09/09/2026

Rio 2016: confira a trajetória de dez medalhistas após dez anos dos Jogos

Bandeiras do Brasil e do Comitê Paralímpico Internacional lado a lado durante a cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos do Rio 2016. | Foto: Daniel Zappe/MPIX/CPB

Há dez anos, o Brasil conquistou 72 medalhas nos Jogos Paralímpicos do Rio 2016, 14 de ouro, 29 de prata e 29 de bronze, maior número de pódios brasileiros já registrados até aquele momento.

Para alguns dos atletas que fizeram história no megaevento em solo brasileiro, essa foi apenas a primeira das muitas conquistas que viriam depois, caso de jovens como o paraibano Petrúcio Ferreira, medalhista de ouro e recordista mundial dos 100m T47 (comprometimento em membros superiores) no Rio 2016 ou da judoca Alana Maldonado, medalhista de prata nos Jogos realizados no Brasil.

Já outros atletas tiveram no Rio de Janeiro sua última participação em Jogos Paralímpicos, encerrando com pódios uma carreira marcada por grandes conquistas. Foi assim com o alagoano Yohansson do Nascimento, que conquistou o bronze na mesma prova de Petrúcio e ainda foi prata com ele no revezamento 4x100m. O atleta encerrou a carreira antes dos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020 e se tornou dirigente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

Também há casos de atletas que encerraram suas carreiras e, anos depois, voltaram a competir ou se preparam para retomar as atividades no alto rendimento, casos da goiana Shirlene Coelho e da mineira Terezinha Guilhermina.

Em meio às comemorações dos dez anos dos Jogos do Rio 2016, confira o desenvolvimento da trajetória de dez atletas que se destacaram na competição.

Alana Maldonado — Judô

Com 21 anos nos Jogos do Rio 2016, a judoca paulista foi prata na categoria até 70kg ao ser imobilizada pela mexicana Lenia Fabiola Alvarez na final. Após o resultado, Alana foi eleita destaque da modalidade no Prêmio Paralímpicos, que também foi realizado no Rio de Janeiro.

Desde então, a atleta seguiu se desenvolvendo e conquistou dois títulos paralímpicos, em Tóquio 2020 e Paris 2024. Além disso, obteve o primeiro ouro do Brasil na história dos Mundiais de Judô – em Portugal (2018), e repetiu o feito no Azerbaijão, em 2022, e no Cazaquistão, em 2025.

André Brasil — Natação

O nadador da classe S10 (comprometimento físico-motor) conquistou quatro pódios nos Jogos do Rio 2016: prata nos 100m livre e no revezamento 4x100m medley e bronze nos 100m borboleta e no revezamento 4x100m medley. Com as medalhas, ele se consolidou como um dos maiores medalhistas brasileiros, com 14 no total (sete ouros, cinco pratas e dois bronzes).

Em abril de 2019, durante um procedimento obrigatório de reclassificação funcional prévio ao Open Internacional em São Paulo, o Comitê Paralímpico Internacional (IPC) considerou que André Brasil não atingia mais os critérios para a classe S10. A medida foi alvo de contestação do CPB e do atleta, que não voltou a competir.

O atleta lançou em 2024 o livro “A História de um Campeão” pela editora Autografia. Também atuou como comentarista em transmissões esportivas e como palestrante.

Bruna Alexandre — Tênis de Mesa

A catarinense conquistou suas duas primeiras medalhas paralímpicas nos Jogos do Rio 2016: um bronze na disputa individual da classe 10 e um bronze na disputa por equipes, ao lado de Danielle Rauen e Jennyfer Parinos.

Bruna voltou a subir no pódio em mais duas edições do megaevento. Ela foi prata no individual e bronze por equipes nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020. A seguir, foi bronze no individual e nas duplas WD20 em Paris 2024.

Ela ainda disputou em 2023 os Jogos Pan-Americanos de Santiago, no Chile, contra adversárias sem deficiência, e obteve a medalha de bronze por equipes. No ano seguinte, fez parte da equipe brasileira nos Jogos Olímpicos de Paris, tornando-se a primeira mulher do país a disputar os dois eventos em um mesmo ciclo.

Daniel Dias — Natação

Daniel Dias foi ao pódio em todas as provas que disputou no Rio 2016, encerrando a competição com quatro ouros, três pratas e dois bronzes.

O atleta ainda participou de mais um ciclo paralímpico e disputou os Jogos de Tóquio 2020, onde conquistou três bronzes: (100m livre S5, 200m livre S5 e revezamento 4x50m livre misto até 20 pontos).

Com o resultado, encerrou sua carreira no Japão como maior medalhista paralímpico brasileiro da história, com 27 pódios (14 medalhas de ouro, sete de prata e seis de bronze).

Daniel fundou em 2014 o Instituto Daniel Dias com o intuito de oferecer treinamentos de natação paralímpica a pessoas com deficiência em núcleos espalhados por diversas regiões do Brasil. Também realiza palestras, em que divide aprendizados de sua trajetória esportiva.

Lauro Chaman – Ciclismo

Lauro Chaman foi o primeiro ciclista brasileiro a subir no pódio de uma edição dos Jogos Paralímpicos. As primeiras medalhas vieram no Rio 2016, quando ele conquistou uma prata e um bronze. O paulista ficou em segundo na prova de estrada C4-C5, e em terceiro no contrarrelógio C5, ambas disputas para atletas que usam bicicletas convencionais.

O paulista seguiu se destacando internacionalmente. Entre outras medalhas em Mundiais, Lauro se tornou tricampeão de estrada na prova de resistência, com títulos conquistados em 2017 (África do Sul), 2021 (Portugal) e 2023 (Bélgica). Também foi ouro na pista, na prova Scratch, no Mundial de ciclismo disputado no Rio de Janeiro em 2018.

Além disso, em 2026 Lauro foi o campeão-geral da Copa do Mundo de ciclismo pela quarta vez. Ele já havia obtido o título em 2017, 2019 e 2023.

Petrúcio Ferreira — Atletismo

O paraibano Petrúcio Ferreira estreou em Jogos do Rio, com 19 anos. Ali, o velocista quebrou por duas vezes o recorde mundial. Nas eliminatórias dos 100m T47 ele completou a prova em 10s67 e, no dia seguinte, nas finais, obteve o ouro com 10s57.

Ele ainda foi prata nos 400m e no revezamento 4x100m em equipe que contava com Renato Cruz, Yohansson Nascimento e Alan Fonteles.

O atleta seguiu conquistando espaço no cenário internacional e melhorando suas marcas. Em 2022, tornou-se o atleta paralímpico mais rápido do mundo ao completar os mesmos 100m em 10s29 no Desafio CPB/CBAt, realizado no Centro de Treinamento Paralímpico.

Petrúcio segue em atividade e já é tricampeão paralímpico de sua prova principal (Rio 2016, Tóquio 2020 e Paris 2024). Além disso, acumula cinco títulos mundiais (Londres 2017, Dubai 2019, Paris 2023, Kobe 2024 e Nova Déli 2025).

Ricardinho — Futebol de Cegos

O atleta do futebol de cegos fez o gol da vitória brasileira por 1 a 0 na final dos Jogos Paralímpicos do Rio 2016. Ele chegou ao fundo das redes aos 12 minutos do primeiro tempo, quando se livrou de dois marcadores e chutou rasteiro, por baixo das pernas do goleiro, anotando o tento que chamou de “o mais especial da carreira” em 2020, quatro anos após o título paralímpico.

O gaúcho seguiu como referência técnica da Seleção Brasileira e conquistou mais duas medalhas paralímpicas, o ouro em Tóquio 2020 e o bronze nos Jogos de Paris 2024, quando chutou uma das bolas que não entraram na decisão por pênaltis na semifinal contra a Argentina. Foi eleito melhor jogador do mundo da modalidade pela terceira vez em 2018, título que já havia recebido em 2006 e 2014.

Shirlene Coelho — Atletismo

Shirlene foi porta-bandeira do Brasil nos Jogos Paralímpicos do Rio 2016 e encerrou a competição com duas medalhas: ouro no lançamento de dardo F37 e prata no lançamento de disco em prova disputada em conjunto com a classe F38.

A atleta encerrou a carreira logo após o megaevento. Porém, em 2023, decidiu voltar ao esporte de alto rendimento. Aos 45 anos, Shirlene tem participado assiduamente de competições nacionais, como o Meeting Paralímpico Loterias Caixa, o Circuito Paralímpico Loterias Caixa e o Campeonato Brasileiro Loterias Caixa.

Terezinha Guilhermina — Atletismo

A mineira Terezinha Guilhermina disputou no Rio de Janeiro sua última edição de Jogos Paralímpicos e conquistou duas medalhas, a prata no revezamento 4x100m para as classes T11 a T13 (deficiência visual) e o bronze nos 400m T11.

Com o resultado, a atleta chegou a oito medalhas paralímpicas (três ouros, duas pratas e três bronzes) e doze medalhas em Mundiais (oito ouros e quatro pratas) – o último um recorde de conquistas por atleta brasileira que só foi superado por Jerusa Geber em 2025, no Mundial de Nova Déli, na Índia.

Ela competiu até 2018, quando decidiu encerrar sua carreira para ser mãe. Passou a se dedicar à psicologia , além de ter atividades como palestrante. Em 2026, retornou aos treinos, com o objetivo de participar de competições a partir do segundo semestre de 2027.

Yohansson do Nascimento — Atletismo

O alagoano realizou sua última participação em Jogos Paralímpicos na edição do Rio de Janeiro com dois pódios: uma medalha de prata no revezamento 4x100m e um bronze na disputa dos 100m T47, na mesma prova que consagrou Petrúcio Ferreira como campeão paralímpico.

Ele ainda fez dobradinha com Petrúcio em duas grandes competições, o Mundial de Doha, no Catar, em 2017, e os Jogos Parapan-Americanos de Lima, em 2019. Também foi bronze no Mundial de Dubai, no mesmo ano. Optou por encerrar sua carreira antes dos Jogos Paralímpicos de Tóquio em função do adiamento do evento provocado pela epidemia de Covid-19.

Em janeiro de 2021, Yohansson assumiu um novo desafio ainda ligado ao Movimento Paralímpico, ao se tornar vice-presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Ele segue no cargo para o ciclo de Los Angeles 2028.

Patrocínio
As Loterias CAIXA, a CAIXA, a Asics e a Braskem são as patrocinadoras oficiais do atletismo.
As Loterias CAIXA e a CAIXA são as patrocinadoras oficiais do futebol de cegos, natação, judô e tênis de mesa.

Programa Loterias CAIXA Atletas de Alto Nível
Os atletas Alana Maldonado, Bruna Alexandre e Petrúcio Ferreira são integrantes do Programa Loterias CAIXA Atletas de Alto Nível, programa de patrocínio individual da Loterias CAIXA e da CAIXA que beneficia 141 atletas.

Time São Paulo
Os atletas Lauro Chaman e Alana Maldonado integram o Time São Paulo, parceria entre o CPB e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, que beneficia 157 atletas.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

Fonte https://cpb.org.br/noticias/rio-2016-confira-a-trajetoria-de-dez-medalhistas-apos-dez-anos-dos-jogos/

Postado Pôr Antonio Brito 

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