28/07/2026

O autismo cresceu. A sociedade não acompanhou

O autismo cresceu. A sociedade não acompanhou. OPINIÃO - * Por Maria Emília Rodrigues

OPINIÃO

  • * Por Maria Emília Rodrigues

Por muitos anos, eu não compreendi exatamente o que estava diante dos meus olhos, nem dentro da minha própria casa. 

Sou esposa de uma pessoa autista e mãe de um filho autista. Antes de qualquer formação ou atuação profissional, foi nessa vivência que comecei a perceber que o mundo não estava preparado para lidar com diferentes formas de existir, sentir e se comunicar. Essa compreensão foi sendo construída aos poucos, entre descobertas, desafios e aprendizados que transformaram a minha forma de olhar para a inclusão. 

Hoje, além da experiência pessoal, trago mais de oito anos de atuação na qualificação profissional de jovens e adultos, muitos deles pessoas com deficiência. Nesse percurso, aprendi que a maior barreira para a inclusão raramente está nas pessoas, mas nas estruturas que insistem em funcionar para alguns e não para todos. Essa realidade torna-se ainda mais evidente quando falamos sobre o autismo na vida adulta. 

O Brasil começou recentemente a enxergar uma população que sempre existiu. Dados do IBGE mostram que cerca de 2,4 milhões de brasileiros possuem diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), o equivalente a 1,2% da população, informação registrada pela primeira vez no Censo Demográfico de 2022. Mais do que um dado estatístico, esse número torna visível uma população historicamente negligenciada. 

O aumento dos diagnósticos não significa que existam mais pessoas autistas, mas que hoje sabemos reconhecê-las melhor. A ampliação do conceito de espectro, incorporada pelo DSM-5, permitiu identificar pessoas que antes não se enquadravam nos critérios diagnósticos. Como explica a pesquisadora Ginny Russell, da University College London, muitos adultos diagnosticados atualmente sempre foram autistas; o que mudou foi a capacidade da ciência de identificá-los. 

Durante muito tempo, o autismo foi associado apenas à infância e a características mais evidentes. Com isso, milhares de pessoas cresceram sem compreender por que se sentiam diferentes. O que era sobrecarga sensorial foi confundido com exagero. O que era dificuldade de interação virou timidez ou desinteresse. O que era necessidade de previsibilidade foi visto como resistência. Sem diagnóstico, adaptar-se tornou-se uma exigência permanente. E essa exigência cobra um preço alto. 

Muitos adultos autistas convivem com ansiedade, esgotamento emocional e um persistente sentimento de não pertencimento. Por isso, o diagnóstico tardio representa mais do que um nome para a condição: oferece uma nova compreensão da própria trajetória. 

Os reflexos dessa invisibilidade também aparecem no acesso à educação e ao trabalho. Na minha atuação profissional, vejo diariamente pessoas competentes enfrentando obstáculos que nada têm a ver com sua capacidade. Processos seletivos excessivamente centrados em habilidades sociais, ambientes pouco acessíveis e modelos de trabalho inflexíveis acabam excluindo talentos antes mesmo que tenham a oportunidade de demonstrar seu potencial. 

Não se trata de falta de capacidade. Trata-se de falta de acessibilidade. 

Pessoas autistas frequentemente apresentam habilidades valorizadas em diversas áreas, como atenção aos detalhes, organização, concentração, pensamento lógico e capacidade de identificar padrões. Ainda assim, continuam sendo avaliadas por grande parte das discussões sobre inclusão continua concentrada na infância, como se pessoas autistas não chegassem à vida adulta, ingressassem na universidade, trabalhassem ou constituíssem família. 

Mas elas crescem. E chegam à vida adulta carregando potencialidades, além das marcas deixadas por anos de invisibilidade. 

Ao longo da minha trajetória, aprendi que inclusão não acontece apenas pela boa intenção. Ela acontece quando existem condições concretas para sustentá-la. Exige formação de profissionais, adaptação de ambientes, revisão de processos e disposição para reconhecer que a diversidade humana não é exceção, mas parte da realidade social. 

Hoje, uma nova geração de crianças autistas cresce com mais acesso ao diagnóstico e à informação. Essas crianças ocuparão universidades, empresas e espaços de liderança. A questão não é se chegarão lá, mas se estaremos preparados para acolhê-las sem exigir que se adaptem a estruturas que nunca foram pensadas para elas. 

Como mãe atípica, esposa de uma pessoa autista e profissional que atua há anos na inclusão e na qualificação profissional de pessoas com deficiência, acredito que essa transformação é possível. Ela começa quando deixamos de perguntar se a pessoa está preparada para o mundo e passamos a questionar se o mundo está preparado para acolher a diversidade. 

Porque, se o autismo acompanha a pessoa durante toda a vida, a sociedade também precisa acompanhar esse percurso. 

(*) Maria Emilia Cervi é palestrante, educadora e mãe atípica. Atua na qualificação inclusiva de pessoas com deficiência e jovens aprendizes pelo Instituto IBGPEX. Graduada em Comunicação Social e pós-graduanda em Neuropsicopedagogia, tem mais de oito anos de experiência em inclusão e acessibilidade. Mãe de duas crianças autistas, dedica-se a fortalecer o protagonismo das pessoas com deficiência na sociedade e no mercado de trabalho. 

Fonte https://diariopcd.com.br/o-autismo-cresceu-a-sociedade-nao-acompanhou/

Postado Pôr Antônio Brito 

CT Paralímpico recebe Internacional de badminton com 97 brasileiros em ação

Kauana Beckenkamp durante uma partida dos Jogos Parasul-Americanos Valledupar 2026, no estádio de Atletismo José Luis Parada, na Colômbia | Foto: Abelardo Mendes Jr/CPB

O Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro (CTPB), em São Paulo, recebe a partir desta segunda-feira, 27, o Campeonato Internacional de badminton. A competição segue até o dia 1º de agosto e reúne atletas de 19 países em mais uma etapa do circuito internacional da modalidade.

A delegação brasileira conta com 97 representantes. Entre eles estão a paranaense Kauana Beckenkamp, da classe SL3 (deficiência nos membros inferiores que andam), e a maranhense Ana Carolina Coutinho Reis, da classe SL4 (deficiência nos membros inferiores que andam), ambas medalhistas de ouro nos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar 2026.

Entre os representantes do Brasil nas disputas masculinas estão o brasiliense Marcelo Conceição e o paulista Rogério Oliveira. Marcelo conquistou ouro nas chaves de simples e duplas WH1-WH2 (cadeirantes) nos Jogos Parapan-Americanos de Santiago 2023. Rogério, por sua vez, foi campeão do simples SL4 e das duplas mistas SL3-SU5 na mesma edição do evento continental.

Além dos brasileiros, participam do evento atletas da Alemanha, Áustria, Canadá, Chile, Taipei Chinesa, Colômbia, Costa Rica, Espanha, Estados Unidos, Estônia, França, Guatemala, Índia, Japão, México, Peru, Portugal e Quênia.

Após o encerramento da competição em São Paulo, os atletas seguem para o Internacional do Peru, que terá início no dia 4 de agosto.

*Com informações da Confederação Brasileira de Badminton (CBBd)

Patrocínio
As Loterias CAIXA e a CAIXA são as patrocinadoras oficiais do badminton.

Time São Paulo
A atleta Ana Carolina Coutinho Reis integra o Time São Paulo, parceria entre o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, que beneficia 157 atletas.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

Fonte https://cpb.org.br/noticias/ct-paralimpico-recebe-internacional-de-badminton-com-97-brasileiros-em-acao/

Postado Pôr Antônio Brito 

2Gether-International abre inscrições para dois programas no Brasil voltados ao empreendedorismo inclusivo e à inovação

2Gether-International abre inscrições para dois programas no Brasil voltados ao empreendedorismo inclusivo e à inovação

Parte do Ecossistema Acessível — iniciativa regional desenvolvida em parceria com o BID Lab e realizada pela Darwin Startups no Brasil —, a nova edição contempla dois programas em língua portuguesa. As iniciativas são voltadas para Pessoas com Deficiência e empreendedores que desenvolvem soluções de base tecnológica para a comunidade PcD.

2Gether-International (2GI), organização sem fins lucrativos sediada nos Estados Unidos que opera a maior aceleradora de startups do mundo liderada por e para empreendedores com deficiência, anuncia um novo ciclo de aceleração no Brasil com os programas 2Gether-International Origem e 2Gether-International Acelera, voltados ao fortalecimento do empreendedorismo inclusivo.

A iniciativa faz parte do Ecossistema Acessível, programa regional desenvolvido pela 2GI em parceria com o IDB Lab, braço de inovação e capital de risco do Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). No Brasil, os programas de 2026 são realizados pela Darwin Startups, uma das principais organizações de aceleração de startups do país.

Por meio de um único formulário de inscrição, os candidatos serão direcionados ao programa mais adequado ao estágio de desenvolvimento de seu negócio. O 2Gether-International Origem é um programa de quatro semanas voltado para empreendedores que estão na fase de ideação ou incubação. Já o 2Gether-International Acelera tem duração de dez semanas e é destinado a startups que já possuem um MVP (Produto Mínimo Viável) ou negócios em operação no mercado.

Os dois programas são 100% online, gratuitos, acessíveis e realizados em português. Eles foram desenvolvidos para Pessoas com Deficiência que desejam validar, fortalecer ou expandir uma ideia de negócio, bem como para empreendedores que desenvolvem produtos ou soluções com componente tecnológico voltados à comunidade com deficiência no Brasil e em toda a região.

Os participantes terão acesso a mentorias, workshops virtuais, orientação estratégica, uma comunidade de empreendedores e oportunidades para apresentar seus projetos. A iniciativa foi estruturada para apoiar os fundadores em diferentes momentos da jornada empreendedora — da validação inicial à aceleração — conectando-os a um ecossistema regional voltado à inclusão, inovação e crescimento dos negócios.

As inscrições estão abertas até 9 de agosto. Os programas começam entre o fim de agosto e o início de setembro de 2026. Os interessados podem se inscrever por meio do formulário oficial: https://airtable.com/appzciQZ7qT72cdAn/shrcLEYn7lucxXUSv

A edição do Brasil não é uma ação isolada, mas parte de uma estratégia regional mais ampla. Por meio do Ecossistema Acessível, o 2GI e o IDB Lab têm como objetivo apoiar 600 fundadores em 26 países da América Latina e do Caribe ao longo de três anos. Em 2026, esse trabalho também inclui os Venture Labs e a Aceleradora de Startups em espanhol, bem como a turma do Spring 2026 Venture Labs em inglês, consolidando uma operação multilíngue e conectada entre diferentes mercados da região.

A Darwin Startups agrega forte capacidade de execução e conhecimento do ecossistema brasileiro aos programas. Fundada em Florianópolis, em 2015, tornou-se uma das organizações de aceleração mais reconhecidas do país, apoiando empreendedores nos estágios iniciais do desenvolvimento de seus negócios e promovendo conexões estratégicas entre startups, grandes empresas e investidores.

A organização foi eleita a Melhor Aceleradora do Brasil pelo Startup Awards, promovido pela ABStartups, por quatro anos consecutivos, entre 2018 e 2021. Seu histórico inclui programas de aceleração e iniciativas personalizadas desenvolvidas em parceria com organizações como B3, RTM, Safra, Sinqia, BID, Cubo, Google for Startups, InovaHC, Sebrae, Hub Salvador e Findeslab.

A nova chamada dá continuidade aos resultados alcançados pelo Ecossistema Acessível no Brasil, América Latina e Caribe. Em 2025, a iniciativa atraiu empreendedores de diversos países da região, consolidando uma rede diversa de fundadores, startups e soluções voltadas à inclusão e à inovação. No Brasil, a edição de 2025 do programa de aceleração selecionou 14 startups, e a Egalite foi a vencedora. Liderada por Djalma Scartezini e Guilherme Braga, a empresa tornou-se um dos principais exemplos da liderança inclusiva e de impacto que a 2GI busca fortalecer no ecossistema regional.

“Participar do Accelerator nos ajudou a aperfeiçoar nosso modelo de negócios, ampliar nossa visão de impacto e nos conectar a uma rede global que entende a inclusão como uma vantagem competitiva. Vencer o programa valida anos de trabalho e nos dá o impulso necessário para escalar nossa tecnologia e ampliar nosso impacto internacional”, afirmam Djalma Scartezini e Guilherme Braga, cofundadores da Egalite.

Além dos programas, a presença da 2GI no Brasil vem crescendo de forma consistente. Em março, a organização participou do South Summit Brazil 2026, em Porto Alegre, com Santiago Garcia Mendez, diretor de Programas da 2GI, ao lado de Natã Eduardo Ourives de Vargas, fundador e CEO da LimbX, startup integrante da turma brasileira do Startup Accelerator, e de Guilherme Braga, da Egalite. A organização também marcou presença no Web Summit Rio 2026, em junho, reforçando sua estratégia de conectar empreendedores, ex-participantes e parceiros aos principais ambientes de inovação, tecnologia, investimento e mídia do país.

A expansão da organização na região está fundamentada em uma visão clara sobre inovação e inclusão.

“Crescer com paralisia cerebral me mostrou que aquilo que muitos consideram uma limitação pode se transformar em uma fonte única de conhecimento e inovação”, afirma Diego Mariscal, fundador e CEO da 2Gether-International. Sob sua liderança, a organização vem consolidando uma presença internacional que demonstra como a deficiência pode ser reconhecida como uma vantagem competitiva nos negócios, e não como uma barreira.

As inscrições para os programas brasileiros de 2026 já estão abertas. Os interessados podem se candidatar por meio do formulário oficial:

https://airtable.com/appzciQZ7qT72cdAn/shrcLEYn7lucxXUSv

Para acompanhar novidades sobre os programas e outras iniciativas da 2Gether-International, siga a organização nos canais do LinkedIn e Instagram. Saiba mais e inscreva-se: https://2gether-international.org/programs-latam-the-caribbean

Sobre a 2Gether-International

A 2Gether-International (2GI) é uma organização sem fins lucrativos sediada nos Estados Unidos e a maior aceleradora de startups do mundo liderada por e para empreendedores com deficiência. Fundada por Diego Mariscal, a organização conecta empreendedores com deficiência a mentorias, redes de relacionamento e apoio estratégico para criar e expandir seus negócios. Sua missão parte de um princípio claro: a deficiência é uma vantagem competitiva para os negócios e para a inovação.

Sobre o IDB Lab

O IDB Lab é o braço de inovação e capital de risco do Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Atua promovendo inclusão social, ação climática e aumento da produtividade na América Latina e no Caribe, apoiando empreendedores em estágio inicial, novas tecnologias, mercados inovadores e o fortalecimento de ecossistemas de inovação.

Sobre a Darwin Startups

A Darwin Startups é uma organização brasileira de aceleração de startups fundada em Florianópolis em 2015. Criada como uma comunidade voltada à evolução de empreendedores e organizações, atua promovendo conexões estratégicas entre corporações, investidores e startups. Reconhecida pelo Startup Awards, promovido pela ABStartups, como a Melhor Aceleradora do Brasil por quatro anos consecutivos (2018 a 2021), desenvolve programas de aceleração e iniciativas de inovação personalizadas em parceria com empresas, instituições e agentes do ecossistema em todo o país.

Fonte https://diariopcd.com.br/2gether-international-abre-inscricoes-para-dois-programas-no-brasil-voltados-ao-empreendedorismo-inclusivo-e-a-inovacao/

Postado Pôr Antônio Brito 

27/07/2026

Eleitoras e eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida já podem solicitar transferência temporária de seção eleitoral

Eleitoras e eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida já podem solicitar transferência temporária de seção eleitoral

De acordo com o TSE, a medida garante mais autonomia, inclusão e acessibilidade no exercício do voto.

Audiodescrição: Imagem com fundo laranja. À esquerda, homem sorridente de camisa azul, calça bege e cabelos cacheados segura uma bengala longa para pessoas cegas. À direita, em um quadro verde com letras brancas, lê-se: “Pessoas com deficiência podem solicitar mudança temporária de seção eleitoral até 20 de agosto”. Abaixo, em outro quadro com borda laranja: “Descubra como funciona o direito de não estar sozinha ou sozinho na hora do voto!”.

Eleitoras e eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida que desejam votar em uma seção eleitoral mais adequada às suas necessidades já podem solicitar a transferência temporária do local de votação. O prazo começou em 20 de julho e segue até 20 de agosto de 2026. A medida tem como objetivo garantir mais autonomia, segurança e inclusão no exercício do direito ao voto.

A Justiça Eleitoral vem ampliando, a cada eleição, as condições de acessibilidade para assegurar a participação das pessoas com deficiência no processo eleitoral. Todas as seções eleitorais contam com recursos de acessibilidade, mas, caso a eleitora ou o eleitor identifique outra seção que melhor atenda às suas necessidades, poderá solicitar a transferência temporária dentro do período previsto no calendário eleitoral.

O pedido pode ser feito presencialmente em qualquer cartório eleitoral, mediante apresentação de documento oficial com foto, ou por meio do Autoatendimento da Justiça Eleitoral . A solicitação também poderá ser realizada por curador, apoiador ou procurador, desde que acompanhada da documentação exigida pela Justiça Eleitoral.

Além da transferência temporária, eleitoras e eleitores com deficiência podem informar previamente à Justiça Eleitoral suas restrições e necessidades específicas para que, sempre que possível, sejam adotadas medidas que facilitem o exercício do voto. As urnas eletrônicas dispõem de recursos de acessibilidade que permitem a conferência do voto de forma autônoma, preservando o sigilo da votação. Também são disponibilizados fones de ouvido para pessoas com deficiência visual.

Como forma de ampliar a acessibilidade no dia da votação, o Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE-SE) disponibilizará, em Aracaju, serviço de transporte acessível para pessoas com deficiência. A iniciativa é resultado do Termo de Cooperação Técnica nº 2/2026, firmado com o Conselho Estadual das Pessoas com Deficiência e Altas Habilidades em Sergipe (CONSER), e tem como objetivo facilitar o deslocamento das eleitoras e dos eleitores até os locais de votação no primeiro e no segundo turno das Eleições 2026.

O serviço será oferecido mediante solicitação prévia, observados os critérios estabelecidos pela Justiça Eleitoral. O TRE-SE também disponibilizará canais acessíveis para solicitação, agendamento e confirmação do transporte, além de atendimento por meio dos Coordenadores de Acessibilidade nos locais de votação.

Após o processamento dos pedidos de transferência temporária, a consulta ao novo local de votação estará disponível a partir de 1º de setembro de 2026, por meio do aplicativo  e-Título e dos canais oficiais da Justiça Eleitoral.

Fonte https://diariopcd.com.br/eleitoras-e-eleitores-com-deficiencia-ou-mobilidade-reduzida-ja-podem-solicitar-transferencia-temporaria-de-secao-eleitoral/

Postado https://diariopcd.com.br/eleitoras-e-eleitores-com-deficiencia-ou-mobilidade-reduzida-ja-podem-solicitar-transferencia-temporaria-de-secao-eleitoral/

Pôr Antônio Brito 

Meeting Loterias Caixa terá etapas no Rio de Janeiro e Porto Alegre com mais de 400 atletas neste sábado

Medalha entregue durante o Meeting Paralímpico do Rio de Janeiro em 2025, com o Pão de Açúcar ao fundo | Foto: Wallace Teixeira/CPB

O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) realiza neste sábado, 1º de agosto, as etapas do Rio de Janeiro (RJ) e de Porto Alegre (RS) do Meeting Paralímpico Loterias Caixa.

Juntas, as duas capitais vão receber 424 esportistas, entre atletas do alto rendimento e jovens a partir da categoria sub-11.

No Rio de Janeiro, são quatro modalidades em três endereços para 314 atletas. O Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (Cefan) recebe 198 esportistas em provas de atletismo e 17 nas disputas do halterofilismo; o Parque Aquático Júlio Delamare é a sede das provas de natação, com 78 atletas; enquanto a Escola Naval recebe provas de tiro esportivo, com 21 participantes.

Em Porto Alegre, são 110 esportistas, sendo 55 em provas de atletismo – na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) –, e 55 na natação – no Grêmio Náutico União.

As marcas obtidas em todas as categorias do Meeting Paralímpico são válidas para os respectivos rankings brasileiros, utilizados como critério de classificação para etapas nacionais de competições organizadas pelo CPB, como as Paralimpíadas Escolares, as Paralimpíadas Universitárias e os Circuitos Brasileiros.

O evento esportivo percorre todas as Unidades Federativas brasileiras até o mês de agosto, com a última etapa programada para São Paulo (SP), de 6 a 8 de agosto.

Neste ano, 24 capitais já receberam a competição desde abril. Belém (PA), Rio Branco (AC), São Luís (MA), Teresina (PI), Porto Velho (RO), Boa Vista (RR), Fortaleza (CE), Cuiabá (MT), Manaus (AM), Natal (RN), João Pessoa (PB), Campo Grande (MS), Macapá (AP), Brasília (DF), Recife (PE), Palmas (TO), Goiânia (GO), Maceió (AL), Aracaju (SE), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Salvador (BA), Vitória (ES) e Florianópolis (SC) já sediaram o evento.

Imprensa
Os profissionais de imprensa interessados em cobrir o Meeting Paralímpico Loterias Caixa de Porto Alegre ou Rio de Janeiro devem enviar um e-mail para imp@cpb.org.br com os seguintes dados: nome completo, RG ou CPF e veículo pelo qual irá cobrir o evento. No dia da competição, os profissionais deverão se identificar na sala de imprensa do local.
Serviço

Meeting Paralímpico Loterias Caixa – Etapas de Rio de Janeiro e Porto Alegre
Data: 1º de agosto, a partir das 8h (horário de Brasília)

Rio de Janeiro
Atletismo e Halterofilismo
Local: Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (CEFAN)
Endereço: Av. Brasil, 10590

Natação
Local: Parque Aquático Júlio Delamare
Endereço: Av. Maracanã, 12

Tiro Esportivo
Local: Escola Naval
Endereço: Av. Almirante Silvio de Noronha, s/n

Porto Alegre
Atletismo
Local: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Endereço: R. Felizardo, 750

Natação
Local: Grêmio Náutico União
Endereço: Rua Quintino Bocaiúva, 500

Patrocínio
As Loterias CAIXA, a CAIXA, a Braskem e a Asics são as patrocinadoras oficiais do atletismo.
A CAIXA e as Loterias CAIXA são as patrocinadoras oficiais da natação, do tiro esportivo e do halterofilismo.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

Fonte https://cpb.org.br/noticias/meeting-loterias-caixa-tera-etapas-no-rio-de-janeiro-e-porto-alegre-com-mais-de-400-atletas-neste-sabado/

Postado Pôr Antônio Brito 

Faltam apenas 60 dias para o São Paulo TEAMA 2026

 Evento multidisciplinar sobre autismo será realizado nos dias 29 e 30 de agosto em São Paulo.

3 de julho de 2026
Faltam apenas 60 dias para o São Paulo TEAMA 2026

Daqui a praticamente menos de 2 meses, profissionais, estudantes, pesquisadores, famílias e apaixonados pelo conhecimento estarão reunidos em um dos maiores encontros multidisciplinares sobre autismo do país.

Serão dois dias de aprendizado, troca de experiências e conexões que podem transformar a sua prática profissional e, principalmente, a vida de muitas pessoas.

Anote na sua agenda: dias 29 e 30 de agosto, no Edifício e Galeria Califórnia, em São Paulo/SP.

Invista no seu conhecimento. Atualize-se, inspire-se e faça parte de um evento construído para quem acredita que aprender também é uma forma de cuidar.

Mais informações e inscrições no link: www.saopauloteama.com.br

Fonte Postado https://revistareacao.com.br/noticias/noticia?id=1e9d53fe-4714-46e1-8492-43c31a782ec1

Pôr Antônio Brito 

24/07/2026

Avanços são inegáveis, mas inclusão ainda está longe de ser uma realidade na Lei de Cotas

Avanços são inegáveis, mas inclusão ainda está longe de ser uma realidade na Lei de Cotas

EDITORIAL

Há 35 anos, o Brasil começava a dar um importante passo rumo à inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

Em 24 de julho de 1991, a publicação da Lei nº 8.213, que também destacou no trecho da legislação a conhecida Lei de Cotas, estabeleceu que empresas com 100 ou mais empregados deveriam reservar de 2% a 5% de seus cargos para trabalhadores com deficiência ou reabilitados pelo INSS.

A legislação transformou a realidade de milhares de brasileiros, abriu iniciou a abertura de portas antes fechadas e colocou a inclusão profissional no centro das discussões sobre responsabilidade social e direitos humanos. No entanto, três décadas e meia depois, o país ainda convive com um cenário de desafios, descumprimento da legislação e oportunidades desiguais.

Embora seja considerada uma das leis de inclusão mais importantes da América Latina, a Lei de Cotas ainda enfrenta resistência de parte do setor empresarial e depende de fiscalização permanente para garantir sua efetividade.

Muito além do cumprimento de uma obrigação legal

A contratação de pessoas com deficiência não deve ser encarada apenas como uma obrigação imposta pela legislação.

Quando empresas investem em acessibilidade, tecnologia assistiva, qualificação e ambientes inclusivos, todos ganham. Diversidade amplia a inovação, melhora o clima organizacional, fortalece a imagem institucional e contribui para uma sociedade mais justa.

Infelizmente, ainda existem organizações que enxergam a Lei de Cotas apenas como uma exigência burocrática, limitando-se ao preenchimento de vagas sem oferecer condições reais de desenvolvimento profissional.

Os principais desafios ainda persistem

Apesar dos avanços conquistados ao longo desses 35 anos, especialistas e entidades representativas apontam que ainda há obstáculos significativos para a inclusão efetiva das pessoas com deficiência.

Entre os principais desafios estão:

  • baixa fiscalização do cumprimento da Lei de Cotas;
  • preconceito e capacitismo durante processos seletivos;
  • falta de acessibilidade física, comunicacional e tecnológica nos ambientes de trabalho;
  • concentração de pessoas com deficiência em funções operacionais, com poucas oportunidades de ascensão profissional;
  • ausência de programas permanentes de qualificação e capacitação;
  • dificuldades de mobilidade urbana, que comprometem o acesso ao emprego;
  • pouca inclusão de pessoas com deficiência em cargos de liderança e gestão.

O que precisa mudar

Para que a Lei de Cotas cumpra plenamente seu papel social, especialistas defendem uma atuação mais firme do poder público e um compromisso efetivo do setor produtivo.

Entre as prioridades estão:

Fiscalização mais rigorosa

A atuação da Inspeção do Trabalho deve ser fortalecida para garantir que empresas cumpram a legislação e não tratem as cotas apenas como uma formalidade administrativa. Mas, infelizmente, nas últimas décadas, os Governo enfraqueceram os órgãos responsáveis pelas fiscalizações, como por exempo não ter um quadro suficiente de Auditores Fiscais do Trabalho.

Combate ao capacitismo

Ainda existe o entendimento equivocado de que pessoas com deficiência possuem menor produtividade ou representam custos adicionais para as empresas.

Essa cultura precisa ser superada por meio de campanhas de conscientização e programas de sensibilização.

Investimentos em acessibilidade

Não basta contratar.

É necessário garantir ambientes acessíveis, tecnologias assistivas, comunicação inclusiva, adaptações razoáveis e condições para que o trabalhador exerça suas funções com autonomia e segurança.

Qualificação profissional

O acesso à educação profissional e à capacitação contínua continua sendo um dos maiores desafios para ampliar a participação das pessoas com deficiência em áreas técnicas, estratégicas e de liderança.

Inclusão de todas as deficiências

Há grupos que continuam sub-representados no mercado de trabalho, como pessoas com deficiência intelectual, deficiência múltipla, deficiência psicossocial e autistas com maior necessidade de apoio.

Uma política inclusiva precisa contemplar toda a diversidade da população com deficiência.

Crescimento profissional

Incluir não significa apenas contratar.

É preciso garantir oportunidades de promoção, formação de lideranças, igualdade salarial e desenvolvimento de carreira.

A inclusão ainda precisa sair do discurso

Passados 35 anos da Lei de Cotas, o Brasil pode celebrar conquistas importantes, mas não pode ignorar que milhares de pessoas com deficiência continuam fora do mercado de trabalho ou enfrentam barreiras para permanecer nele.

A legislação representou um marco histórico, mas sua eficácia depende do compromisso permanente de governos, empresas e da sociedade.

A inclusão não pode ser tratada como custo, favor ou estratégia de marketing.

Ela é um direito garantido pela Constituição Federal, pela Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e pela Lei Brasileira de Inclusão.

Celebrar os 35 anos da Lei de Cotas é reconhecer sua importância, mas também reafirmar que ainda há muito a ser feito.

Mais do que preencher vagas, o Brasil precisa construir oportunidades.

Mais do que cumprir percentuais, é necessário garantir respeito.

Mais do que contratar, é preciso incluir.

Somente assim a Lei de Cotas deixará de ser vista como uma obrigação legal e passará a ser reconhecida como aquilo que realmente representa: um instrumento de justiça social, cidadania e igualdade de oportunidades para milhões de brasileiros com deficiência.

Fonte https://diariopcd.com.br/avancos-sao-inegaveis-mas-inclusao-ainda-esta-longe-de-ser-uma-realidade-na-lei-de-cotas/

Postado Pôr Antônio Brito  

Brasil leva trio de atiradores à etapa da Copa do Mundo da Sérvia, último desafio antes do Mundial

Atleta Marcelo Marton no Circuito Loterias Caixa de tiro esportivo 2026 no Rio de Janeiro | Foto: Grazie Batista/CPB

Três atiradores brasileiros desembarcam em Novi Sad, na Sérvia, para disputar, entre 24 e 29 de julho, mais uma etapa da Copa do Mundo da modalidade. Esta será a última grande parada internacional do tiro esportivo antes do Mundial de Changwon, na Coreia do Sul, em setembro.

O evento tem um significado ainda maior este ano, já que os atletas podem alcançar as Pontuações Mínimas de Qualificação (MQS) para os Campeonatos Mundiais da World Shooting Para Sport (WSPS) de 2026 e 2027, tornando Novi Sad um marco para o caminho dos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028.

Nesta etapa da Copa do Mundo, o Brasil é representado pelo paulista Alexandre Galgani, 43, primeiro brasileiro a conquistar uma medalha paralímpica no tiro esportivo – prata na prova mista de 10m da carabina de ar R5 deitado, na classe SH2 (que precisam de suporte para a arma) nos Jogos de Paris 2024.

Além dele, também foram convocados o paranaense Marcelo Marton, 55, campeão da prova de 10m do rifle R1/R2 em pé, da classe SH1 (que não precisam de suporte), nos Jogos Parapan-Americanos de Santiago 2023; e o capixaba Bruno Kiefer, 40, medalhista de bronze na disputa por equipes da prova de 10m da carabina de ar R4 em pé, da classe SH2 no Mundial de Lima 2023, ao lado de Galgani e de Jéssica Michalack.

O trio chega à Copa do Mundo após disputar, também em julho, o 5º Grand Prix Internacional de Arequipa, no Peru. Somados, eles garantiram oito das 15 medalhas conquistadas pela delegação brasileira no torneio.

Um total de 292 atletas de 51 nações são esperados para competir na etapa da Copa do Mundo da Sérvia, incluindo 52 medalhistas paralímpicos – 18 dos quais subiram ao pódio nos Jogos de Paris 2024. A China enviará a maior delegação com 21 atletas, seguida pelo Cazaquistão com 17, enquanto 11 atletas representarão a Sérvia, país anfitrião.

A Copa do Mundo de Novi Sad 2026 será transmitida ao vivo no canal do YouTube da Federação Internacional de tiro esportivo.

Time São Paulo
O atleta Alexandre Augusto Galgani integra o Time São Paulo, uma parceria entre o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, que beneficia 157 atletas.

Programa Loterias CAIXA Atletas de Alto Nível
O atleta Alexandre Augusto Galgani integra ao Programa Loterias CAIXA Atletas de Alto Nível, um programa de patrocínio individual da Loterias CAIXA e da CAIXA que beneficia 141 atletas.

Patrocínio Oficial
As Loterias CAIXA e a CAIXA são as patrocinadoras oficiais do tiro esportivo.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

Fonte https://cpb.org.br/noticias/brasil-leva-trio-de-atiradores-a-etapa-da-copa-do-mundo-da-servia-ultimo-desafio-antes-do-mundial/

Postado Pôr Antônio Brito  

PESSOAS COM DEFICIÊNCIA E A PREVENÇÃO DE DESASTRES: COMO FICA?

 As mudanças climáticas tornam cada vez mais urgente a inclusão das pessoas com deficiência nos planos de prevenção e resposta a desastres. Especialistas defendem alertas acessíveis, planos de evacuação adaptados, equipes preparadas e políticas públicas que coloquem a acessibilidade no centro das estratégias de proteção e defesa civil.

PESSOAS COM DEFICIÊNCIA E A PREVENÇÃO DE DESASTRES: COMO FICA?

Uma postagem no instagram de André Naves levanta um alerta. As mudanças climáticas tornaram os desastres ambientais cada vez mais frequentes. Mas existe uma realidade que ainda é invisibilizada: pessoas com deficiência costumam estar entre as mais afetadas nessas situações.

Escapar de uma enchente, compreender um alerta de emergência, acessar um abrigo ou reconstruir a própria vida pode ser muito mais difícil quando a acessibilidade não faz parte do planejamento. Por isso, falar de proteção e defesa civil também é falar de inclusão. Sistemas de alertas acessíveis, planos de evacuação adaptados, equipes preparadas e aperfeiçoamento do cadastro da população com deficiência em áreas de risco estão em debate atualmente na Câmara dos Deputados. É preciso colocar as PcD no centro das estratégias de justiça climática. Agir só depois da tragédia não basta.

Isso é um assunto extremamente sério e que precisa ser previsto nas discussões sobre prevenção e contingência de tragédias climáticas e outras situações, como terremotos, incêndios, catástrofes e acidentes em geral.

Qual o protocolo de salvamento de pessoas com deficiência? Existem planos de atuação específicos? Que nossas autoridades comecem a pensar no assunto.

Afinal, já passou da hora !

Fonte https://revistareacao.com.br/noticias/noticia?id=9c678d8f-4d06-4f20-9245-78793582b609

Postado Pôr Antônio Brito

23/07/2026

Discriminar pessoa com deficiência é crime desde 2015: por que tão poucos são condenados por isso

Discriminar pessoa com deficiência é crime desde 2015: por que tão poucos são condenados por isso - OPINIÃO - * Por Igor Lima

OPINIÃO

  • * Por Igor Lima

Por que o artigo 88 da Lei Brasileira de Inclusão existe, mas raramente pune alguém

Desde 2015, discriminar uma pessoa por causa de sua deficiência é crime no Brasil. O artigo 88 da Lei Brasileira de Inclusão prevê reclusão de um a três anos, e multa, para quem pratica, induz ou incita esse tipo de discriminação. Se o ato ocorrer por meio de comunicação social ou publicação de qualquer natureza, a pena sobe para dois a cinco anos. É um tipo penal específico, criado justamente porque, antes da lei, não existia crime autônomo para esse tipo de conduta no Brasil, e episódios de discriminação precisavam ser encaixados, com dificuldade, em crimes genéricos como injúria ou difamação.

Não existe, até onde consegui confirmar, uma estatística nacional pública que diga quantas condenações esse artigo já gerou desde 2015. Isso já é revelador por si só: um crime específico, criado há quase dez anos, sem número oficial de aplicação amplamente divulgado. Mas a jurisprudência disponível mostra um padrão consistente que ajuda a entender por quê esse tipo penal enfrenta tanta dificuldade para se traduzir em condenação.

O obstáculo que aparece repetidamente nos julgados

Em uma apelação criminal julgada por um tribunal estadual, o Ministério Público recorreu contra a absolvição de uma pessoa acusada de incitar discriminação contra pessoas com deficiência por meio de uma publicação em rede social. O tribunal manteve a absolvição, e o fundamento é revelador: o crime do artigo 88 exige comprovação inequívoca do dolo específico, ou seja, a vontade consciente e deliberada de discriminar em razão da deficiência. A mera repercussão negativa de uma publicação, mesmo que ofensiva, não basta. Diante de dúvida razoável sobre a real intenção de quem publicou, prevaleceu o princípio constitucional do in dubio pro reo.

Esse não é um caso isolado. Em outro processo, envolvendo a publicação de uma piada em um show de stand-up comedy no Instagram, a controvérsia girou em torno da competência para julgar o caso, mas o pano de fundo era o mesmo: humor, ironia e ambiguidade de contexto tornam extremamente difícil provar, além de dúvida razoável, que havia intenção deliberada de discriminar.

Em contraste, há também casos de condenação, mas eles tendem a envolver situações em que a discriminação foi explícita e direta, sem ambiguidade possível. Um tribunal condenou uma mulher pela prática do crime do artigo 88 combinado com injúria, depois que ela ofendeu diretamente uma aluna com deficiência intelectual, além de servidores públicos, em um contexto em que a autoria e o dolo discriminatório ficaram comprovados por boletim de ocorrência, depoimentos e prova oral direta.

O padrão que emerge dessas decisões é claro: quando a discriminação é textual, direta e sem espaço para outra interpretação, a condenação acontece. Quando ela é sutil, ambígua, ou embutida em humor, ironia ou comentário genérico, o crime praticamente se torna impossível de provar.

Uma fragilidade estrutural, não só probatória

Existe ainda um segundo problema, de natureza processual, apontado por comentaristas do próprio Estatuto da Pessoa com Deficiência. Como a pena mínima do artigo 88, em sua forma simples, não ultrapassa um ano, o crime admite suspensão condicional do processo, prevista no artigo 89 da Lei nº 9.099/95. Na prática, isso significa que, mesmo quando o Ministério Público consegue oferecer denúncia, o processo pode ser suspenso mediante certas condições, sem necessariamente chegar a uma condenação formal e a uma pena efetivamente cumprida.

Some-se a isso outro fator técnico: juristas que comentam o dispositivo apontam que a relação entre o artigo 88 da LBI e os crimes específicos previstos na Lei nº 7.853/89 (lei anterior, de apoio à pessoa com deficiência) é de gênero e espécie. Isso quer dizer que, antes de aplicar o artigo 88, o operador do direito precisa verificar se a conduta já não se encaixa em um dos tipos mais específicos da lei de 1989, o que adiciona uma camada extra de complexidade técnica à já difícil tarefa de provar o dolo discriminatório.

Por que ter a lei não é o mesmo que ela funcionar

O que esse conjunto de decisões e comentários jurídicos revela é uma distância entre a existência formal do crime e sua efetividade prática. O artigo 88 nasceu de um objetivo claro, declarado pela própria doutrina penal: tutelar a dignidade da pessoa com deficiência e dar resposta penal a condutas que, antes, ficavam impunes ou mal enquadradas em outros tipos penais. Mas um crime que exige prova de intenção específica, que compete com um regime de suspensão condicional que dispensa condenação formal, e que só se aplica com clareza em casos de discriminação explícita e sem ambiguidade, acaba deixando de fora justamente a forma mais comum de discriminação capacitista: aquela que se disfarça de brincadeira, de opinião, ou de comentário “sem querer ofender”.

Talvez o problema mais honesto a reconhecer seja este: criar um tipo penal específico foi um avanço simbólico e jurídico importante. Mas a experiência de quase dez anos de aplicação sugere que a lei, sozinha, não resolve o problema que pretendia enfrentar. Ela deu nome ao crime. Não deu, na mesma medida, instrumentos para prová-lo.

  • * Igor Lima é advogado (OAB/RJ), especialista em Direitos Humanos e sustentabilidade, e pessoa com deficiência. Coordenador da coletânea jurídica “Deficiência e os Desafios para uma Sociedade Inclusiva”, citada no STJ, TST, STF e presente em instituições como Harvard e Universidade de Coimbra. Autor de artigos publicados em espaços como ABDConst, Future Law e revistas jurídicas nacionais, atua como palestrante em instituições como UERJ, UFRJ, UFF, OAB/RJ e MPRJ. Dedica-se à pesquisa e defesa dos direitos das pessoas com deficiência, com experiência em inclusão, políticas públicas e ESG.   
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Fonte https://diariopcd.com.br/discriminar-pessoa-com-deficiencia-e-crime-desde-2015-por-que-tao-poucos-sao-condenados-por-isso/

Postado Pôr Antônio Brito