O conceito me chamou atenção porque coloca o tempo dentro da discussão sobre deficiência de um jeito que eu ainda não tinha explorado.
Hoje, sendo mestranda na UFF essa discussão atravessa a minha própria experiência. Tenho direito a um prazo adicional de 6 meses para a conclusão do mestrado. E, quando penso na minha rotina, entendo ainda melhor por quê.
Para eu chegar à aula, por exemplo, existe todo um tempo que vem antes: o tempo da minha mãe idosa para me arrumar, o tempo da motorista que me leva à universidade.
Para muitas pessoas com deficiência, participar de uma atividade envolve tempos (o próprio e o dos outros) que quase nunca são considerados quando horários, prazos e rotinas são definidos.
E esse tempo nem sempre é igual. Em dias muito frios ou em que me sinto cansada minha mão pode ficar mais fraca. Isso significa que levo mais tempo para me deslocar de um lugar para outro, porque não consigo movimentar o joystick da cadeira de rodas com a mesma facilidade.
Talvez o crip time nos ajude justamente a perceber esse tempo que existe, mas quase nunca entra na conta quando alguém determina quanto uma atividade “deveria” levar.
Uma das autoras fundamentais para essa discussão é Alison Kafer, pesquisadora dos estudos feministas, queer e da deficiência. Ela desenvolve a discussão sobre crip time e questiona a ideia de que existe uma relação neutra entre corpo, deficiência e tempo.
A gente fala muito sobre barreiras arquitetônicas, comunicacionais e atitudinais. Mas quanto tempo as barreiras nos fazem perder?
Pensar em crip time acrescenta uma camada importante à discussão sobre acessibilidade: talvez inclusão também passe por reconhecer que não existe uma única maneira legítima de viver e organizar o tempo.
E você, já conhecia o termo crip time?
Se esse conteúdo fez você pensar, compartilhe. Talvez seja um conceito novo para mais alguém também.

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