Projeto
de Novo Hamburgo desenvolveu metodologia inédita de ensino de
encadernação artesanal para pessoas cegas e com baixa visão, promovendo
inclusão e autonomia.
Um
projeto realizado em Novo Hamburgo/RS envolvendo pessoas cegas ou com
baixa visão, trabalhando com materiais reaproveitáveis e reutilizáveis,
alcançou um novo patamar.
A iniciativa
foi registrada na Fundação Biblioteca Nacional – Escritório de Direitos
Autorais com a seguinte identificação: “Metodologia de Ensino de
Encadernação Artesanal para Pessoas Cegas e Baixa Visão”.
A
proposta colocada em prática tem à frente o Espaço Cultural Projeto Do
Lixo ao Livro e QG Produções Artísticas, de Novo Hamburgo/RS.
Até
o momento, não se tem notícia de nenhum outro projeto ou até mesmo uma
metodologia semelhante voltada para o ensino específico de técnicas de
encadernação artesanal envolvendo pessoas cegas e baixa visão no Brasil.
O
projeto atendeu cerca de 30 pessoas durante alguns meses de 2025. Os
encontros foram realizados na biblioteca da Adevis do Centro Municipal
de Cultural.
Os participantes cegos e de
baixa visão passaram a ter experiências envolvendo o conhecimento
sensorial tátil, auditivo e olfativo de objetos, ferramentas, texturas,
dimensões e aromas. Cada participante executou a construção manual de
seu próprio caderno artesanal.
Todas as
etapas foram sendo registradas e documentadas. Em determinados momentos,
as pessoas de baixa visão também ajudavam os cegos totais, assim como
voluntários contribuíram com orientações e cuidados com materiais
perfurocortantes.
A
importância desta quinta-feira no STF para as pessoas com deficiência:
uma luta contra a discriminação e pelos direitos conquistados
Durante meus últimos 34 anos tenho dedicado a lutar pelos direitos
das pessoas com deficiência. Mas para todas essas pessoas, sem nenhuma
discriminações entre elas. E quero ter energia e saúde para continuar
nesta trajetória, mesmo porque encontrei durante toda essa trajetória
muitas pessoas que buscam os mesmos objetivos.
Nesta quinta-feira, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) será
palco de um dos julgamentos mais relevantes dos últimos anos para a
comunidade das pessoas com deficiência e para milhões de famílias
brasileiras.
Em análise estão as Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs)
7779 e 7790, que questionam dispositivos da Lei Complementar 214/2025,
responsável pela regulamentação da Reforma Tributária.
Por sinal, vale ressaltar que desde 2025 essas Ações tramitam no STF e
o Instituto Oceano Azul e a ANAPcD – Associação Nacional de Apoio às
Pessoas com Deficiência – com muita coragem e dificuldades, estão sempre
atendendo as exigências dos órgãos para legimitimar as nossas demandas.
Mais do que uma discussão técnica sobre benefícios fiscais, o
julgamento representa um debate profundo sobre cidadania, inclusão,
dignidade humana e igualdade de direitos.
Pessoas com deficiência, autistas, familiares, entidades
representativas e ativistas estarão acompanhando a sessão para defender
conquistas históricas que, segundo as ações apresentadas ao STF, foram
restringidas pela nova legislação.
Mas é preciso deixar muito claro: nossas demandas não cria
discriminações entre pessoas com deficiência. Ao contrário, lutamos
contra todas que foram criadas pela Reforma Tributária.
Sustentamos que a regulamentação da Reforma Tributária criou
critérios mais rigorosos e restritivos para o acesso às isenções
tributárias destinadas à aquisição de veículos por pessoas com
deficiência e pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Questionamos as novas regras que acabaram excluindo grupos que
tradicionalmente eram reconhecidos como beneficiários da política
pública, especialmente pessoas com deficiência consideradas leves ou
moderadas e pessoas com autismo classificadas no nível 1 de suporte.
O que está em discussão não é apenas um benefício tributário.
O acesso a um veículo adaptado ou adequado às necessidades da pessoa
com deficiência representa autonomia, mobilidade, acesso ao trabalho, à
educação, à saúde e à participação social. Em muitos casos, trata-se de
um instrumento indispensável para garantir qualidade de vida e inclusão.
Nossa preocupação é que a nova legislação tenha criado uma distinção
injustificada entre pessoas com deficiência, estabelecendo critérios que
podem resultar em discriminação e exclusão. As ações argumentam que
essas restrições afrontam princípios constitucionais fundamentais, como a
dignidade da pessoa humana, a igualdade material, a não discriminação e
a proteção assegurada pela Convenção Internacional sobre os Direitos
das Pessoas com Deficiência, tratado que possui estatus constitucional
no Brasil.
A presença das pessoas com deficiência no STF nesta quinta-feira
possui um significado que transcende o resultado jurídico do julgamento.
Ela simboliza a resistência contra retrocessos e reafirma que direitos
conquistados após décadas de mobilização social não podem ser reduzidos
sem um amplo debate democrático e sem respeito aos princípios
constitucionais. Ela significa que temos entidades que lutam – e com
muita resistência, contra as discriminações criadas por diversos
setores, inclusive de quem afirma defender essas pessoas.
Historicamente, os avanços alcançados pela população com deficiência
no Brasil foram resultado de organização coletiva, participação política
e defesa permanente dos direitos humanos. Não aceitamos a presença de
quem quer dividir.
Cada benefício conquistado representa o reconhecimento das barreiras
enfrentadas diariamente por milhões de brasileiros. Por isso, qualquer
medida que limite esses direitos desperta preocupação e mobilização
nacional.
O julgamento também poderá estabelecer parâmetros importantes para a
interpretação da própria Reforma Tributária e para a proteção dos
direitos fundamentais em futuras regulamentações.
Trata-se de uma oportunidade para que o Supremo Tribunal Federal
reafirme seu papel de guardião da Constituição e assegure que os
princípios da inclusão e da igualdade prevaleçam sobre qualquer forma de
discriminação.
Nesta quinta-feira, as pessoas com deficiência estarão no STF não apenas para defender benefícios.
Estaremos defendendo respeito, dignidade, inclusão e o direito de serem tratadas com igualdade perante a lei.
O que estará em jogo é a construção de um Brasil mais justo,
acessível e comprometido com a proteção de todos os seus cidadãos, sem
exceções e sem discriminações.
* Abrão Dib é jornalista, editor do Diário PcD e está presidente da
ANAPcD – Associação Nacional de Apoio às Pessoas com Deficiência
Perla Assunção durante a semana de treino da seleção de
Basquete em Cadeira de Rodas no CT Paralímpico, em São Paulo | Foto:
Alessandra Cabral/CPB
A Seleção Brasileira feminina de basquete em cadeira de rodas
vai disputar um torneio amistoso em Ottawa, no Canadá, entre os dias 22
e 29 de junho. Ao todo, 12 atletas do país estarão neste intercâmbio,
que será realizado com as seleções do Canadá, Estados Unidos e Japão.
O torneio servirá como preparação visando o Mundial da modalidade em setembro, que será realizado no mesmo local, entre os dias 9 a 19.
Exoesqueletos
pediátricos começam a ganhar espaço no Brasil e podem ampliar a
reabilitação de crianças com limitações motoras, promovendo inclusão,
autonomia e desenvolvimento.
Todos
já ouviram falar nos exoesqueletos. Mas imagine essa tecnologia sendo
capaz de ajudar crianças que encontram dificuldades para ficar em pé,
dar passos ou treinar a marcha no dia a dia. Os exoesqueletos
pediátricos começam a ser estudados no Brasil como ferramentas de apoio à
reabilitação de crianças com paralisia cerebral, lesões neurológicas e
outras condições que afetam a mobilidade. Eles permitem treinos mais
intensos e repetitivos, fundamentais para o aprendizado motor e para a
neuroplasticidade do cérebro.
Hoje, o
nosso País conta com apenas algumas unidades do Bambini, um dos projetos
mais inovadores da área e apresentado recentemente no São Paulo
Innovation Week, disponíveis apenas na Rede Lucy Montoro e na AACD.
Mas
o debate não deve ser apenas sobre tecnologia. Deve ser também sobre
acesso, investimento em pesquisa e democratização desses recursos. Vale
lembrar que nenhum equipamento substitui a fisioterapia, a equipe
multiprofissional, a participação da família ou as políticas públicas de
reabilitação.
Quando a inovação é
colocada a serviço da inclusão, ela deixa de ser apenas avanço
tecnológico e passa a ser avanço social, ampliando oportunidades de
desenvolvimento, participação e autonomia. Logo, logo, estaremos vendo
os exoesqueletos tomarem conta das ruas, seja para crianças ou adultos
com deficiências motoras. É questão de mais alguns anos e estaremos
vivenciando uma nova era na tecnologia assistiva.
Caso ocorrido no Distrito Federal provoca indignação e reacende debate sobre acesso à saúde, dignidade e invisibilidade social
A morte de um homem cadeirante de 49 anos na recepção de uma Unidade
de Pronto Atendimento (UPA) do Recanto das Emas, no Distrito Federal,
provoca forte comoção e levanta questionamentos sobre a forma como o
Brasil trata pessoas com deficiência e em situação de vulnerabilidade.
O caso está sendo investigado pela Polícia Civil e pelo Instituto de
Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF). Mas a
condenação dos responsáveis trará a vida desse cidadão?
Identificado como Vilmar Pereira da Silva, depois de horas na
Unidade, o homem foi encontrado sem sinais vitais enquanto permanecia em
sua cadeira de rodas na recepção da unidade. Segundo informações
divulgadas pelo Iges-DF, ele não possuía ficha de atendimento aberta nem
havia passado por classificação de risco no dia da ocorrência. Mas ele
estava lá de forma invisível? Nenhum profissional da UPA percebeu que
ali havia um ser humano?
Testemunhas relataram que foram outros pacientes que perceberam a gravidade da situação e alertaram a equipe da unidade.
Mais do que uma tragédia individual
Embora as circunstâncias da morte ainda estejam sob investigação, a
cena de um cadeirante falecendo em uma cadeira de rodas dentro de uma
unidade de saúde produz um impacto que vai além do caso específico.
A tragédia expõe um problema recorrente no país: a invisibilidade de
pessoas que dependem do sistema público de saúde e enfrentam diariamente
barreiras de acesso, acolhimento e atendimento humanizado.
Quantas outras pessoas estão em uma Unidade, neste momento, esperando por horas pelo atendimento?
A imagem de um cidadão permanecendo horas em uma recepção sem que sua
condição despertasse uma resposta imediata gerou indignação porque
simboliza uma realidade conhecida por muitas famílias brasileiras: a
sensação de abandono enfrentada por pessoas com deficiência, idosos,
pessoas em situação de rua e outros grupos vulneráveis.
Quantos casos nunca chegam às manchetes?
O caso ganhou repercussão nacional porque ocorreu em uma unidade
pública, foi registrado por testemunhas e circulou amplamente nas redes
sociais e na imprensa.
Mas a pergunta que permanece é incômoda: Quantas histórias semelhantes nunca ganharam essa dimensão?
A ANAPcD tem a missão de alertar sobre os inúmeros episódios de
negligência, demora no atendimento, falta de acessibilidade e
desassistência permanecem restritos ao sofrimento das famílias, sem
investigação aprofundada ou repercussão pública.
Nem toda tragédia é filmada. Nem toda vítima tem alguém para denunciar. Nem toda morte gera mobilização social.
A deficiência não pode significar invisibilidade
A Constituição Federal garante a todos os brasileiros o direito à
saúde e à dignidade. A Lei Brasileira de Inclusão reforça que pessoas
com deficiência devem receber atendimento prioritário, acessível e
adequado às suas necessidades.
No entanto, para muitas famílias, a distância entre o que está
garantido na legislação e o que é vivenciado na prática ainda é enorme.
Quando uma pessoa com deficiência deixa de ser percebida como cidadã e
passa a ser tratada apenas como mais uma presença na fila – ou um
objeto sem valor, o problema deixa de ser apenas administrativo e passa a
ser humano.
A discussão provocada pela morte de Vilmar não deve se limitar à
apuração de responsabilidades individuais. Ela exige uma reflexão mais
ampla sobre empatia, acolhimento e respeito à dignidade das pessoas que
dependem dos serviços públicos para sobreviver.
Uma sociedade será julgada pela forma como trata os mais vulneráveis
A investigação deverá esclarecer o que ocorreu naquele sábado na UPA
do Recanto das Emas. Mas independentemente de suas conclusões, a imagem
de um homem morto em sua cadeira de rodas dentro de uma unidade de saúde
já se tornou um símbolo de alerta.
Um alerta de que direitos previstos em leis precisam ser transformados em práticas efetivas.
Um alerta de que pessoas com deficiência não podem ser invisíveis.
E um alerta de que a sociedade não pode aceitar como normal qualquer
situação em que um ser humano seja privado do cuidado, da atenção e da
dignidade que lhe são devidos.
Porque quando uma tragédia como essa acontece, a pergunta que permanece não é apenas como aquela vida foi perdida.
A pergunta é quantas outras histórias semelhantes permanecem desconhecidas, sem manchetes, sem investigação e sem justiça.
Abrão Dib é jornalista, editor do Diário PcD e Presidente da ANAPcD – Associação Nacional de Apoio às Pessoas com Deficiência.
Atleta Isadora de Oliveira no Circuito Paralímpico Loterias Caixa de atletismo 2026 | Foto: Marcello Zambrana/CPB
O Centro de Treinamento Paralímpico
(CTPB), na zona sul de São Paulo, recebe até a sexta-feira, 26, uma
semana de treinamento exclusivo para mulheres do atletismo. Foram
convocadas 18 esportistas da modalidade para as atividades.
A programação da semana inclui treinos,
avaliações e testes com áreas multidisciplinares. Além disso, as atletas
participam de palestras voltadas para mulheres sobre Nutrição, Ciência
do Esporte, treinamento de força, gestão, doping e Psicologia esportiva.
Entre as convocadas está a paranaense
Isadora Venâncio de Oliveira, da classe T11 (deficiência visual), que
representará o Brasil nos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar 2026, de 5 a 15 de julho.
“Essas palestras contribuem muito para que
a gente possa entender quais são nossos limites, até onde podemos
chegar e onde devemos fazer mudanças. Como mulher e como atleta, acho
que cada palavra, cada conselho, é essencial para fazer os últimos
ajustes no meu dia a dia que vão contribuir para meu desempenho em
Valledupar”, explica a atleta que tem glaucoma congênito.
As 18 atletas convocadas para a Semana de
Treinamento da Mulher no atletismo ocupam posições de destaque no
ranking brasileiro da modalidade.
Confira a lista das atletas convocadas:
Alice de Oliveira Correa
Amanda Caroline Schuck
Ana Beatriz Candial
Angelina Jamily Braga Oliveira
Camila Müller
Cinthia da Silva Barbosa
Clarice Pereira de Almeida
Clariene Abreu da Silva
Fabia Mayra Silva Araujo
Isadora Venancio de Oliveira
Jacqueline Ingrid Dodgnini Rangel
Janaina Pereira de Almeida
Jéssica Marques de Freitas
Júlia Alves Machado
Patricia Silva dos Santos
Sarah Maria Araujo
Silvania Costa de Oliveira
Thayná de Castro Zanolli
Patrocínio As Loterias CAIXA, a CAIXA, a Braskem e a ASICS são as patrocinadoras oficiais do atletismo.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)
Justiça
determina prioridade para morador com deficiência na definição de vagas
de garagem em condomínio, reforçando os princípios de acessibilidade,
inclusão e igualdade de oportunidades.
Em
São Caetano do Sul/SP, uma decisão judicial reforçou que a
acessibilidade deve prevalecer na distribuição de vagas de garagem em
condomínios, garantindo condições adequadas de mobilidade para moradores
com deficiência.
O caso teve início
após um morador com deficiência questionar o sistema de sorteio de vagas
adotado pelo condomínio, alegando que a regra não considerava suas
limitações de locomoção e dificultava o acesso às áreas comuns do
empreendimento.
De acordo com a decisão,
a aplicação de critérios iguais para todos os moradores não pode
resultar em prejuízo para pessoas com deficiência, especialmente quando
existem necessidades específicas relacionadas à mobilidade e à
acessibilidade.
A Justiça entendeu que o
condomínio deve assegurar prioridade ao morador com deficiência na
definição da vaga de garagem, observando os princípios previstos no
Estatuto da Pessoa com Deficiência (LBI) e garantindo condições
adequadas de uso do espaço.
O
entendimento reforça que normas internas, sorteios ou sistemas de
rodízio não podem ignorar direitos fundamentais relacionados à inclusão e
à acessibilidade, devendo ser compatibilizados com a legislação
vigente.
Especialistas destacam que a
acessibilidade nos condomínios vai além de rampas, elevadores e
adaptações físicas, abrangendo também a forma como áreas comuns e vagas
de garagem são disponibilizadas aos moradores.
No
contexto condominial, o caso serve de alerta para síndicos,
administradoras e conselhos, que devem revisar convenções, regimentos
internos e critérios de distribuição de vagas para evitar conflitos e
possíveis questionamentos judiciais.
A
decisão reforça uma tendência crescente do Judiciário de priorizar a
inclusão, a dignidade e a igualdade de oportunidades para pessoas com
deficiência dentro dos condomínios.
O futebol sempre se orgulhou de ser o esporte mais popular e
democrático do planeta, uma paixão capaz de romper barreiras
geográficas, sociais e econômicas. No entanto, as recentes decisões da
Fifa para a Copa do Mundo de 2026 revelam uma face cruel e puramente
mercantilista da entidade, transformando o discurso da inclusão em uma
peça publicitária vazia. Ao inflacionar de forma absurda os ingressos
para pessoas com deficiência e cortar direitos históricos, a federação
internacional promove uma segregação econômica disfarçada de
modernidade.
A disparidade dos números apresentados em uma reportagem especial do
Diário PcD, Portal de notícias voltado a pessoas com deficiência, é
assustadora. Na Copa do Qatar, em 2022, um torcedor com deficiência
conseguia assistir a um jogo da fase de grupos desembolsando cerca de R$
57,00, tendo ainda o direito garantido a um acompanhante gratuito. Em
2026, para sentar no setor acessível, esse mesmo torcedor precisa pagar
impressionantes R$ 1.430 pelo seu bilhete. Para piorar, a Fifa extinguiu
a gratuidade do acompanhante, obrigando a compra de um segundo
ingresso. O resultado prático é uma conta de R$ 2.860 para que uma dupla
assista a uma única partida, representando um aumento acachapante de
4.900%.
Dizer que o torneio oferece recursos avançados, como audiodescrição,
salas sensoriais para autistas e interpretação em língua de sinais em
todos os jogos, soa quase como uma ironia de mau gosto diante do
bloqueio financeiro imposto na bilheteria. De que adiantam as mais
modernas tecnologias assistivas se o público-alvo dessas ferramentas foi
financeiramente banido do espetáculo? A acessibilidade física e
sensorial perde completamente o sentido quando a acessibilidade
econômica é destruída.
A estratégia da Fifa se torna ainda mais evidente e perversa com a
redução em um terço do número de assentos reservados à acessibilidade,
limitando a presença de cadeirantes a números irrisórios, como apenas 18
em determinadas partidas. Ao diminuir a oferta e elevar o preço a
patamares proibitivos, a entidade deixa claro que enxerga o torcedor com
deficiência não como um cidadão de direitos, mas como um espaço
comercial menos lucrativo que precisa ser minimizado.
As duras críticas de autoridades brasileiras, como os senadores e
deputados que se mobilizam para protestar formalmente contra a
federação, são urgentes e necessárias. O esporte e o lazer são direitos
humanos fundamentais, preconizados inclusive pela Convenção
Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Tratar o
acesso a um estádio como um produto de luxo voltado apenas a uma elite
que pode arcar com aumentos abusivos é violar o espírito de igualdade
que o próprio futebol deveria defender.
Como bem lembrado pelas lideranças políticas nacionais, o Brasil
receberá em breve a Copa do Mundo Feminina. O episódio atual deve servir
de alerta máximo e linha de corte para as autoridades do nosso país.
Não se pode aceitar que entidades estrangeiras imponham em solo
brasileiro regras que retrocedam nas conquistas sociais e segreguem
nossos cidadãos.
A Fifa precisa entender que a verdadeira inclusão não se faz apenas
com tecnologia de ponta para os poucos que conseguem pagar, mas sim
garantindo que o direito de torcer seja viável e respeitado. Enquanto o
lucro for o único guia de suas decisões, as arenas da Copa do Mundo
continuarão sendo monumentos à exclusão.
* Guilherme Kalel é Jornalista e Escritor. Publicher da Agência Visionpress. Professor de Conteúdo Digital e Consultor de Acessibilidade. Autor da Coluna Kalelvision.
Semana de Camping Escolar Paralímpico no CT, em São Paulo. Foto: Alessandra Cabral/CPB
O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB)
realiza a partir deste domingo, 28, até o sábado, 4, o Camping Escolar
Regional Paralímpico no Rio de Janeiro (RJ). A etapa dá início à
iniciativa que percorrerá as cinco regiões brasileiras neste ano.
A edição sudeste conta com 74 esportistas,
sendo 45 do atletismo e 29 da natação em atividades no Centro de
Educação Física Almirante Adalberto Nunes (Cefan). A iniciativa propõe
uma semana de vivência da rotina de atletas do alto rendimento nas
modalidades.
Durante este período, os atletas
participarão de treinamentos, de testes físicos e receberão atendimento
de uma equipe multidisciplinar.
A programação prevê ainda dois bate-papos,
um dedicado à nutrição e outro à Ciência do Esporte – este com foco na
importância da avaliação dos atletas e nos resultados dos testes
realizados pela área.
O Camping Escolar Paralímpico
é realizado desde 2018 e tem como objetivo apresentar os jovens que se
destacaram nas Paralimpíadas Escolares do ano anterior à rotina de
atletas de alto rendimento, além de favorecer a identificação e a
lapidação de talentos.
Anualmente, o evento conta com duas edições nacionais, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo. A primeira ocorreu de 25 a 31 de janeiro e a segunda está marcada para 12 a 19 de julho.
Desde 2025, o CPB promove o Camping
Escolar Regional, que percorre as cinco regiões do país. Neste ano, a
primeira etapa será realizada no Sudeste, com sede no Rio de Janeiro.
Em 2026, o programa passou a incluir o Camping Escolar para atletas de classes baixas, voltado a esportistas com deficiências mais severas. A primeira edição ocorreu em março, na Paraíba.
Confira a agenda dos próximos Campings Escolares:
Camping Escolar Nacional Data: 19 a 25/07 – São Paulo (SP)
Camping Escolar Regional – Norte Data: 9 a 15/08/2026 – Manaus (AM)
Welington
Camargo, irmão cadeirante de Zezé Di Camargo e Luciano, expõe
dificuldades diárias, como a falta de acessibilidade em hotéis,
mostrando que a questão afeta a todos, independente de condição
financeira.
Welington
Camargo é cadeirante e é irmão da dupla Zezé Di Camargo e Luciano. Ele
usou as redes sociais para mostrar um pouco das dificuldades do seu dia a
dia com sua cadeira de rodas. Welington, que também é cantor, só que de
músicas Gospel, é ex-deputado estadual por Goiás e ficou paraplégico na
infância por causa de uma poliomielite.
Nas
redes sociais, ele apareceu num vídeo que ele mesmo fez, tomando banho
com um balde por não conseguir chegar ao chuveiro em um hotel. A
dificuldade foi causada pelo tamanha da entrada do box, que não dava
para passar com a cadeira de rodas.
A
decisão de fazer a publicação veio após Welington receber comentários
dizendo que ele, por ser irmão da dupla famosa e ter condições
financeiras, não enfrentaria dificuldades no dia a dia como cadeirante.
Nos
comentários da publicação, alguns seguidores apontaram uma possível
falta de apoio por parte dos irmãos. Welington, porém, negou a
informação.
Em 1998, o irmão da dupla
sertaneja ganhou os holofotes ao ser sequestrado e passar 96 dias em um
cativeiro, onde teve também parte de uma das orelhas cortada.
A
falta de acessibilidade em hotéis ainda é uma questão crítica em nosso
País e que precisa ser levada a sério, melhor fiscalizada e punida pelas
autoridades competentes.