03/11/2026

Mauá cria lei voltada à conscientização sobre paternidade atípica e combate ao abandono paterno

Sessão solene destacou iniciativa apresentada como a primeira do país sobre o tema. Proposta busca dar visibilidade à sobrecarga enfrentada por mães de crianças com deficiência ou neurodivergência e incentivar a participação dos pais no cuidado dos filhos.

A Câmara Municipal de Mauá, na Grande São Paulo, realizou uma Sessão Solene para destacar a criação de uma legislação voltada à conscientização sobre a paternidade atípica e ao combate ao abandono paterno. A iniciativa foi apresentada como a primeira lei brasileira dedicada especificamente ao tema e reuniu autoridades, representantes da sociedade civil e movimentos sociais ligados à inclusão e à defesa dos direitos das pessoas com deficiência – e cria a “Semana Municipal de Conscientização da Paternidade Atípica”.

Idealizada pelo pai atípico e ativista Thiago Almeida, a proposta contou com o apoio do vereador José Luiz Camiseiro no Legislativo municipal. A iniciativa pretende ampliar o debate sobre a responsabilidade dos pais no cuidado de filhos com deficiência ou neurodivergência.

Sobrecarga das mães é um dos principais pontos do debate

Um dos objetivos da legislação é dar visibilidade à realidade de famílias nas quais as mães assumem, muitas vezes sem a participação dos pais, a maior parte das responsabilidades financeiras, dos tratamentos de saúde e da busca pela garantia de direitos dos filhos.

A ausência paterna pode ampliar a sobrecarga física, emocional e econômica dessas mulheres, que frequentemente precisam conciliar os cuidados cotidianos com o acompanhamento de terapias, consultas, atividades escolares e outras demandas.

Durante a solenidade, os participantes destacaram que a paternidade atípica precisa ir além do reconhecimento de uma condição familiar. Ela exige presença, participação efetiva, responsabilidade e envolvimento no desenvolvimento das crianças e dos adolescentes.

Da conscientização às políticas públicas

A legislação busca estimular iniciativas que fortaleçam o acolhimento e a participação dos pais, além de incentivar políticas públicas voltadas à garantia de direitos, como educação, lazer e convivência familiar.

O debate também reforça a necessidade de reconhecer que o cuidado de uma pessoa com deficiência ou neurodivergência não deve ser responsabilidade exclusiva das mães. A participação paterna é parte importante da proteção, do desenvolvimento e da inclusão das crianças e adolescentes.

Com a iniciativa, Mauá amplia a discussão sobre paternidade atípica e abandono paterno, convocando o poder público e a sociedade a transformar a conscientização em ações que contribuam para a dignidade e a qualidade de vida das famílias.

Mais do que reconhecer a importância da paternidade atípica, o desafio é transformar a presença dos pais em responsabilidade concreta, compartilhamento do cuidado e garantia de direitos.

Fonte https://diariopcd.com.br/maua-cria-lei-voltada-a-conscientizacao-sobre-paternidade-atipica-e-combate-ao-abandono-paterno/

Postado Pôr Antonio Brito 

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