21/02/2026

Brasileiros participam de pesquisa inédita que revela como reverter danos em neurônios da ELA – Esclerose Lateral Amiotrófica

                                    Brasileiros participam de pesquisa inédita que revela como reverter danos em neurônios da ELA – Esclerose Lateral Amiotrófica                                         

Após morte de ator Eric Dane, o mundo acompanha descoberta que abre caminhos para novos tratamentos e cura da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), a terceira doença neuromotora (DNM) mais frequente no mundo e que afeta 15 mil brasileiros

O Instituto Paulo Gontijo (IPG), referência no apoio à ciência e pesquisa sobre Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), anunciou uma descoberta científica inédita que tem o potencial de transformar a forma como a doença é diagnosticada e tratada, liderada pela pesquisadora associada ao instituto, a geneticista Prof. Dra. Helen Cristina Miranda, da Universidade Case Western Reserve (Cleveland-EUA), com colaboração da Profa. Dra. Mayana Zatz, do Genoma USP, do Prof. Dr. Alysson Muotri e do Dr. Miguel Mitne-Neto, pesquisador associado do IPG.

O estudo, publicado na revista EMBO Molecular Medicine, revelou que uma forma rara e hereditária da doença, a ELA8, provocada por mutação no gene VAPB, ativa de forma crônica a chamada Resposta Integrada ao Estresse (ISR). Esse mecanismo celular, que deveria proteger os neurônios, acaba comprometendo a produção de proteínas essenciais e acelerando a degeneração dos neurônios motores.

A inovação do estudo está na prova de conceito: ao aplicar um composto experimental capaz de inibir a ISR, os pesquisadores reverteram danos já instalados em neurônios motores derivados de células-tronco de pacientes. Essa reversão incluiu recuperação da função mitocondrial, responsável pela produção de energia celular e da atividade elétrica dos neurônios.

“Mostramos que neurônios doentes ainda podem ser resgatados. O bloqueio da resposta ao estresse devolveu a eles funções perdidas, o que abre caminho para novas terapias e para a medicina personalizada em ELA”, explica a Dra. Helen Miranda, que vai apresentar o estudo em dezembro, e San Diego (EUA), durante o 36º Simpósio Internacional sobre ELA/DNM, a convite do organizador do evento, a Associação de Doenças do Neurônio Motor, com apoio do IPG.

Para o Dr. Miguel Mitne-Neto, um dos autores do estudo, agora os resultados encontrados precisam ser avaliados em outros sistemas e modelos da doença antes de apontar sua aplicabilidade. “Mas acreditamos que existe um grande potencial, pois a via molecular estudada é comum a outras formas de doenças neurodegenerativas e isso pode constituir um caminho inicial para tal expansão”. Os próximos passos incluem expandir a investigação para outros subtipos de ELA, como os causados pelas mutações em C9ORF72, TDP43 e FUS, além de casos esporádicos, que representam a maioria dos diagnósticos.

Foi no laboratório conduzido pelo neurocientista Dr. Alysson Muotri, diretor do Programa de Células-Tronco e professor da Universidade da Calfórnia, em San Diego (EUA), que a pesquisa da Dra. Helen deu um salto. Junto com Dr. Mitne-Neto, eles foram um dos 300 alunos do mundo inteiro capacitados a reprogramar neurônios utilizando a tecnologia desenvolvida por Muotri. “Fomos os primeiros a reprogramar e produzir neurônios de pacientes com ELA, abrindo caminho para novas descobertas . O estudo da Dra. Helen é bem relevante, porque revela nova janela terapêutica. É mais um tijolo na parede do conhecimento”, explica.

Mitne aponta ainda que este estudo faz parte de um processo maior de evolução nos métodos diagnósticos, especialmente para as formas genéticas, nos últimos 20 anos. Segundo ele, a capacidade de avaliar grandes segmentos do genoma humano trouxe não apenas a identificação de novas formas da ELA, como se traduziu em ferramentas de aplicação diagnóstica na prática. E a melhor caracterização dos pacientes permite um direcionamento específico de seu tratamento.

Futuro

E a tendência é que o avanço seja ainda mais rápido nos próximos 20 anos, por conta da apuração de novos modelos para a doença. “Até poucos anos atrás, os modelos animais, que apresentam diversas limitações, eram a principal ferramenta de avaliação da doença, fora do paciente. O advento de tecnologias como a reprogramação celular permitiu que neurônios de pacientes com ELA fossem estudados em laboratório, permitindo uma melhor caracterização das alterações moleculares iniciais, além de expandir a quantidade de moléculas a serem testadas para reversão dessas modificações”, explica Mitne-Neto.

É no que também acredita Dr. Alysson. Criador dos minicérebros – organoides cerebrais criados com as chamadas-tronco reprogramadas de pacientes – ele acredita que a capacidade de observar a progressão de doenças em um ambiente controlado e em tempo acelerado permite uma compreensão mais profunda dos mecanismos moleculares e celulares por trás de condições como o Alzheimer, Parkinson, ELA e autismo, o que vai acelerar a descoberta de curas e tratamentos mais eficazes. “Sabemos que o tempo da ciência não é o tempo da pessoa afetada pela doença – seja paciente, seja familiar – mas é importante que confiem na ciência. Estamos fazendo algo seguro, sem atalhos, que vai trazer resultados fantásticos ainda nesta geração.

Para o Instituto Paulo Gontijo, a descoberta reforça a relevância da ciência brasileira no cenário internacional. “Trata-se de um marco científico que oferece um alvo para novos fármacos e ensaios clínicos. Essa pesquisa pode mudar o futuro do diagnóstico, do desenvolvimento de medicamentos e até abrir caminho para a tão sonhada cura da ELA”, afirma Silvia Tortorella, diretora executiva.

Em seu início, o estudo teve o suporte da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por meio de bolsa de iniciação científica (20024 e 2005) e de doutorado (2006 -2011) concedidas ao Dr. Mitne-Neto).

Sobre o Instituto Paulo Gontijo (IPG)

Sediado na capital paulista, o Instituto Paulo Gontijo é uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) que atua há 20 anos como referência em conhecimento e pesquisa científica nas áreas da ciência, e tem como missão desenvolver programas e projetos de apoio científico e de humanização, disseminando informações para melhorar a qualidade de vida das pessoas com doenças neuromusculares, além de qualificar a rede de atendimento interdisciplinar e congregar investimentos para buscar a cura destas doenças. Desde 2007 a entidade promove anualmente o PG AWARD, uma premiação internacional destinada a cientistas de todo o mundo que dedicam seu conhecimento em prol da pesquisa sobre a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Neste período já teve quase 200 teses inscritas, de pesquisadores de todo o mundo. Neste ano o PG Award está em sua 17ª edição.

Matéria originalmente publicada pelo Diário PcD em 29/09/2025

Fonte https://diariopcd.com.br/brasileiros-participam-de-pesquisa-inedita-que-revela-como-reverter-danos-em-neuronios-da-ela-esclerose-lateral-amiotrofica/

Postado Pôr Antônio Brito

Seleção Brasileira de futebol de cegos realiza primeira semana de treinamento no CT Paralímpico

Treino da Seleção Brasileira de futebol de cegos no CT Paralímpico, em São Paulo | Foto: Alessandra Cabral/CPB.

O Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, recebe entre sexta-feira, 20, e quinta-feira, 26, a primeira semana de treinamento da Seleção Brasileira de futebol de cegos em 2026. Ao todo, 14 atletas foram convocados para as atividades na capital paulista.

O objetivo da etapa de treinos é preparar a equipe para a temporada de competições, sendo a principal delas a Copa América da IBSA, que será realizada em São Paulo, entre os dias 3 e 13 de setembro.

Entre os convocados estão os campeões da primeira edição da Liga Nacional de futebol de cegos pela AGAFUC-RS: os gaúchos Ricardinho e Gabriel Penedo, o pernambucano Raimundo Nonato e o paulista Samir Santana.

Na final, realizada no CT Paralímpico, em dezembro, a equipe gaúcha venceu a APACE, da Paraíba, nos pênaltis, após empate em 0 a 0 no tempo normal.

Confira todos os convocados:

NOME COMPLETOPOSIÇÃOCLUBE
Anael Sousa OliveiraAlaAPADV/SP
Cássio Lopes dos ReisFixoCORINTHIANS/SP
Gabriel Penedo BatistaAla/PivôAGAFUC/RS
Giovane Montenegro BatistaGoleiroCORINTHIANS/SP
Jeferson da Conceição GonçalvesAlaCORINTHIANS/SP
Luan de Lacerda GonçalvesGoleiroAGAFUC/RS
Maicon Junior dos Santos MendesAlaCORINTHIANS/SP
Matheus da Costa Coelho BumussaGoleiroAPACE/PB
Paulo Victor PinheiroAlaAPACE/PB
Raimundo Nonato Alves MendesPivôAGAFUC/RS
Raynã Oliveira SouzaAlaAPACE/PB
Ricardo Steinmetz AlvesAlaAGAFUC/RS
Samir Santana da SilvaAlaAGAFUC/RS
Tiago da SilvaAlaCORINTHIANS/SP

Patrocínio
As Loterias Caixa e a Caixa são as patrocinadoras oficiais do futebol de cegos.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

Fonte https://cpb.org.br/noticias/selecao-brasileira-de-futebol-de-cegos-realiza-primeira-semana-de-treinamento-no-ct-paralimpico/

Postado Pôr Antônio Brito 

Atriz com síndrome de Down - Pietra Silvestri - fez ensaio na Itália

A atriz com síndrome de Down, Pietra Silvestri, protagonizou um ensaio fotográfico em Roma, usando a moda como linguagem para promover a inclusão e a diversidade.

Atriz com síndrome de Down - Pietra Silvestri - fez ensaio na Itália

Ela é de Curitiba/PR e foi para Roma, na Itália para ser fotografada. A atriz e influenciadora digital Pietra Silvestri protagonizou um ensaio fotográfico que ultrapassa os limites da estética.

Convidada pelo fotógrafo italiano Emanuele Tetto, criador do projeto Raccontami, a brasileira com síndrome de Down, autismo e deficiência auditiva usou a moda como linguagem para ocupar espaços e transformar sua imagem em narrativa social.

O encontro aconteceu em outubro último, em um local simbólico da capital italiana - La Terrazza del Pincio, entre a Piazza di Spagna e a Piazza del Popolo. Uma equipe multiprofissional com maquiadora, figurinista, iluminador e assistente - todos reunidos de forma voluntária - foi reunida num ensaio programado com carinho para ela.

O ensaio será incorporado à série “Raccontami” (“Conte-me”, em tradução livre), que retrata histórias de vidas reais.

A lente do fotógrafo italiano se volta para temas como deficiência, bullying, distúrbios alimentares, depressão, fragilidades familiares - tudo aquilo que, segundo ele, o mundo tenta esconder.

Para a mãe de Pietra, Noemi Rebello, o ensaio é uma extensão do trabalho que a filha realiza há anos e é um percurso de afirmação da diversidade.

Pietra é a primeira atriz brasileira com síndrome de Down a obter registro profissional (DRT) oficial em escola pública, aprendeu a Língua Brasileira de Sinais (Libras), é voluntária em diversas ações de inclusão e acessibilidade do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná e cursa Cinema na Universidade Estadual do Paraná (Unespar) e Libras na Uníntese.

Também é presença constante em campanhas publicitárias, curtas e longas metragens, teatro e redes sociais, onde reúne mais de 1,5 milhão de seguidores.

Em 2025, seu trabalho foi reconhecido nacionalmente com a indicação entre os Top 10 do Prêmio iBest na categoria Diversidade e Inclusão, além de ser finalista do Prêmio do TSE como Eleitora Comprometida.

Para conhecer mais o trabalho da atriz clique no link do Instagram: @pietra.silvestri

 
Fonte https://revistareacao.com.br/noticias/noticia?id=31219a49-9955-4b32-9946-c113bdbd9da8
 
Postado Pôr Antônio Brito 

19/02/2026

Entre ficção e impacto real: obra propõe novo paradigma social em plena era da IA

Entre ficção e impacto real: obra propõe novo paradigma social em plena era da IA

Primeiro livro de 2081 XRAM, do mentor e palestrante Fabiano D’Agostinho, será lançado em São Paulo no dia 3 de março

A humanidade se vê diante de um dilema: como evoluir com a tecnologia neutralizando seus impactos adversos? Essa é a reflexão a que nos convida uma nova obra do mentor, palestrante e executivo, Fabiano D’Agostinho: 2081 XRAM. O lançamento do primeiro volume, O Livro do Renascimento, acontece em 3 de março em São Paulo.

Esta primeira parte de 2081 XRAM é inspirada na própria trajetória de D’Agostinho, paralelismo que, por si só, representa a era de multiversos em que hoje nos encontramos. O enredo ficcional do livro funciona como releitura da realidade vivenciada pelo autor, enriquecida por um direcionamento filosófico sobre questões universais.

A ficção literária, afinal, é uma excelente maneira de refletir sobre acontecimentos presentes para, a partir deles, projetar fenômenos futuros e pensarmos sobre os rumos das sociedades. Foi assim, por exemplo, com o livro 1984, publicado pelo britânico George Orwell em 1949 e que antecipou questões contemporâneas como o uso de telas e as fake news. Não por acaso, o clássico de Orwell influenciou D’Agostinho na idealização de 2081 XRAM.

Filosofia, propósito e análise social são trilhas convergentes na história do escritor, mentor e palestrante. Aos 22 anos, D’Agostinho, então tecnólogo em elétrica, abdicou de um cargo de liderança e superou severos desafios financeiros para realizar o sonho de estudar no exterior, onde cursou Administração de Negócios e Gerenciamento de Projetos na UC Berkeley (EUA). Aos 26, sua vida tomou um rumo inesperado ao ser vítima de um tiro que o deixou paraplégico.

A experiência traumática é descrita por D’Agostinho como um renascimento. A partir dele, passou por um processo de ressignificação, autodescoberta e superação, que incluiu uma peregrinação de 220 quilômetros pelo Caminho de Santiago de Compostela em cadeira de rodas. Esses pontos da jornada pessoal do autor levaram à metodologia que criou para guiar outras pessoas por meio de sua mentoria.

Em 2081 XRAM – O Livro do Renascimento, o personagem Orlando passa por provações semelhantes às enfrentadas por D’Agostinho. O leitor se depara, em meio às dificuldades impostas pela trama, com uma visão otimista sobre o futuro e o potencial humano de transformação, em que aprendizados de gerações passadas ajudam a moldar o presente e o amanhã.

É nesse cenário ficcional que se abrem análises e considerações sobre temas contemporâneos primordiais, como a luta contra o capacitismo e a adoção da ética no uso da inteligência artificial (IA). Para o último volume da obra, 2081 – A Lei da Verdade, o autor projeta a viabilização de um novo modelo social e econômico que garantirá evolução pessoal e profissional, diversidade, equidade, inclusão, sustentabilidade e dignidade para todos os habitantes do planeta.

D’Agostinho sustenta que é preciso renascer para buscar ferramentas de transformação da realidade. “Como poderia uma pessoa, como é o caso do personagem Carlo Legens, ser responsável por criar um novo e revolucionário paradigma social, sem que tivesse uma visão diferenciada do mundo?”, questiona. Tal sensibilidade perceptiva surge para Carlo ao longo de sua vivência com seu pai, Orlando, cuja trajetória foi inspirada na vida do autor: ambos ressignificam suas vidas em um contexto imposto pela deficiência física. “Carlo cresce vendo a dura realidade enfrentada pelo pai, imposta pela sociedade pouco inclusiva e desrespeitosa”, diz. “Isso faz com que ele tenha uma consciência diferenciada da realidade, o que o levará a sentir a necessidade de mudar esse cenário, que parece piorar por conta da tecnologia.”

Assim, para D’Agostinho, a construção de um novo modelo que una inteligências – humana e artificial – em favor do bem comum da espécie requer confluência de caminhos rumo a um objetivo compartilhado. Tal ponto de vista se fortaleceu ao percorrer o Caminho de Santiago.

Não é sobre chegar antes dos outros, é sobre chegar e fazer com que os outros cheguem também. Não é sobre ultrapassar para chegar primeiro e se sentir vitorioso. Não é uma competição. É uma jornada de evolução, consciente, sustentável. Que envolve legado e transcendência. Tudo isso tem a ver com solidariedade, inteligência, bondade e, acima de tudo, ética”, afirma.

A obra 2081 XRAM se propõe a abrir as portas para essa percepção. Segundo D’Agostinho, não se trata de uma ficção sobre inteligência artificial, mas sobre a capacidade e inteligência humana: “É sobre preservarmos nossa essência e valorizarmos nosso potencial, usando a tecnologia para ampliar o que temos de melhor, não o contrário. Não é uma ficção sobre robôs, mas sobre o coração humano. É sobre nos tornarmos quem podemos, e quem devemos ser, como seres genuinamente humanos. É sobre o mundo que queremos no futuro e o que deixaremos para as futuras gerações”, conclui.

Serviço

Lançamento de 2081 XRAM – O Livro do Renascimento, de Fabiano D’Agostinho

Quando: 03 de março de 2026, das 18h30 às 22h

Onde: Livraria Travessa Shopping Villa Lobos – av. Dra. Ruth Cardoso, 4.777 – segundo piso – Jardim Universidade Pinheiros, São Paulo, SP

Sobre Fabiano D´Agostinho

Fabiano D’Agostinho é escritor, mentor, palestrante e executivo com mais de 23 anos de experiência em tecnologia, operações e gestão de projetos no Brasil e nos Estados Unidos. Técnico em Eletrônica pela ETEC Getúlio Vargas, graduado em Tecnologia Elétrica pela Universidade Mackenzie e pós-graduado em Administração de Marketing pela FAAP, complementou sua formação em Administração de Negócios e Gestão de Projetos na Universidade da Califórnia, em Berkeley.

Construiu uma carreira sólida gerenciando operações complexas e equipes multidisciplinares em organizações como Questus, AgênciaClick Isobar — uma das maiores agências de publicidade digital do país —, onde atuou como VP de Tecnologia e Projetos, e Dentsu, um dos maiores grupos de comunicação do mundo, onde se destacou como CTO LATAM.

Atualmente, é COO de uma empresa do setor de construção civil e atua como advisor, conselheiro e consultor estratégico pela ViaPró, auxiliando empresas consolidadas e startups a aprimorarem resultados operacionais, governança e impacto social.

É autor da obra 2081 XRAM, cuja primeira parte é inspirada em sua trajetória pessoal, propondo uma releitura ficcional da realidade vivenciada pelo autor e estabelecendo um paralelismo com a era dos multiversos para oferecer reflexões filosóficas sobre questões humanas universais.

Paraplégico desde os 26 anos, após sobreviver a um tiro, Fabiano transformou sua história de superação em uma metodologia própria de mentoria, focada na ressignificação de desafios e no desenvolvimento do potencial humano, inspirando pessoas a evoluírem e líderes a promoverem mudanças positivas e sustentáveis.

LinkedIn: Fabiano D’Agostinho | LinkedIn

Site: Fabiano D’Agostinho | mentor | palestrante | escritor |

CRÉDITO/IMAGEM: Fabiano D´Agostinho – autor 2081, XRAM
crédito: Carolina Iadoccico

Fonte https://diariopcd.com.br/entre-ficcao-e-impacto-real-obra-propoe-novo-paradigma-social-em-plena-era-da-ia/

Postado Pôr Antônio Brito 

Brasil conquista mais uma vaga e amplia recorde de participação nos Jogos de Inverno em Milão-Cortina

Vitoria Machado durante competição de snowboard na Áustria | Foto: Divulgação / FIS

O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e a Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN) informam nesta quarta-feira, 18, o recebimento e aceitação de convite nominal enviado pela Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FIS), em conjunto com o Comitê Paralímpico Internacional (IPC, em inglês), à atleta Vitória Machado, representante do snowboard, para a disputa dos Jogos Paralímpicos de Inverno 2026. A competição acontece entre 6 e 15 de março, em Milão-Cortina, na Itália.

Com isso, a delegação brasileira na Itália amplia o recorde de participantes nos Jogos de Inverno, com oito representantes. A maior delegação até então foi a de Pequim 2022, com seis atletas. Até o momento, o melhor desempenho do Brasil foi a sexta posição na prova de 15km do esqui cross-country, com Cristian Ribera, em PyeongChang 2018.

CONFIRA AQUI A CONVOCAÇÃO COMPLETA

A gaúcha Vitória Machado, 21, teve contato com o esporte desde muito jovem, com passagem por diversas modalidades, incluindo a patinação artística, que foi a porta de entrada para o snowboard. Entre suas conquistas, estão duas medalhas de ouro na Copa Europeia de banked slalom nos anos de 2025 e 2026. Ela é a segunda atleta do Brasil a ser convocada para competir no snowboard.

Além de Vitória, vão compor a delegação brasileira em Milão-Cortina: os paulistas Wellington da Silva, Elena Regina e Guilherme Cruz Rocha, a paranaense Aline Rocha, o rondoniense Cristian Ribera, e o paraibano Robelson Lula – todos do esqui cross-country, e o gaúcho André Barbieri, também do snowboard.

Os critérios de concessão de convites do IPC consideraram aspectos como a pontuação dos atletas nos rankings da FIS ou da IBU (União Internacional de Biathlon) e a classe funcional, com enfoque nas classes baixas, caracterizadas por maior comprometimento físico-motor.

Além disso, considerou-se a necessidade de garantir número suficiente de competidores para viabilizar as provas previstas no cronograma dos Jogos, bem como ampliar a diversidade de gênero da equipe contemplada.

Milão-Cortina 2026 marcará a quarta participação do Brasil nos Jogos Paralímpicos de Inverno. A estreia ocorreu em 2014, em Sochi, na Rússia, com dois atletas. Quatro anos depois, em PyeongChang, na Coreia do Sul, a delegação brasileira contou com três representantes. Já em Pequim 2022, o país teve sua maior missão até então, com seis atletas.

Em termos de resultado, o melhor desempenho do Brasil até o momento foi a sexta posição na prova de 15km do esqui cross-country, com Cristian Ribera, em PyeongChang 2018. Este também foi o ano em que o país contou com a primeira participação feminina – Aline Rocha, que mais tarde, em Pequim 2022, conquistou um inédito sétimo lugar na prova longa de cross-country.

Na estreia brasileira em 2014, em Sochi, na Rússia, dois paulistas representaram o país: André Cintra, no esqui alpino, e Fernando Aranha, no esqui cross-country. André ficou na 26ª colocação na prova de velocidade de sua modalidade, enquanto Fernando não avançou às finais no 1km de velocidade, na prova de sprint; nos 10km sentado ele ficou em 21º; e nos 15km sentado, em 15º.

Programa Loterias Caixa Atletas de Alto Nível
Os atletas Guilherme Cruz Rocha e Robelson Lula são integrantes do Programa Loterias Caixa Atletas de Alto Nível, programa de patrocínio individual da Loterias Caixa e da Caixa que beneficia 148 atletas.

Time São Paulo
Os atletas Wellington da Silva, Cristian Ribera e Elena Regina integram o Time São Paulo, parceria entre o CPB e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, que beneficia 155 atletas.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

Fonte https://cpb.org.br/noticias/brasil-conquista-mais-uma-vaga-e-amplia-recorde-de-participacao-nos-jogos-de-inverno-em-milao-cortina/

Postado Pôr Antônio Brito 

 

Prefeito do Rio de Janeiro usa bengala, óculos escuros e ‘zomba’ de pessoas com deficiência visual

Prefeito do Rio de Janeiro usa bengala, óculos escuros e 'zomba' de pessoas com deficiência visual

As imagens foram feitas durante a presença de Eduardo Paes nos camarotes da Sapucaí durante o carnaval. Ele parece ‘brincar’ e ‘zombar’ das pessoas com deficiência visual. Prefeitura não se manifesta sobre as imagens

Horas após o fim dos desfiles das Escolas de Samba no Sapucaí, quem ocupa as redes sociais nesta quarta-feira, 18, é Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro.

Imagens feitas em dos camarotes da Marquês de Sapucaí, mostra Paes segurando um objeto simulando uma bengala e utilizando óculos escuros enquanto dança e brinca. Ao fim da gravação, uma mulher parece tirar o objeto da mão do prefeito ao vê-lo sendo filmado.

Após a divulgação das imagens, a repercussão gerou revolta e indignação no segmento da pessoa com deficiência em todo o Brasil.

Luciana Trindade, Coordenadora do PSB Inclusão Nacional, escreveu que “o vídeo do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, fingindo ser uma pessoa com deficiência visual “não é uma brincadeira. É sintoma. Quando uma autoridade pública simula uma deficiência, ainda que sob o argumento de ‘conscientização’, a mensagem que passa é perigosa: transforma uma experiência estrutural de exclusão em encenação momentânea. A deficiência não é algo que se veste por alguns minutos e se retira ao final da gravação. Ela atravessa trajetórias, limitações impostas pelo ambiente e, principalmente, a omissão do poder público”.

“Esse ato não é apenas uma brincadeira de mau gosto. É uma demonstração de desrespeito, preconceito e insensibilidade diante de uma parcela da população que já enfrenta diariamente enormes desafios para conquistar dignidade, inclusão e respeito. Quando uma autoridade pública, que deveria ser exemplo de empatia e responsabilidade, se comporta dessa maneira, o impacto é devastador. Ele reforça estigmas, banaliza o sofrimento e fere a luta histórica das pessoas com deficiência por reconhecimento e igualdade”, escreveu Alberto Ferreira de Brito – pessoa com deficiência visual e participante de Conselhos na Grande São Paulo.

Para Geraldo Nogueira, Diretor da Pessoa com Deficiência na OAB-RJ, “não me indigna pela imitação em si; poderíamos até recorrer à máxima: “falem mal, mas falem de mim” ou, em tom mais irônico, “imitem mal, mas ao menos lembrem de nós”. O que realmente preocupa, porém, é a ausência histórica de prioridade com relação às pessoas com deficiência na gestão municipal. Ao longo dos anos em que esteve à frente da Prefeitura do Rio, não se consolidou uma política pública robusta e estruturante voltada à inclusão das PcD.”

“O capacitismo realmente rompe barreiras. Pessoas ocupam vagas de estacionamento, cometem agressões verbais e capacitismo em pleno horário nobre da televisão brasileira, mas parece que tudo isso é apenas uma brincadeira. Quando esse tipo de ‘agressão’ vem de uma personagem pública, prefeito de uma capital, demonstra como as pessoas com deficiência são desrespeitadas em nosso Brasil”, comentou Abrão Dib, presidente da ANAPcD – Associação Nacional de Apoio às Pessoas com Deficiência.

Eduardo Paes e Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro não se manifestaram sobre as imagens divulgadas nas redes sociais.

Fonte https://diariopcd.com.br/prefeito-do-rio-de-janeiro-usa-bengala-oculos-escuros-e-zomba-de-pessoas-com-deficiencia-visual/

Postado Pôr Antônio Brito 

18/02/2026

A Deficiência que o Judiciário Não Vê

A Deficiência que o Judiciário Não Vê - OPINIÃO - * Por Igor Lima

OPINIÃO

  • * Por Igor Lima

Quando o processo ignora o laudo que nunca foi feito

Todos os dias, pessoas com deficiência entram no sistema de justiça brasileiro sem que ninguém saiba que elas têm uma deficiência. Não porque escondem, mas porque nunca foram diagnosticadas formalmente. E o Judiciário, sem perceber essa invisibilidade, decide como se estivesse diante de pessoas neurotípicas, sem qualquer adaptação processual ou consideração sobre suas necessidades específicas.

O resultado é uma justiça que, mesmo bem-intencionada, produz decisões inadequadas e, por vezes, profundamente injustas.

O Problema Invisível

A questão não é que o Judiciário negue direitos às pessoas com deficiência. O problema é mais sutil e, por isso mesmo, mais perigoso: o sistema decide sem saber que a deficiência existe.

Imagine uma mãe com Transtorno do Espectro Autista (TEA) não diagnosticado disputando a guarda de seus filhos. Suas dificuldades de comunicação social, sua necessidade de rotina, sua sensibilidade sensorial — tudo isso pode ser interpretado pelo juiz como frieza afetiva, rigidez excessiva ou até negligência. Sem o laudo, não há contexto. Sem contexto, não há compreensão. Sem compreensão, a decisão pode destruir vínculos familiares fundamentais.

O mesmo acontece com adolescentes com TDAH em processos de medidas socioeducativas, com vítimas de violência doméstica que apresentam sintomas de trauma complexo, ou com candidatos à adoção que enfrentam barreiras invisíveis por não conseguirem ‘performar’ a estabilidade emocional esperada em avaliações psicossociais.

Por Que Isso Acontece?

A ausência do diagnóstico formal tem múltiplas causas:

Falta de acesso à saúde: Grande parte da população não tem acesso a profissionais especializados capazes de diagnosticar deficiências invisíveis, especialmente transtornos do neurodesenvolvimento, transtornos psiquiátricos ou deficiências intelectuais leves.

Estigma e desinformação: Muitas famílias evitam buscar diagnóstico por medo da discriminação ou por desconhecerem os sinais de deficiências não visíveis.

Diagnóstico tardio: Especialmente em adultos, muitas deficiências passam despercebidas durante toda a vida escolar e só se tornam evidentes em situações de estresse extremo, como um processo judicial.

Ausência de triagem processual: O sistema de justiça não possui mecanismos rotineiros de identificação de possíveis deficiências em partes ou testemunhas.

Impactos Concretos

As consequências dessa invisibilidade atravessam diferentes áreas do Direito:

Direito de Família: Pais com deficiências não diagnosticadas podem perder a guarda ou ter visitação restrita baseada em comportamentos mal compreendidos. Candidatos à adoção podem ser rejeitados por não atenderem padrões neurotípicos de avaliação.

Violência Doméstica: Vítimas com deficiências cognitivas ou transtornos psiquiátricos podem ter sua credibilidade questionada ou não receberem as medidas protetivas adequadas porque seus relatos são inconsistentes — exatamente como esperado em quadros de trauma ou deficiência intelectual.

Justiça Juvenil: Adolescentes com TDAH, TEA ou deficiência intelectual leve podem receber medidas socioeducativas mais severas porque suas dificuldades de compreensão de normas sociais ou controle de impulsos são interpretadas como má-fé ou periculosidade. Um adolescente com deficiência intelectual não identificada pode ser visto apenas como ‘indisciplinado’ ou ‘agressivo’, quando na verdade está reagindo a uma situação que não compreende.

Direito Penal: Réus com deficiências não identificadas podem ter sua capacidade de compreender o processo comprometida, sem que recebam as garantias processuais previstas na Lei Brasileira de Inclusão (LBI).

Isso não acontece por descuido individual de um juiz, promotor ou defensor. O problema é estrutural. O sistema de justiça foi organizado para decidir com base no que está formalmente comprovado nos autos, mas não foi estruturado para identificar deficiências que nunca foram diagnosticadas. Quando saúde, assistência social e justiça não se conectam, a deficiência invisível continua fora do processo — e a decisão sai incompleta. Não estamos diante de má-fé, mas de uma lacuna institucional que precisa ser reconhecida e enfrentada como questão de política pública.

O Que Precisa Mudar

A solução não é simples, mas é urgente. Precisamos de:

1. Capacitação de operadores do Direito: Juízes, promotores, defensores públicos e advogados precisam ser treinados para reconhecer sinais de deficiências invisíveis e saber quando solicitar avaliações especializadas.

2. Protocolos de triagem: Estabelecer mecanismos de identificação precoce, especialmente em casos sensíveis como guarda, violência doméstica e justiça juvenil.

3. Equipes multidisciplinares acessíveis: Ampliar a presença de psicólogos, assistentes sociais e médicos nos fóruns, com autonomia para sugerir avaliações quando necessário.

4. Parcerias com a saúde pública: Criar fluxos entre Judiciário e rede de saúde para diagnósticos em tempo processual adequado.

5. Inversão do ônus da prova: Em casos de suspeita de deficiência, o sistema deveria presumir a necessidade de investigação, não exigir que a parte vulnerável prove sua própria vulnerabilidade.

Justiça para Quem?

A invisibilidade da deficiência no processo judicial não é um problema menor. É uma questão de acesso à justiça em seu sentido mais fundamental. Justiça não é apenas aplicar a lei. É compreender quem está diante dela. Quando o Judiciário decide sem saber que está diante de uma pessoa com deficiência, está, na prática, negando-lhe o direito a um processo justo.

A Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) é clara: a pessoa com deficiência tem direito a adaptações processuais. Mas como adaptar o que não se vê? Como garantir direitos que permanecem ignorados?

Este não é um debate abstrato. Estamos falando de crianças separadas de suas mães, de adolescentes institucionalizados desnecessariamente, de vítimas de violência desacreditadas, de famílias destruídas por decisões que não consideraram a totalidade da condição humana das partes envolvidas.

É preciso criar um sistema que veja além do óbvio. Que compreenda que a deficiência nem sempre vem com um laudo debaixo do braço. Que reconheça que a verdadeira inclusão começa quando o sistema é capaz de identificar e acolher quem mais precisa dele — mesmo quando essa pessoa ainda não sabe que precisa.

Enxergar a deficiência que ainda não foi nomeada é um desafio para todo o sistema. Mas é também uma condição básica para que a decisão seja, de fato, justa.

  • * Igor Lima é advogado (OAB/RJ), especialista em Direitos Humanos e sustentabilidade, e pessoa com deficiência. Coordenador da coletânea jurídica “Deficiência e os Desafios para uma Sociedade Inclusiva”, citada no STJ, TST, STF e presente em instituições como Harvard e Universidade de Coimbra. Autor de artigos publicados em espaços como ABDConst, Future Law e revistas jurídicas nacionais, atua como palestrante em instituições como UERJ, UFRJ, UFF, OAB/RJ e MPRJ. Dedica-se à pesquisa e defesa dos direitos das pessoas com deficiência, com experiência em inclusão, políticas públicas e ESG.   
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Fonte https://diariopcd.com.br/a-deficiencia-que-o-judiciario-nao-ve/

Postado Pôr Antônio Brito 

Ministério Público Federal quer que CFM seja multado por resistência à implementação de cotas para médicos com deficiência

CFM pode ser multado por resistência à implementação de cotas para médicos com deficiência

MPF recorre à Justiça para que CFM seja punido por resistir a cotas na residência médica. Órgão pede que o TRF6 aplique multas e condene o conselho por ato atentatório à dignidade da Justiça

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com recurso junto ao Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) para que o Conselho Federal de Medicina (CFM) seja multado por oferecer resistência à implementação de cotas para médicos com deficiência.

Embora a sentença de primeira instância tenha confirmado o direito à reserva de vagas em todo o país, o MPF recorreu para garantir que a decisão seja acompanhada de punições severas contra o descumprimento e a postura obstrutiva das entidades ao direito.

Mudança nas normas – No recurso, o MPF discorda da ausência de penalidades na sentença proferida pela 2ª Vara Federal Cível de Belo Horizonte. O órgão defende que o Tribunal reforme a decisão para aplicar uma multa diária (multa cominatória) pelo tempo em que a ordem judicial, expedida inicialmente em 2021, deixou de ser atendida. De acordo com a apelação, a União e o CFM adotaram apenas medidas de fachada, como a Resolução 17/2022, que tornou as cotas opcionais — o que o MPF classifica como um esvaziamento da ordem judicial.

Com a sentença, os editais devem prever obrigatoriamente um percentual mínimo de vagas, além de garantir sanções para os programas que descumprirem a regra. A decisão também reforça que as instituições de saúde precisam oferecer condições de acessibilidade para que os médicos residentes com deficiência possam estudar e trabalhar em igualdade com os demais.

O recurso do MPF também pede a condenação do CFM por prática de ato atentatório à dignidade da Justiça. O órgão argumenta que o conselho agiu de forma a criar obstáculos para a efetivação do direito à inclusão. Entre as provas citadas estão a publicação de notas oficiais no site da autarquia classificando as cotas como “privilégio” ou “vantagem injustificável” e o ajuizamento de uma ação judicial contra o edital da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), que já aplicava a reserva de vagas. Para o MPF, esse tipo de conduta pública e jurídica de oposição direta desrespeita a autoridade do Judiciário e prejudica a integração social das pessoas com deficiência.

A procuradora regional dos Direitos do Cidadão Ludmila Junqueira Duarte Oliveira destaca que o CFM tem apresentado resistência pública contra a reserva de vagas. “Mesmo tendo o Juízo primevo sido absolutamente claro em suas decisões, inclusive sinalizando como deveriam ser cumpridas as obrigações, ambas as requeridas mostraram-se omissas e, no caso do CFM, hostil e claramente refratário à ordem judicial”, escreveu a procuradora na apelação.

Ela ressalta ainda que permitir que uma decisão judicial permaneça sem cumprimento por quase cinco anos abala a credibilidade do Poder Judiciário.

Cotas em residência para PCD – Em outubro de 2025, a Justiça Federal determinou à União e ao Conselho Federal de Medicina que garantissem a reserva de vagas para médicos com deficiência nos processos seletivos de residência médica. A decisão confirma a liminar concedida em 2021 e determina que a União altere as normas nacionais para tornar a inclusão obrigatória, seguindo as diretrizes aplicadas aos concursos públicos.

A decisão confirmou o entendimento de que a residência médica, embora seja uma especialização, funciona como um treinamento em serviço organizado pelo poder público. Tal natureza exige o respeito aos direitos de integração e igualdade de oportunidades previstos na Lei 13.146/15 (Estatuto da Pessoa com Deficiência) e em tratados internacionais, como a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (Decreto 6.949/09).

Íntegra do recurso

Fonte: Assessoria de Comunicação Social do Ministério Público Federal em Minas Gerais

Fonte https://diariopcd.com.br/cfm-pode-ser-multado-por-resistencia-a-implementacao-de-cotas-para-medicos-com-deficiencia/

Postado Pôr Antônio Brito 

14/02/2026

Coluna Diária: Trajando Direitos - Justiça na Balança: O Direito do Cadeirante ao Cuidado Integral com a Saúde

 


Você já parou para pensar como um cadeirante sabe o próprio peso? Para a maioria das pessoas, basta subir em um equipamento em qualquer farmácia ou consultório. Para quem usa cadeira de rodas, esse ato simples se torna uma barreira intransponível. No blog Trajando Cidadania, hoje discutimos por que a falta de balanças adaptadas não é apenas um "detalhe logístico", mas uma violação de direitos.

🏥 Por que o peso é uma questão de Direito à Saúde?

O peso corporal não é apenas um número estético; é um dado clínico vital. A falta de balanças acessíveis (aquelas em que a pessoa entra com a própria cadeira e o equipamento desconta o peso do objeto) gera riscos graves:

  • Dosagem de Medicamentos: Antibióticos, anestesias e tratamentos quimioterápicos são calculados com base no peso exato. No "olhômetro", o risco de subdosagem ou toxicidade é real.

  • Acompanhamento Nutricional: Sem pesagem, é impossível monitorar perdas ou ganhos de massa que indicam a evolução de doenças crônicas.

  • Dignidade Humana: Muitas vezes, o cadeirante é pesado "no colo" de um enfermeiro ou familiar, uma situação vexatória que retira a autonomia do indivíduo.

📜 O que diz a Lei? Existe um "vácuo" legislativo?

Ao contrário do que parece, não falta lei, o que falta é especificidade e fiscalização.

  1. Constituição Federal (Art. 196): Garante que a saúde é um direito de todos e dever do Estado. Se o Estado não oferece meios para um diagnóstico preciso (como a pesagem), ele está falhando.

  2. Lei Brasileira de Inclusão - LBI (Lei 13.146/2015): No Artigo 18, a LBI é clara: os serviços de saúde devem garantir o acesso da pessoa com deficiência em igualdade de condições, inclusive com equipamentos adaptados.

  3. Norma Técnica NBR 9050: Estabelece os critérios de acessibilidade para equipamentos, mas muitas clínicas e hospitais ignoram a obrigatoriedade de possuir a balança plataforma.

O problema real: Embora a LBI exija "acessibilidade", não há uma lei federal que diga, por exemplo: "Toda farmácia ou posto de saúde de bairro DEVE ter uma balança para cadeirantes". Isso fica diluído em normas gerais, o que dificulta a punição para quem não oferece o equipamento.

🛰️ Por que isso é "Trajar Cidadania"?

Dizemos que entender essa luta é Trajar Direitos porque a cidadania precisa vestir todos os corpos.

Quando um cadeirante chega a um hospital e não encontra uma balança onde ele possa se pesar com autonomia, o "traje" da sua dignidade está sendo rasgado. Trajar esse direito significa exigir que a acessibilidade não pare na porta de entrada (com a rampa), mas que ela chegue ao consultório e ao exame médico.

É entender que a saúde de um cadeirante não pode ser baseada em estimativas. Lutar por balanças acessíveis é garantir que o sistema de saúde trate a pessoa com deficiência como um cidadão de corpo inteiro, e não como uma exceção ao padrão.

https://www.trajandocidadania.com.br/2026/02/coluna-diaria-trajando-direitos-justica.html

Matéria e Arte Digital pelo Colunista Heliezer de Souza.

12/02/2026

Sociedade fluminense se despede de Tânia Rodrigues, fundadora da ANDEF e ativista da causa das pessoas com deficiência

Sociedade fluminense se despede de Tânia Rodrigues, fundadora da ANDEF e ativista da causa das Pessoas com Deficiência

Na manhã desta quarta-feira, 11, foi comunicado pela família o falecimento de Tânia Rodrigues, ex-Deputada Estadual pelo RJ e fundadora da ANDEF – Associação Niteroiense de Deficientes Físicos. Tânia era médica por formação e ativista da causa das PcD

Pelas redes sociais, o filho Gustavo Carvalho comunicou o falecimento da mãe.

“É muito triste ter que dizer adeus para alguém que a gente ama tanto. Minha mãe foi uma pessoa espetacular que sempre pautou a sua vida por ajudar na melhoria da qualidade de vida de outras pessoas com deficiência. Para não sofrer preconceitos, em uma época onde a pessoa com deficiência era considerada “incapacitada”, ela simplesmente escolheu ser a melhor no que fazia. Passou para a Universidade Federal Fluminense para cursar e se formar em medicina. Criou a Andef, em 1981, sendo uma das mais renomadas entidades de pessoas com deficiência do Brasil. Foi vereadora, deputada estadual, secretaria de acessibilidade e fez de Niterói uma das cidades mais acessíveis do Brasil. Ela se dedicou a vida inteira para construção, evolução e transformação do movimento de luta das pessoas com deficiência, com diversas leis que beneficiam milhões de pessoas. Lei do Cão-Guia, Lei de reserva de vagas para pessoas com deficiência em universidades, Lei da obrigatoriedade do cinto de segurança… foram incontáveis conquistas. Minha mãe foi também médica das delegações brasileiras nos Jogos Paralímpicos de Barcelona 1992, Atlanta 1996 e Sydney 2000 e se dedicou a cuidar dos nossos atletas paralímpicos. A gratidão por tudo que ela fez para milhares de pessoas com deficiência é eterna. O amor, a paixão, a fidelidade, a empatia dela moldaram a minha personalidade e de todos ao seu redor”.

Prefeitura de Niterói decretará luto oficial de três dias pelo falecimento de Tânia Regina Pereira Rodrigues, referência histórica na defesa dos direitos das pessoas com deficiência. A medida foi anunciada nesta quarta-feira (11) pelo prefeito Rodrigo Neves.

Geraldo Nogueira, Superintendente de Políticas Inclusivas do RJ e Diretor PcD – OABRJ, afirmou que “hoje é um dia triste para o movimento de pessoas com deficiência. Faleceu nessa madrugada a Dra. Tânia Rodrigues, fundadora da ANDEF – Associação Niteroiense de Deficientes Físicos. Sua vida foi marcada pela luta, mas também por um legado imenso de dignidade, amor e coragem. Que sua memória siga como luz, exemplo e incentivo para todos nós”.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Niterói lamentou o falecimento da Dra. Tânia Regina Pereira Rodrigues, médica neurologista, subsecretária da Coordenadoria de Acessibilidade da Prefeitura de Niterói, fundadora da Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (ANDEF), além de incansável defensora dos direitos da pessoa com deficiência.

Tânia Rodrigues foi vereadora de Niteróideputada estadual e fundadora da Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (ANDEF), entidade que se tornou uma das maiores organizações do país voltadas à inclusão.

Sua atuação política foi marcada pela defesa permanente da acessibilidade, da cidadania e da participação das pessoas com deficiência na vida social e profissional do Estado do Rio de Janeiro.

Além do trabalho em Niterói, Tânia integrou conselhos e instituições nacionais ligadas à pauta da inclusão e teve papel relevante no fortalecimento do movimento das pessoas com deficiência no estado.

À frente da ANDEF, apoiou projetos que impulsionaram o esporte paralímpico, colaborando com iniciativas que ajudaram no início das atividades do Comitê Paralímpico Brasileiro, abrindo caminho para atletas e paratletas de todo o país.

Autoridades, movimentos sociais e instituições destacaram a importância de sua trajetória para a construção de políticas públicas inclusivas. O decreto de luto oficial reforça o reconhecimento do município à mulher que transformou a realidade de milhares de famílias.

Tânia Rodrigues deixa um legado que ultrapassa gerações e consolida Niterói como referência nacional em direitos das pessoas com deficiência.

Fonte: https://cidadedeniteroi.com/

Fonte https://diariopcd.com.br/sociedade-fluminense-se-despede-de-tania-rodrigues-fundadora-da-andef-e-ativista-da-causa-das-pcd/

Postado Pôr Antônio Brito