30/03/2026

Autistas adultos se tornam alvo de violência digital

Adultos autistas têm encontrado apoio no ambiente digital, mas também enfrentam crescente violência, golpes e cyberbullying, o que reforça a urgência de proteção, orientação profissional e conscientização social.

Autistas adultos se tornam alvo de violência digital

O cenário das pessoas autistas no Brasil atravessa uma mudança.

Agora, uma legião de adultos, que passaram décadas sem respostas, muitas vezes “mascarando” seus sinais sob diagnósticos genéricos de ansiedade crônica ou depressão, recebendo diagnósticos errados pela falta de conhecimento que empurrou milhares para as margens da compreensão clínica.

Hoje, munidos de maior acesso à informação, esses adultos buscam neuropsicólogos. É uma autodescoberta e o ambiente digital surge como o primeiro porto seguro, onde essas pessoas encontram grupos de relacionamento e comunidades que prometem o acolhimento.

No entanto, o que deveria ser um refúgio tem se revelado um campo de caça para predadores digitais e um laboratório de abusos psicológicos, um cenário alarmante onde a vulnerabilidade é instrumentalizada.

Grupos que nasceram para promover a inclusão de autistas foram infiltrados por usuários que se valem do suposto anonimato para transformar características do espectro em alvo.

Mais do que piadas cruéis, cresce neles um mercado ilícito: o comércio de carteirinhas de identificação e o uso oportunista de crachás por pessoas sem deficiência, cujo único objetivo é obter vantagens indevidas.

Nessa nova realidade das redes sociais, várias denúncias formais feitas têm sido ignoradas pela Meta, dona do WhatsApp.

Não são raras as vezes que a vítima só percebe o abuso quando já atingiu níveis extremos.

Existe uma propensão a um compartilhamento de informações que amplia a exposição a golpistas.

O bullying também deixa marcas com ansiedade decorrente de traumas que interferem em todos os relacionamentos das pessoas com autismo, até em entrevistas de emprego, dificultando a recolocação profissional.

Diferente de outras condições, o autismo não se revela em exames de laboratório ou em uma ressonância magnética, por exemplo.

O processo diagnóstico do autismo é elaborado com base em comportamento e habilidades. Não é um exame que possa ser feito, mas um conjunto de características da pessoa.

No mundo digital, a família deve exercer uma supervisão que equilibre autonomia e segurança, mantendo canais de diálogo abertos para que qualquer desconforto seja relatado sem medo de julgamentos.

E, nesse caminho, o papel do psicólogo e do analista do comportamento é preparar o indivíduo para identificar o abuso precocemente.

O combate ao cyberbullying contra autistas é uma urgência social.

Para garantir segurança e desenvolvimento real da pessoa com autismo, principalmente jovens e crianças, as famílias e até os adultos autistas têm que buscar órgãos de referência e profissionais.

Afinal, a conexão digital tem que ser uma ponte para o mundo, e não uma armadilha para o isolamento.

Fonte https://revistareacao.com.br/noticias/noticia?id=2eb7217c-7291-4069-a694-6f9a64e312ea

Postado Pôr Antônio Brito 

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