Andrea e Fernanda Yara integram o Time São Paulo, parceria entre o CPB e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, que beneficia 156 atletas.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

Fonte https://cpb.org.br/noticias/valledupar-2026-sao-paulo-e-estado-com-mais-atletas-na-delegacao-dos-jogos-parasul-americanos/

Postado Pôr Antônio Brito 

Prêmio Educador FTD Educação: inclusão para estudantes PCD visual

Projeto de educação ambiental inclusiva criado em Boa Vista venceu o Prêmio Educador FTD Educação 2026 ao desenvolver materiais multissensoriais para alunos com deficiência visual.

Prêmio Educador FTD Educação: inclusão para estudantes PCD visual

Como tornar o ensino sobre o meio ambiente mais acessível e participativo e explicar os conteúdos da Amazônia para estudantes com deficiência visual? Com este desafio, inspirado no relato de uma aluna prestes a ter a perda total da visão, uma professora da rede pública de Boa Vista/RR criou um projeto para desenvolver materiais pedagógicos inclusivos e práticas multissensoriais, com uso de aromas, texturas, textos em Braille, sons e imagens.

O projeto “Roraima sensorial: uma abordagem STEAM para a educação ambiental inclusiva”, da professora Luciene Moreira da Silva, na Escola Estadual Professora Antônia Coelho de Lucena, em Boa Vista/RR, foi o vencedor da 2ª edição do Prêmio Educador FTD Educação 2026, na categoria STEAM.

As experiências multissensoriais favoreceram o pensamento investigativo, a expressão artística e o raciocínio lógico, resultando em melhor desempenho nas avaliações escolares e mais interesse pelas disciplinas de Ciências e Artes.

Em oficinas na Sala de Recursos Multifuncionais e na biblioteca, os estudantes criaram livros sensoriais em Braille com aromas naturais, mapas táteis, totens interativos com QR codes e áudios descritivos, além de protótipos de plástico verde produzido a partir da banana pacovã.

A iniciativa envolveu 51 alunos dos anos finais do Ensino Fundamental. A professora foi contemplada com bolsa de pós-graduação EAD, viagem pedagógica internacional e recebeu o prêmio durante a Jornada Pedagógica 2026, em São Paulo.

Saiba mais no link:

https://eventos.ftd.com.br/premio-educador-ftd-2025-2a-edicao/

Fonte https://revistareacao.com.br/noticias/noticia?id=df8f4674-eda2-4b45-bd8c-0848a6a0cc13

Postado Pôr Antônio Brito 

10/06/2026

STJ decide que pessoa com visão monocular no DF tem direito à isenção de ICMS na compra de veículo

STJ decide que pessoa com visão monocular no DF tem direito à isenção de ICMS na compra de veículo

Segunda Turma garante isenção de ICMS na compra de veículo por pessoa com visão monocular

​A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que pessoas com visão monocular têm direito à isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na compra de veículo automotor.

Com esse entendimento, o colegiado rejeitou recurso do Distrito Federal e manteve decisão que concedeu o benefício a um motorista com visão monocular. O recorrente alegou que teria havido ampliação indevida do alcance do benefício fiscal, pois as normas que concedem a isenção não falam expressamente das pessoas com visão em apenas um olho.

“A interpretação das normas que instituem benefícios fiscais voltados às pessoas com deficiência não pode ser realizada de forma dissociada da finalidade constitucional que as informa, qual seja, a promoção da inclusão social e a eliminação de barreiras que dificultem o exercício pleno da cidadania”, declarou o relator do caso, ministro Francisco Falcão.

STF admite controle de omissões incompatíveis com a Constituição

De acordo com o ministro, o Supremo Tribunal Federal (STF) consolidou sua jurisprudência no sentido de que o Poder Judiciário não pode ampliar ou criar benefício fiscal sem previsão legal específica. Contudo – explicou –, a própria corte entende que essa compreensão não impede o controle jurisdicional de omissões normativas incompatíveis com a Constituição Federal, quando houver discriminação indevida em relação às pessoas com deficiência.

Falcão lembrou que o STF já reconheceu a inconstitucionalidade da exclusão das pessoas com deficiência auditiva da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na aquisição de veículos, prevista originalmente na Lei 8.989/1995.

Segundo o relator, a jurisprudência das cortes superiores considera a visão monocular uma deficiência para diversos efeitos jurídicos; e, recentemente, a Lei 14.126/2021 classificou a visão monocular como deficiência sensorial do tipo visual para todos os efeitos legais.

Finalidade social da norma deve ser privilegiada

O ministro também ressaltou que o conceito de deficiência adotado pela Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD) supera o modelo estritamente médico ao adotar a abordagem biopsicossocial, que leva em consideração a interação entre as limitações individuais e as barreiras sociais existentes.

“Uma vez reconhecido, no plano constitucional, jurisprudencial e legislativo, que a visão monocular configura deficiência sensorial de natureza visual, não se mostra juridicamente plausível negar a tais indivíduos o acesso a políticas públicas ou benefícios jurídicos instituídos precisamente com a finalidade de promover a inclusão e a mobilidade das pessoas com deficiência”, afirmou.

Embora a legislação tributária tenha de ser interpretada literalmente no caso de isenções, conforme determina o artigo 111 do Código Tributário Nacional (CTN), Falcão ponderou que, segundo a jurisprudência do STJ, essa interpretação deve privilegiar a finalidade social da norma.

Para o relator, “reconhecer que a visão monocular constitui deficiência para diversos efeitos jurídicos e, simultaneamente, negar tal condição quando se trata de política pública voltada à promoção da mobilidade dessas pessoas implicaria incoerência normativa incompatível com a lógica do sistema jurídico”.

Leia o acórdão no REsp 2.267.089.

Fonte: Secretaria de Comunicação Social do STJ

Fonte https://diariopcd.com.br/stj-decide-que-pessoa-com-visao-monocular-no-df-tem-direito-a-isencao-de-icms-na-compra-de-veiculo/

Postado Pôr Antônio Brito 

Documentário sobre futebol de cegos ganha exibição nos EUA no dia da estreia do Brasil na Copa do Mundo

Cena do documentário “Futebol de Cegos: O Jogo Mais Difícil” | Foto: Divulgação

O documentário “O Jogo Mais Difícil”, que retrata os bastidores e a preparação da Seleção Brasileira de futebol de cegos para os Jogos Paralímpicos de Paris 2024, terá uma exibição especial neste sábado, 13, no Museu de Arte de Newark, nos Estados Unidos. A sessão será realizada às 15h no horário local (16h de Brasília), com entrada gratuita e aberta ao público de todas as idades.

Logo após o filme, será exibida ao vivo a estreia do Brasil na Copa do Mundo, diante do Marrocos, às 18h no horário local (19h de Brasília). O jogo será disputado no MetLife Stadium, também em Nova Jersey. Comidas e bebidas serão vendidas no local durante todo o evento.

Lançado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), em parceria com a Bushatsky Filmes, o documentário apresenta o cotidiano dos atletas da Seleção Brasileira de futebol de cegos, modalidade na qual o Brasil é pentacampeão paralímpico.

Mais do que retratar competições e resultados, a produção convida o público a explorar aspectos menos conhecidos da modalidade. Comunicação, tempo de reação, orientação espacial e domínio técnico aparecem como elementos centrais para o desempenho dos atletas em quadra.

Gravado em diferentes cenários, o filme acompanha treinos realizados no centro de preparação da Seleção, em João Pessoa (PB), atividades especiais na praia e momentos de convivência entre os jogadores. A equipe de produção também registrou a participação da seleção em competições internacionais disputadas na França e na Inglaterra, etapas importantes da preparação para os Jogos Paralímpicos de Paris 2024.

“O Jogo Mais Difícil” apresenta o esporte paralímpico sob a perspectiva do alto rendimento, da estratégia e da dedicação exigida dos atletas. O documentário destaca profissionais que compartilham o objetivo de representar o Brasil no mais alto nível esportivo.

A direção é de André Bushatsky, cineasta que fez parte da produção de vários conteúdos voltados ao universo paralímpico. Entre seus trabalhos recentes estão a série “Da Inclusão ao Pódio” e os documentários “O Instante Decisivo” e “Mulheres no Pódio”.

Serviço
Exibição do documentário “O Jogo Mais Difícil”
Data: 13 de junho
Horário: 15h (horário de Newark) | 16h (horário de Brasília)
Local: Museu de Arte de Newark (EUA)
Entrada gratuita e aberta a todas as idades

Patrocínio
A CAIXA e as Loterias CAIXA são as patrocinadoras oficiais do futebol de cegos

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

Fonte https://cpb.org.br/noticias/documentario-sobre-futebol-de-cegos-ganha-exibicao-nos-eua-no-dia-da-estreia-do-brasil-na-copa-do-mundo/

Postado Pôr Antônio Brito 

Uma nova era para o xadrez adaptado no Brasil

FBXDV passa a se chamar CBXDV, fortalecendo o xadrez adaptado para pessoas com deficiência visual em todo o Brasil.

Uma nova era para o xadrez adaptado no Brasil

Foi anunciado um marco histórico na trajetória do xadrez adaptado no Brasil: a partir de 16 de maio de 2026, em um encontro no Crystal Plaza Hotel, em Goiânia/GO, a FBXDV consolidou sua evolução institucional e passa a se chamar CBXDV – Confederação Brasileira de Xadrez para Deficientes Visuais.

Esta transição coroa uma jornada de lutas, resiliência e paixão pelo xadrez. Ao longo dos anos, cada toque no tabuleiro tátil, cada torneio organizado e cada barreira de acessibilidade superada pavimentaram o caminho para este momento de ascensão.

Mais do que uma mudança de nomenclatura, a transformação da Federação em Confederação representa a elevação do patamar do xadrez adaptado para pessoas com deficiências visuais no Brasil, reafirmando e fortalecendo o compromisso com a IBCA, com o CPB e, acima de tudo, com cada atleta que encontra no tabuleiro um espaço de autonomia, alta performance e superação.

Juntos, sob a bandeira da CBXDV, todos são ainda mais fortes para garantir acessibilidade, excelência técnica e expansão competitiva em todas as regiões do país e seguem todos firmes, em xeque-mate por uma sociedade verdadeiramente inclusiva, acessível e equitativa.

O futuro já começou!

Parabéns à nova diretoria executiva da CBXDV!

Fonte https://revistareacao.com.br/noticias/noticia?id=343ec974-c621-4a06-abb0-a03529cbee69

Postado Pôr Antônio Brito 

09/06/2026

O Senado e a Traição às Nossas Crianças

O Senado e a Traição às Nossas Crianças - OPINIÃO - Por André Naves

OPINIÃO

  • * Por André Naves

Como se conceitua o direito à Vida? Em um país fraturado por desigualdades estruturais, o conceito de vida tem sido frequentemente sequestrado por discursos estridentes que o reduzem à mera sobrevivência. Mas a vida, em sua acepção constitucional, jurídica e humana, não é apenas a existência pós-concepção ou o bater de um coração. O direito à vida exige segurança existencial, segurança alimentar, proteção social e o direito inalienável de crescer e se desenvolver livre do terror.

Foi essa dimensão integral da vida que o Senado Federal brasileiro decidiu aniquilar ao aprovar o Decreto Legislativo que susta a Resolução 258/2024 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda).

A Resolução 258/2024 não criava novos direitos nem inventava obrigações inéditas. Ela regulamentava, com sensibilidade e rigor técnico, procedimentos concretos e urgentes: o atendimento humanizado e sigiloso a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual em hospitais e delegacias; o prazo máximo de atendimento para evitar a revitimização; a escuta especializada por profissionais capacitados; e o acesso imediato aos direitos já garantidos pelo Código Penal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Ao sustar essa norma, o Senado eliminou proteções concretas, destruindo perspectivas de dignidade de quem já teve a vida maculada.

Precisamos olhar para a realidade sem a hipocrisia moralista. Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2024) demonstram uma tragédia contínua: o Brasil registrou mais de 87 mil estupros em 2023 — o maior número de nossa história. Desse oceano de barbárie, 61% das vítimas de estupro de vulnerável são meninas de até 13 anos de idade. Entre 2015 e 2023, o Ministério da Saúde registrou quase 190 mil partos de meninas menores de 14 anos — crianças cujos corpos foram transformados em cena de crime e, posteriormente, em incubadoras forçadas.

Obrigá-las a levar adiante uma gravidez fruto de estupro não é defender a vida. É institucionalizar a tortura. É roubar-lhes a infância, a saúde mental, a segurança alimentar e a possibilidade de um futuro digno. É decretar uma morte existencial — o abandono escolar compulsório, o isolamento social, a pobreza estrutural, o trauma permanente — para salvar uma narrativa política.

E ao sustar a Resolução 258, o Senado Federal atropelou a própria lei e a Constituição. O Código Penal Brasileiro, desde 1940, é cristalino: não há crime de aborto quando a gravidez é resultante de estupro. Trata-se de uma decorrência lógica de um sistema que, minimamente, tenta proteger a vítima da perpetuação de seu trauma. Um decreto legislativo não tem o condão de revogar o Código Penal nem de se sobrepor aos direitos fundamentais garantidos pela Constituição Federal. A manobra do Senado é, portanto, uma aberração jurídica.

Como Defensor Público Federal, encaro diariamente os olhos daqueles que o Estado prefere esquecer. Vejo o peso do capacitismo, do racismo e da misoginia esmagando futuros. Quando o Legislativo atua para dificultar o acesso ao aborto legal para uma menina de 10 anos estuprada pelo tio ou pelo padrasto — que representam a maior parte dos agressores —, ele não está protegendo a família. Ele está protegendo o abusador. Ele está dizendo a essa menina que a dor dela não importa, que seu corpo não lhe pertence e que o Estado é cúmplice de seu algoz.

Não podemos aceitar que a moralidade de fachada substitua a responsabilidade ética e jurídica com o bem comum. A verdadeira defesa da vida exige que enfrentemos as raízes da violência. Exige educação, proteção integral, escuta ativa e políticas públicas que garantam que nenhuma criança seja violada no lugar onde deveria estar mais segura.

O Senado Federal, que age em nome da tradição, da vida e da liberdade, recusa-se a enxergar a dor de uma criança violentada — e coloca suas digitais num atestado de crueldade e barbárie. A modernidade sem raízes humanistas é leviana. E um Estado que escolhe proteger o abusador em vez da vítima não merece o nome de democrático.

Ainda há tempo para que a sociedade civil, o Judiciário e as vozes lúcidas deste país se levantem contra esse retrocesso. Que tenhamos a decência de lutar por elas. Porque não há lugar mais escuro no Brasil do que a infância roubada de nossas meninas.


André Naves
Defensor Público Federal. Especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social. Mestre em Economia Política. Membro do Grupo de Trabalho – Pessoa Idosa e Pessoa com Deficiência.
www.andrenaves.com | @andrenaves.def

Fonte https://diariopcd.com.br/o-senado-e-a-traicao-as-nossas-criancas/

Postado Pôr Antônio Brito 

Seleção Brasileira de futebol de cegos se reúne no CT Paralímpico para a quinta semana de treinamento

Raimundo Nonato durante treino da Seleção de Futebol de Cegos no CT Paralímpico, em São Paulo | Foto: Alessandra Cabral/CPB

A Seleção Brasileira de futebol de cegos se reúne no Centro de Treinamento Paralímpico (CT), em São Paulo, para a quinta fase de treinamento da temporada. Ao todo, foram convocados 15 atletas, que permanecerão na capital paulista até a próxima segunda-feira, 15.

O objetivo desta etapa de treinamentos é preparar os atletas para os Jogos Parasul-Americanos de Valledupar, que serão realizados entre os dias 5 e 15 de julho, na Colômbia, e para a Copa América da IBSA, que acontecerá entre os dias 2 e 13 de setembro, em São Paulo.

Entre os convocados para esta semana de treinamento estão atletas experientes que participaram dos Jogos Paralímpicos de Paris 2024, quando conquistaram a medalha de bronze, e que também foram convocados para os Jogos Parasul-Americanos. É o caso dos baianos Cássio Reis e Maicon Mendes, o maranhense Jardiel Vieira, o pernambucano Raimundo Nonato, o gaúcho Ricardinho Alves e o paranaense Tiago Paraná.

Confira todos os participantes da fase de treinamento:

Anael Sousa Oliveira – APADV/SP
Alvaro Augusto Gonçalves da Costa Magalhães – VILA NOVA/GO
Cássio Lopes dos Reis – CORINTHIANS/SP
Gabriel Penedo Batista – AGAFUC/RS
Giovane Montenegro Batista – CORINTHIANS/SP
Jardiel Vieira Soares – APACE/PB
Luan de Lacerda Gonçalves – AGAFUC/RS
Maicon Junior dos Santos Mendes – CORINTHIANS/SP
Matheus da Costa Coelho Bumussa – APACE/PB
Paulo Victor Pinheiro – APACE/PB
Raimundo Nonato Alves Mendes – AGAFUC/RS
Raynã Oliveira Souza – APACE/PB
Ricardo Steinmetz Alves – AGAFUC/RS
Samir Santana da Silva – AGAFUC/RS
Tiago da Silva – CORINTHIANS/SP

Patrocínio
As Loterias CAIXA e a CAIXA são as patrocinadoras oficiais do futebol de cegos.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

Fonte https://cpb.org.br/noticias/selecao-brasileira-de-futebol-de-cegos-se-reune-no-ct-paralimpico-para-a-quinta-semana-de-treinamento/

Postado Pôr Antônio Brito 

Jovem autista é encontrada no bairro da Lapa em São Paulo/SP

Laura Heringer Venicio, jovem autista de 28 anos desaparecida em São Paulo/SP, foi encontrada dois dias depois no bairro da Lapa, fisicamente bem, mas bastante confusa.

Jovem autista é encontrada no bairro da Lapa em São Paulo/SP

Uma jovem autista de 28 anos, identificada como Laura Heringer Venicio, que desapareceu na noite de 2 de junho, foi finalmente encontrada, para a alegria da família, na quinta-feira da semana passada, em uma rede de fast food no bairro da Lapa, na Zona Oeste da capital paulista.

Segundo o irmão de Laura, ela estava fisicamente bem quando foi encontrada, mas mentalmente bastante confusa.

Laura tem diagnóstico de autismo nível 1 e desapareceu após sair do trabalho na Chácara Santo Antônio, na Zona Sul de São Paulo/SP, e ir em direção à Estação Morumbi a pé, num trajeto de cerca de 300 metros.

Segundo se soube, ela chegou a fazer hora extra no trabalho naquele dia. Algumas imagens de câmeras de segurança registraram a jovem saindo do prédio da empresa, no complexo comercial ao lado do Shopping Parque da Cidade.

Ela trabalhava na mesma empresa há dois anos, e esse era um trajeto habitual de Laura quando ia presencialmente ao trabalho, pois atuava em sistema de trabalho híbrido: 2 dias na semana ela ia para a empresa, e 3 dias ficava em home office, trabalhando de casa.

A mãe de Laura disse à polícia que ela saiu de casa para trabalhar por volta das 5h da manhã. No entanto, diferente do habitual, Laura não enviou mensagens para a mãe como costumava fazer durante o período do almoço.

Por volta das 15h, a mãe perguntou à filha se ela havia tomado os medicamentos que deveria tomar, e Laura, estranhamente, enviou mensagens de respostas consideradas desconexas pela mãe. Momentos depois, a mãe da jovem notou comportamentos estranhos em Laura, que passou a não responder mais à mãe.

Mais tarde, Laura não retornou para casa. Foi quando tudo começou e o sumiço foi constatado. Por meio das câmeras de segurança da empresa, foi constatado que Laura de fato realizou horas extras e saiu do local por volta das 19h23 naquele dia.

Dois dias depois, ela foi encontrada sã e salva.

Fonte https://revistareacao.com.br/noticias/noticia?id=79256728-f526-4752-9224-21eb2e292ae4

Postado Pôr Antônio Brito 

08/06/2026

Inclusão vai além do acolhimento: autonomia ainda é desafio para pessoas com síndrome de Down

Inclusão vai além do acolhimento: autonomia ainda é desafio para pessoas com síndrome de Down

Especialistas discutem e avaliam evolução de práticas de inclusão, autonomia e qualidade de vida e destacam esforço conjunto das famílias

Embora os avanços na inclusão de pessoas com síndrome de Down sejam cada vez mais visíveis em áreas como educação, saúde e participação social, especialistas alertam que ainda existe um desafio importante a ser superado: garantir que essas pessoas tenham oportunidades reais de desenvolver autonomia e construir seus próprios projetos de vida.

Para a psicóloga Claudia Melo, um dos principais obstáculos está na superproteção familiar. Segundo ela, embora seja motivada pelo cuidado e pelo afeto, essa postura pode limitar o desenvolvimento de habilidades fundamentais para a vida cotidiana.

“A superproteção pode impedir que a pessoa faça escolhas, resolva problemas e assuma responsabilidades compatíveis com sua capacidade. Ao longo da vida, isso pode gerar insegurança, dependência excessiva dos familiares e baixa confiança em si mesma”, explica.

A especialista destaca que a autonomia é um dos pilares do desenvolvimento humano e tem impacto direto na autoestima e na qualidade de vida. “Ela permite que a pessoa descubra suas capacidades, expresse preferências e participe ativamente da própria vida. Para pessoas com síndrome de Down, o incentivo à autonomia fortalece o senso de pertencimento e favorece a construção de uma identidade mais segura e positiva”, afirma.

Além da superproteção, a exclusão social continua sendo um fator que compromete o desenvolvimento emocional e social. Segundo a psicóloga, a falta de oportunidades de estudo, trabalho, lazer e convivência pode transmitir a mensagem de que a pessoa não pertence ou não é capaz.

“Quando uma pessoa percebe que é constantemente deixada de lado ou subestimada, pode apresentar sentimentos de tristeza, frustração, isolamento e desmotivação”, observa.

Na prática, alguns sinais podem indicar que a autonomia está sendo limitada. Entre eles estão a dependência excessiva para tarefas que poderiam ser realizadas de forma independente, dificuldade para tomar decisões simples, medo exagerado de errar, pouca iniciativa e baixa autoconfiança. A psicóloga também chama atenção para a ausência de experiências compatíveis com a faixa etária, como atividades de lazer, convivência com amigos, formação profissional e participação social.

Para Alex Duarte, educador social e fundador da Expedição 21, a sociedade avançou na inclusão, mas ainda enfrenta um desafio cultural importante: reconhecer pessoas com síndrome de Down como adultos capazes de tomar decisões, assumir responsabilidades e construir seus próprios caminhos.

“Muitas vezes, a inclusão acontece durante a infância, mas não evolui para oportunidades concretas na vida adulta. Ainda existe uma cultura de superproteção que, embora geralmente motivada pelo amor e pelo cuidado, pode limitar experiências fundamentais para o desenvolvimento da independência”, afirma.

Foi justamente a partir dessa percepção que nasceu a Expedição 21, projeto criado para oferecer experiências práticas de autonomia a jovens e adultos com síndrome de Down. Durante os períodos de imersão, os participantes assumem responsabilidades relacionadas à organização da rotina, autocuidado, convivência, resolução de problemas e tomada de decisões.

Segundo Alex, a metodologia se baseia na aprendizagem experiencial, permitindo que os participantes desenvolvam habilidades por meio de situações reais. “Ao perceberem que são capazes de realizar tarefas, contribuir para o grupo e superar desafios, eles fortalecem a autoestima, ampliam a autoconfiança e passam a construir uma percepção mais positiva sobre suas próprias capacidades”, explica.

Os resultados observados ao longo dos oito anos de história do projeto reforçam essa transformação. Além do aumento da autoconfiança e da ampliação da participação social, alguns participantes conquistaram marcos importantes de independência.

“Hoje temos participantes que passaram a morar sozinhos, algo que inicialmente parecia distante para suas famílias. Tivemos também um casal que se conheceu por meio da comunidade formada pela Expedição 21, construiu um relacionamento, se casou e hoje vive de forma independente. Além disso, muitos ampliaram sua inserção no mercado de trabalho por meio das oportunidades oferecidas pelo Instituto Cromossomo 21”, relata.

Para os especialistas, a construção da autonomia exige equilíbrio. Claudia Melo ressalta que apoiar não significa fazer tudo pela pessoa. “Proteger não é impedir experiências, mas criar condições para que elas aconteçam de forma segura. A autonomia é construída gradualmente, respeitando o ritmo, as habilidades e as necessidades individuais.”

Ela também lembra que a dependência excessiva não afeta apenas a pessoa com síndrome de Down, mas também as famílias. “Quando familiares assumem todas as responsabilidades por longos períodos, é comum surgirem sentimentos de sobrecarga, cansaço físico e emocional, ansiedade e preocupação constante com o futuro. Promover a autonomia beneficia toda a dinâmica familiar.”

Na avaliação de Alex Duarte, a inclusão efetiva depende de um esforço conjunto. As famílias precisam incentivar a participação ativa dos filhos nas atividades do cotidiano; as escolas devem garantir pertencimento e aprendizagem; as empresas precisam ampliar oportunidades de contratação e desenvolvimento profissional; e a sociedade deve abandonar visões limitantes.

“Pessoas com síndrome de Down possuem interesses, sonhos, talentos e projetos de vida tão diversos quanto qualquer outra pessoa. A inclusão acontece quando criamos oportunidades reais para que elas participem da vida em comunidade, exercendo seus direitos, fazendo escolhas e construindo seus próprios caminhos”, conclui.

Fonte https://diariopcd.com.br/inclusao-vai-alem-do-acolhimento-autonomia-ainda-e-desafio-para-pessoas-com-sindrome-de-down/

Postado Pôr Antônio Brito