O Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro (CTPB), em São Paulo, recebe, entre os dias 17 e 23 de agosto, o Campeonato Mundial de rúgbi em cadeira de rodas,
organizado pela World Wheelchair Rugby (WWR). Entre os 12 atletas
convocados para defender o Brasil, uma estreia terá significado
especial: a da carioca Hawanna Ribeiro, 28, única mulher da Seleção
Brasileira na competição.
Hawanna disputa o Mundial pela primeira
vez e representa um avanço na presença feminina em uma modalidade mista
historicamente dominada por homens. A atleta acredita que sua convocação
pode incentivar outras mulheres a enxergarem o rúgbi em cadeira de
rodas como um caminho possível no alto rendimento.
“Desde que entrei na Seleção, vejo cada
vez mais mulheres sonhando em chegar lá. Recebo muitas mensagens de
atletas de diferentes lugares do Brasil e percebo essa mudança
acontecendo. As mulheres estão vendo que também têm capacidade para
ocupar esse espaço. Como é um esporte de alto rendimento, precisamos
trabalhar muito, mas acredito que isso abre portas e faz com que outras
meninas tenham alguém em quem se espelhar”, afirmou.
A trajetória até a estreia no principal
campeonato da modalidade começou de forma inesperada. Em 2017, aos 19
anos, Hawanna sofreu uma queda de aproximadamente dez metros, do
terceiro andar de um prédio. O acidente provocou diversos traumas, entre
eles uma lesão cervical que a deixou tetraplégica.
Um ano depois, enquanto fazia tratamento
de reabilitação, recebeu o primeiro convite para conhecer o rúgbi em
cadeira de rodas. Ainda em processo de aceitação da deficiência,
recusou.
“Eu ainda estava em um momento de
rebeldia, sem entender direito a minha lesão. Até brinquei com o atleta
que me convidou: ‘Se eu quisesse bater cadeira, iria ao parque de
diversão, no carrinho de bate-bate’. Antes do acidente, eu jogava
futebol e não conseguia me imaginar praticando um esporte com as mãos.”
A mudança veio apenas seis anos após a
lesão. Em 2023, voltou a ser convidada por atletas da modalidade e
decidiu experimentar um treino no Santer Rugby Club, do Rio de Janeiro.
Bastou entrar na cadeira esportiva para descobrir um novo propósito.
“Quando me sentei na cadeira de rúgbi
senti uma sensação de liberdade. A cadeira esportiva dá muito mais
agilidade do que a cadeira de uso diário. Como sou atleta de menor
pontuação funcional, meio ponto, tenho um comprometimento grande por
causa da lesão, então essa sensação foi ainda mais marcante. Foi ali que
me encontrei. Voltei a me sentir livre e nunca mais quis parar.”
Além da reabilitação tradicional, Hawanna
também participou, em 2020, de um estudo clínico com polilaminina,
proteína pesquisada para estimular a regeneração da medula espinhal.
Embora o tratamento tenha sido desenvolvido originalmente para pacientes
com lesões agudas, ela integrou uma pesquisa voltada a pessoas com
lesão crônica.
A atleta afirma que recuperou
sensibilidade e movimentos após participar do estudo, ganhos que
ampliaram sua independência e contribuíram para que, anos depois,
acreditasse ser possível praticar um esporte de alto rendimento.
“Graças ao tratamento, ganhei mais
movimentos, mais musculatura e muita sensibilidade. Hoje, se uma mosca
pousar no meu dedão do pé, eu consigo sentir. Sem dúvida, esse
tratamento contribuiu para que eu chegasse ao rúgbi. Quando conheci o
esporte pela primeira vez, eu não me via em condições de praticá-lo. Em
2023, depois de toda essa evolução, passei a acreditar que era
possível.”
No Mundial,
Hawanna integra a segunda formação da equipe brasileira. Como o
regulamento concede meio ponto extra de classificação funcional quando
há uma mulher em quadra, sua presença também amplia as possibilidades
táticas da Seleção.
“Vejo meu papel como muito importante. Não
apenas por essa questão da pontuação, mas porque também participo da
saída de bola da equipe. É uma função na qual o treinador vem
trabalhando bastante comigo e que considero essencial para que possamos
avançar no campeonato.”
O Brasil chega ao Mundial ocupando a
sétima colocação do ranking internacional e aposta no fator “jogar em
casa” para buscar um resultado inédito. A estreia será na segunda-feira, 17, às 19h30
(horário de Brasília), contra os Países Baixos. Depois, enfrenta o
Canadá, na terça-feira, 18, também às 19h30, e a Austrália, na
quarta-feira, 19, no mesmo horário.
“Competir em casa é bom e ruim ao mesmo
tempo. É bom porque temos o calor da torcida brasileira, que faz muita
diferença. Ao mesmo tempo, a pressão aumenta, porque queremos entregar
ainda mais. O Brasil vem crescendo no ranking mundial e não queremos
terminar o Mundial em sétimo lugar. Nosso objetivo é disputar o pódio.”
Tabela de jogos do Brasil na fase de grupos (sempre no horário de Brasília):
17/08
19h30 – Brasil x Países Baixos
18/08
19h30 – Brasil x Canadá
19/08
19h30 – Brasil x Austrália
20/08
11h – Brasil x Nova Zelândia
19h30 – Brasil x Estados Unidos
Patrocínio
A CAIXA e as Loterias CAIXA são as patrocinadoras oficiais do rúgbi em cadeira de rodas.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)
Fonte https://cpb.org.br/noticias/mundial-de-rugbi-em-cr-carioca-que-rejeitou-esporte-e-unica-mulher-na-selecao-brasileira/
Postado Pôr Antonio Brito