29/05/2026

Manaus/AM: projeto ensina alunos cegos a fazer cinema com base nos sons

Projeto “Vozes Visuais”, em Manaus/AM, ensina cinema para alunos cegos usando sons, memória afetiva e experiências sensoriais como linguagem audiovisual.

Manaus/AM: projeto ensina alunos cegos a fazer cinema com base nos sons

O projeto “Vozes Visuais” propõe uma experiência inédita na capital amazonense ao ensinar cinema e produção audiovisual a partir da percepção sonora, da memória afetiva e das experiências sensoriais dos participantes.

As aulas acontecem na própria Biblioteca Braille do Amazonas, localizada no Bloco C do Sambódromo, na avenida Pedro Teixeira, bairro Flores, zona Centro-Sul de Manaus/AM.

A iniciativa é conduzida pela produtora cultural e psicóloga Keylla Gomes, de 43 anos, que já desenvolveu projetos culturais voltados para pessoas com deficiência, especialmente oficinas de teatro e cinema para pessoas surdas.

A ideia do “Vozes Visuais” surgiu dentro da cultura e da inclusão, de uma inquietação sobre a presença de pessoas cegas nos espaços de produção audiovisual.

A proposta do curso parte de uma visão diferente da percepção tradicional do cinema, normalmente associada apenas à imagem.

Cinema não é só imagem, mas também é som, emoção, memória e sensação, segundo a professora responsável pelo projeto.

No “Vozes Visuais”, o som deixa de ser apenas um apoio da imagem e passa a ser protagonista da narrativa. Durante as aulas, os alunos trabalham com sons do cotidiano, vozes, objetos, silêncio, vento e chuva para construir cenas e atmosferas cinematográficas.

Nele, os alunos começam a construir cenas através dos sons da cidade, da natureza, das vozes, dos passos, do vento, da chuva, do silêncio e dos objetos do dia a dia. Tudo vira linguagem cinematográfica.

Para a realização das oficinas, o curso precisou adaptar a forma tradicional de ensinar audiovisual. As aulas são pensadas a partir da escuta, da orientação espacial, do toque e da percepção dos ambientes.

A experiência tem provocado mudanças na autoestima e no sentimento de pertencimento dos participantes. Muitos alunos chegam inseguros, porque cresceram ouvindo que certos espaços não foram pensados para eles. E, aos poucos, eles começam a perceber que conseguem criar, dirigir, gravar, pensar cenas e construir narrativas próprias.

Fonte https://revistareacao.com.br/noticias/noticia?id=04d8776a-db62-46cb-8c6d-09e7240d1381

Postado Pôr Antônio Brito 

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