10/12/2025

Fundação Síndrome de Down lança campanha de doação de Imposto de Renda

Fundação Síndrome de Down lança campanha de doação de Imposto de Renda

Empresas e pessoas físicas podem contribuir com até 3% do imposto para projetos da FSDown; Saiba mais aqui

A Fundação Síndrome de Down anuncia o início de sua campanha anual de destinação do Imposto de Renda (IR), convidando empresas e pessoas físicas a contribuírem, sem custo adicional, para projetos que promovem o desenvolvimento e a qualidade de vida de pessoas com síndrome de Down.

Por meio da declaração de Imposto de Renda, é possível direcionar até 3% do valor devido diretamente para a instituição. O procedimento não implica nenhum gasto extra ao contribuinte: o montante destinado é abatido do imposto a pagar ou somado à restituição, garantindo que parte do tributo permaneça na comunidade e seja transformada em impacto social positivo.

A destinação pode ser feita no momento da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (modelo completo). Basta acessar a seção “Doações Diretamente na Declaração”, escolher o tipo de fundo “Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente”, selecionar a esfera “Municipal” e confirmar a doação dentro do limite calculado automaticamente pelo sistema. Ao concluir, o contribuinte deverá pagar o DARF gerado e enviar o comprovante, junto de uma carta indicando a destinação para a Fundação Síndrome de Down (CNPJ 52.366.838/0001-05), para o e-mail financeiro@fsdown.org.br.

A Fundação reforça que a iniciativa é uma oportunidade de fortalecer programas e ações que garantem autonomia, inclusão e acesso a serviços essenciais às pessoas com síndrome de Down, ampliando o alcance de projetos já consolidados e permitindo a implementação de novas frentes de atuação. A FSDown convida toda a sociedade a participar e a transformar parte do Imposto de Renda em desenvolvimento, inclusão e futuro.

40 anos da Fundação Síndrome de Down

Em 2025, a FSDown completa 40 anos de atuação na defesa de direitos e na promoção da inclusão. O congresso marca esse aniversário reafirmando a importância da participação ativa das pessoas com deficiência nos debates sobre suas próprias vidas — um passo fundamental para a construção de políticas públicas mais humanas e eficazes.

Mais informações sobre o processo de destinação e sobre os projetos apoiados podem ser obtidas pelos canais oficiais:

Telefone: (19) 3790-2818
WhatsApp: (19) 99266-4914
E-mail: financeiro@fsdown.org.br
https://www.fsdown.org.br/doe-ir/

Fonte https://diariopcd.com.br/fundacao-sindrome-de-down-lanca-campanha-de-doacao-de-imposto-de-renda/

Postado Pôr Antônio Brito 

Campanha Apple sobre PcD mostra tecnologia e acessibilidade

Apple lança campanha impactante no Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, mostrando o uso de recursos de acessibilidade por estudantes ao redor do mundo. O vídeo enfatiza a igualdade.

Campanha Apple sobre PcD mostra tecnologia e acessibilidade

A Apple lançou uma campanha impactante na semana passada, durante o dia 3 de dezembro, em homenagem ao Dia Internacional das Pessoas com Deficiência.

O comercial mostra estudantes ao redor do mundo utilizando recursos de acessibilidade da empresa.

A mensagem central é que as pessoas com deficiência não devem ser vistas como heroínas ou notáveis por simplesmente viverem suas vidas e superarem desafios, mas sim como pessoas que utilizam ferramentas de acessibilidade para ter igualdade de condições.

A ideia é mostrar que todos nós temos necessidades, mas cada um tem a sua.

Saiba mais no link:


Fonte https://revistareacao.com.br/noticias/noticia?id=fb943b17-ebc8-41c5-b85b-ffd6a61c97ec
 
Postado Pôr Antônio Brito

Conheça os vencedores por modalidade do Prêmio Paralímpicos 2025

Atletas recebem troféus do Prêmio Brasil Paralímpico 2025 | Foto: Alessandra Cabral/CPB

O Prêmio Brasil Paralímpico, apresentado por Loterias Caixa, maior premiação do paradesporto nacional e organizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) desde 2011, homenageou atletas de 25 modalidades na noite desta terça-feira, 9, em cerimônia realizada no Tokio Marine Hall, na capital paulista.

A solenidade foi transmitida ao vivo pelo SporTV3, com a apresentação dos jornalistas Vinicius Rodrigues e Joanna de Assis.

A eleição dos vencedores foi feita por uma comissão interna do CPB, a partir de uma lista enviada pelas confederações responsáveis por cada uma das modalidades representadas na premiação. Vale destacar que atletismo, halterofilismo, natação e tiro esportivo são modalidades gerenciadas pelo próprio CPB.

Carol Santiago e Gabriel Araújo são melhores do ano no Prêmio Brasil Paralímpico 2025

Com os troféus entregues nesta terça-feira, o gaúcho Jovane Guissone, da paraesgrima, se isolou na liderança como atleta paralímpico com mais troféus, tendo sido reconhecido como destaque de sua modalidade nas catorze edições do evento.

Já a nadadora pernambucana Carol Santiago chegou a dez troféus, após conquistar em 2025 os prêmios de atleta feminina do ano e de destaque da natação em 2025.

Ainda na noite desta quinta-feira foram anunciados vencedores de outras nove premiações: Aldo Miccolis, Prêmio Loterias Caixa, Prêmio Braskem, Memória Paralímpica, Melhor Técnico Individual, Melhor Técnico Coletivo, Atleta Revelação, Melhor Atleta Masculino, Melhor Atleta Feminino e Atleta da Galera.

O Prêmio Brasil Paralímpico ainda lembrou o aniversário de 30 anos do CPB, fundado no dia 9 de fevereiro de 1995 em Niterói, no Rio de Janeiro.

Conheça os atletas premiados por modalidades:

Atletismo
Jerusa Geber
@jerusaatletismo

Data de nascimento: 26/04/1982
Local de nascimento: Rio Branco – Acre

História: Jerusa nasceu totalmente cega. Ao longo da vida, fez algumas cirurgias que possibilitaram que ela enxergasse um pouco, mas aos 18 anos voltou a perder totalmente a visão. Conheceu o esporte paralímpico aos 19 anos a convite de um amigo também deficiente visual. Em 2019, Jerusa se tornou a primeira atleta cega a correr os 100m abaixo dos 12s. É a atual recordista mundial nos 100m pela classe T11 com o tempo de 11s80.

Principais conquistas: Ouro nos 100m e nos 200m no Mundial de Nova Déli 2025.


Badminton
Vitor Tavares
@vitorgtavares

Data de nascimento: 07/03/1999
Local de nascimento: Curitiba – Paraná

História: Vitor possui hipocondroplasia congênita, popularmente conhecida como nanismo. Em 2016, ele conheceu o badminton paralímpico no colégio, por meio de um professor que dava aulas para crianças e atletas de alto rendimento e o convidou para praticar a modalidade.

Principais conquistas: Ouro em simples masculina SH6 nos internacionais de badminton do Bahrain e Dubai, ouro em duplas masculinas SH6 na Espanha (Vitória e Toledo), e no Campeonato Pan-Americano da modalidade; ouro na I Etapa Nacional em simples masculina SH6; terceiro colocado do ranking mundial em simples masculina SH6 em 2025.

“Estar aqui no Prêmio é algo incrível. Ele mostra que tivemos um ano dourado. Claro que sempre se pode melhorar, mas é muito gratificante comemorar ao lado de pessoas tão importantes.”


Basquete em cadeira de rodas
Sérgio Veiga
@sergio.veiga14

Data de nascimento: 14/02/2004
Local de nascimento: Curitiba – Paraná

História: Sérgio tem mielomeningocele, má-formação na medula nervosa. Conheceu o esporte paralímpico em uma feira para pessoas com deficiência quando veio morar em São Paulo e chegou à Seleção principal em 2021.

Principais conquistas: Terceiro lugar com a Seleção Brasileira no qualificatório para o Mundial sub-23; sétimo lugar no Mundial sub-23 (melhor campanha brasileira em um Mundial); quarto lugar na Copa América com a Seleção adulta principal; quarto lugar no Parapan de Jovens do Chile, além de porta-bandeira do Brasil e capitão da equipe; bronze no Campeonato Brasileiro 2025 pela equipe ADD Magic Hands/SP e melhor atleta da classe 1.5 da competição.


Bocha
Maciel Santos
@macielsantosbc2

Data de nascimento: 05/09/1985
Local de nascimento: Crateus – Ceará

História: Maciel nasceu com paralisia cerebral e começou na modalidade aos 11 anos. Três anos depois, passou a representar o país em competições internacionais.

Principais conquistas: Medalha de ouro na Copa do Mundo de Pequim 2025; ouro na Copa do Mundo de Curitiba 2025; bronze na Copa América de Cali 2025; ouro no Campeonato Regional Sudeste 2025.

“Conquistei três títulos internacionais em 2025 e conquistei uma vaga para o Mundial da Coreia do Sul no ano que vem. Este é meu oitavo troféu de Prêmio Paralímpico. O primeiro veio como revelação, em 2012, logo após me tornar campeão paralímpico. É uma honra representar a bocha, uma modalidade muito vitoriosa, no ano em que o CPB completa 30 anos. Ano que vem completo também 30 anos de bocha. A história do CPB está entrelaçada com a minha.”


Canoagem
Fernando Rufino
@rufinopeao

Data de nascimento: 22/05/1985
Local de nascimento: Itaquiraí – Mato Grosso do Sul

História: Fernando sempre teve o sonho de conquistar o mundo montado em cima de um touro. No entanto, após ser atropelado por um ônibus e perder parcialmente o movimento das pernas, o sul-mato-grossense começou na canoagem.

Principais conquistas: Ouro no Mundial de Milão de canoagem no VL2, prata na etapa da Copa do Mundo em Poznan (POL) no VL2; ouro na Segunda Etapa da Copa Brasil de canoagem em Siqueira Campos (PR).

“Hoje estar aqui pegando mais este troféu é um momento de muito orgulho, consagrando a carreira de um atleta. Tivemos um ano mais tranquilo em 2025, mas ainda vivemos toda aquela emoção dos Jogos Paralímpicos de Paris e do feito que deixamos lá ao conquistar mais uma medalha de ouro. Já tenho uma série de troféus destes e já estou pensando nos Jogos de 2028 para só aí começar a pensar na minha aposentadoria.”


Ciclismo
Sabrina Custódia
@sabrina.custodia_

Data de nascimento: 11/08/1981
Local de nascimento: São Paulo – São Paulo

História: Com 18 anos, ao subir em cima de uma laje para virar a antena de televisão, levou um choque com um fio de alta tensão. Após três meses de internação, foi submetida à amputação das duas mãos, o pé direito e os dedos do pé esquerdo. Depois da reabilitação, ingressou no atletismo, no qual ficou por nove anos. Posteriormente, durante o período da pandemia, conheceu o ciclismo por meio do atleta Adriano Matunaga, que a incentivou com treinos, equipamentos e competições.

Principais conquistas: Campeã mundial de pista 2025 na prova de KM; medalha de prata nas provas de eliminação, de scratch e de sprint no Mundial de pista 2025; campeã brasileira de Estrada 2025; campeã brasileira de pista 2025; recordista mundial na prova de KM no Mundial de pista 2025; segunda colocada no ranking mundial.

“Vivi um ano maravilhoso. De muito treinamentos, foco. Mas, graças a Deus deu tudo certo, terminei como campeã e recordista mundial. Estou muito feliz de receber este prêmio pela primeira vez. É muito bom ser reconhecida, ser vista, dá um ânimo para os próximos anos.”


Escalada
Marina Dias
@marinaparaclimber

Data de nascimento: 20/01/1983
Local de nascimento: Santos – São Paulo

História: Diagnosticada com esclerose múltipla em 2009, teve sintomas de perda de força e coordenação. Começou a escalar já adulta em 2018, usando o esporte como ferramenta para melhorar a qualidade de vida. Consagrou-se tetracampeã de Copas do Mundo, sendo medalhista em nove edições, e bicampeã mundial, tornando-se referência na modalidade e no esporte paralímpico.

Principais conquistas: Ouro no Campeonato Mundial da Coreia do Sul de 2025; bronze na etapa da Copa do Mundo de Salt Lake City e bronze na Copa do Mundo de Innsbruck (AUT).

“Este ano participei de várias competições mundiais e ganhei medalhas em todas as etapas. Este é o primeiro ano em que a escalada está no Prêmio e fico muito emocionada de ter sido escolhida neste momento que é um marco para nós.”


Paraesgrima
Jovane Guissone
@jovaneguissone

Data de nascimento: 11/03/1983
Local de nascimento: Barros Cassal – Rio Grande do Sul

História: Jovane teve uma lesão na medula aos 22 anos causada por disparo de arma de fogo durante um assalto. Três anos depois do ocorrido, passou a treinar a esgrima e se identificou com a modalidade.

Principais conquistas: Prata na espada e bronze no florete e no sabre na etapa de São Paulo da Copa do Mundo; ouro no florete e na espada no Campeonato Brasileiro 2025; ouro na espada e florete na I Copa Brasil da modalidade; sétimo lugar no florete e nono colocado na espada no Mundial da Coreia do Sul.

“Meu objetivo neste ano era o Prêmio Brasil Paralímpico também. Fico muito feliz de chegar ao meu 14º título. É o último prêmio do ano e sempre quero encerrar a temporada com chave de ouro. Parabenizo todos os atletas que serão premiados, alguns pela primeira vez e outros que já tem prêmio também. Deixo também os parabéns ao CPB por seus 30 anos. Que venham os próximos 30.”


Esportes de Inverno
Cristian Ribera
@cristian.w

Data de nascimento: 13/11/2002
Local de nascimento: Cerejeiras – Rondônia

História: Cristian nasceu com artrogripose – doença congênita das articulações das extremidades – e, em busca de tratamento, mudou-se de Rondônia para São Paulo. Começou no esporte com 15 anos, quando foi o atleta mais jovem a participar dos Jogos Paralímpicos de Inverno PyeongChang 2018. Já passou por 21 cirurgias para a correção das pernas. Hoje, além do esqui cross-country, também faz natação, atletismo e anda de skate.

Principais conquistas: Ouro na prova de sprint e prata na prova de distância (5km) na etapa da Copa do Mundo da Itália 2025; bronze na prova distância no Mundial da Itália 2025; ouro nas provas de velocidade (800m) e distância na Copa Continental da Noruega; quatro medalhas de ouro no Circuito Brasileiro; campeão geral da temporada 2024/2025 da Copa do Mundo de esqui cross-country em Steinkjer, na Noruega, onde conquistou seis medalhas de ouro, uma de prata e duas de bronze; bronze nos 20km da etapa Mundial de Toblach, na Itália; primeiro colocado do ranking internacional.

“É muito importante e gratificante ser reconhecido pelos bons resultados. É consequência de bons treinos, boas competições e de uma jornada de dez anos de esqui e 19 de treinos. É uma corrida muito longa, mas que dá muita alegria e vai continuar assim.”


Futebol de Cegos
Raimundo Nonato
@nonatomendes08

Data de nascimento: 19/08/1987
Local de nascimento: Orocó – Pernambuco

História: Nonato nasceu praticamente sem enxergar devido a uma retinose. Sempre gostou de jogar bola com os amigos. O futebol de cegos entrou em sua vida aos 23 anos.

Principais conquistas: Campeão do Campeonato Brasileiro Série A de futebol de cegos 2025 pela equipe AGAFUC-RS, vice-campeão do Regional Sul-Sudeste.

“Este prêmio representa o reconhecimento do trabalho que temos a cada dia tentando nos superar. Ele é fruto de um trabalho coletivo, com pessoas que me apoiam. Fiquei muito feliz com este reconhecimento.”


Futebol PC (paralisados cerebrais)
Vinícius Araújo
@vinigol09

Data de nascimento: 30/06/2003
Local de nascimento: Anápolis – Goiás

História: Aos 16 anos, sofreu um AVC isquêmico que levou à perda dos movimentos do lado esquerdo. Começou a praticar a modalidade em 2022.

Principais conquistas: Terceiro colocado, artilheiro e eleito melhor jogador na Copa América 2025; vice-campeão brasileiro 2025; campeão da Paracopa SESC 2025, artilheiro do Campeonato Brasileiro 2025.

“Foi um ano em que fui artilheiro do Campeonato Brasileiro e da Copa América. Estar aqui é a realização de um sonho, sempre quis viver isso e vou levar este momento para sempre.”


Goalball
André Dantas
@dantas.7k
Data de nascimento: 19/05/1995
Local de nascimento: Brasília (DF)
História: Nasceu com toxoplasmose, o que afetou sua visão. Em 2009, conheceu o goalball para participar das Paralimpíadas Escolares. Gostou tanto que largou a natação, modalidade que praticava na época. A primeira convocação para a Seleção Brasileira veio no Mundial de Jovens de 2013.

Principais conquistas: Ouro no Campeonato das Américas 2025 e ouro no Campeonato Brasileiro de goalball 2025.”Estar aqui representa não só um ano de sucesso, mas toda minha história. Representa também o trabalho de profissionais que se empenham comigo e por mim. Por isso é um momento muito valioso.”


Halterofilismo
Tayana Medeiros
@tayanamedeiros

Data de nascimento: 14/03/1993
Local de nascimento: Rio de Janeiro – Rio de Janeiro

História: Nasceu com uma doença chamada artrogripose, que comprometeu o movimento de suas pernas. Conheceu o halterofilismo depois de um evento da modalidade antes dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 e se apaixonou pelo esporte.

Principais conquistas: Ouro por equipe feminina e prata na categoria até 86kg no Mundial de Cairo 2025.

“Foi um ano mágico. Conquistei minha primeira medalha mundial individual e ainda fui campeã por equipes feminina. Agora é melhorar o que errei para ser ainda melhor em 2026. Este prêmio representa muita coisa. Estou no lugar de milhares de atletas do halterofilismo. É um marco na minha história como atleta e também como mulher no esporte, no levantamento de peso.”


Hipismo
Rodolpho Riskalla
@rriskalla

Data de nascimento: 29/12/1984
Local de nascimento: São Paulo – São Paulo
História: Rodolpho era cavaleiro do hipismo convencional, com passagens pela equipe brasileira. Porém, adquiriu meningite bacteriana em 2015 e teve parte da mão e das pernas (abaixo do joelho) amputados. O atleta já havia acompanhado competições de paraequestre e resolveu ingressar na modalidade dois meses após sua recuperação. Atualmente Rodolpho reside na França.

Principais conquistas: Ouro no Internacional CPEDI3* em Fontainebleau (França) e em Ornago (Itália); prata no Internacional CPEDI3* de Doha (Catar) e em Heckfield (Grã-Bretanha); atual segundo lugar no ranking mundial do Grau V; ouro no Brasileiro de hipismo 2025.

“Este ano de 2025 foi muito legal de resultados, de preparo para o Mundial do ano que vem. É sempre uma honra receber o prêmio do Comitê como melhor do ano. Sempre um prazer participar deste momento. Gostaria de agradecer à Caixa, ao CPB e a Confederação Brasileira de Hipismo por todo o apoio que dão durante o ano.”

Judô
Brenda de Freitas
@brendafreitasjudo

Data de nascimento: 09/05/1995
Local de nascimento: Rio de Janeiro – Rio de Janeiro

História: Brenda perdeu a visão aos 18 anos, após ter sido diagnosticada com uma herpes emocional. Começou no judô em 2018, depois de ter praticado muay thai. Ingressou na Seleção Brasileira em 2022.

Principais conquistas: Ouro pela categoria até 70kg e bronze na equipe feminina no Mundial de Astana 2025; ouro na Copa do Mundo de Tbilisi (GEO); ouro no Grand Prix do Egito 2025 na categoria até 70kg; ouro no Grand Prix da CBDV na categoria até 70kg.

“Meu ano foi muito bom, graças a Deus e com apoio da minha equipe e de meus técnicos que fazem eu me dedicar cada vez mais. É muita responsabilidade receber esta premiação, o judô tem nomes muito grandes. Agora é alcançar cada vez mais daqui pra frente.”


Natação
Maria Carolina Santiago
@mariacarolinasantiago

Data de nascimento: 02/08/1985
Local de nascimento: Recife – Pernambuco

História: Carol nasceu com síndrome de Morning Glory, alteração congênita na retina que reduz seu campo de visão. Praticou natação convencional até o fim de 2018, quando migrou para o esporte paralímpico. Ela é a atual recordista mundial dos 50m livre, com 26s61, registrados em Berlim (ALE) em 2024.

Principais conquistas: Ouro nos 100m costas, 50m livre, 100m livre e no revezamento 4×100m medley 49 pontos, além de prata no revezamento 4x100m livre 49 pontos no Mundial de Singapura 2025.

“Foi um ano muito desafiador, mas conseguimos transformar todos os obstáculos em algo bom, com uma performance muito boa no campeonato mundial. Foi o ano mais difícil de minha carreira na natação paralímpica, mas venci. Também foi um ano especial pelos 30 anos do CPB, que mudou minha vida e de tantas pessoas com deficiência. Fico muito feliz por essa premiação, que é muito importante para mim, diz o quanto trabalhamos e o quanto pude desempenhar bem. É uma honra”


Remo
Gessyca Guerra e Michel Pessanha

Gessyca Guerra
@gessyca_guerra

Data de nascimento: 27/01/1993
Local de nascimento: Rio de Janeiro – Rio de Janeiro

História: Foi diagnosticada com paralisia cerebral e pratica a modalidade há quatro anos.

Principais conquistas: Quinto lugar no Mundial de Xangai 2025 e campeã da Copa do Mundo em Varese (Itália) 2025; campeã brasileira.


Michel Pessanha
@michelpessanha_remo

Data de nascimento: 29/03/1979
Local de nascimento: Barra Mansa – Rio de Janeiro

História: Na infância, Michel não tomou a vacina contra a poliomielite, o que lhe causou sequelas na perna e na nádega, ambas do lado direito. Com excesso de peso, o atleta começou a praticar a musculação e, consequentemente, o halterofilismo. Em 2013, o atleta fez teste na equipe de remo no Clube de Regatas do Flamengo. Foi aceito e se encontrou no esporte paralímpico.

Principais conquistas: Quinto lugar no Mundial de Xangai 2025 e campeão da Copa do Mundo em Varese (Itália) 2025; campeão brasileiro.

“Este ano foi muito desafiador e significativo e é muito importante participar deste prêmio neste momento. Completei quatro anos de remo e pude compor a Seleção, remar ao lado do Michel, ser campeã na Copa do Mundo e quinta colocada Mundial é algo muito importante. Agradeço a Deus, a minha família, ao meu treinador e ao Michel que fizeram isso tudo ser possível.”

“Este ano foi muito desafiador para a gente como dupla, mas agradeço a Deus porque venho desde 2013 remando no Flamengo sonhando com uma parceira que fosse do clube, somando comigo. Quando a Jéssica foi convidada, minha vida como atleta mudou. A expectativa de ter melhor resultad aumentou muito. Estamos evoluindo ainda. Chegamos na quinta colocação do Mundial, o que nos fez sonhar com algo ainda maior em 2026. Este Prêmio é uma energia a mais, que me dá como se fosse um combustível aditivado. Ano que vem vou me dedicar mais para estar aqui novamente representando este esporte que eu amo de coração.”

Rúgbi em cadeira de rodas
Lucas Junqueira
@lucasjunqueira.eu

Data de nascimento: 09/12/1987
Local de nascimento: São Paulo – São Paulo

História: Em 2009, Lucas foi mergulhar no mar e bateu a cabeça em um banco de areia. O acidente o deixou tetraplégico. Conheceu a modalidade em um centro de reabilitação e começou a praticar oito meses após a lesão. Foi convocado para a Seleção em 2013 e participou dos Jogos Paralímpicos do Rio 2016.

Principais conquistas: Campeão brasileiro de rúgbi em cadeira de rodas 2025; prata na Copa América 2025; bronze no Wheelchair Rugby World Challenge 2025; e bronze no Qufora Egmont Open 2025; melhor atleta da classe 0.5 da Copa América e do Campeonato Brasileiro.

“Vivi um ano muito significativo, de grandes conquistas para a Seleção Brasileira de rúgbi em cadeira de rodas. Eu jogo rúgbi há 16 anos. Estar aqui no Prêmio representa muita persistência. Algo que não fala só por mim. Fala sobre muitas pessoas que me acompanharam, me apoiaram e sobre o rúgbi em sí desde o início, o quanto ele e o paradesporto vem evoluindo. É muito significativo ainda poder representar os atletas das classes baixas da modalidade.”


Taekwondo
Ana Carolina Moura
@krolinamoura

Data de nascimento: 27/11/1995
Local de nascimento: Belo Horizonte – Minas Gerais

História: Tem má-formação congênita do antebraço direito. Iniciou no esporte buscando uma ferramenta de autodefesa, após ser assaltada e perder um colar que sua tia deu para todas as sobrinhas quando nasceram. Antes, experimentou futebol, dança e ginástica rítmica.

Principais conquistas: Ouro no Chuncheon World Para Taekwondo Open Challenge; ouro na President’s Cup na Ásia na categoria até 65kg; prata no Rio Open na categoria até 65kg; primeira colocada no ranking mundial durante todo o ano de 2025.

“Estive em competições bem distantes neste ano, conheci a Ásia e passei pelo primeiro camping internacional da modalidade. Foi tudo incrível, inclusive porque ali no camping recebi uma homenagem pelo meu comprometimento em equipe. Isso reforça muito meu trablaho, meu esforço e entendimento que é bom contribuir para o Movimento Paralímpico como um todo, incluindo ações que modifiquem a percepção sobre pessoas com deficiência. É muito bom receber esta premiação pelo segundo ano consecutivo. Reforça o que venho construindo de forma sólida, com uma equipe robusta que me acompanha. Se o atleta sobe para receber este reconhecimento, tem o apoio de muitas pessoas, incluindo profissionais, família e amigos.”


Tênis de Mesa
Sophia Kelmer
@sophia-kelmer

Data de nascimento: 13/12/2007
Local de nascimento: Rio de Janeiro – Rio de Janeiro

História: Em decorrência de um AVC intrauterino (na gestação), Sophia nasceu com paralisia cerebral e hemiplégica (não tem controle e nem força no lado direito do corpo). Conheceu o tênis de mesa no playground do seu prédio e, desde então, começou a praticar em uma escola.

“Este foi o maior ano da minha carreira, no qual me tornei a primeira do ranking mundial. É uma honra representar o país em diversas competições e estar aqui no Prêmio Brasil Paralímpico, o maior prêmio que um atleta pode receber, na minha idade , é uma coisa de outro mundo para mim.”Principais conquistas: Ouro na classe 8 no ITTF World Para Future Costa Brava (ESP); ouro nos ITTF Mundial Para Elite da Tailândia e de Spokane (EUA); prata nos World Para Elite de Lasko (SLO), de São Paulo (SP) e de Yvelines (FRA); bronze nos ITTF World Para Challengers na Polônia, na Eslovênia e em São Paulo (SP); ouro no individual da classe 8-10 e nas duplas mistas na classe 14-20 no Parapan de Jovens Santiago 2025; ouro na classe 8 no ITTF Para Pan-americano 2025; atual líder de ranking mundial da classe 8.


Tênis em cadeira de rodas
Vitória Miranda
@vitoriamirandaatleta

Data de nascimento: 20/08/2007
Local de nascimento: Belo Horizonte – Minas Gerais

História: Nasceu prematura e com artrogripose múltipla congênita, uma condição que causa deformidades nos membros inferiores. Iniciou no tênis em cadeira de rodas aos oito anos de idade, após um encontro casual na rua que a direcionou ao treinador Léo Butija. A atleta mineira chegou a se afastar temporariamente do esporte, mas retornou à modalidade em 2021, retomando sua trajetória que a levou ao topo do ranking mundial juvenil.

Principais conquistas: Campeã de simples e duplas no Australian Open Junior 2025; campeã de simples e nas duplas em Roland Garros Junior 2025; campeã de simples e duplas mistas nos Jogos Parapan-Americanos de Jovens 2025.

“Tive um ano muito bom, com muita evolução, com títulos muito importantes. Muito incrível, cheio de novidades e sonhos realizados. Terminei meu período de Junior para começar como adulto com o pé direito. Estou muito feliz por estar aqui e pelo reconhecimento pelo meu trabalho.”


Tiro com arco
Eugênio Franco
@eugenios_franco
Data de nascimento: 15/12/1959
Local de nascimento: Beberibe – Ceará

História: Desde 2009, apresentou sintomas e suspeita clínica de Espondilite Anquilosante que foi confirmada em 2013, com alterações osteoarticulares e comprometimento neuromuscular, sendo que a evolução da patologia foi acompanhada por outras afecções de caráter irreversível como hipertensão arterial, diabetes tipo II, artrose avançada nos membros inferiores e Doença de Parkinson desde 2016. Iniciou no tiro com arco em 2011 quando desenvolvia estágio de pós-doutorado em Portugal.

Principais conquistas: Bronze na Taça Europeia na disputa por equipes masculinas W1 no arco recurvo e composto; prata no individual na Copa América de Para tiro com arco; bronze no individual na Copa América de Para tiro com arco em Chicago (EUA); campeão brasileiro 2025; sétimo lugar no ranking mundial.

“Fiquei muito feliz. É um reconhecimento muito importante após um ano intenso de trabalho e com muitas realizações.”


Tiro esportivo
Alexandre Galgani
@alexandregalgani

Data de nascimento: 25/04/1983
Local de nascimento: Americana – São Paulo

História: Com 18 anos, Galgani mergulhou em uma piscina, bateu a cabeça no fundo e sofreu uma lesão na coluna, perdendo os movimentos do corpo. Alexandre sempre esteve em contato com o tiro brincando com carabinas de chumbinho. Em 2013, conheceu o treinador da Seleção Brasileira, James Neto, e foi à Curitiba (PR) para receber orientações sobre o esporte. O contato com o profissional deixou o atleta empolgado e desde então aumentou a sua rotina de treinos. Alexandre foi o único atleta brasileiro a representar o país na modalidade nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020.

Principais conquistas: Bronze na Copa do Mundo de Al Ain 2025 na prova de R5 carabina de ar – 10 m – posição deitado; ouro nas provas R4 carabina de ar 10m em pé, R9 carabina 50m deitado misto e R5 carabina de ar 10m deitado no Campeonato Brasileiro de tiro esportivo 2025

“Foi um ano complicado. Acabei me lesionando, quebrei a perna durante uma competição na Coreia do Sul. Mas, graças a Deus, consegui me recuperar e consegui uma medalha de bronze na última etapa da Copa do Mundo. Atingi o topo do ranking mundial. É a primeira vez que um brasileiro chega a este lugar. Fico muito feliz de estar aqui. Foi um ano muito difícil, mas muito glorioso, em que quebrei todas as barreiras e agora é só comemorar.”


Triatlo
Jéssica Ferreira
@jessicamessali

Data de nascimento: 29/10/1987
Local de nascimento: Jaboticabal – São Paulo

História: Jéssica ficou paraplégica após um acidente de carro em 2013. Logo após sua recuperação conheceu o ciclismo e obteve rápido destaque. Começou no triatlo em 2017. Em julho de 2021, Jéssica sofreu queimaduras nos pés e pernas, de 2º e 3º graus, na sauna, e precisou amputar parte do pé.

Principais conquistas: Ouro na Copa do Mundo de triatlo em Portugal 2025; ouro em 2025 World Triathlon Para Series Taranto; prata na Copa do Mundo de triatlo na Itália 2025; e bronze Mundial de triatlo na Austrália 2025; e bronze no 2025 World Triathlon Para Championships Wollongong.


Vôlei sentado
Suellen Lima
@suellendellangelica

Data de nascimento: 04/11/1989
Local de nascimento: São Paulo – São Paulo

História: Nasceu com uma má-formação na mão esquerda. Sua jornada esportiva começou no vôlei convencional quando tinha 12 anos. Depois, jogou pelo time de Diadema até que um dia recebeu uma ligação do técnico da Seleção Brasileira de vôlei sentado da época para conhecer a
modalidade no final de 2005. No ano seguinte, já se tornou campeã brasileira e participou do seu primeiro Mundial da modalidade.

Principais conquistas: Ouro e eleita melhor atleta no Zonal Pan-Americano de Denver 2025; ouro na 1ª Copa América de vôlei sentado de Curitiba 2025; e prata na Copa do Mundo de vôlei sentado Indiana (EUA) 2025; campeã brasileira de vôlei sentado 2025; campeã da Copa do Brasil da modalidade.

“Foi um ano muito bom, no qual ganhamos o panamericano pela primeira vez. Houve um desenvolvimento da equipe. Tropeçamos na final da Copa do Mundo, mas tudo faz parte de um processo, para vermos onde precisamos melhorar. Para mim é emocionante receber agora este reconhecimento por todo o trabalho e todo o esforço, os treinamentos, as viagens e momentos em que temos de abdicar da família. O prêmio mostra que tudo valeu a pena.”

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

Fonte https://cpb.org.br/noticias/conheca-os-vencedores-por-modalidade-do-premio-paralimpicos-2025/

Postado Pôr Antônio Brito 

Inclusão não é concessão: é fiscalização, responsabilidade e compromisso com a cidadania

 Inclusão não é concessão: é fiscalização, responsabilidade e compromisso com a cidadania OPINIÃO - Por Patrícia Siqueira

OPINIÃO

  • * Por Patrícia Siqueira

Todos os anos, quando chega o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, no dia 3 de dezembro, eu me lembro do motivo que me fez escolher trabalhar justamente na área que mais conecta direitos humanos, dignidade e justiça social: a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Para muitas pessoas, a Lei de Cotas é apenas um dispositivo legal. Para mim — e para nós, da DS-MG/SINAIT — ela é uma das políticas públicas mais transformadoras que existem no país. E é a fiscalização trabalhista que garante que essa transformação aconteça de verdade.

Ao longo da minha carreira, pude ver a diferença concreta que a ação fiscal faz. Só em 2024, a Inspeção do Trabalho incluiu 27.123 pessoas com deficiência e reabilitadas no mercado formal, além de 1.465 aprendizes PCD. No mesmo período, realizamos 6.893 fiscalizações, auditamos 22.627 rescisões e lavramos 3.864 autos de infração, dos quais 3.003 foram pelo descumprimento direto da cota legal. Esses números não são apenas estatísticas: são vidas que mudaram de direção, famílias inteiras que ganharam autonomia e trabalhadores que finalmente tiveram seu direito respeitado.

Muitas vezes me perguntam se a Lei de Cotas ainda é necessária. A resposta está nos próprios dados: 93% das pessoas com deficiência empregadas no mercado formal estão contratadas pela cota. Isso significa que, sem a política pública — e sem a fiscalização que assegura sua aplicação — a imensa maioria dessas pessoas estaria fora do mundo do trabalho. O Brasil, em junho de 2025, tinha 993.438 vagas que deveriam estar preenchidas por PCDs, mas apenas 58,5% estavam ocupadas. Em Minas Gerais, eram 85.437 vagas, com cumprimento de 60,6%. Ou seja: ainda temos um caminho enorme pela frente.

E quando observamos o potencial real de inclusão, percebemos o tamanho dessa urgência. Hoje, há 6,9 milhões de pessoas com deficiência moderada ou grave em idade laboral que não recebem o BPC. Isso quer dizer que, se todas as empresas cumprissem a lei, poderíamos preencher as cotas mais de sete vezes. Não nos falta gente qualificada; falta oportunidade — e falta compromisso de parte das empresas em respeitar o que está na legislação há mais de três décadas.

A história comprova o efeito de uma fiscalização atuante: entre 2009 e 2021, enquanto o mercado de trabalho geral cresceu 18,26%, o de pessoas com deficiência avançou 78,44%. E, de 2009 a 2024, mais de 537 mil PCDs e aprendizes PCD foram contratados graças à ação fiscal. Quando o Estado cumpre seu papel, a inclusão acontece.

Mas os desafios mudam. Ainda vemos empresas que tratam a Lei de Cotas como mera formalidade, sem garantir acessibilidade, adaptação de funções ou condições reais de permanência e crescimento. Incluir não é cumprir um número — é assegurar respeito, dignidade e desenvolvimento profissional.

Como representante da DS-MG/SINAIT, defendo que a fiscalização siga fortalecida, porque inclusão não é apenas emprego: é cidadania. Reafirmo o princípio que orienta meu trabalho: inclusão é direito, e direito só existe quando é garantido. Seguiremos firmes para que cada pessoa com deficiência tenha a oportunidade que a lei assegura — e que a sociedade já deveria ter entregue.


* Patrícia Siqueira é Auditora-Fiscal do Trabalho e representante da Delegacia Sindical em Minas Gerais do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (DS-MG/SINAIT)
 
Fonte https://diariopcd.com.br/inclusao-nao-e-concessao-e-fiscalizacao-responsabilidade-e-compromisso-com-a-cidadania/
 
Postado Pôr Antônio Brito 

09/12/2025

Quais são os direitos de acessibilidade das pessoas com deficiência em Bancos?

Quais são os direitos de acessibilidade dos bancos?

Instituições financeiras têm obrigações legais para garantir que pessoas com deficiência possam acessar, utilizar e se relacionar com os serviços bancários de forma autônoma e segura

Ir ao banco é uma tarefa simples para muitas pessoas. Mas, para quem vive com deficiência, a experiência pode ser muito diferente. Desde barreiras arquitetônicas até a falta de acessibilidade digital, os desafios vão muito além do atendimento em si. Para mudar essa realidade, os bancos são obrigados a seguir uma série de normas que garantem acessibilidade plena aos clientes com deficiência, direitos estes assegurados por lei.

O cumprimento dessas exigências não é apenas uma questão de respeito, mas sim uma obrigação legal prevista em normas como o Estatuto da Pessoa com Deficiência e a Resolução nº 4.649/2018 do Banco Central. Ainda assim, muitas instituições financeiras continuam descumprindo regras básicas, o que afeta diretamente a autonomia e o acesso a serviços como abertura de conta, consulta de FGTS, movimentações bancárias ou até mesmo um simples investimento online.

O que a legislação brasileira garante às pessoas com deficiência?

O principal marco legal que assegura os direitos das pessoas com deficiência no Brasil é a Lei Brasileira de Inclusão (LBI), sancionada em 2015. Segundo o artigo 55 da LBI, os bancos devem oferecer atendimento prioritário, acessível e adequado às pessoas com deficiência, inclusive com a disponibilização de equipamentos adaptados e pessoal treinado para esse atendimento.

Já a Resolução nº 4.649 do Banco Central detalha como essa acessibilidade deve ser garantida: caixas eletrônicos com altura adequada, sinalização em braille, sistemas de áudio para pessoas com deficiência visual e rampas de acesso em todas as agências são apenas algumas das exigências. A norma também estabelece que os canais digitais, como aplicativos e internet banking, devem ser compatíveis com leitores de tela e permitir navegação sem uso de mouse.

Segundo dados do IBGE de 2022, mais de 18 milhões de brasileiros vivem com algum tipo de deficiência. Diante dessa realidade, garantir o acesso aos serviços bancários significa também respeitar o direito dessas pessoas a uma vida financeira ativa e independente.

Atendimento prioritário: um direito previsto e obrigatório

Pessoas com deficiência têm direito ao atendimento prioritário nos bancos, de acordo com a LBI e com a Lei nº 10.048/2000. Isso vale tanto para o atendimento presencial nas agências quanto para o acesso telefônico e online. Os bancos devem sinalizar claramente os guichês de atendimento prioritário e assegurar que essa prioridade seja respeitada de fato e não apenas ilustrativa.

O atendimento também precisa ser adequado às necessidades específicas de cada pessoa. Isso inclui desde funcionários capacitados em Libras para clientes surdos, até tempo maior de atendimento para quem possui limitações de mobilidade ou compreensão. Vale lembrar que o direito à prioridade não é apenas de quem tem deficiência física, mas também sensorial, intelectual ou mental.

Quando essa prioridade não é respeitada, o cliente pode registrar reclamação diretamente no Banco Central ou procurar o Procon de sua cidade. A repetição de falhas por parte da instituição pode gerar penalidades e multas.

Rampas, elevadores, corrimãos, portas com largura adequada e pisos táteis são recursos obrigatórios para o funcionamento de qualquer agência bancária. Desde 2004, a ABNT estabelece, por meio da norma NBR 9050, os critérios técnicos de acessibilidade que devem ser seguidos em edificações públicas e privadas, incluindo instituições financeiras.

Além da estrutura física, os caixas eletrônicos também devem ser adaptados. Eles precisam estar posicionados em altura acessível para cadeirantes e conter recursos como teclado em braille, fone de ouvido com instruções em áudio e tela com contraste ajustável. O uso de tecnologia assistiva é obrigatório nesses equipamentos.

O descumprimento dessas normas pode configurar violação dos direitos da pessoa com deficiência e permitir inclusive a judicialização do caso, com base na própria LBI.

Plataformas digitais também devem ser acessíveis

Com o avanço dos canais digitais, boa parte dos serviços bancários foi migrada para aplicativos e internet banking. Isso, no entanto, não exime os bancos da obrigação de garantir que essas plataformas sejam acessíveis. A falta de compatibilidade com leitores de tela, por exemplo, pode impedir que um cliente cego consulte o saldo, faça uma transferência ou realize um investimento com segurança e autonomia.

A Resolução nº 4.649 determina que os sistemas eletrônicos de autoatendimento e canais digitais devem seguir os padrões de acessibilidade da W3C (World Wide Web Consortium), com adaptação de conteúdo e interface para diferentes tipos de deficiência. Mesmo assim, uma pesquisa feita em 2023 pela BigData Corp, em parceria com a Hand Talk, mostrou que menos de 1% dos sites bancários brasileiros são totalmente compatíveis com padrões internacionais de acessibilidade.

Isso indica que, embora muitos bancos afirmem oferecer acessibilidade digital, a execução prática ainda deixa a desejar. O consumidor tem direito de exigir melhorias por meio dos canais de ouvidoria, Banco Central e até mesmo recorrer ao Judiciário, caso seja necessário.

Acesso à informação financeira também é direito

Além da estrutura e do atendimento, a informação clara sobre produtos financeiros precisa estar disponível em formatos acessíveis. Isso inclui contratos, tarifas, comunicados e até materiais informativos sobre FGTS, empréstimos ou aplicações. Os documentos devem ser legíveis, com opção de versão digital compatível com leitores de tela ou, quando solicitado, impressos em braille ou com letra ampliada.

O direito à informação acessível permite que a pessoa com deficiência tome decisões mais seguras sobre sua vida financeira, incluindo o planejamento de um investimento ou o uso de linhas de crédito. Sem isso, há risco de exclusão e até de prejuízo financeiro.

Para que o acesso seja real

Ter conta em banco, sacar dinheiro, investir, consultar o FGTS ou utilizar o aplicativo para pagar uma conta não deveria exigir esforço extra de ninguém. Ainda assim, para milhões de brasileiros com deficiência, essas ações básicas enfrentam barreiras invisíveis.

O acesso está previsto em leis, mas o cumprimento dessas normas ainda depende de pressão constante. Para que o sistema bancário seja realmente acessível, é necessário mais do que adaptações pontuais: é preciso compromisso com a inclusão em todas as etapas, da arquitetura ao aplicativo, da informação à operação.

Fonte https://diariopcd.com.br/quais-sao-os-direitos-de-acessibilidade-dos-bancos/

Postado Pôr Antônio Brito 

Linhas 4-Amarela e 5-Lilás em SP levam mais de 58 mil PcD em 2025

Mais de 58 mil pessoas com deficiência utilizaram as linhas 4-Amarela e 5-Lilás em São Paulo. As linhas estão adaptadas com elevadores, rampas e até salas sensoriais.

Linhas 4-Amarela e 5-Lilás em SP levam mais de 58 mil PcD em 2025

Os números são interessantes. Entre janeiro e outubro deste ano, mais de 58 mil pessoas com deficiência utilizaram as linhas 4-Amarela e 5-Lilás, que vêm passando por um conjunto de melhorias estruturais, de comunicação e de atendimento para ampliar a autonomia dos usuários PcD ao longo dos 33 km de extensão das duas linhas.

As estações da Linha 4-Amarela são adaptadas com elevadores, plataformas táteis e rampas. A ViaQuatro também conta com uma sala sensorial, presente na estação Pinheiros, que liga a linha 4-Amarela com a Linha 9-Esmeralda. Além de integrar diversas linhas de metrô e trens de São Paulo, a Linha 4-Amarela também busca oferecer experiências culturais aos clientes.

Já a Linha 5-Lilás registrou 34 mil pessoas com deficiência transportadas neste ano. Com acesso direto a importantes equipamentos de saúde e hospitais, como o Instituto Jô Clemente (IJC) ela sofreu modificações na infraestrutura de suas estações, incluindo elevadores e personalizadas rampas de acesso para facilitar a movimentação de quem se locomove por meio de cadeira de rodas.

Em parceria com o IJC, um projeto piloto de sinalização utilizando a Linguagem Simples foi implementado estação Hospital São Paulo. O foco dessa iniciativa é usar uma linguagem objetiva e intuitiva para beneficiar passageiros com Transtorno do Espectro Autista (TEA), limitações cognitivas, baixo letramento ou dificuldades de leitura a transitarem pelo espaço e chegarem ao seu destino com autonomia.

A concessionária também criou uma sala sensorial com o intuito de ser um ambiente tranquilo e recluso para a regulação de pessoas em crise, seja por autismo ou até ansiedade. A sala, localizada na estação Santa Cruz, fica longe dos excessos de luz, sons e movimento, típicos de qualquer estação metroviária, e foi planejada para estimular a calma e o equilíbrio.

Fonte https://revistareacao.com.br/noticias/noticia?id=a5d887b9-3e62-4bd3-a774-2a142414c7c0

Postado Pôr Antônio Brito 

Neurocirurgião da Unicamp defende reconhecimento de pacientes com fibromialgia como pessoas com deficiência

Neurocirurgião da Unicamp defende reconhecimento de pacientes com fibromialgia como pessoas com deficiência

Legislação amplia debate sobre inclusão, acessibilidade e a necessidade de validar a condição que afeta milhões de brasileiros

O mês de dezembro, período marcado por agendas voltadas à inclusão e à acessibilidade, o reconhecimento da fibromialgia como condição de deficiência (PCD) no Brasil passa a integrar esse debate.

Desde julho, a Lei nº 15.176/2025 estabelece oficialmente a fibromialgia como condição de deficiência (PCD) no Brasil. A mudança amplia a visibilidade de milhões de pessoas que convivem com a doença que causa dor crônica, enfrentam barreiras diárias para serem reconhecidas pelo sistema de saúde e pela sociedade.

Estima-se que cerca de 3% da população brasileira (o equivalente a 6 milhões de pessoas) tenha fibromialgia, com maior prevalência entre as mulheres, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). A legislação garante proteção legal para que pacientes com fibromialgia possam acessar benefícios já previstos para outras deficiências, como cotas, isenção fiscal e aposentadoria, representando um avanço institucional.

O reconhecimento legal ajuda a romper o estigma que há anos desacredita a dor de quem vive com fibromialgia. Para muitos pacientes, é o primeiro gesto concreto de legitimação que recebem após uma longa trajetória de desconfiança e negligência”, afirma o Dr. Marcelo Valadares, neurocirurgião funcional e pesquisador da Disciplina de Neurocirurgia da Unicamp.

A nova lei, entretanto, não altera automaticamente as regras. Para que sejam reconhecidos como PCD e possam acessar direitos previdenciários e sociais, os pacientes precisam comprovar a condição clínica, apresentar laudo médico e se submeter a avaliação biopsicossocial – biológica, psicológica e social – realizada por equipe multiprofissional. Além disso, é necessário ter contribuído para a Previdência Social.

A lei estabelece que a fibromialgia deve interferir de forma significativa na realização de atividades cotidianas, como trabalho, locomoção ou autocuidado.  “O diagnóstico não pode ser confundido com incapacidade. Cabe a nós, médicos e profissionais de saúde, avaliar com responsabilidade cada caso e contribuir com informações técnicas claras”, esclarece o especialista no tratamento da dor.

Com a sanção, o Brasil se posiciona ao lado de países como o Reino Unido, que enquadra a síndrome como deficiência sob a Equality Act 2010 – Lei da Igualdade de 2010, do Reino Unido, protege contra discriminação, assédio e vitimização – desde que os sintomas causem impacto funcional por 12 meses ou mais, o que permite o acesso a benefícios como o PIP (Personal Independence Payment ou, em português, Pagamento de Independência Pessoal). Em Israel, o reconhecimento da síndrome como deficiência parcial já está em vigor, com subsídios proporcionais ao grau de limitação, mediante perícia médica.


O desafio de validar a dor

O reconhecimento da fibromialgia como deficiência lança luz sobre a necessidade de acolhimento diante de uma doença que provoca sofrimento e que pode ser subestimada.  O tempo entre o início dos sintomas e o diagnóstico formal de fibromialgia pode ser longo, o que retarda o início do tratamento e dificulta o acesso a estratégias de cuidado eficazes. “Há uma negligência estrutural com a dor. Na fibromialgia, o sistema nervoso amplifica estímulos, e a dor ganha uma proporção avassaladora”, explica o neurocirurgião.

Esse intervalo não só posterga o início do tratamento adequado, como também acentua o sofrimento emocional e pode levar ao afastamento das atividades profissionais e interferir na vida social. 

A fibromialgia é classificada como uma síndrome neurossensorial complexa, relacionada a um distúrbio no processamento da dor pelo sistema nervoso central. Seus sintomas incluem dor musculoesquelética difusa, fadiga crônica, sono não reparador, alterações cognitivas e sintomas neurovegetativos. 

“O tratamento da dor na fibromialgia não pode ser subestimado e deve ser conduzido por uma equipe multidisciplinar, sempre adaptado ao perfil clínico de cada paciente. É fundamental combinar conscientização e orientações sobre a doença, uso criterioso de medicamentos moduladores da dor, fisioterapia regular, atividade física de baixo impacto e suporte psicológico. Só assim é possível preservar ou recuperar a funcionalidade e a qualidade de vida, mesmo quando a dor persiste cronicamente”, ressalta o neurocirurgião.

Fonte https://diariopcd.com.br/neurocirurgiao-da-unicamp-defende-reconhecimento-de-pacientes-com-fibromialgia-como-pessoas-com-deficiencia/

Postado Pôr Antônio Brito 

Prêmio Brasil Paralímpico acontece nesta terça-feira, 9; confira todas as categorias

Prêmio Paralímpicos 2023 apresentado por Loterias Caixa, realizado no Tokio Marine Hall em São Paulo | Foto: Marcello Zambrana/CPB

O Prêmio Brasil Paralímpico chega à sua 14ª edição, em que homenageia os melhores atletas da temporada de 2025. O evento, apresentado por Loterias Caixa, ocorrerá na terça-feira, 9, no Tokio Marine Hall, em São Paulo, com 34 troféus entregues.

Durante a cerimônia, que será transmitida ao vivo pelo SporTV 3, a partir das 20h, serão anunciados os atletas vencedores nas 25 modalidades que compõem o cronograma paralímpico. Os ganhadores foram eleitos por uma comissão interna do CPB, a partir de uma lista enviada pelas confederações. Os troféus entregues serão para atletas das modalidades: atletismo, badminton, bocha, canoagem, ciclismo, escalada, esgrima em cadeira de rodas, esportes de inverno, futebol de cegos, futebol PC (paralisados cerebrais), goalball, halterofilismo, hipismo, judô, natação, remo, rúgbi em cadeira de rodas, taekwondo, tênis de mesa, tênis em cadeira de rodas, tiro com arco, tiro esportivo, triatlo, vôlei sentado e basquete em cadeira de rodas. A escalada paralímpica integra a lista de premiados pela primeira vez.

Além deles, haverá outras 10 premiações na noite. Confira cada uma delas:

Aldo Miccolis
O Prêmio leva o nome de um dos pioneiros do esporte adaptado no Brasil, Aldo Miccolis. Essa categoria é destinada a pessoas ou instituições que, assim como Aldo, contribuíram para o desenvolvimento do esporte paralímpico.

Prêmio Loterias Caixa
A premiação homenageará um clube ou confederação que se destacou na temporada 2025.

Prêmio Braskem
Homenageia a pessoa que motiva a transformação positiva, dentro e fora das competições.

Memória Paralímpica
Homenageia personalidades que marcaram a história do Movimento Paralímpico.

Melhor Técnico Individual
Destaque entre as modalidades individuais.

Melhor Técnico Coletivo
Destaque entre as modalidades coletivas.

Atleta Revelação
Premiação que homenageia e incentiva atletas que estão no início da carreira e se destacaram no ano.

Melhor Atleta Masculino
Destaque masculino nas competições paralímpicas realizadas em 2025.

Melhor Atleta Feminina
Destaque feminino nas competições paralímpicas realizadas em 2025.

Atleta da Galera
Eleito por votação popular. Cinco atletas foram indicados para concorrer nesta categoria, após uma eleição feita entre os colaboradores e o Conselho de Atletas do CPB, jornalistas e patrocinadores (Loterias Caixa e Braskem). Neste ano, as concorrentes são: Alessandra Oliveira (natação), Ana Paula Marques (halterofilismo), Edwarda Dias (badminton), Verônica Hipólito (atletismo), Sabrina Custódia (ciclismo) e Wanna Brito (atletismo).

Imprensa
O profissional de imprensa interessado em realizar a cobertura deve enviar um e-mail para imp@cpb.org.br, com os seguintes dados: nome completo, RG ou CPF e o veículo para qual realizará o trabalho.

Serviço
14ª edição do Prêmio Brasil Paralímpico

Dia: 9 de dezembro

Horário: a partir das 20h

Local: Tokio Marine Hall
Endereço: Rua Bragança Paulista, 1281 – Várzea de Baixo, São Paulo – SP, 04727-002


Patrocínio
O Prêmio Brasil Paralímpico é patrocinado pelas Loterias Caixa.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

Fonte https://cpb.org.br/noticias/premio-brasil-paralimpico-acontece-nesta-terca-feira-9-confira-todas-as-categorias/

Postado Pôr Antônio Brito 

São José dos Campos/SP recebe Selo Amigo da Pessoa com TEA

São José dos Campos/SP recebe o Selo Amigo da Pessoa com TEA por suas iniciativas de apoio e inclusão. A cidade possui uma rede estruturada e oferece a Carteira de Identificação da Pessoa com TEA.

São José dos Campos/SP recebe Selo Amigo da Pessoa com TEA

As iniciativas da Prefeitura de São José dos Campos/SP no Vale do Paraíba, voltadas ao atendimento, apoio e inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) receberam mais um reconhecimento estadual. Semana passada o município foi contemplado com o Selo Amigo da Pessoa com TEA, concedido pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo.

A cerimônia aconteceu no Centro TEA Paulista, na capital paulista, referência em atendimento especializado a autistas. Representantes da administração municipal estiveram presentes para receber a distinção, que destaca a atuação de cidades, instituições e entidades comprometidas com políticas públicas voltadas ao público autista.

São José conquistou o selo graças à campanha “Lugar de Autista é em Todo Lugar”, criada em 2022 e promovida pela Secretaria de Apoio Social ao Cidadão. A iniciativa reforça ações de conscientização, respeito e visibilidade ao TEA e integra uma ampla política que vem sendo ampliada desde 2017 em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

As atividades incluem eventos, mobilizações comunitárias, capacitações profissionais e ações contínuas de inclusão social. No último dia 3 de dezembro, o município também celebrou o Dia Internacional da Pessoa com Deficiência com um evento especial.

Ao todo, 112 ações foram reconhecidas pelo comitê gestor do PEIPTEA (Plano Estadual Integrado para Pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo). O projeto da cidade se destacou pela consistência das ações e pelo alcance comunitário. O município possui uma das redes mais estruturadas do Estado na atenção às pessoas com deficiência. Desde 2019, a RIA (Rede de Inclusão ao Autista) mapeia, monitora e acompanha cidadãos com TEA, garantindo acesso coordenado a serviços de saúde, educação, assistência social, cultura, esporte e mobilidade urbana.

O sistema integrado permite acompanhar o histórico dos atendimentos, orientar políticas públicas e oferecer apoio às famílias por meio de seminários, rodas de conversa e acompanhamento técnico. A Prefeitura também promove capacitações regulares para profissionais que atuam diretamente com esse público, como professores, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, dentistas e médicos.

Outro marco foi a CIPTEA – Carteira de Identificação da Pessoa com TEA, distribuída desde 2021. O documento facilita o atendimento prioritário, amplia o acesso a serviços e garante mais segurança na identificação, com mais de 2.455 carteirinhas já emitidas. A emissão pode ser feita pelo aplicativo PrefBook, no site oficial da Prefeitura ou por meio da versão impressa entregue diretamente às famílias.

Fonte https://revistareacao.com.br/noticias/noticia?id=da0bb4cf-d6ad-43b4-932d-4a5d17de07a6

Postado Pôr Antônio Brito 

08/12/2025

A implementação da Política Nacional de Educação Especial Inclusiva e seu impacto nas escolas

A implementação da Política Nacional de Educação Especial Inclusiva e seu impacto nas escolas - OPINIÃO - * Por Rafael Anselmo

OPINIÃO

  • * Por Rafael Anselmo

Em 21 de outubro, o governo federal publicou o decreto nº 12.686/2025, que institui a nova Política Nacional de Educação Especial Inclusiva (PNEE Inclusiva) e criou a respectiva Rede Nacional de Educação Especial Inclusiva. A iniciativa visa o reforço da inclusão escolar de alunos com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA) e altas habilidades, garantindo o direito à educação “sem discriminação e com base na igualdade de oportunidades.” Desde então, setores da educação especial, famílias, especialistas e entidades divergem e debatem sobre os impactos jurídicos, pedagógicos e políticos da medida. 

Mas  há um consenso de que o sucesso – ou fracasso – do decreto será determinado na prática, dentro das escolas. Três aspectos técnicos da nova política se destacam pela influência direta no cotidiano escolar: a exigência de formação mínima dos profissionais, a eliminação do laudo médico como critério de atendimento e a articulação do atendimento educacional especializado (AEE) com a sala de aula comum. Cada um representa avanços importantes, mas também traz desafios operacionais significativos.

1. Formação mínima de profissionais

O decreto estabeleceu que professores do AEE devem ter formação docente inicial e, preferencialmente, especialização em educação especial inclusiva, com carga mínima adicional de 80 horas. Da mesma forma, definiu que o profissional de apoio escolar – aquele auxiliar que assiste o aluno em atividades de locomoção, cuidados pessoais e comunicação – deve ter escolaridade de nível médio e treinamento específico de pelo menos 80 horas. Essa padronização é vista como um ganho de qualidade: em muitos lugares, monitores e auxiliares eram contratados sem nenhuma qualificação específica; agora há um piso formativo nacional. Com profissionais mais capacitados, espera-se melhor atendimento às necessidades especiais e maior apoio aos professores regentes em sala. 

No entanto, há desafios imediatos. Será preciso treinar ou contratar milhares de professores e apoiadores para atender à demanda crescente de alunos incluídos. Municípios relatam dificuldade em encontrar docentes especializados, sobretudo no interior. O Ministério da Educação (MEC) afirmou que dará apoio técnico e financeiro para formação continuada de professores, em colaboração com estados e municípios. Ainda assim, o curto prazo é preocupante – especialistas apontam que as 80 horas previstas podem ser insuficientes diante da complexidade de alguns casos. Assim, defende-se que essa carga horária seja considerada  como o mínimo inicial, seguido de formação continuada aprofundada. 

Além disso, professores da classe comum também precisam de formação em educação inclusiva, já que eles são os responsáveis diretos pelo ensino nas turmas diversas – e o decreto indica a transversalidade da educação especial, ou seja, todos os docentes devem estar preparados para a diversidade em sala. A implementação, portanto, exigirá um grande esforço de capacitação em larga escala, sob pena de a política falhar por falta de pessoal qualificado. Em contrapartida, se bem executado, esse investimento em formação pode elevar o patamar da educação inclusiva no Brasil, profissionalizando a área e valorizando competências especializadas dentro da escola comum.

2. Eliminação do laudo médico como requisito

Como o decreto proíbe que escolas condicionem a oferta do AEE ou do profissional de apoio à apresentação de laudo médico ou diagnóstico do aluno, ganha-se agilidade e abrangência. A partir de agora, basta a avaliação pedagógica indicar que o estudante tem alguma necessidade educacional especial para  ele ter direito a atendimento especializado. Isso elimina atrasos burocráticos – antes, famílias levavam meses ou anos em filas de SUS para obter um laudo de TEA ou deficiência intelectual, por exemplo, período em que a criança frequentemente ficava sem apoio na escola. A partir de agora, a escola deve prover os recursos educacionais necessários independentemente de laudo, “sem exigir relatório de profissional de saúde”. Tecnicamente, isso fortalece o protagonismo da avaliação educacional (professores e equipe multiprofissional da educação) na identificação das necessidades dos alunos.

Entretanto, também surge um desafio: como garantir equidade na identificação de quem recebe AEE ou apoio sem um diagnóstico formal? É preciso evitar tanto exclusões indevidas (alunos que precisam de ajuda mas não recebem por falta de percepção da escola) quanto ofertas indiscriminadas (alunos sem necessidade real ocupando vagas de atendimento). A solução apontada está na elaboração criteriosa do  Plano de Atendimento Educacional Especializado (PAEE) e no uso de avaliações educacionais especializadas. A Rede Nacional de Educação Especial Inclusiva deve auxiliar nisso, compartilhando protocolos de avaliação e boas práticas. Além disso, a articulação intersetorial incentivada – educação em diálogo com saúde e assistência social – poderá ajudar as escolas a obter orientações técnicas sobre casos mais complexos, mesmo sem um laudo formal. 

Tecnicamente, a retirada do laudo pode ser uma faca de dois gumes: por um lado, elimina uma barreira de acesso e amplia o público atendido – incluindo, por exemplo, estudantes com transtornos de aprendizagem, como dislexia ou TDAH, que muitas vezes não tinham laudo e ficavam sem apoio; por outro, exige melhor preparo das equipes escolares para avaliar necessidades educacionais especiais com precisão. Com formação e ferramentas adequadas, essa mudança pode tornar o sistema mais inclusivo e proativo, mas sem elas pode gerar confusão inicial até que se estabeleçam novos protocolos.

3. Articulação do AEE com a sala comum e currículo

Por fim, a efetividade da inclusão depende de como o ensino regular e o atendimento especializado se conectam. O decreto trouxe instruções claras de que o AEE deve estar integrado ao projeto pedagógico das escolas e alinhado ao trabalho do professor da turma. Na prática, isso requer tempo e planejamento conjunto: professores de AEE precisam conversar periodicamente com os professores do aluno na sala comum, para trocar informações, planejar adaptações e acompanhar o progresso em cada componente curricular. Exige também registro sistemático – daí a importância do PAEE como documento vivo, onde constam as estratégias, recursos de acessibilidade e metas traçadas para o aluno. Implementar essa articulação enfrentará desafios como: garantir horários de coordenação entre profissionais, superar eventuais resistências de professores regentes que não foram formados nessa cultura colaborativa, e prover materiais e tecnologias assistivas para que as adaptações planejadas sejam viáveis. 

O decreto cita explicitamente a garantia de acessibilidade e desenvolvimento de tecnologias assistivas como princípio da política, o que sugere investimentos nessa seara. Um ponto polêmico é a determinação de que o AEE ocorra preferencialmente no contraturno. Isso significa que o aluno terá sua aula regular, e em outro turno (antes ou depois) irá para a sala de recursos ou centro especializado receber o atendimento extra. Essa separação de turnos é pensada para não retirar o aluno da aula comum, garantindo participação integral no horário regular com seus colegas. Contudo, algumas escolas e famílias atentam para possíveis dificuldades: em áreas rurais, por exemplo, o transporte escolar raramente contempla duas viagens no dia; famílias pobres podem não conseguir levar a criança duas vezes à escola; alunos podem se cansar com a jornada dupla. Alternativas como ofertar o AEE em alguns períodos dentro do horário escolar podem ser consideradas em certos contextos, desde que não conflitem com as disciplinas essenciais – essa é uma questão a ser resolvida localmente, mantendo o espírito de não segregar o aluno da convivência cotidiana com a turma.

Tecnicamente, a articulação do AEE também envolve trabalho em rede. O decreto criou uma estrutura de governança nacional para a educação inclusiva, reunindo União, estados, Distrito Federal e municípios. Essa rede nacional deverá, entre outras funções, “fortalecer os serviços de apoio técnico e produção de materiais acessíveis; aperfeiçoar indicadores e o monitoramento da educação inclusiva; e produzir e difundir conhecimento sobre práticas educacionais inclusivas”. Ou seja, espera-se que boas práticas pedagógicas inclusivas sejam identificadas e replicadas, o que já acontece com sucesso em algumas partes do país. Do ponto de vista escolar, essa articulação pode transformar a cultura da escola, promovendo colaboração e inovação pedagógica. Porém, se for mal conduzida, corre-se o risco de o AEE ficar isolado (como um “recurso” que poucos utilizam) ou, no extremo oposto, de sobrecarregar alunos e professores com atividades desconectadas. O acompanhamento sistemático prometido pelo MEC – inclusive monitorando a frequência escolar de alunos que recebem Benefício de Prestação Continuada (BPC), em parceria com Saúde e Assistência Social – será fundamental para identificar falhas de implementação precocemente e corrigi-las.

Rafael Anselmo é CEO e fundador da Vínculo, plataforma educacional baseada em inteligência artificial voltada ao acompanhamento de alunos com deficiência, TEA, transtornos de aprendizagem e outras necessidades educacionais especiais. É formado em mecatrônica pela FMU com especialização em administração de empresas pela PUC.

Fonte https://diariopcd.com.br/a-implementacao-da-politica-nacional-de-educacao-especial-inclusiva-e-seu-impacto-nas-escolas/

Postado Pôr Antônio Brito