O menino Marcos Wellyton da Silva Oliveira, de sete anos, ainda não se conformou em perder uma das pernas após atropelamento por ônibus, em 14 de janeiro, em Corumbá. À mãe, ele pede uma faca para se matar e às vezes pergunta: ''quando minha perna vai crescer de novo?''.
Conforme o Diário Corumbaense, Naira Helena da Silva Miranda relatou, emocionada, o quanto tem sido dolorido a revolta e os questionamentos do filho.
''Escutar da boca do filho que ele não quer mais viver...que nunca mais vai poder jogar bola, correr, é uma das piores dores que uma mãe pode ter'', lamenta.
Do dia do acidente de trânsito, Marcos Wellyton se tratou em Corumbá, mas em 29 de janeiro ele foi transferido para a Santa Casa em Campo Grande. Naira desabafa e pede ajuda para o tratamento do filho. (Foto: Leonardo Cabral - Diário Corumbaense) Acidente
Naira conta que o filho jogava futebol com os amigos e a bola escapou para rua. Na inocência de um garoto, ele correu e foi atropelado por um ônibus. As rodas do veículo passaram em cima das duas pernas dele.
Ainda segundo a mãe, outro momento desesperador foi quando o pequeno acordou da sedação e não viu mais uma das pernas.
''Ele entrou em desespero que nem eu pude acalmá-lo. Ele só perguntava da perna dele. Foi e está sendo muito difícil”, desabafa a mulher. Ela lamentou o fato do filho ter precisado de um colchão de ar, uma televisão e um ventilador no quarto do hospital, mas a empresa dona do ônibus não teria respondido os pedidos dela.
''Um representante [ da empresa] disse que auxiliaria no requerimento do seguro DPVAT e que nessa questão, não poderia ajudar'', contou Naira. O Diário Corumbaense procurou o dono da empresa que disse que a companhia não foi culpada pelo acidente, mas prometeu doar o colchão.
A empresa concessionária, além do transporte, disponibilizou apenas duas bandejas de iogurte, toalhas, um pacote de fraldas e algumas frutas.
A família de Marcos está precisando de ajuda, já que está em Campo Grande e tem custos com transporte de onde está, na casa de familiares, até a Santa Casa. Além disso, necessita do colchão de ar, muleta e fraldas. Os dados bancários para doação são:
Caixa Econômica Federal, Agência: 1568 Operação: 023 Conta : 00017885-4 (conta fácil) CPF: 056 029 601- 04. Fonte https://www.topmidianews.com.br/cidade-morena/menino-atropelado-e-amputado-questiona-mae-quando-minha-perninha-vai/124013/ Postado por Antônio Brito
INSS paga benefício para pessoas com deficiência; entenda
03 de Fevereiro – O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é responsável pela manutenção do estado social de direito. Isso significa que ele paga benefícios a determinadas pessoas sob, também, determinadas condições. Dentre os indivíduos que podem ser beneficiados estão as pessoas com deficiência.
Entenda a seguir quais pessoas com deficiência podem receber benefício previdenciário do INSS e quais as condições estabelecidas pelo órgão.
INSS paga benefício para pessoas com deficiência; entenda
Benefício assistencial à pessoa com deficiência
Os deficientes brasileiros têm direito ao recebimento do Benefício de Prestação Continuada, também conhecido como BCP. Esse benefício consiste no pagamento de um salário mínimo, mensalmente, ao indivíduo de baixa renda.
Dessa forma, o INSS paga ao indivíduo que não tenha condições de se manter e de ser mantido pela família um valor que garanta sua subsistência.
Contudo, terá direito a ele apenas o portador de deficiência que componha grupo familiar cuja renda, por membro, não seja superior a 1/4 do salário-mínimo. Atualmente, portanto, a renda não pode ser superior a R$ 259,75 por pessoa.
Como a pessoa com deficiência pode requerer o BPC
Para requerer o benefício basta acessar o Meu INSS. Ali, o indivíduo deverá acessar o sistema e, caso ainda não seja cadastrado, realizar o cadastro com a cessão de informações pessoais.
A partir de então, deve-se acessar a opção“Agendamentos/Requerimentos” e clicar, em seguida, em “Novo requerimento”, “Atualizar”. Em seguida, devem-se atualizar dados (se necessário) e clicar em “Avançar”.
No campo de pesquisa deve-se colocar a palavra“deficiência” e selecionar o serviço desejado. O acompanhamento do requerimento pode ser feito pelo mesmo site, na aba “Agendamentos/Requerimentos”.
Caso necessário atendimento pessoal, o INSS irá informar ao cidadão antecipadamente. Ainda poderão ser requeridos documentos de comprovação da deficiência ao indivíduo.
INSS paga benefício para pessoas com deficiência; entenda
Outros aspectos importantes
Cabe ressaltar, ainda, que são aceitas deficiências de qualquer ordem para o pagamento do benefício BCP. Deficientes físicos, mentais e sensoriais.
Além disso, mesmo que o indivíduo que recebe o BCP conseguir colocação no mercado de trabalho na condição de aprendiz, ele permanecerá recebendo o benefício. Isso se mantém, entretanto, até dois anos, quando o benefício é, então, suspenso.
Para deficientes, diferente dos demais cidadãos, é permitida a permanência em contrato de aprendizagem com uma empresa por tempo ilimitado. Os demais cidadãos, por outro lado, podem manter esse tipo de contrato nessas condições por até 2 anos
Com relação ao pagamento do benefício, o indivíduo não necessita ter contribuído para o INSS. Contudo, o BCP não suporta 13º salário, assim como não gera o direito dos herdeiros de seu beneficiário em receber pensão por morte.
Finalmente, cabe informar que o BCP também pode ser pago pelo INSS para idosos em situação de pobreza. Os limites de valores por membro da família são os mesmos (até 1/4 do salário mínimo) e tem direito ao benefício os adultos com idade igual ou superior a 60 anos. Fonte https://diarioprime.com.br/news/cidadania/previdencia-social/inss-paga-beneficio-para-pessoas-com-deficiencia-entenda/ Postado por Antônio Brito
Depois de mais de seis meses de campanha, a bebê Antonella Garcia Cunha Moro, de Blumenau, diagnosticada com atrofia muscular espinhal (AME), embarcou para os Estados Unidos nesta terça-feira (4). Ela saiu de Navegantes em um avião particular pago por empresários e chegou a Guarulhos (SP) ainda durante a tarde. O voo de São Paulo saiu às 23h e a pequena chegou com a família à terra do Tio Sam na manhã desta quarta-feira (5).
A mobilização — que começou no município e ganhou repercussão nacional — arrecadou mais de R$ 11 milhões para a aplicação do Zolgensma, remédio que promete interromper a evolução da AME e garantir uma vida saudável à Antonella. A bebê embarcou junto com o o pai, Juliano, a mãe, Evelize, um fisioterapeuta do Rio de Janeiro e um médico de São Paulo que acompanham a menina desde o diagnóstico.
Antonella foi ao aeroporto em uma ambulância.
Antonella deve ficar mais de um mês nos Estados Unidos. Nesta primeira semana ela passará por uma bateria de exames, antes da aplicação do Zolgensma. Ela será internada no University Hospital Rainbow Babies & Children’s, unidade de saúde de Cleveland, no estado de Ohio, nos Estados Unidos. Só na segunda semana é que a pequena receberá o remédio milionário.
Se tudo correr conforme planejado, Antonella volta ao Brasil no início de março, onde iniciará uma nova fase na vida, com muita fisioterapia e acompanhamento de especialistas.
🚚♿️ Mutirão nos Bairros leva Paraoficina Móvel para a região de Itaquera. Bairro recebe mais uma edição do evento com serviços municipais da cidade de São Paulo.
💜 No próximo sábado, 8 de fevereiro, das 9h às 15h, na região de Itaquera, Praça Augusto Domingues Alves entre as Ruas Elói Portelli e Toledo Castelãno - Jardim Nossa Senhora do Carmo: http://bit.ly/2UjPXJQ
#PraCegoVer: sobre um retângulo vertical amarelo está escrito: Mutirão Itaquera - Sábado, dia 08 de Fevereiro das 9h às 15h - Augusto Domingues Alves entre as Ruas Elói Portelli e Toledo Castelãno - Jardim Nossa Senhora do Carmo. O Programa Mutirão nos Bairros consiste em ações intensivas de cidadania e zeladoria com uma grande concentração de serviços de utilidade pública. Teremos vagas de emprego para Pessoas com Deficiência. Pedimos aos interessados que compareçam com seus documentos pessoais, RG, CPF e Carteira de Trabalho. Na parte de baixo com fundo roxo, o logotipo da Paraoficina Móvel, com a palavra Paraoficina escrita em amarelo, e a palavra móvel escrita em branco, ao lado direito ícones de pessoas com deficiência. Abaixo, mais texto: "Informamos que a Paraoficina Móvel estará presente efetuando reparos em cadeiras de rodas, órteses, próteses, muletas, bengalas e andadores. No rodapé da arte, os logotipos do CATe - Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo, da Associação de Assistência à Criança com Deficiência (AACD), da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência, Secretaria Municipal de Saúde que assinam a arte do convite como realizadores dos projetos.
O homem mais alto do Brasil, Joelison Fernandes da Silva, o Ninão do município de Assunção, no Cariri paraibano, postou um vídeo fazendo apelo para que alguém possa ajudá-lo a buscar uma cadeira de todas em Minas Gerais. O equipamento feito sob encomenda precisa ser trazida por uma transportadora ou caminhoneiro.
Ninão pede para que as pessoas compartilhem o vídeo e algum motorista de transportadora de Belo Horizonte que passe por Assunção, possa trazer a cadeira de rodas, feita especialmente para ele.
O gigante, como é conhecido pelos 2,37 m está sem andar há quase dois anos e enfrenta algumas limitações de saúde e financeiras. Conhecido como gigante paraibano, o homem mais alto do Brasil, está há mais de um ano e meio sem andar.
De acordo com Ninão, a cadeira produzida suporta seu peso e o faz sentir confortável, porém está tendo dificuldade para trazer o objeto.
“A dificuldade está sendo em encontrar uma transportadora que faça a região de Belo Horizonte e Assunção na Paraíba”, disse o gigante.
VEJA O VÍDEO DIVULGADO POR NINÃO QUE JÁ VIRALIZA NAS REDES SOCIAIS:
Do povo Umutina, a Eliane Boroponepa Monzilar, de 40 anos é a primeira mulher indígena doutora em Antropologia pela UnB, Universidade de Brasília.
Ela não cresceu tendo como oportunidade os estudos numa escola indígena durante a infância e cresceu em meio a referências escolares de vivências que não eram as suas.
“Só fui me entender enquanto indígena e pertencente a um povo quando ingressei na graduação”, conta.
Ela diz quando percebeu que tinha que lutar pelas causas de sua etnia:
“Durante a formação como professora indígena, não só eu como outros colegas fomos cobrados pela nossa identidade.” disse.
Eliane é professora em uma escola de sua comunidade e, em julho de 2019, tornou-se a primeira mulher indígena a concluir doutorado em Antropologia na Universidade de Brasília.
Em 2011, tomou ciência, por meio de uma amiga, do processo seletivo para o Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais (Mespt) da UnB. Entusiasmada com a possibilidade de conhecer outras culturas indígenas nas aulas de campo, decidiu se inscrever na seleção e foi aprovada.
No ambiente acadêmico, percebeu a possibilidade de intensificar a militância em defesa de seu povo e a representatividade de seu lugar de fala.
“Na Universidade, não sou somente a Eliane. Represento um povo e isso é uma grande responsabilidade, não só por ser indígena, mas por ser mulher”, compartilha.
Durante o mestrado, a pesquisadora propôs-se a incentivar a busca de alternativas que contribuam para a sustentabilidade da aldeia e para reavivar os saberes e fazeres dos umutina.
Ela conversou com anciãos e jovens alunos da comunidade para investigar possibilidades de manejo do território que reconstruíssem conhecimentos tradicionais já em esquecimento, como o cuidado da roça.
A dissertação transformou-se em um livro, publicado em 2018.
Mais informações em SÓ NOTICIA BOA Fonte https://www.floresepoesias.com/mulher-indigena-e-a-primeira-professora-doutora-em-antropologia-pela-unb/ Postado por Antônio Brito
O pequeno Davi Lucas, de apenas 11 meses, foi diagnosticado com Atrofia Muscular Espinhal(AME) tipo 1 e está em tratamento na UTI do Hospital Regional, em Volta Redonda. O problema da família do Davi é que ele para ficar curado e ter a vida salva, precisa tomar o medicamento Zolgensma, que custa em torno de R$ 9 milhões e o tratamento completo sai por aproximadamente R$ 12 milhões.
Davi, está no Hospital Regional em tratamento há cerca de 06 meses e já faz uso do medicamento Spinraza, mas precisa mesmo é do medicamento Zolgensma. A família de Davi também precisa que o tratamento continue em forma de Home Care, o que aumenta muito o custo de todo o tratamento e com essas dificuldades, a família precisa muito da sua ajuda.
Ajuda
Quem puder ajudar, pode contribuir através da Vakinha Online neste link: tp://vaka.me/686692, através das contas abaixo ou através do JOY: https://joyz.me/profile/amedavilucas02?userid=418716 .
Caixa Econômica Federal – poupança 1504 01300002342-0 Jucelena Silva (mae) CPF 1041059277
Banco Itaú Ag 0337 conta 91301-6 Jucelena Silva (mae) CPF 10410592722
Contato = (24) 981528384 (24)981155017 Atrofia muscular espinhal é um grupo de doenças neuromusculares que resultam da perda dos neurônios motores e progressiva atrofia muscular. A gravidade dos sintomas e a idade de início variam consoante o tipo. Alguns tipos são aparentes durante ou antes do nascimento, enquanto outros só se tornam aparentes em idade adulta. Todos os tipos geralmente resultam em fraqueza muscular progressiva associada a fasciculação. Os primeiros músculos a ser afetados são geralmente os dos braços, pernas ou da respiração. Entre outros problemas associados estão dificuldade em engolir, escoliose e contraturas das articulações. A atrofia muscular espinhal é uma das principais causas genéticas de morte em recém-nascidos. Zolgensma
O tratamento com o Zolgensma que totaliza US$ 2,125 milhões, tem custo anual de US$ 425 mil, ao longo de cinco anos e o faz ser o medicamento mais caro do mundo.
O Governo Federal anunciou a criação de um guia para a pessoa com deficiência. Estão sendo disponibilizados 66 novos serviços de odontologia e ortopedia voltados para pessoas que apresentam algum tipo de deficiência. A medida foi anunciada pelo Ministério da Saúde e vai beneficiar mais de um milhão de pessoas.
O ministério também se preocupou em orientar e qualificar os profissionais responsáveis por atender esse público e, por isso, também anunciou o lançamento de dois guias com orientações para trabalhadores da área de saúde que atuam nas especialidades de odontologia e ortopedia da Rede de Cuidados à Saúde da Pessoa com Deficiência (RCPD).
Durante evento que ocorreu no Ministério da Saúde em Brasília, o ministro Henrique Mandetta fez questão de destacar a importância do guia para a qualificação do atendimento especializado e ressaltou as dificuldades que as pessoas com deficiência enfrentam para o atendimento odontológico.
O guia tem o objetivo de padronizar a nomenclatura médica e, assim, melhorar a prescrição e atendimento das pessoas com deficiência. Segundo Henrique Mandetta, os guias são apropriados para consulta e vieram para ajudar os profissionais.
O GOVERNO INVESTIU MAIS DE 70 MILHÕES DE REAIS EM SERVIÇOS PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
Segundo o Ministério da Saúde, o novo programa vai custar R$ 70,1 milhões por ano ao Sistema Único de Saúde (SUS). Com isso, todos os pedidos pendentes de serviços para pessoas com deficiência conseguirão ser cumpridos e as equipes vão poder finalmente começar o atendimento à população.
Serão 66 novos serviços no total: vinte centros especializados em reabilitação, oito centros especializados para pacientes com doenças raras, sete oficinas ortopédicas e 31 centros de especialidades odontológicas. Cada especialidade vai receber um valor que varia de R$ 4,5 milhões até R$ 41 milhões por ano.
Atualmente, os números da rede são 230 Centros Especializados em Reabilitação responsáveis por realizar diversas especialidades como diagnóstico, tratamento, adaptação e manutenção de próteses, sendo também 37 Oficinas Ortopédicas e 244 Serviços de Reabilitação.
Na especialidade da odontologia, o SUS possui mais de 27 mil Equipes de Saúde Bucal (ESB), que também incluem pacientes com deficiência em seu atendimento. Além disso, de todas as unidades de Especialidades Odontológicas, 579 já seguem o programa.
O NOVO PROGRAMA DO GOVERNO TAMBÉM ABRANGE PESSOAS OSTOMIZADAS
A pessoa ostomizada, aquela que precisou recorrer a uma intervenção cirúrgica para possibilitar ao corpo um caminho alternativo de comunicação com o exterior para diversões tipos de funcionalidades também é considerada uma pessoa deficiente física, por isso, é importante buscar um profissional que ofereça ajuda a pessoas com ostomias.
A Osto+ é uma comunidade de profissionais, especializados no assunto, que ajudam quem passou pela ostomia ou está preparando-se para o procedimento. É importante ter o acompanhamento de um profissional habilitado para tirar dúvidas e compartilhar experiências pessoais.
O Ministério da Mulher, da Família e Direitos Humanos vai lançar neste ano o Projeto “Brasil Inclusão”, que incluirá uma plataforma de cadastro único para pessoas com deficiência, regulamentações, medidas no campo de empregabilidade, entre outras ações para beneficiar essa população. Com o cadastro único, o governo quer mapear o exato número de pessoas com deficiência no país. O objetivo desse cadastro é possibilitar a identificação dessas pessoas para facilitar o acesso às políticas públicas, eliminado assim a burocracia entre outras situações que dificultam a garantia dos direitos delas que estão previstos na LBI (Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência). Além disso, com a inclusão no cadastro, a pessoa com deficiência terá uma identificação única que comprovará sua deficiência."
Enquanto ministério cogita política de estímulo à abstinência sexual, especialistas consideram essencial informar jovens e pais sobre riscos de uma gestação precoce, cuja incidência no Brasil está acima da média mundial
O Brasil possui uma taxa de 62 adolescentes grávidas a cada mil jovens entre 15 e 19 anos, acima da média mundial de 44 por mil (Foto: Rodrigo Carvalho/4/11/15)
O Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos manifestou, no início de janeiro, a intenção de criar um programa que estimule jovens a não fazer sexo ou adiar o início da vida sexual. A finalidade da iniciativa seria prevenir a gravidez na adolescência, segundo a pasta, comandada pela ministra Damares Alves. A estratégia representa um caminho alternativo à tentativa de tornar acessíveis aos adolescentes métodos contraceptivos gratuitos e à conscientização sobre a importância de seu uso, a fim de evitar a gravidez precoce e a transmissão de doenças.
Em relatório sobre direitos relativos à saúde sexual e reprodutiva das populações divulgado no ano passado, as Nações Unidas manifestaram preocupação com o quadro de elevada incidência de gravidez na adolescência no Brasil. O País apresenta uma taxa de 62 adolescentes grávidas a cada mil jovens do sexo feminino entre 15 e 19 anos, acima da média mundial de 44 por mil.
Dados demográficos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam uma forte correlação entre indicadores socioeconômicos e a ocorrência de gravidez precoce. A cada dez jovens de 15 a 19 anos grávidas, sete são negras e seis não estudam nem trabalham. Nesse sentido, a gravidez nessa etapa da vida reforça o círculo vicioso de pobreza, uma vez que diminui as chances de conclusão dos estudos e, consequentemente, resulta em menor qualificação profissional.
Ainda de acordo com o IBGE, apenas 30% das jovens entre 15 e 17 anos que têm ao menos um filho continuam estudando. Por sua vez, o ingresso no mercado de trabalho é prejudicado e, quando acontece, se dá tardiamente e em condições precárias.
Além de afetar individualmente as perspectivas dessas adolescentes, o fenômeno também gera impactos econômicos. Um estudo do Banco Mundial mostra que o Brasil poderia aumentar sua produtividade em 3,5 bilhões de dólares por ano se as adolescentes adiassem a gravidez para depois dos 20 anos. Avanços nas últimas décadas O cenário negativo não impediu que o Brasil apresentasse avanços nesse campo nas últimas duas décadas.
Entre 2000 e 2017, houve uma redução de 36% na gravidez entre adolescentes. Astrid Bant, representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no Brasil, explica que a redução nos índices de gravidez na adolescência costuma refletir melhora no acesso a informações, insumos e serviços em saúde. "No caso do Brasil, destaco o papel do Sistema Único de Saúde (SUS), que tem como princípios a universalidade, a integralidade e a equidade. É uma política pública importante porque ampliou a cobertura em serviços de saúde sexual e reprodutiva nos últimos 50 anos, a partir de programas específicos de saúde da mulher, da gestante, dos e das adolescentes e também disponibilizando métodos contraceptivos gratuitamente", analisa.
Sem comentar a estratégia defendida pelo Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, a representante do UNFPA no Brasil defende um papel ativo do Estado na educação sexual, adequado às diferentes faixas de idade. Bant defende que o diálogo aconteça nos lares, escolas e unidades de saúde. "A educação sobre sexualidade ajuda as pessoas jovens a identificar o assédio desde cedo, por exemplo, e também auxilia no processo de decisão. Hoje, a maior parte das informações sobre o assunto obtidas pela juventude são pela internet. São informações sem filtro, muitas vezes errôneas. Destaco que, quando falamos em educação sobre sexualidade, não se trata de estimular a atividade sexual entre jovens, mas informá-los, para que eles façam boas escolhas", argumenta.
Influência religiosa e falta de opções Em meio a questionamentos sobre o papel dos contraceptivos na tentativa de prevenir a gravidez precoce, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos afirmou que essa política está a cargo da pasta da Saúde e que o modelo será complementar. Porém, alegou que os métodos não apresentam 100% de eficácia, embora os mais conhecidos cheguem a 99%. O programa em formatação está alinhado com as reivindicações de movimentos de cunho religioso, destacando-se o "Eu Escolhi Esperar", de cunho evangélico.
Fundador do grupo, o pastor Nelson Neto Jr. foi um dos convidados de um seminário promovido pela pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos em dezembro, na Câmara dos Deputados, com foco na prevenção à vida sexual precoce e à gravidez na adolescência.
A obstetra Marilza Rudge, professora emérita da Faculdade de Medicina de Botucatu, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), reconhece a validade da busca por adiar o início da vida sexual das adolescentes. Entretanto, questiona a real eficácia da iniciativa do governo, em um contexto de estímulo à iniciação sexual precoce nas diversas plataformas de comunicação. "O sexo na adolescência acaba sendo eventual, não é tão diário. A menina não conhece o seu próprio ciclo menstrual ainda. Se ela souber qual é seu período fértil, tem o direito de decidir quando quer. São orientações pequenas, que podem ter impacto", opina.
Rudge sugere o envolvimento de pais e mães dos adolescentes na discussão, incluindo dos meninos, no sentido de compartilhar responsabilidades. A médica identifica uma dificuldade persistente das famílias em aceitar que a filha mulher inicie a atividade sexual. "Seria muito bem-vinda uma orientação da mãe ou de um ginecologista no sentido de explicar, desde a primeira menstruação, os riscos de uma gravidez indesejada. Uma formação para as mães seria muito importante. É claro que isso precisaria ser muito bem elaborado, porque passa por conceitos religiosos", reconhece.
Bant, do UNFPA, lembra que outro eixo de atuação importante é a garantia, pelo Estado, de que as jovens mulheres tenham outras opções na vida que as levem a adiar a maternidade. Ou seja, acesso à educação, qualificação profissional e perspectivas de emprego. "Para muitas jovens, ter um relacionamento amoroso e ser mãe parece ser a única opção. Esse cenário precisa mudar. As jovens precisam ter outras oportunidades na vida, como a possibilidade de ter uma carreira", diz. "Também é importante ressaltar que há outras variáveis envolvidas no fenômeno da gravidez na adolescência, como o casamento infantil, a violência e a exploração sexual, que são crimes", pontua.