| Descrição para cego: Criança lendo um livro em Braille |
16/04/2020
Fundação Dorina disponibiliza, gratuitamente, livros infantis acessíveis para entretenimento de crianças com deficiência visual
arrecada comida e itens de higiene para famílias de pessoas com deficiência
Luiz Alexandre Souza Ventura
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Descrição da imagem #pracegover: Quatro adultos – sendo dois homens e duas mulheres – e duas meninas, uma delas com síndrome de Down, estão na frente de uma casa simples, junto à uma escada de alvenaria sem acabamento. O grupo está reunido em volta de três caixas de papelão com cestas básicas. Crédito: Divulgação.
A população com deficiência que vive em situação de extrema vulnerabilidade, em condições de miserabilidade, está ainda mais excluída por causa das medidas de isolamento social impostas pela pandemia do coronavírus. Em muitos casos, todos que moram na mesma residência estão desempregados e a subsistência é mantida por programas sociais como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
São pessoas com deficiência que dependem totalmente do apoio de instituições para comer, tomar remédios e manter tratamentos mínimos de saúde. E essas instituições estão impedidas de atuar por causa das restrições à mobilidade e às aglomerações.
Para apoiar essas famílias durante as ações de combate à covid-19, a Ação Social para Igualdade das Diferenças (ASID Brasil), que dá suporte a uma rede com 172 instituições para pessoas com deficiência, trabalha desde o mês passado em uma campanha de doações.
O valor médio por mês para cada residência é de R$ 200, usados para levar às famílias vulneráveis cestas básicas com itens de alimentação e higiene. Até agora, segundo a ASID Brasil, 742 kits já foram distribuídos. As doações são feitas por meio da página da associação (clique aqui). A meta é arrecadar R$ 362 mil.
De acordo com a prestação de contas da campanha (clique aqui), 1.321 pessoas físicas e jurídicas já contribuíram com mais de R$ 190 mil, o que permitiu ajudar 371 famílias. O mapeamento feito pelo grupo, no entanto, já identificou 906 famílias de pessoas com deficiência que precisam de apoio.
Esse levantamento, feito entre 23 de março e 3 de abril, encontrou grupos em Alagoas (137), Mato Grosso (72), Paraná (169), Rio de Janeiro (54) e São Paulo (432), além 42 famílias no Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Santa Catarina.
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A Organização das Nações Unidas fez um alerta mundial sobre o abandono das pessoas com deficiência durante a pandemia.
No texto publicado em vários idiomas, a relatora especial da ONU sobre os direitos das pessoas com deficiência, Catalina Devandas, afirmou que “pouco foi feito para fornecer as orientações e apoios necessários às pessoas com deficiência para protegê-las durante a atual pandemia do COVID-19, apesar de muitas delas pertencerem ao grupo de alto risco".
Fonte https://brasil.estadao.com.br/blogs/vencer-limites/coronavirus-campanha-arrecada-comida-e-itens-de-higiene-para-familias-de-pessoas-com-deficiencia/
Postado por Antônio Brito
Projeto concede extra para agentes de saúde durante pandemia de Covid-19
O Projeto de Lei 1573/20 institui uma gratificação extraordinária de combate à Covid-19 aos agentes comunitários de saúde e aos agentes de combate às endemias, enquanto durar no Brasil o estado de calamidade pública em razão da pandemia.
Pelo texto, os critérios de concessão e os limites da gratificação serão definidos pelo Poder Executivo. O governo federal poderá também encaminhar ao Congresso Nacional pedido de crédito extraordinário para fazer frente às despesas.
O projeto tramita na Câmara e foi apresentado pelos deputados Mauro Nazif (PSB-RO), Ted Conti (PSB-ES), Luciano Ducci (PSB-PR), Lídice da Mata (PSB-BA) e Rosana Valle (PSB-SP). Eles argumentam que os agentes de saúde espalhados pelo País é que fazem o primeiro contato com a população, principalmente a mais carente, que necessita de orientação e apoio para evitar o contágio pelo novo coronavírus.
“Nada mais justo que o Estado melhorar a condição material desses profissionais, mesmo sendo algo temporário, para possibilitar o empenho máximo de cada servidor, que terá a missão de cuidar da vida de milhares de cidadãos, em especial dos que estão no grupo de risco”, afirmam na justificativa do projeto.
inda segundo a proposta, o extra não se incorporará ao salário do agente e não poderá ser utilizado como base de cálculo para qualquer outra vantagem, nem para aposentadoria ou pensão.
Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei
Reportagem – Noéli Nobre
Edição - Ana Chalub
Fonte https://www.camara.leg.br/noticias/653945-projeto-concede-extra-para-agentes-de-saude-durante-pandemia-de-covid-19
Postado por Antônio Brito
Instituto Butantan pretende desenvolver anticorpos contra covid-19
Pesquisadores do Instituto Butantan trabalham na identificação de anticorpos que poderão ser utilizados em composto para combater o novo coronavírus. Os chamados anticorpos monoclonais neutralizantes serão produzidos por células de defesa selecionadas pelos pesquisadores, que estão no sangue de pessoas que se curaram da doença.
“Temos que identificar os linfócitos B [células de defesa] que produzem anticorpos contra o coronavírus. E, entre esses, identificar aqueles que produzem anticorpos que são de fato capazes de neutralizar a ação do vírus e são capazes de bloquear a entrada do vírus na célula, que são os que a gente chama de anticorpos neutralizantes, aqueles que de fato neutralizam o vírus”, explicou a pesquisadora Ana Maria Moro, do Instituto Butantan, que coordena o estudo.
O trabalho segue o princípio da transferência passiva de imunidade, que é o mesmo da transfusão de plasma sanguíneo de pessoas curadas de covid-19, que contém anticorpos contra a doença, para tratar pacientes infectados. A utilização do plasma é uma opção de tratamento imediata, que já está sendo testada em pacientes no Brasil e depende de constantes doações para manter os estoques.
Já a identificação dos anticorpos neutralizantes deve levar pelo menos um ano, mas vai possibilitar uma maior precisão do tratamento. Segundo Ana Maria, o anticorpo já foi selecionado e é apenas o do tipo neutralizante.
A pesquisadora explicou que o uso de anticorpos monoclonais não é uma abordagem para uso imediato, mas é uma abordagem promissora. “Os anticorpos monoclonais são produzidos de forma precisa, de forma homogênea, todas as pessoas vão receber aquele mesmo produto, que é 100% puro [para combater especificamente o coronavírus]”, disse.
Dessa forma, os anticorpos seriam produzidos em laboratório. “Nós buscamos, no sangue das pessoas [curadas de covid-19], os linfócitos que produzem os anticorpos específicos e, a partir disso, por engenharia genética, nós criamos as células no laboratório produzindo especificamente esses anticorpos. Então são produtos padronizados, isso a gente precisa fazer no laboratório, é demorado”, explicou a pesquisadora.
Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), este estudo utiliza uma plataforma já existente criada para o desenvolvimento de anticorpos monoclonais humanos para diferentes doenças. A plataforma está em fase avançada para obtenção de anticorpos monoclonais para o tratamento de zika e tétano.
Fonte https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2020-04/instituto-butantan-pretende-desenvolver-anticorpos-contra-covid-19
Postado por Antônio Brito
Famílias do Cadastro Único e de beneficiários do BPC têm isenção na conta de luz por três meses
“Os beneficiários do BPC e as pessoas inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal terão desconto de 100% na tarifa de energia elétrica. Essa é uma importante medida que visa proteger esse público de mais baixa renda, que é afetado pela crise econômica decorrente do coronavírus”, afirma André Veras, diretor do Departamento de Benefícios Assistenciais da Secretaria Nacional de Assistência Social (SNAS) do Ministério da Cidadania. “É importante que essas pessoas tenham a segurança de continuar cumprindo as medidas de isolamento, mas de uma forma que não as afete mais ainda no aspecto econômico”, ressalta.
- BPC atende idosos e pessoas com deficiência. Foto: Min. Cidadania
Inscrição na TSEE
Para o domicílio que ainda não esteja na Tarifa Social, a orientação é que um dos integrantes da família entre em contato por telefone com a companhia de energia elétrica local que atenda a residência, evitando, assim, o deslocamento até os pontos de atendimento presencial. “O ideal é que a pessoa não vá até a companhia de energia elétrica. Entrem em contato porque as companhias elétricas têm tido essa flexibilidade, de forma que não haja a necessidade de deslocamento”, alerta André Veras.
Será necessário fornecer as seguintes informações: nome do beneficiário; número do benefício (NB); CPF e carteira de identidade, ou outro documento de identificação oficial com foto; e código da unidade consumidora a ser beneficiada, que consta na conta de luz. Na análise do requerimento da TSEE, a companhia elétrica verificará se o BPC está ativo e se o beneficiário é cliente residencial. A Tarifa Social será aplicada para apenas uma residência, seja ela própria ou alugada.
“Caso haja necessidade de presença física, o orientado é que não seja o beneficiário do BPC, sobretudo os idosos e as pessoas com deficiência que se enquadrem no grupo de risco do Covid-19, e que vá um integrante da família para apresentar os documentos necessários para o benefício”, explica o diretor. “Essa é uma medida que vai proteger essa população de baixa renda que já está beneficiada com a Tarifa Social de Energia Elétrica, de forma a resguardar as condições básicas desse beneficiário do BPC e sua família”, destaca.
Ascom – Ministério da Cidadania
Fonte http://desenvolvimentosocial.gov.br/imprensa/Noticias/familias-do-cadastro-unico-e-de-beneficiarios-do-bpc-tem-isencao-na-conta-de-luz-por-tres-meses
Postado por Antônio Brito
Piauí fica em 1º lugar do país em ranking de isolamento socia
O Piauí ocupou o 1° lugar no índice de isolamento social em todo o Brasil na última sexta-feira, 10 de abril. O estado está fazendo um monitoramento de geolocalização por meio da empresa Startup In Loco.
A meta estabelecida pelas organizações de saúde é de 73% no índice de isolamento, essa taxa é considerada a mínima para impedir a alta disseminação do coronavírus. Nenhum estado conseguiu atingir essa meta até o momento, mas o Piauí se destacou com 61% nessa sexta.
A agência In Loco possui uma tecnologia que monitora a localização de 60 milhões de aparelhos smartphones em todo o país, sem identificar pessoas, garantindo o anonimato e consiste em analisar o tempo que um smartphone fica parado em um mesmo lugar, para saber se o isolamento está sendo cumprido.
- Foto: Luis Marcos/ VIAGORA
- Avenida Nossa Senhora de Fátima, zona Leste de Teresina
Além de comemorar o primeiro lugar em relação aos demais estados, algumas cidades piauienses conseguiram atingir a meta estabelecida como as cidades Lagoinha do Piauí e Juazeiro do Piauí, que atingiram a faixa de isolamento social de 78%, bem acima da média estabelecida. Outras cidades como São Lourenço (75,80%), Jatobá do Piauí (74,60%), Sebastião Leal (73,70%), Tamboril do Piauí (73,60%), Capitão Gervásio Oliveira (73,60%) e Caxingó (73,50%) também se mantiveram acima da média estabelecida.
Segundo o comandante da Polícia Militar do Piauí, Lindomar Castilho, o monitoramento é feito todos os dias e serve como ferramenta auxiliar para que as Secretárias de Segurança, Saúde e Polícia Militar possam detectar possíveis locais de aglomeração.
“O aplicativo tem acesso ao ranqueamento de 204 municípios piauienses e, através desses dados, galgamos identificar possíveis locais de aglomeração. Como os dados não são transmitidos em tempo real, mas sim de um dia para o outro, o app ganha a função de nos munir com informações”, pontua.
Fonte https://www.viagora.com.br/noticias/piaui-fica-em-1o-lugar-do-pais-em-ranking-de-isolamento-social-80735.html
Postado por Antônio Brito
15/04/2020
GAROTA DE PROGRAMA ANÃ: 'OS HOMENS ME PROCURAM POR FETICHE E CURIOSIDADES'




PRECONCEITO
BOLEIRO, ATOR, POLÍTICO…

PEDIDOS BIZARROS, MAIS DINHEIRO


Só clientes altos
A maioria dos caras procura Dafne por puro fetiche, por curiosidade em transar com uma anã. Ela sabe disso e ainda surpreende ao revelar que só atende homem alto. “Eles sempre falam que me procuram por esse fetiche, por serem altos e eu, baixa, por curiosidade. Para saber se é melhor ou pior que outras mulheres. Meus clientes têm de 1,80 m para cima, é difícil pegar cliente de baixa estatura. Eles falam que é bom, que é diferente, que é gostoso. Por isso, sempre voltam a me procurar, sempre”.

O RÁDIO, A SOLIDÃO E A PESSOA COM DEFICIÊNCIA
Em tempos de Coronavírus a solidão vem sendo pauta devido ao isolamento (necessário) para que possamos controlar a propagação do vírus. No entanto, a solidão já está presente na vida das pessoas com deficiência, pois muitos de nós vivemos sozinhos, já que há uma real dificuldade de interação social, seja por falta de acessibilidade ou de empatia, além disso, muitos de nós estamos isolados dentro da própria família, ou seja, existe sim uma exclusão familiar por conta da deficiência.
Em níveis moderados a solidão é positiva para que possamos ter um tempo para nós, mas vale lembrar aqui que nenhum de nós humanos poderia viver completamente sozinho, visto para a sobrevivência da nossa espécie é fundamental a interação social.
Durante minhas pesquisas para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e para artigos posteriores, questionei pessoas com deficiência sobre inclusão na mídia, e dentro disso, muitos destacaram a companhia do rádio, ou seja, havia ali duas coisas importantes: havia solidão, mas havia uma companhia chamada rádio. E entrevistando pessoas com deficiência intelectual consideravelmente severa, ouvia deles a palavra “rádio” para ouvir “música e notícia”, claro que precisava considerar o quanto a opção da família afetava essas decisões, mas o registro se tornava fantástico quando a pessoa dizia “rádio” e sorria.
E por falar em rádio, ele a solidão se misturam, pois quem nunca teve esse aparelho fantástico como companhia durante uma noite de insônia, durante uma viajem ou mesmo num dia sem luz que o radinho de pilha te salvou. Lembre-se quantas músicas especiais, quantas notícias boas e outras nem tão boas assim, ou mesmo os gols do seu time. Enfim, o rádio é uma companhia histórica do brasileiro.
Em outra pesquisa que fiz em outubro de 2018 questionei as pessoas nas redes sociais sobre qual mídia atendia melhor suas necessidades. As opções eram Rádio, TV, Internet, Jornal e Revista, e novamente, o rádio se destacou sendo o mais votado com 48%, com isso foi possível concluir que o rádio sempre esteve presente na vida dessas pessoas, é sim uma forma de companhia, e destaca-se pela linguagem e acesso fácil e multiplicidade de conteúdo.
Por isso, aquele radinho de pilha, muitas vezes lembrança (ou herança) do avô e que carrega muitas histórias, pode ser a única companhia de alguém. Quando se sentir sozinho ouça música, ouça notícias, ouça qualquer coisa, mas ligue um rádio.
Onde tem um rádio ligado, não existe solidão.
Fonte https://casadaptada.com.br/2020/03/o-radio-a-solidao-e-a-pessoa-com-deficiencia/?fbclid=IwAR1WRHwuq7VaXFyqYRp8WK4Tqld-C_aWwFYd-WPjUBEWPonGdEj8xiQ6Rw8
Postado por Antônio Brito
MPF consegue a concessão do passe livre às pessoas com deficiência, idosos e jovens de baixa renda em ônibus interestaduais, independentemente da categoria do serviço ofertado
O Ministério Público Federal (MPF) conseguiu liminar determinando a concessão do passe livre às pessoas com deficiência, aos idosos e aos jovens de baixa renda em todos os veículos destinados ao transporte rodoviário interestadual, independentemente da categoria do serviço ofertado. A decisão judicial, que vale para todo o território nacional, é da 6ª Vara da Justiça Federal de Goiânia e foi proferida em Ação Civil Pública (ACP), no dia 7 de abril.
Para a procuradora da República Mariane Guimarães de Mello Oliveira, autora da ação, decretos federais e resolução da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), ao regulamentarem a legislação que concedeu o benefício, restringiram a concessão da gratuidade no transporte interestadual de passageiros apenas ao serviço convencional, limitação esta não prevista em lei, o que se mostra flagrantemente ilegal.
Além disso, a ANTT, ao fixar o mínimo de uma viagem por semana em cada trecho para manter o direito à licença operacional das empresas de transporte coletivo interestadual, limitou o direito ao passe livre. Com isso, prejudicou o usufruto da ação afirmativa instituída em benefício das pessoas com deficiência, idosas e jovens de baixa renda, que lhes garantiria a inserção social por meio da mobilidade. Para o MPF, a ilegalidade da resolução da ANTT é flagrante, pois acabou por boicotar o direito dos beneficiários, em situação de vulnerabilidade socioeconômica, ao exercício pleno da cidadania.
Agora, com a liminar, o benefício diário do passe livre não se restringe apenas ao serviço convencional, passando a valer, também, para outros veículos destinados ao transporte rodoviário interestadual, como os ônibus executivos, leitos e semileitos.
O MPF cobrará da ANTT a fiscalização rigorosa do cumprimento da determinação da Justiça Federal a fim de garantir o direito dos beneficiários. Cabe destacar que ainda cabe recurso da liminar concedida.
Assessoria de Comunicação
Ministério Público Federal em Goiás
Fones: (62) 3243-5454/3243-5266
E-mail: prgo-ascom@mpf.mp.br
Site: www.mpf.mp.br/go
Twitter: http://twitter.com/mpf_go
Facebook: /MPFederal
Fonte http://www.mpf.mp.br/go/sala-de-imprensa/noticias-go/mpf-consegue-a-concessao-do-passe-livre-as-pessoas-com-deficiencia-idosos-e-jovens-de-baixa-renda-em-onibus-interestaduais-independentemente-da-categoria-do-servico-ofertado?fbclid=IwAR1mHz3sYju5_qk3Ms7w8tLvvmxgiNafQLOhA2Us8F6ZlZGAq0s-5H4-MtM
Postado por Antônio Brito
Misteriosa queda abrupta de casos de coronavírus na África do Sul intriga especialistas
Por Andrew Harding, BBC
Um sinal claro disso está nos hospitais do país, que tinham se preparado para receber um volume alto de pacientes.
Os leitos e enfermarias estão prontos para eles, cirurgias não urgentes foram remarcadas e ambulâncias foram equipadas, enquanto equipes médicas vêm ensaiando protocolos sem parar e autoridades de saúde passam longas horas em reuniões pela internet preparando e ajustando seus planos de emergência.
Mas, até agora, contra a maioria das previsões, os hospitais sul-africanos permanecem tranquilos: o "tsunami" de infecções que muitos especialistas previram não se concretizou. Pelo menos, ainda não.
"É meio estranho, misterioso. Ninguém sabe ao certo o que está acontecendo", diz Evan Shoul, especialista em doenças infecciosas de Johanesburgo.
Tom Boyles, outro médico de doenças infecciosas, do Hospital Helen Joseph, um dos maiores centros de saúde pública de Johanesburgo, também diz que todos estão "um pouco perplexos".
"Estamos falado que é a calma antes da tempestade há cerca de três semanas. Estávamos preparando tudo aqui. E essa tempestade simplesmente não chegou. É estranho."
Os especialistas em saúde alertam, no entanto, que é muito cedo para interpretar a falta de casos como um progresso significativo no combate à epidemia e estão preocupados com o fato de que isso pode até mesmo gerar um perigoso sentimento de complacência.
O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, sugeriu que as duas semanas de isolamento no país até agora são responsáveis por estes índices e prorrogou a vigência das restrições em todo o país, que deveriam terminar em uma semana, para o final do mês.
No entanto, outras países que também impuseram quarentenas não obtiveram resultados semelhantes.
Rastreamento de contatos agressivo
Na África do Sul, até 13 de abril, foram relatados 2.173 casos e 25 mortes por coronavírus. É o país mais afetado do continente até agora.
Quase cinco semanas se passaram desde o primeiro caso confirmado de covid-19 na África do Sul e, até 28 de março, o gráfico do número de novas infecções diárias seguiu uma curva ascendente acelerada.
Até então, tudo era semelhante ao que acontecia na maioria dos países onde os casos também haviam sido detectados nas mesmas datas.
Mas, naquele sábado, a curva caiu bruscamente: de 243 novos casos em um dia, para apenas 17. Desde então, a média diária ficou em cerca de 50 novos casos.
Será que o isolamento precoce e rígido da África do Sul e o trabalho agressivo de rastreamento de contatos com pessoas infectadas estão realmente funcionando? Ou é apenas uma pequena melhora antes de um desastre?
No final da semana passada, o presidente Ramaphosa disse que era "muito cedo para fazer uma análise definitiva", mas considerou que, desde que a quarentena foi introduzida, o aumento diário de infecções diminuiu de 42% para "cerca de 4%".
"Acho que quanto mais pessoas testamos, mais revelamos se isso é uma anomalia ou se é real", disse Precious Matotso, especialista em saúde pública que monitora a pandemia na África do Sul em nome da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Medos de complacência
Na África do Sul, o argumento de que é cedo para tirar conclusões sólidas sobre a propagação do vírus é uma visão comum.
"É difícil prever qual caminho seguiremos: uma taxa de infecção alta, média ou baixa. Não temos evidências amplas", diz Stavros Nicolaou, executivo da área de saúde que agora coordena parte da resposta do setor privado à pandemia.
"Pode haver sinais precoces positivos, mas meu medo é de que as pessoas comecem a se sentir tranquilas (e baixem a guarda), com base em dados limitados", acrescenta ele.
Mas essa "calma antes de uma tempestade devastadora", conforme descreveu o ministro da Saúde, Zweli Mkhize, na semana passada, está causando inúmeras especulações.
A suposição generalizada é de que o vírus, introduzido na África do Sul e em muitos outros países africanos em grande parte por viajantes mais ricos e visitantes estrangeiros, chegaria inevitavelmente a bairros mais pobres e superpopulosos e se espalharia rapidamente.
Segundo especialistas, essa continua a ser a próxima fase mais provável do surto, e várias infecções já foram confirmadas em vários municípios.
Mas médicos da África do Sul e de alguns países vizinhos notaram que os hospitais públicos ainda não viram qualquer indício de aumento nas internações por infecções respiratórias, o sinal mais provável de que, apesar das evidências limitadas, o vírus está se propagando em ritmo intenso.
"Essas ideias já existem há algum tempo. Ficaria surpreso se fosse o resultado de uma vacina. Essas teorias provavelmente não são verdadeiras", diz Boyles.
O professor Salim Karim, principal especialista em HIV da África do Sul, acredita que essas são "hipóteses interessantes", mas nada além disso. "Acho que ninguém no planeta tem as respostas", afirma.
Shoul, entretanto, diz que o país ainda está se "preparando como se um tsunami estivesse chegando". "O sentimento ainda é de grande expectativa e nervosismo", afirma ele.
A verdade é que essa situação, diferente do acontece na maior parte do mundo, leva especialistas a considerar se não seria uma queda antes do que um médico chamou de possível "aumento astronômico" de novos casos.
Vários críticos manifestaram preocupações de que o sistema de saúde público tenha demorado a implementar um regime agressivo de testes e, atualmente, seja excessivamente dependente de clínicas particulares para detectar novas infecções.
Documentos internos do Departamento de Saúde aos quais a BBC teve acesso apontam para crescentes preocupações sobre má administração dos sistema público, em especial no que diz respeito à baixa testagem.
Mas essas preocupações pela crescente confiança de que a abordagem "baseada em evidências científicas" do governo para a pandemia também pode estar dando resultado.
Fonte https://glo.bo/34DdzfV
Postado por Antônio Brito