25/09/2026

Assistência sexual

Assistência sexual - OPINIÃO - * Por Geraldo Nogueira

OPINIÃO

  • Por Geraldo Nogueira

Se falar sobre sexualidade ainda é um tabu, imagine falar sobre a sexualidade das pessoas com deficiência.

O tema continua sendo pouco debatido pela sociedade brasileira e, muitas vezes, permanece ausente até mesmo dos espaços destinados à discussão da sexualidade humana. No imaginário social, ainda persiste a equivocada ideia de que a pessoa com deficiência é assexuada. Nas famílias, não é raro que pessoas com deficiência sejam tratadas como eternas crianças, como se a deficiência lhes retirasse também o direito ao desejo, à intimidade, ao afeto e à própria sexualidade.

A realidade, entretanto, é outra.

A sexualidade faz parte da condição humana. Ela se manifesta de diferentes formas, em diferentes corpos e em diferentes fases da vida. A deficiência, por si só, não elimina desejos, sentimentos ou necessidades afetivas e sexuais. O que pode acontecer é que determinadas limitações funcionais criem barreiras adicionais para que a pessoa possa vivenciar sua sexualidade de maneira autônoma.

Para uma pessoa jovem que descobre sua sexualidade em um corpo que apresenta limitações de movimento, sensibilidade ou capacidade de manipulação, por exemplo, a experiência pode ser acompanhada de angústia, frustração e sofrimento. E esse sofrimento muitas vezes não decorre da deficiência em si, mas da ausência de informação, de apoio, de acessibilidade e de espaços seguros para falar sobre o assunto.

Ao longo de meus anos de ativismo na defesa dos direitos das pessoas com deficiência, ouvi relatos de familiares que enfrentaram situações para as quais não estavam preparados. Alguns chegaram a relatar o constrangimento de terem que auxiliar filhos, irmãos ou sobrinhos em questões relacionadas à sexualidade, simplesmente porque não encontravam orientação adequada ou profissionais preparados para lidar com aquela realidade.

Uma mãe, certa vez, contou-me que seu filho pedia ao irmão que o ajudasse na manipulação genital e que ela procurava informações sobre a existência de profissionais especializados que pudessem oferecer algum tipo de assistência.

O relato revela uma questão que não pode continuar sendo ignorada.

Quando a sociedade se recusa a discutir determinado assunto, ele não deixa de existir. Apenas passa a ser vivido de forma silenciosa, muitas vezes sem informação, sem orientação e sem proteção.

Em alguns países, a discussão sobre a chamada assistência sexual para pessoas com deficiência já avançou significativamente. Existem diferentes modelos de abordagem e regulamentação, que variam conforme a legislação, a cultura e a compreensão de cada sociedade sobre sexualidade, trabalho sexual, autonomia e direitos individuais.

A experiência internacional, portanto, não oferece uma resposta única, mas demonstra que o assunto pode, e precisa, ser debatido de maneira séria.

No Brasil, entretanto, essa discussão ainda é incipiente. Parte da dificuldade está relacionada à própria maneira como a deficiência historicamente foi compreendida. Durante muito tempo prevaleceu uma visão predominantemente médica, que concentrava na pessoa a explicação para suas limitações e deixava em segundo plano as barreiras impostas pela sociedade.

Hoje, a perspectiva dos direitos humanos nos convida a olhar para a deficiência de outra maneira.

Não se trata de afirmar que toda pessoa com deficiência necessita de assistência sexual, muito menos de transformar a sexualidade em uma obrigação ou em um serviço destinado indistintamente às pessoas com deficiência. Trata-se, antes de tudo, de reconhecer que pessoas com deficiência são sujeitos de direitos, possuem autonomia, desejos, escolhas e direito à vida afetiva e sexual.

E é justamente aí que começa a parte mais difícil do debate.

A eventual regulamentação da assistência sexual precisa considerar questões fundamentais como consentimento, autonomia, liberdade de escolha, proteção contra abusos, formação dos profissionais, limites da atividade e respeito à dignidade da pessoa atendida e de quem presta o serviço.

Também é necessário separar conceitos que frequentemente são tratados como se fossem a mesma coisa. Assistência sexual, educação sexual, terapia sexual, cuidados pessoais e trabalho sexual são atividades distintas e não devem ser confundidas.

O debate precisa ser feito sem preconceitos e sem romantizações.

De um lado, há quem compreenda a assistência sexual como uma possibilidade de ampliar o exercício da autonomia, da intimidade e da vida sexual de pessoas que enfrentam barreiras específicas para vivenciar sua sexualidade. De outro, existem preocupações legítimas relacionadas à mercantilização do corpo, à vulnerabilidade e aos limites éticos dessa atividade.

Ambas as perspectivas precisam ser ouvidas.

O que não parece razoável é simplesmente silenciar.

Uma sociedade verdadeiramente inclusiva não pode escolher quais dimensões da vida das pessoas com deficiência considera legítimas. Não basta garantir acesso à educação, ao trabalho, à saúde e à participação política se continuarmos tratando a afetividade, a intimidade e a sexualidade como assuntos proibidos.

A pessoa com deficiência não deixa de ser pessoa porque possui uma deficiência.

Ela continua tendo direito ao amor, ao desejo, à intimidade, à privacidade e à construção de sua própria vida afetiva e sexual.

Por isso, talvez o primeiro passo não seja defender uma determinada forma de assistência sexual, mas reconhecer que precisamos discutir o tema.

O Brasil precisa abrir esse debate com responsabilidade, conhecimento e, principalmente, com a participação das próprias pessoas com deficiência.

Nada sobre nós sem nós.

Enquanto a sociedade permanecer em silêncio, famílias continuarão enfrentando situações para as quais não recebem orientação e pessoas com deficiência continuarão vivendo, muitas vezes solitariamente, uma dimensão absolutamente humana de suas vidas.

Falar sobre isso não significa defender uma única solução.

Significa, simplesmente, reconhecer que a sexualidade também faz parte da vida, e a inclusão não pode terminar onde começa a intimidade.

*Geraldo Nogueira é advogado, escritor, gestor público e ativista na defesa dos direitos das pessoas com deficiência.

Fonte https://diariopcd.com.br/assistencia-sexual/

Postado Pôr Antonio Brito 

CPB promove III Fórum Nacional de Atletas com transmissão pelo YouTube

Público acompanha palestra durante Fórum de atletas, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo | Foto: Ana Patrícia Almeida/CPB

O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), por meio do Programa Atleta Cidadão, realiza, a partir desta quinta-feira, 24, o III Fórum Nacional de Atletas. O evento tem como objetivo promover a integração, representatividade e debate entre atletas e ex-atletas paralímpicos e segue até sábado, 26, no Centro de Treinamento Paralímpico (CTPB), em São Paulo.

Foram disponibilizadas 135 vagas, com até cinco atletas por estado e pelo Distrito Federal. O evento será transmitido pelo canal do YouTube do CPB.

O fórum conta com a participação de Isadora Rodrigues Nascimento Santos, secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência; Luane Carvalho Costa, da Coordenação-Geral de Saúde da Pessoa com Deficiência; Francisco Alexandre Mapurunga, diretor de Educação Inclusiva do Ministério da Educação (MEC); Simone Camargo Rocha, coordenadora do Programa Atleta Cidadão; Antônio José, coordenador do Inspiração Paralímpica; David Costa, coordenador da Educação Paralímpica; e João Batista Carvalho e Silva, representante do Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos.

A programação inclui painéis e palestras sobre políticas públicas, programas do CPB voltados à inclusão da pessoa com deficiência, emendas parlamentares, Lei de Incentivo, oportunidades no esporte paralímpico da base ao alto rendimento, transição de modalidade, modalidades de entrada para atletas paralímpicos e elaboração de projetos.

A primeira edição do Fórum Nacional de Atletas foi realizada em dezembro de 2023, no CTPB, em São Paulo. O evento contou com painéis e palestras sobre a participação de atletas em conselhos de confederações, a estrutura do Movimento Paralímpico no Brasil e habilidades para atuação em defesa das demandas dos esportistas.

O Conselho de Atletas foi criado em 2009 com o objetivo de representar os esportistas dentro do CPB. O grupo mantém diálogo com a Diretoria Executiva do Comitê e possui um assento no Conselho de Administração da entidade.

Sobre o Programa Atleta Cidadão
O Programa Atleta Cidadão busca estimular o desenvolvimento da cidadania de atletas e ex-atletas paralímpicos em diferentes fases da carreira, por meio de formação educacional, capacitação e orientação profissional.

Para obter mais informações ou tirar dúvidas sobre o fórum, os interessados devem enviar e-mail para atletacidadao@cpb.org.br.

Serviço
III Fórum Nacional de Atletas Paralímpicos 2026 – Programa Atleta Cidadão – Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB)
Local: Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro (CTPB)
Endereço: Rodovia dos Imigrantes, Km 11,5 – Vila Guarani, São Paulo
Data e horário: 24 de setembro, das 9h30 às 11h30 e das 13h30 às 18h; 25 de setembro, das 9h30 às 12h30 e das 14h30 às 19h; e 26 de setembro, das 9h às 12h30 e das 14h30 às 16h (sempre no horário de Brasília).
Transmissão: Canal do YouTube do CPB, por meio deste link.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro

Fonte https://cpb.org.br/noticias/cpb-promove-lll-forum-nacional-de-atletas-com-transmissao-pelo-youtube/

Postado Pôr Antonio Brito 

Justiça autoriza advogado autista a assumir função de juiz leigo no TJSC após perícia apontar capacidade

Justiça autoriza advogado autista a assumir função de juiz leigo no TJSC após perícia apontar capacidade

Decisão suspende laudo que havia considerado Márcio Almeida inapto e determina seu prosseguimento no processo seletivo, inclusive convocação, designação e entrada em exercício

Uma nova decisão da Justiça de Santa Catarina alterou o rumo do caso do advogado Márcio Leonardo Almeida das Virgens, autista, que havia sido considerado inapto pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) para exercer a função de Juiz Leigo Indenizado, apesar de ter sido aprovado no processo seletivo concorrendo às vagas destinadas às pessoas com deficiência.

Em decisão, a juíza Luciana Pelisser Gottardi Trentini, da 1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca da Capital, determinou a suspensão dos efeitos do laudo médico oficial que havia considerado Márcio inapto e assegurou o prosseguimento do candidato nas etapas seguintes do processo seletivo. A decisão inclui a possibilidade de convocação, designação e entrada em exercício na função, respeitada a ordem de classificação nas vagas reservadas às pessoas com deficiência e o cumprimento dos demais requisitos previstos no edital.

A decisão ocorre após a realização de uma perícia psiquiátrica judicial, determinada justamente porque havia divergência entre as avaliações médicas apresentadas no processo.

Perícia judicial apontou capacidade para exercer a função

Segundo a decisão, o perito nomeado pelo juízo examinou presencialmente Márcio, analisou seu histórico clínico e concluiu pela plena capacidade laborativa.

De acordo com a magistrada, “o perito nomeado por este Juízo, profissional médico equidistante dos interesses em litígio, examinou presencialmente o demandante, colheu histórico clínico detalhado e concluiu de forma peremptória pela sua plena capacidade laborativa. Respondendo diretamente aos quesitos deste Juízo, o perito judicial afirmou expressamente que o quadro de Transtorno do Espectro Autista (TEA nível 1) não acarreta incapacidade, impedimento ou prejuízo funcional concreto para o desempenho das atribuições inerentes à função de Juiz Leigo Indenizado, inclusive no que tange à presidência de conciliações, condução de audiências, atendimento direto ao público e redação fundamentada de projetos de sentença”.

O laudo também apontou que as particularidades clínicas apresentadas pelo advogado produziriam alterações consideradas leves, sem gerar incapacidade profissional. A decisão registra ainda que o perito considerou que o estresse decorrente da atividade jurisdicional e conciliatória pode atingir qualquer indivíduo.”Ao analisar os quesitos ofertados pelo Estado de Santa Catarina, a perícia judicial ressaltou que as particularidades clínicas do autor geram apenas alterações em nível suave, insuficientes para gerar incapacidade profissional, consignando expressamente que o estresse decorrente da atividade jurisdicional e conciliatória pode acometer qualquer indivíduo e qualquer magistrado”.

Divergência entre avaliações médicas

A divergência entre os documentos médicos foi um dos pontos centrais do processo. Conforme a decisão, uma médica psiquiatra credenciada havia anteriormente considerado o advogado apto funcionalmente. Posteriormente, a Junta Médica Oficial do TJSC concluiu pela sua inaptidão, utilizando, entre seus fundamentos, uma avaliação sobre a possibilidade de incompatibilidade entre a condição clínica e o exercício da função a longo prazo. Foi justamente essa divergência técnica que levou a Justiça a determinar a realização de uma perícia psiquiátrica judicial.

Com a apresentação do novo laudo, a magistrada entendeu que havia um elemento probatório novo que justificava a revisão da tutela anteriormente concedida.

“Se a ordem jurídica veda a eliminação prematura até mesmo em carreiras policiais permanentes sujeitas a estágio probatório, inexiste justificativa jurídica ou fática para impedir o exercício prático de candidato em função auxiliar, precária, fiscalizada cotidianamente por magistrado togado, submetida a avaliações trimestrais de produtividade e passível de desligamento ad nutum a qualquer tempo”, consta na decisão.

Justiça mantém processo e autoriza entrada em exercício

A decisão não representa, neste momento, o julgamento definitivo da ação. A juíza rejeitou o pedido de julgamento antecipado do mérito porque ainda está aberto o prazo para que as partes e o Ministério Público se manifestem sobre a perícia, apresentem eventuais impugnações ou solicitem esclarecimentos. Ao mesmo tempo, a magistrada entendeu que a nova prova justificava a ampliação da tutela de urgência.

Com isso, determinou a suspensão dos efeitos do Laudo Médico Oficial nº 10711518 e garantiu o prosseguimento de Márcio nas etapas seguintes do processo seletivo, incluindo convocação, designação e entrada em exercício como Juiz Leigo Indenizado.

“Defiro a tutela de urgência para suspender os efeitos do Laudo Médico Oficial nº 10711518 e assegurar o prosseguimento do autor nas etapas subsequentes do certame, inclusive com sua convocação, designação e entrada em exercício na função de Juiz Leigo Indenizado, observada a sua estrita ordem de classificação nas vagas reservadas às pessoas com deficiência e o preenchimento dos demais requisitos objetivos do
edital”, decidiu a magistrada.

A determinação, entretanto, está condicionada à observância da ordem de classificação do candidato na lista reservada às pessoas com deficiência e ao cumprimento dos demais requisitos objetivos e documentais estabelecidos no edital.

Um caso que ultrapassa a história de um candidato

O caso de Márcio ganhou repercussão porque coloca em discussão como pessoas com deficiência devem ser avaliadas para o exercício de funções públicas.

Na reportagem publicada pelo Diário PcD em 20 de setembro, o caso já havia sido apresentado como exemplo do debate sobre avaliação individual, adaptações razoáveis e inclusão no serviço público.

A nova decisão acrescenta um elemento importante: uma perícia judicial independente concluiu que o diagnóstico de TEA nível 1, no caso concreto analisado, não impedia o exercício das atribuições da função.

A própria decisão, porém, ainda não encerra o processo. O mérito da ação continua pendente de julgamento definitivo, e as partes ainda poderão se manifestar sobre o laudo pericial.

CONFIRA: No Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, caso de advogado autista barrado para juiz leigo expõe desafio da inclusão no serviço público – https://diariopcd.com.br/no-dia-nacional-de-luta-da-pessoa-com-deficiencia-caso-de-advogado-autista-barrado-para-juiz-leigo-expoe-desafio-da-inclusao-no-servico-publico/

Fonte https://diariopcd.com.br/justica-autoriza-advogado-autista-a-assumir-funcao-de-juiz-leigo-no-tjsc-apos-pericia-apontar-capacidade/

Postado Pôr Antonio Brito 

23/09/2026

Dia do Atleta Paralímpico: como os Jogos do Rio 2016 ajudaram a formar novos atletas do país

Dia do Atleta Paralímpico: como os Jogos do Rio 2016 ajudaram a formar novos atletas do país

Celebrado em 22 de setembro, o Dia Nacional do Atleta Paralímpico é uma oportunidade para reconhecer as trajetórias de quem encontrou no esporte um caminho de desafios, conquistas e transformação de vida. Mas, para alguns dos atletas que hoje representam o Brasil em grandes competições, essa história começou diante das telas ou nas arquibancadas dos Jogos Paralímpicos do Rio 2016, quando acompanhar os grandes nomes do esporte paralímpico despertou o desejo de, um dia, estar entre eles.

Dez anos depois, aquele sonho ganhou novas formas e chegou às pistas, piscinas, quadras e arenas. Nesta data, o convite é para conhecer histórias de atletas que tiveram os Jogos Rio 2016 como inspiração para iniciar suas trajetórias no esporte paralímpico e que, anos mais tarde, passaram a compartilhar as mesmas competições com alguns dos ídolos que um dia admiraram.

Foi assim com a halterofilista carioca Tayana Medeiros. Na época, ela ainda competia no atletismo e acompanhou as provas no Estádio Olímpico Nilton Santos. Entre os atletas que acompanhou de perto estava a paulista Verônica Hipólito, medalhista nos Jogos. A conquista despertou em Tayana o desejo de viver aquela experiência.

“Foi mágico ver ela ganhar a medalha. Eu chorei e foi ali que decidi que queria viver aquilo. Queria aquela experiência para mim também”, contou Tayana.

Ela também acompanhou as provas do paulista Thiago Paulino e saiu do estádio determinada a mudar sua trajetória.

“Eu falei: ‘Cara, eu quero mudar minha vida, quero virar atleta e ser atleta igual a eles’. Foi quando dei um start e decidi realmente viver para o esporte”, afirmou.

A mudança veio alguns anos depois. Tayana deixou o atletismo e migrou para o halterofilismo, modalidade em que alcançou o topo do pódio. Oito anos após assistir aos Jogos no Rio, conquistou o ouro na categoria até 86 kg nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024. Em 2025, foi medalhista de prata na mesma categoria no Mundial de Cairo, no Egito.

Para ela, a influência do Rio 2016 ultrapassou sua própria trajetória e alcançou também o desenvolvimento do esporte paralímpico no país.

“Eu acho que o Rio 2016 impactou o esporte paralímpico como um marco, tanto para atletas que já vivenciavam o esporte quanto para quem não vivenciava, que era o meu caso. Acho que abriu portas para muita gente”, disse.

Se Tayana decidiu começar a viver para o esporte depois de assistir às competições, o mineiro Gabriel Araújo já havia dado os primeiros passos como atleta quando chegou o Rio 2016. Aos 14 anos, ele acompanhou as provas do nadador paulista Daniel Dias, maior medalhista paralímpico do Brasil. Naquele momento, fez uma promessa para si mesmo.

“Quando assisti à prova dele, disse para mim mesmo que um dia também estaria nos Jogos Paralímpicos”, lembrou Gabriel.

A promessa se tornou realidade em Tóquio 2020. Na estreia paralímpica, Gabriel conquistou três medalhas: ouro nos 200m livre e nos 50m costas e prata nos 100m costas. Quatro anos depois, em Paris 2024, ampliou a coleção com três ouros: nos 100m costas, 200m livre e 50m costas.

A inspiração que recebeu no Rio também mudou de sentido ao longo dos anos. Se, em 2016, Gabriel era um menino que acompanhava seus ídolos, hoje ele ocupa o lugar de referência para uma nova geração.

“Você vê as competições de longe, mas, se tem alguma inspiração, trabalha para também ser inspiração para outras pessoas. E quem ganha com isso não é só o Brasil, é o esporte paralímpico. Hoje temos um Gabrielzinho, mas quero que daqui a 10, 15 anos, tenham milhares de ‘Gabrielzinhos’ espalhados por aí”, finalizou.

Aos nove anos, a baiana Bárbara Brito ainda não entendia o que representava uma edição dos Jogos Paralímpicos quando esteve no Rio em 2016. A viagem foi organizada pela mãe, que queria proporcionar à filha o contato com o esporte paralímpico. Mas Bárbara tinha uma motivação especial para acompanhar as competições: conhecer a nadadora fluminense Camille Rodrigues, que já admirava antes mesmo de começar a nadar.

Depois de ser submetida a uma amputação da perna direita, Bárbara havia recebido a recomendação médica de praticar natação como parte da reabilitação. Ao descobrir que Camille também era nadadora e estaria no Rio, ficou determinada a encontrá-la.

“Eu, criança, não tinha dimensão do que eram os Jogos Paralímpicos, mas minha mãe sim, e resolveu me levar para ter esse contato. Assim que fiz minha amputação, eu assistia aos vídeos da Camille dançando com a prótese e achava o máximo. Quando descobri que ela também nadava, fiquei entusiasmada para conhecê-la”, contou.

A oportunidade apareceu durante o revezamento 4x100m livre feminino. Bárbara conseguiu entrar na piscina de aquecimento e encontrou Camille, além de outros atletas. Na ocasião, recebeu da nadadora a touca usada na prova e ouviu que, um dia, poderia estar ao lado dela representando o Brasil.

“Eu mal sabia nadar, fazia aula de natação e estava aprendendo. Quando me encontrei com a Camille, ela me deu a touca que usou na prova e disse que queria me ver ao lado dela e, quem sabe, um dia, representar o Brasil assim como ela”, lembrou.

O encontro transformou uma lembrança em objetivo. Anos depois, Bárbara integra a Seleção Brasileira de jovens da natação e ainda carrega o sonho de chegar aos Jogos Paralímpicos.

“Com certeza isso me deu ainda mais gás e empolgação para ser alguém no esporte também. Através disso, hoje o meu sonho também é participar de um Jogos”, afirmou.

A relação entre o Rio 2016 e uma nova geração de atletas também aparece no judô. Aos 13 anos, o gaúcho Marcelo Casanova já praticava a modalidade convencional quando acompanhou o evento. Além de conhecer esportes como goalball, futebol de cegos e bocha, ele descobriu no judô paralímpico uma possibilidade para o futuro.

“Eu achava muito legal e era diferente do convencional. Ali comecei a entender um pouco mais as regras para, futuramente, fazer essa migração para o judô paralímpico”, explicou.

Naquela edição, Marcelo também acompanhou atletas que, anos mais tarde, seriam seus colegas de Seleção Brasileira, como o paraibano Wilians Araújo e os paulistas Antônio Tenório e Lúcia Teixeira.

“Na época, eles eram os ídolos. Hoje eu treino junto com eles. Quando entrei para a Seleção Brasileira, foi muito especial, porque era o pessoal que eu acompanhava na TV ganhando medalha, e depois passei a treinar e ser amigo deles”, relatou.

A trajetória iniciada naquele período o levou até Paris 2024, onde conquistou a medalha de bronze na categoria até 90 kg. Para Marcelo, porém, o impacto do Rio 2016 não esteve apenas nos atletas. A experiência de acompanhar os Jogos em casa também mostrou a força que uma grande competição pode ter quando aproxima o esporte do público.

“O pessoal competindo com a família, com os amigos, com a torcida do Brasil, fazendo uma festa quando os atletas brasileiros entravam para competir. Isso incentiva muito a gente, porque sempre nos imaginamos competindo com os nossos torcendo”, afirmou.

Dez anos depois, o impacto daquela edição também é percebido nos pódios conquistados por atletas que um dia estiveram nas arquibancadas ou diante de rádios e televisões. Para Marcelo, a realização dos Jogos Paralímpicos no Brasil contribuiu para ampliar o contato do público com as modalidades e com os próprios atletas.

“Quando é uma competição dessa magnitude no nosso país, muito mais pessoas são impactadas, acabam conhecendo e assistindo. Nesse sentido, foi muito importante para a valorização do esporte paralímpico e para o conhecimento do público geral”, avaliou.

Entre quem decidiu mudar de vida depois de acompanhar as competições, quem transformou uma promessa de infância em títulos paralímpicos, quem encontrou um ídolo e passou a sonhar em seguir seus passos e quem viu nos Jogos uma nova possibilidade dentro do próprio esporte, o Rio 2016 deixou marcas diferentes. Em comum, ficou a inspiração de uma geração que cresceu assistindo aos atletas brasileiros e que, dez anos depois, passou a ocupar o mesmo palco.

Patrocínio
As Loterias CAIXA, a CAIXA, e a Asics e a Braskem são as patrocinadoras oficiais do atletismo.
Loterias CAIXA e a CAIXA são as patrocinadoras oficiais da goalball, futebol de cegos, bocha, halterofilismo, natação e judô.

Programa Loterias CAIXA Atletas de Alto Nível
Os atletas Gabriel Araújo, Tayana Medeiros, Marcelo Casanova, Verônica Hipólito e Wilians Araújo são integrantes do Programa Loterias CAIXA Atletas de Alto Nível, programa de patrocínio individual das Loterias CAIXA e da CAIXA que beneficia 141 atletas.

Time São Paulo
As atletas Lucia Teixeira e Verônica Hipólito integram o Time São Paulo, parceria entre o CPB e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, que beneficia 156 atletas.

Fonte: Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro

CRÉDITO/IMAGEM: Tayana Medeiros com a medalha de ouro nos Jogos Paralímpicos Paris 2024 | Foto: Ana Patrícia Almeida/CPB

Fonte https://diariopcd.com.br/dia-do-atleta-paralimpico-como-os-jogos-do-rio-2016-ajudaram-a-formar-novos-atletas-do-pais/

Postado Pôr Antonio Brito 

Seleção Brasileira anuncia convocação para evento-teste do Mundial de atletismo de Tashkent 2027

Jerusa Geber e seu atleta-guia seguram a bandeira brasileira no Mundial de Atletismo Nova Déli |Foto: Alessandra Cabral/CPB

A Seleção Brasileira de atletismo participa, entre os dias 2 e 4 de novembro, de um evento-teste em Tashkent, no Uzbequistão. A cidade recebe, em junho de 2027, o Mundial da modalidade. Ao todo, 29 atletas — e oito atletas-guias — foram convocados para a competição.

Entre os convocados está a acreana Jerusa Geber, da classe T11 (deficiência visual), dona de seis medalhas em Jogos Paralímpicos nas provas de 100m e 200m: dois ouros em Paris 2024, duas pratas em Londres 2012 e dois bronzes, em Pequim 2008 e Tóquio 2020.

CONFIRA A CONVOCAÇÃO COMPLETA

A paulista Beth Gomes, da classe F57 (que competem sentados), que tem três medalhas paralímpicas — ouro no lançamento de disco nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020, ouro no lançamento de disco e prata no arremesso de peso em Paris 2024 — também está na lista.

Ainda entre as mulheres, estão confirmadas a amapaense Wanna Brito, da classe F32 (paralisia cerebral), prata no arremesso de peso em Paris 2024; e a paulista Verônica Hipólito, da classe T36 (paralisia cerebral), dona de uma prata nos 100m e um bronze nos 400m nos Jogos Paralímpicos Rio 2016, além de um bronze nos 100m nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024.

Entre os homens, foi convocado o paulista Alessandro Silva, da classe F11 (deficientes visuais), dono das medalhas de ouro no lançamento de disco e prata no arremesso de peso nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020 e ouro no lançamento de disco nos Jogos Paralímpicos Rio 2016.

Além dele, o mineiro Claudiney Batista, da classe F56 (que competem em cadeira de rodas), dono de três ouros no lançamento de disco nos Jogos Rio 2016, Tóquio 2020 e Paris 2024, além de uma prata no lançamento de dardo nos em Londres 2012; e o sul-mato-grossense Yeltsin Jacques, da classe T11 (deficiência visual) dono de três ouros e um bronze entre Tóquio 2020 e Paris 2024, também participará da competição.

Resultados do Brasil no último Mundial de Atletismo
Em 2025, em Nova Déli, na Índia, o Brasil terminou, pela primeira vez na história, uma edição do Mundial de Atletismo como líder do quadro de medalhas.

Os brasileiros encerraram a campanha histórica com 15 ouros, 20 pratas e nove bronzes, totalizando 44 medalhas. A China ficou na segunda colocação, com 13 ouros, 22 pratas e 17 bronzes, totalizando 52 medalhas. A terceira colocação ficou com o Irã, que conquistou nove ouros, duas pratas e cinco bronzes, somando 16 medalhas.

Patrocínio
As Loterias CAIXA, a CAIXA, a Braskem e a Asics são as patrocinadoras oficiais do atletismo.

Programa Loterias CAIXA Atletas de Alto Nível
Os atletas Elizabeth Gomes, Jerusa Geber, Verônica Hipólito, Yeltsin Jacques e Wanna Brito são integrantes do Programa Loterias CAIXA Atletas de Alto Nível, programa de patrocínio individual das Loterias CAIXA e da CAIXA que beneficia 141 atletas.

Time São Paulo
Os atletas Alessandro Silva, Elizabeth Gomes, Jerusa Geber, Verônica Hipólito e Wanna Brito integram o Time São Paulo, parceria entre o Comitê Paralímpico Brasileiro e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, que beneficia 156 atletas.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

Fonte https://cpb.org.br/noticias/selecao-brasileira-anuncia-convocacao-para-evento-teste-do-mundial-de-atletismo-de-tashkent-2027/

Postado Pôr Antonio Brito 

POLI-USP CRIA LABORATÓRIO DE INCLUSÃO COM NOVAS TECNOLOGIAS PARA AUTISTAS

A Escola Politécnica da USP (Poli-USP) criou a Plataforma Digital da Sociedade Autista, uma iniciativa que une tecnologia e impacto social ao desenvolver ferramentas acessíveis para a comunidade neurodivergente. O projeto abrange desde um curso de capacitação profissional em inteligência artificial e produtividade para 50 autistas até o criação de protótipos como o Adapte Board — aplicativo gratuito de comunicação alternativa —, pulseiras para detecção de estresse, monitores de ruído sensorial e jogos educativos sobre finanças e composição musical. Unindo alunos de exatas a especialistas de diversas áreas, a ação busca transformar o aprendizado acadêmico em soluções práticas que promovem a cidadania, a autonomia e a inclusão social de pessoas no espectro autista.

POLI-USP CRIA LABORATÓRIO DE INCLUSÃO COM NOVAS TECNOLOGIAS PARA AUTISTAS

Historicamente associada ao rigor técnico das ciências exatas e a discussões teóricas, a Escola Politécnica da USP abre suas portas para a diversidade.

Com a “Plataforma Digital da Sociedade Autista”, projeto de pesquisa e inovação, alunos e professores trocam testes de bancada tradicionais pela criação de protótipos tecnológicos, treinamentos e ferramentas que buscam melhorar a realidade de pessoas neurodivergentes.

Uma das iniciativas é o curso de capacitação para o mercado de trabalho, realizado por meio de um projeto de extensão universitária. Nesse treinamento, dentro do campus paulistano, 50 alunos autistas, dos três níveis de necessidade de suporte, lidam com ferramentas de inteligência artificial, planilhas e outras tecnologias.

A formação termina no final de setembro, e os alunos que já estarão trabalhando em empresas parceiras serão acompanhados por mais três meses.

Renata Borga Casella, 30, que faz a oficina, é formada em biomedicina e diz que vai tentar migrar para a área de tecnologia. “Gostei muito de aprender PowerPoint, Excel e a mexer no Gemini.”

Em uma outra frente inclusiva, o professor e pesquisador colaborador Emanuel Santana, com dois filhos autistas, desenvolveu um modelo nacional de prancha de comunicação aumentativa e alternativa para pessoas do espectro ou com dificuldade de fala, o Adapte Board.

O modelo nacional pode ser baixado gratuitamente em smartphones e computadores. Facilita com figuras e sinais visuais a interação de autistas mais severos e pode ser personalizado pelo usuário e enviado para quem eles desejarem se comunicar.

“A gente coloca a acessibilidade na palma da mão da pessoa, no dispositivo que ela já tem. Foi pensando para ter perenidade e ser muito mais sustentável que os modelos importados”, afirma Emanuel.

A movimentação inclusiva levou para as atividades de exatas profissionais de outras áreas. Um deles é Eduardo Mancebo, arquiteto de formação pela FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo), mas já há 25 anos especialista em orientação prática de indivíduos no espectro.

Ele ajudou o aluno de engenharia da computação Lucas Felipe Pereira Domingues a desenvolver um dispositivo, suportado por inteligência artificial, que auxilia autistas a compor músicas de forma terapêutica e educativa. O programa ajuda desde na ideia da letra da canção até a criação de uma melodia e, por fim, na entrega de uma música pronta.

Como a geração de áudio por IA demora cerca de dois minutos, os criadores perceberam que deixar o usuário esperando diante de uma tela estática gerava desconforto sensorial e ansiedade. Por isso, integraram à tela de espera um jogo de estourar bolhas e um guia de respiração guiada.

“Temos que gerar um impacto para que a sociedade cresça conosco e com nossos alunos. Com isso você aproveita duas coisas: o aluno começa a ser cidadão e pensa, desde a sua formação, como poderia realmente ajudar a sociedade para não entrar em sonhos científicos de aplicações etéreas”, diz o professor Jorge Luis Risco Becerra, da Poli, um dos responsáveis pela iniciativa.

Outras tecnologias

Com mais informações acerca de autismo, alunos da disciplina de circuitos digitais foram desafiados a desenvolver tecnologias que poderiam ser úteis no dia a dia dessa população. Visitaram uma unidade de apoio a neurodivergentes e, no meio deste ano, apresentaram 24 novidades em uma feira de conhecimento.

Entre as iniciativas está o SensiLogic, pulseira que acompanha os batimentos cardíacos e traduz sinais de estresse em alertas visuais. Outra é o Aces, que se volta ao ambiente, identificando frequências e ruídos capazes de causar incômodo sensorial.

A comunicação aparece de maneiras distintas no Expressa e no LiteralMente. O primeiro permite que pessoas que não se comunicam verbalmente formem mensagens por meio de palavras selecionadas com botões físicos. O segundo trabalha uma camada menos evidente da linguagem, interpretando entonações, intenções e sentidos não expressos literalmente. Juntos, os projetos abordam tanto a possibilidade de se expressar quanto a de compreender o que o outro pretende comunicar.

Já o Aventura Financeira amplia o campo da acessibilidade ao propor o aprendizado de escolhas econômicas por meio de um tabuleiro eletrônico. Ao simular decisões relacionadas a trabalho, estudo, despesas e consumo, o jogo mostra que inclusão não se limita a adaptações clínicas ou escolares: envolve também preparar crianças e adolescentes para situações práticas da vida.

“Os alunos conseguiram criar artefatos que podem se transformar em protótipos de uso real”, diz Becerra.

Fonte: Santa Portal/Folhapress — “Poli-USP cria laboratório de inclusão com novas tecnologias para autistas”, publicada em 20/09/2026.

https://santaportal.com.br/geral/poli-usp-cria-laboratorio-de-inclusao-com-novas-tecnologias-para-autistas/

Fonte https://revistareacao.com.br/noticias/noticia?id=4ee4b7d3-b99e-4ffb-90e0-6180856d4a97

Postado Pôr Antonio Brito 

22/09/2026

Jogos Regionais Nordeste das Olimpíadas Especiais Brasil acontecem em Pesqueira

Jogos Regionais Nordeste das Olimpíadas Especiais Brasil acontecem em Pesqueira

Nos dias 26 e 27 de setembro, cidade pernambucana reúne atletas da região na disputa por vagas para os Jogos Mundiais Special Olympics – Santiago 2027

A contagem regressiva para um marco histórico no esporte inclusivo já começou. Pela primeira vez na história, uma edição dos Jogos Mundiais do movimento Special Olympics — voltado para a inclusão de pessoas com deficiência intelectual por meio do esporte — acontecerá na América Latina: os Jogos Mundiais 2027 estão marcados para Santiago, no Chile. O Brasil se prepara para levar sua maior delegação da história e a seletiva para definir os atletas que representarão o país já começou: a segunda rodada acontece em Pesqueira (PE), no Nordeste, nos dias 26 e 27 de setembro.

Os Jogos Regionais do Nordeste reúnem delegações de Pernambuco e Rio Grande do Norte, para destacar o talento e a determinação dos atletas da região. As disputas acontecem nas modalidades de bocha e futsal masculino, reforçando o poder de transformação do esporte e a integração entre as equipes.

Os melhores resultados conquistados nas quadras e canchas dos Jogos Regionais concorrem à vaga para o sorteio para integrar a delegação brasileira nos Jogos Mundiais Special Olympics – Santiago 2027, considerado o segundo maior evento de esportes coletivos do planeta em número de participantes, atrás apenas dos Jogos Olímpicos.

Os Jogos Regionais Nordeste são organizados pelas Olimpíadas Especiais Brasil (representação nacional do movimento Special Olympics) com o apoio da Prefeitura de Pesqueira, Secretaria de Esporte e Lazer e a Secretaria de Educação, fortalecendo as iniciativas locais de incentivo ao esporte adaptado, inclusão social e visibilidade para a comunidade com deficiência intelectual.

SERVIÇO: 

Evento: Jogos Regionais Nordeste

Organização: Olimpíadas Especiais Brasil, Prefeitura de Pesqueira, Secretaria de Esporte e Lazer e Secretaria de Educação

Data: 26 e 27 de setembro

Local: Ginásio Poliesportivo Geraldo Magela (Quadra do SESI) 

SOBRE OLIMPÍADAS ESPECIAIS BRASIL

Projeto global sem fins lucrativos, a Special Olympics é um movimento mundial centrado no desporto, fundado em 1968 por Eunice Kennedy Shriver – irmã do 35° presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy. Trata-se de uma organização internacional criada para apoiar pessoas com deficiência intelectual a desenvolverem a sua autoconfiança, capacidades de relacionamento interpessoal e sentido de realização por meio do esporte.

Acreditada pela Special Olympics International, as Olimpíadas Especiais Brasil atuam nas seguintes modalidades esportivas: atletismo, águas abertas, basquete, bocha, ciclismo, futebol, natação, handebol, ginástica rítmica, tênis, tênis de mesa, vôlei de praia e judô; além dos Programas: Atleta Líder, Escolas Unificadas, Atletas Saudáveis, Atletas Jovens, MATP (Programa de Treinamento em Atividade Motora) e Famílias. Tendo o país quase 6 milhões de pessoas com deficiência intelectual, as Olimpíadas Especiais Brasil possuem 44 mil atletas treinando.

Filosofia

A Special Olympics tem como filosofia dar oportunidade a todos os atletas, independente do nível de habilidade, promovendo diversas competições, nas mais diferentes regiões do mundo, durante todo o ano. O programa é conduzido por voluntários e, por meio de treinamentos esportivos e competições de qualidade, melhora a vida das pessoas com deficiência intelectual e, consequentemente, a vida de todas as pessoas que as cercam.

Embaixadores

A Special Olympics conta, em nível local e global, com uma série de embaixadores que vestem a camisa do movimento e ajudam a levar adiante a causa. No Brasil, as OEB dispõem de nomes como os jogadores de futebol Cafu, Ricardinho, Romário, Zico, Lucas Moura e Willian Bigode e a jogadora de vôlei Jackie Silva. No mundo, além de nomes importantes do esporte, com destaque para Michael Phelps, há artistas como Avril Lavigne, Brooklyn Decker Roddick, Charles Melton, Eddie Barbanell, Maureen McCormick, Chris Pratt e Katherine Schwarzenegger.

Site: https://specialolympics.org.br/

Instagram: https://www.instagram.com/olimpiadasespeciaisbrasil/

Fonte https://diariopcd.com.br/jogos-regionais-nordeste-das-olimpiadas-especiais-brasil-acontecem-em-pesqueira/

Postado Pôr Antonio Brito 

Levantamento do Senado Federal aponta que 4,4 milhões de mulheres com deficiência já sofreram violência doméstica no Brasil

Pesquisa do Senado Federal aponta que 4,4 milhões de mulheres com deficiência já sofreram violência doméstica no Brasil

Primeiro recorte nacional específico mostra maior exposição à violência sexual e patrimonial, dificuldade de reconhecimento das agressões e barreiras para acessar a rede de proteção

Pela primeira vez, uma pesquisa nacional de abrangência probabilística permite enxergar de forma específica a violência doméstica e familiar vivenciada por mulheres com deficiência no Brasil.

Estima-se que a população brasileira é composta por cerca de 11,7 milhões de mulheres com deficiência
(aproximadamente 11% de toda a população). Dados do Censo Demográfico de 2022 já vinham demonstrando que as mulheres são a maioria entre as pessoas com deficiência no Brasil, correspondendo a cerca de 57,7% desse universo populacional.

O levantamento revela que 38% delas já sofreram violência doméstica ou familiar praticada por um homem ao longo da vida — o equivalente a uma estimativa de 4,4 milhões de mulheres. Entre mulheres sem deficiência, o percentual é de 25%.

Segundo a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada em 2025, 38% das brasileiras com
deficiência sofreram violência doméstica ou familiar praticada por um homem em algum momento da vida.

Em 19% dos casos, a agressão sofrida ocorreu nos últimos 12 meses. Essa violência declarada em relação aos últimos 12 meses contrasta com os dados sobre as violências vividas e não reconhecidas pelas mulheres com deficiência. Cerca de 34% das que declararam não ter sofrido violência vivenciou pelo menos uma situação
compatível com a violência doméstica e familiar, ou com a violência digital. Apenas 7% delas as reconheceram
como violência de fato.

A percepção sobre o Brasil ser um país machista também foi destacada pelas mulheres com deficiência: 72%
delas o consideraram muito, ao passo que 21%, pouco.

Os dados fazem parte do recorte “Violência Doméstica e Familiar contra Mulheres com Deficiência”, produzido pelo Instituto de Pesquisa DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), dentro da 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher.

O levantamento será oficialmente divulgado nesta quarta-feira, 23, em Audiência Pública na Comissão de Direitos Humanos – informações ao final da matéria.

CONFIRA O DOCUMENTO NA ÍNTEGRA

Entre os dias 16 de maio e 8 de julho de 2025, 21.641 mulheres residentes no Brasil foram entrevistadas por
telefone. As entrevistas foram distribuídas por todas as unidades da Federação, por meio de ligações para telefones fixos e móveis, com alocação uniforme por estados e Distrito Federal.

Tanto em relação à Lei Maria da Penha quanto às Medidas Protetivas, a maioria das mulheres — com ou
sem deficiência — possui apenas conhecimento parcial (“pouco”) sobre esses instrumentos legais, com percentuais próximos entre os grupos, considerando a margem de erro. Contudo, as mulheres com deficiência apresentam maior desconhecimento total: 18% delas relatam não ter nenhum conhecimento sobre a Lei Maria da Penha (contra 9% sem deficiência) e 23% sobre Medidas Protetivas (contra 15% sem deficiência), além de maior índice de não resposta em ambos os casos

Na percepção das brasileiras com deficiência, as mulheres que sofrem agressão denunciam o fato às autoridades na minoria das vezes (50%), ou mesmo não denunciam (35%). Embora compartilhe tal percepção com o
restante da população feminina, as mulheres com deficiência tendem a acreditar mais na subnotificação oficial
dos casos em comparação às demais.

A violência começa cedo

Entre as mulheres com deficiência que relataram ter sofrido violência, 36% disseram que a primeira agressão ocorreu até os 19 anos, enquanto outros 24% tinham entre 20 e 29 anos quando sofreram a primeira violência.

As formas de violência mais frequentemente identificadas foram:

  • 88% — violência psicológica
  • 82% — violência moral
  • 80% — violência física
  • 46% — violência patrimonial
  • 39% — violência sexual

Nos episódios considerados mais graves, 65% dos agressores eram maridos ou companheiros e outros 8% eram antigos parceiros.

O levantamento também chama atenção para a violência patrimonial. Entre as mulheres com deficiência, 9% relataram que alguém tomou ou destruiu objetos ou documentos para prejudicá-las, contra 5% entre mulheres sem deficiência. Já transações financeiras realizadas com o objetivo de prejudicá-las foram relatadas por 8%, ante 3% entre as demais mulheres.

Segundo a análise do próprio relatório, esses dados podem estar relacionados à utilização da deficiência como justificativa para controlar dinheiro, bens, documentos e decisões relacionadas ao patrimônio da mulher.

Uma violência que muitas mulheres não reconhecem

Um dos dados mais expressivos da pesquisa aparece justamente na distância entre viver uma situação de violência e reconhecê-la como violência.

Nos 12 meses anteriores à pesquisa, 34% das mulheres com deficiência vivenciaram situações compatíveis com violência, mas somente 7% as reconheceram explicitamente como violência. Entre as mulheres sem deficiência, os percentuais foram de 28% e 3%, respectivamente.

O relatório aponta situações como humilhações públicas, insultos, intimidações, falsas acusações e agressões físicas.

Entre as mulheres com deficiência:

  • 23% relataram humilhação diante de outras pessoas;
  • 23%, insultos;
  • 22%, comportamentos intimidatórios, como gritos ou quebra de objetos;
  • 19%, falsas acusações;
  • 9%, agressões como empurrões, arremesso de objetos ou outras ações para machucá-las.

O próprio estudo relaciona esse fenômeno à possibilidade de que determinadas experiências de humilhação, controle, negligência, discriminação e capacitismo sejam naturalizadas ao longo da vida.

Quando o cuidador também pode ser o agressor

Outro ponto levantado pelo relatório “Escutar para compreender” é particularmente sensível para mulheres com deficiência que dependem de terceiros para atividades cotidianas.

A pessoa que pratica a violência pode ser também aquela responsável por ajudar na mobilidade, higiene, alimentação, administração de medicamentos, comunicação ou deslocamento.

Nessas situações, afastar o agressor pode significar, simultaneamente, perder uma estrutura de cuidado necessária para a própria sobrevivência cotidiana.

Essa realidade acrescenta uma camada específica ao enfrentamento da violência: a denúncia não envolve apenas romper uma relação abusiva, mas, em alguns casos, encontrar alternativas para necessidades básicas de apoio.

Acessibilidade também é proteção

O levantamento mostra que o problema não termina no momento em que uma mulher decide procurar ajuda.

O relatório registra barreiras arquitetônicas, comunicacionais, digitais e atitudinais no acesso aos serviços da rede de proteção. Entre as dificuldades apontadas estão a ausência de recursos adequados de comunicação, falta de intérpretes de Libras, problemas de acessibilidade em sistemas digitais e atendimento inadequado.

O documento ressalta que acessibilidade não significa apenas possuir uma rampa ou um banheiro adaptado.

Para uma mulher com deficiência, o serviço precisa permitir que ela consiga chegar ao local, compreender as informações, comunicar o que aconteceu, registrar a ocorrência de forma autônoma e receber atendimento sem infantilização ou descrédito.

Nesse sentido, o próprio relatório estabelece uma relação direta entre acessibilidade e proteção.

Ligue 180 aparece menos entre as vítimas com deficiência

Entre as mulheres com deficiência que sofreram violência nos 12 meses anteriores à pesquisa, a busca por ajuda ocorreu principalmente junto a igrejas, amigos e familiares.

60% procuraram ajuda em igrejas; 46% recorreram a amigos; 46% buscaram familiares; 44% procuraram apoio psicológico e 38% assistência de saúde.

Nos canais oficiais, 40% denunciaram em delegacias comuns, 31% em Delegacias da Mulher e 26% ligaram para o 190.

O Ligue 180 foi utilizado por apenas 16% das vítimas com deficiência entrevistadas.

O próprio relatório chama atenção para essa menor recorrência e relaciona o resultado à necessidade de ampliar a acessibilidade e a divulgação dos recursos disponíveis nos canais oficiais.

Medo, filhos e dependência econômica dificultam a denúncia

Entre as mulheres com deficiência que sofreram violência e não denunciaram, os motivos mais citados incluem medo do agressor (17%), preocupação com os filhos (12%), crença de que não haverá punição (16%), dependência financeira do agressor (9%), esperança de que aquela seria a última agressão (12%) e vergonha (7%).

A dependência econômica aparece também em um cenário mais amplo.

80% das mulheres com deficiência entrevistadas vivem em famílias com renda de até dois salários mínimos, enquanto esse percentual é de 62% entre mulheres sem deficiência.

A pesquisa também mostra que apenas 22% das mulheres com deficiência declararam realizar algum trabalho remunerado, contra 50% das mulheres sem deficiência. Entre as que trabalham, 46% atuam por conta própria ou em negócio próprio.

Dados mostram desigualdades acumuladas

O levantamento identifica uma população marcada por desigualdades educacionais, econômicas e profissionais.

Entre as mulheres com deficiência:

  • 10% não são alfabetizadas;
  • 34% não concluíram o ensino fundamental;
  • 78% declararam não realizar trabalho remunerado;
  • 48% disseram não conseguir se sustentar com o próprio dinheiro;
  • 80% vivem com renda familiar de até dois salários mínimos.

O relatório relaciona essas desigualdades a barreiras sociais, atitudinais, comunicacionais, arquitetônicas e institucionais acumuladas ao longo da vida.

A pesquisa também reconhece seus próprios limites

O estudo faz uma ressalva importante: como a pesquisa foi realizada por telefone, pode ter havido menor participação de mulheres surdas que utilizam Libras como principal meio de comunicação, mulheres com deficiência de fala, deficiência intelectual ou determinadas condições neurológicas e psicossociais que podem dificultar a comunicação durante uma entrevista telefônica.

O relatório também destaca que algumas mulheres podem não ter privacidade ou autonomia para responder às perguntas, especialmente quando estão próximas da pessoa que exerce controle ou violência sobre elas.

Por isso, o documento defende a combinação de diferentes estratégias de produção de conhecimento para alcançar grupos que uma pesquisa telefônica probabilística tem mais dificuldade de ouvir.

“Nada sobre nós sem nós”

Uma das partes mais relevantes do estudo é justamente aquela que não se limita aos números.

Antes da divulgação dos resultados, o Observatório da Mulher contra a Violência realizou uma escuta com mulheres com deficiência e representantes de coletivos, movimentos, redes e organizações de diferentes regiões do país para discutir os achados e contribuir para sua interpretação.

Uma expressão apareceu repetidamente durante esse processo:

“Nada sobre nós sem nós.”

Segundo o relatório, a participação dessas mulheres mostrou que os dados ganham capacidade de explicar a realidade quando dialogam com as experiências, os conhecimentos e as perguntas de quem vive essa realidade.

A escuta também apontou a necessidade de melhorar a identificação da deficiência nos registros administrativos, inclusive em boletins de ocorrência e outros instrumentos utilizados pela rede de atendimento.

Sem essa identificação, parte da violência contra mulheres com deficiência permanece estatisticamente invisível.


📌 SERVIÇO

🗓️ Quarta-feira, 23/09, às 10h

📍 Senado Federal, Plenário 6

📺 Acompanhe ao vivo pelo YouTube da TV Senado.

Acesse a pesquisa completa do Senado — Mulheres com Deficiência

Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher — DataSenado/OMV

Fonte https://diariopcd.com.br/levantamento-do-senado-federal-aponta-que-44-milhoes-de-mulheres-com-deficiencia-ja-sofreram-violencia-domestica-no-brasil/

Postado Pôr Antonio Brito 

Ministra Cármen Lúcia analisa Ação de Inconstitucionalidade por Omissão pela ausência da implementação de Avaliação Biopsicossocial Unificada para pessoas com deficiência

Ministra Cármen Lúcia analisa Ação de Inconstitucionalidade por Omissão pela ausência da implementação de Avaliação Biopsicossocial Unificada para pessoas com deficiência

ADO 98 – Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão foi distribuída à ministra Cármen Lúcia. ANAPcD sustenta que ausência de um modelo nacional unificado mantém diferentes critérios para reconhecimento da deficiência no país

O STF – Supremo Tribunal Federal passou a analisar a ADO 98 – Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão, apresentada pela ANAPcD – Associação Nacional de Apoio às Pessoas com Deficiência, que questiona a ausência de implementação, em âmbito nacional, de um sistema unificado de avaliação biopsicossocial da deficiência.

A ação terá a ministra Cármen Lúcia como Relatora.

 https://youtu.be/1dyFqkHENlY?si=Xvn_ACLINqgdL_f6

O que o STF vai analisar

A ANAPcD afirma que existe uma omissão administrativa do Poder Executivo federal e uma omissão legislativa parcial do Congresso Nacional relacionadas à criação de um sistema nacional unificado de avaliação biopsicossocial, capaz de ser utilizado como referência para o reconhecimento da deficiência em todo o território brasileiro.

A argumentação parte principalmente da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, incorporada ao ordenamento brasileiro com status equivalente ao de emenda constitucional, e da Lei Brasileira de Inclusão — Lei nº 13.146/2015.

A LBI estabelece que, quando necessária, a avaliação da deficiência deve ser biopsicossocial, realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar, considerando não apenas impedimentos corporais, mas também fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, limitações de atividades e restrições de participação.

Implementação estava prevista desde 2015

Um dos argumentos apresentados pela ANAPcD é o prazo estabelecido pela própria Lei Brasileira de Inclusão. A Lei nº 13.146/2015 determinou que o Poder Executivo criasse os instrumentos necessários para a avaliação da deficiência e estabeleceu prazo de até dois anos para a entrada em vigor do dispositivo que trata da avaliação biopsicossocial.

Como a LBI entrou em vigor em 3 de janeiro de 2016, o prazo previsto terminou em 3 de janeiro de 2018. A Associação utiliza essas informações para sustentar que a ausência do modelo nacional persiste há anos.

Decisões recentes sobre modelo da Avaliação

De acordo com a entidade, a petição apresentada ao STF também comprova iniciativas adotadas pelo próprio Governo Federal, entre elas o Decreto nº 11.487/2023, que criou um grupo de trabalho interministerial destinado a tratar da avaliação biopsicossocial unificada que concluiu os trabalhos e entregou o relatório final em julho de 2024.

Promessa oficial em Audiência Pública na Câmara dos Deputados

Outro elemento utilizado pela ANAPcD é a audiência pública realizada em 19 de maio de 2026 pela Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados.

De acordo com a entidade, o representante do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania informou que o instrumento técnico estava “estruturado, validado e testado”, mas que ainda estavam em discussão etapas como regulamentação, governança, e que “deveria sem implementado ainda no primeiro semestre”.

Sem resposta do Governo

Antes de recorrer ao Supremo, a associação afirma ter buscado uma solução administrativa.

A entidade enviou ao STF documentação que registra que, em 6 de julho de 2026, a ANAPcD encaminhou o Ofício nº 218/2026 à Casa Civil, solicitando informações sobre o estágio de desenvolvimento do modelo, um cronograma público, participação das organizações representativas e uma reunião. A Associação afirma que não recebeu nenhuma resposta.

Objetivo da Ação

De acordo com a Coordenadoria Jurídica da Associação, “a ADO não pede ao STF que o Tribunal crie diretamente o modelo técnico de avaliação. Pelo contrário: a petição afirma expressamente que a associação não solicita que o Supremo escolha o instrumento, defina os domínios da avaliação ou estabeleça pontuações. Também não pede a suspensão de perícias ou procedimentos administrativos que estejam em andamento. O pedido apresentado é pela declaração da omissão e pela determinação de providências para que o Estado brasileiro crie e disponibilize o modelo nacional”.

A peça da ADO foi produzida pela Coordenação Jurídica da ANAPcD, formada por Fábio Azevedo e pelos advogados MARCOS ANTONIO DA SILVA, KARYNA DE ALMEIDA CARVALHO e JAIRO VARELLA BIANECK que atuam de forma pró-bono.

A ANAPcD também sustenta que o modelo de avaliação deve ser aquele que haja consenso e fruto do que foi apresentado pelo Grupo de Trabalho.

“O objetivo é que exista um modelo único e compatível com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, independentemente da denominação ou da ferramenta técnica escolhida pela Administração”.

Por que a avaliação biopsicossocial é importante

A avaliação biopsicossocial representa uma mudança em relação a uma análise baseada exclusivamente em diagnóstico médico.

O conceito adotado pela Convenção considera que a deficiência resulta da interação entre impedimentos de longo prazo e as barreiras existentes na sociedade. A avaliação, portanto, deve considerar também fatores ambientais, sociais e pessoais e seus efeitos sobre atividades e participação.

A Associação relaciona essa avaliação a diferentes áreas nas quais o reconhecimento da deficiência pode produzir efeitos jurídicos e administrativos, entre elas os benefícios assistenciais, previdência, concursos públicos, educação, saúde, reabilitação, acessibilidade, trabalho e outras políticas públicas.

“A inexistência de um padrão nacional pode levar diferentes órgãos e entes federativos a utilizar critérios distintos para situações semelhantes, como avaliações repetidas, resultados divergentes, insegurança jurídica e judicialização”.

Tramitação da ADO 98

A distribuição para a ministra Cármen Lúcia marca o início da tramitação da ADO 98 no Supremo que analisará as questões processuais e, posteriormente, os argumentos apresentados pela ANAPcD e as manifestações dos órgãos envolvidos.

“Se a legislação brasileira já determina a adoção da avaliação biopsicossocial e o próprio Poder Executivo desenvolveu estudos e instrumentos para sua implementação, até que ponto a ausência de regulamentação e aplicação nacional configura uma omissão constitucional?” menciona o Departamento Jurídico responsável pela ADO.

Cobrança também do CONADE

A ANAPcD cita ainda a Resolução nº 3, de 16 de julho de 2026, do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), que recomendou ao Presidente da República, à Casa Civil e ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania a regulamentação do Sistema Nacional de Avaliação Biopsicossocial Unificada da Deficiência, a adoção do IFBr-M como ferramenta oficial em todo o território nacional e a criação de uma estrutura de governança.

Fonte https://diariopcd.com.br/ministra-carmen-lucia-analisa-acao-de-inconstitucionalidade-por-omissao-pela-ausencia-da-implementacao-de-avaliacao-biopsicossocial-unificada-para-pessoas-com-deficiencia/

Postado Pôr Antonio Brito 

CT Paralímpico recebe quarta etapa da Liga Nacional de Futebol de Cegos neste fim de semana

Atletas do time de futebol de cegos do Corinthians na quadra do CTPB | Foto: Alessandra Cabral/CPB

O Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro (CTPB), em São Paulo (SP), recebe a partir do próximo sábado, 26, seis partidas válidas pela quarta etapa da Liga Nacional de futebol de cegos. Os confrontos desta fase da competição seguem até domingo, 27. A competição tem entrada gratuita e é aberta ao público.

Participam da Liga Nacional os seis melhores colocados do Campeonato Brasileiro de Futebol de Cegos do ano anterior: ADESUL-CE (Associação D’eficiência Superando Limites), AGAFUC-RS (Associação Gaúcha de Futsal para Cegos), AMC-MT (Associação Mato-grossense dos Cegos), APACE-PB (Associação Paraibana de Cegos), APADV-SP (Associação de Pais, Amigos e Deficientes Visuais) e o Corinthians-SP.

As três primeiras etapas foram realizadas em Canoas (RS), em maio; Fortaleza (CE), em junho; e João Pessoa (PB), em agosto. A Liga Nacional de futebol de cegos chega ao CT com a APACE na liderança, com 13 pontos, seguida pelo Corinthians e pela AGAFUC, ambos com 11. A APADV é a quarta colocada com oito pontos, seguida da ADESUL, com quatro, e da AMC, que tem dois.

Após a rodada em São Paulo, a liga segue para a última etapa da fase de pontos corridos, que acontece em Cuiabá-MT nos dias 31 de outubro e 1º de novembro. A final, em jogo único, está marcada para acontecer em 4 de dezembro, no CTPB, entre os dois times de melhor campanha.

Confira os jogos da Quarta Etapa da Liga Nacional de Futebol de Cegos (todos no horário de Brasília):
Sábado
8h30 – APACE x AMC
10h15 – Corinthians x ADESUL
14h30 – APADV x AGAFUC

Domingo
8h – AGAFUC x AMC
9h45 – ADESUL x APADV
11h30 – Corinthians x APACE

Serviço:
Quarta Etapa da Liga Nacional de Futebol de Cegos

Datas: 26 e 27 de setembro, a partir das 8h (horário de Brasília)
Local: Centro de Treinamento Paralímpico
Endereço: Rodovia dos Imigrantes km 11,5, Vila Guarani – São Paulo/SP – CEP 04.329-00
Entrada: Gratuita

Patrocínio
As Loterias CAIXA e a CAIXA é a patrocinadora oficial do futebol de cegos.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

Fonte https://cpb.org.br/noticias/ct-paralimpico-recebe-quarta-etapa-da-liga-nacional-de-futebol-de-cegos-neste-fim-de-semana/

Postado Pôr Antonio Brito