Dicas e informações sobre eventos culturais acessíveis
A Secretaria Municipal de Cultura (SMC) e a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPED) lançou em 7 de maio de 2018, o programa “Cultura Inclusiva”, na Biblioteca Mário de Andrade, centro da capital.
A iniciativa, conta com o apoio do Itaú Unibanco, tem como objetivo promover acessibilidade comunicacional em teatros e equipamentos municipais de cultura, oferecendo, além de acessibilidade arquitetônica, recursos de Libras e audiodescrição para munícipes com deficiência auditiva e visual. A programação cultural gratuita será divulgada mensalmente pelas Secretarias.
Para facilitar o acesso, um micro-ônibus adaptado fornecerá transporte gratuito para pessoas com deficiência de diversas comunidades da periferia da cidade. Os pedidos de agendamento podem ser feitos pelo e-mail cerimonialsmped@prefeitura.sp.gov.br.
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Secretaria Municipal de Cultura
Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência * Baixe os símbolos de acessibilidade: Libras, Audiodescrição e Closed Caption.
Áreas privativas de edifícios comerciais e residenciais devem contar com plantas adaptáveis
Além de criar rampas ou plataformas de elevação, a lei passa a regulamentar as exigências para adaptabilidade de interiores, incluídos terraços e varandas/ Foto: Andrzej Rembowski por Pixabay
Heloísa Pimenta
Há 14 dias - Tempo de leitura: 3 minutos, 19 segundos
A partir de 1º de janeiro de 2020, começou a valer um conjunto de regras claras sobre acessibilidade para as estruturas de áreas externas e internas, comuns e privativas, de edifícios comerciais e residenciais. O Decreto 9.451 incrementa a lei de 2015, que institui o Estatuto da Pessoa com Deficiência.
“Algumas construtoras já fazem uma proposta de planta adaptada, que fica disponível no estande de vendas e, quando alguém fala que existe essa demanda, eles apresentam a planta mais eficiente. Mas nem sempre tem a mesma qualidade do produto disponibilizado para os outros públicos”, conta a arquiteta e urbanista Elisa Prado. Leia mais: Lar: doce e adaptado Saiba como adaptar a casa para deficientes e idosos Veja como ter uma casa segura para crianças
Desde o ano 2000, a Constituição exige a desobstrução de barreiras em espaços de uso coletivo, em vias, prédios e meios de transporte, bem como alternativas aos entraves de qualquer natureza a pessoas com deficiência física, mental, intelectual ou sensorial e também a seus acompanhantes.
Ainda que as construtoras tenham aderido às exigências em relação ao acesso das áreas comuns, equívocos e falta de planejamento universalizado ainda são desafios para que pessoas com mobilidade reduzida transitem e usufruam dos espaços.
Pilares, shafts e outros elementos estruturantes de um edifício impedem que se criem recuos de giro para cadeirantes, por exemplo. Portas estreitas e cômodos reduzidos impossibilitam não apenas o acesso, mas também a adaptação do espaço.
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“A partir de agora, a pessoa com deficiência deve poder comprar qualquer apartamento em qualquer posição da planta, em qualquer andar, e ter a mesma qualidade. Se a obra não estiver iniciada, a pessoa pode solicitar e a construtora tem que entregar o espaço já com adaptações”, acrescenta Elisa Prado.
Pontos da legislação
Além de corrigir desníveis no piso, apresentando soluções para degraus, como rampas ou plataformas de elevação, banheiros coletivos largos e com barras de apoio, passagem alternativa às catracas e sinalização tátil (braile e relevo para elevadores), a lei passa a regulamentar as exigências para adaptabilidade de interiores, incluídos terraços e varandas, seguindo as diretrizes da Norma Brasileira descrita pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (NBR 9050/ABNT).
Barras de apoio
O banheiro deve contar com barras de apoio nas laterais da bacia sanitária, boxe do chuveiro, banheira ou vestiário, mas as barras também podem ser úteis nas laterais de pias ou no quarto, ao lado da cama.
Altura
É possível solicitar à construtora instalações com altura personalizada para interruptores de luz, tomadas elétricas e termostatos, pias, maçanetas, campainha e interfone, fundamentais ao uso de pessoas com nanismo, por exemplo. Sinalizações Nos elevadores, braile e relevo são essenciais. Mas alarmes sonoros também podem ser úteis, bem como piso podotátil, para guiar deficientes visuais ao longo de passagens ou orientá-los até a saída do ambiente.
Corredores
Os corredores devem ser dimensionados de acordo com o fluxo de pessoas, assegurando uma faixa livre de barreiras ou obstáculos. Para corredores de uso comum com extensão de até 4 metros, a largura mínima é de 90 centímetros. Já para corredores de uso público, a largura mínima é de 1,50 metro.
Portas
A norma estipula que as portas tenham pelo menos 80 centímetros de largura, mais 60 na lateral do batente e ao lado da maçaneta. Além disso, é necessário um espaço de transposição com um círculo de 1,50 metro de diâmetro para permitir a aproximação de uma pessoa em cadeira de rodas.
Janelas
A altura das janelas deve considerar os limites de alcance visual, exceto em locais onde devam prevalecer a segurança e a privacidade. Cada módulo de janela deve poder ser operado com um único movimento, utilizando apenas uma das mãos. Fonte https://imoveis.estadao.com.br/noticias/nova-lei-de-acessibilidade-entra-em-vigor-em-janeiro/ Postado por Antônio Brito
A Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV) divulgou nesta quinta-feira, 16, a convocação das Seleções Brasileiras de futebol de 5 e goalball para a primeira fase de treinos. De 29 de janeiro a 6 de fevereiro, as equipes das duas modalidades vão se concentrar no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo.
No futebol de 5, o técnico Fábio Vasconcelos manteve sua base campeã do Parapan de Lima, no ano passado, e repete a lista da última fase de 2019, quando deu chance ao goleiro Tales, da ABDV-DF, e ao pivô Jonatan, da Agafuc-RS. Todos os astros do time tetracampeão paralímpico que buscará o penta no Japão estão garantidos, como Luan, Ricardinho, Jefinho, Cássio, Tiago Paraná e Nonato. Os jovens da sub-23 também estarão concentrados no período.
No goalball, manutenção do que vem dando certo também é o segredo. Entre os homens, foram chamados os seis campeões parapan-americanos, além do pivô Son, do Sesi-SP, e do ala Mizael, do Cetefe-DF. As maiores novidades estão na lista das mulheres. O técnico Dailton Nascimento, que deu descanso às titulares na etapa final de treinos do ano passado, chamou novamente suas principais jogadoras e ainda fez uma mescla com algumas das atletas observadas em dezembro, casos das alas Larissa, do Santos-SP, e Isis, da AMC-MT.
"Essa convocação, que é a primeira do ano paralímpico, é importante porque fecha praticamente o número de atletas para a formação final das seis que irão a Tóquio. Vamos continuar avaliando as convocadas nos diversos aspectos e, de acordo com os seus desempenhos nos treinos e competições, escolher as melhores", explica Nascimento.
As primeiras competições das duas modalidades em 2020 serão interclubes, com as disputas das Supercopas, no fim de fevereiro, em São Paulo. Em seguida, todas as seleções – incluindo também a de judô – partirão rumo a Tóquio, onde em março participarão de clínicas de treinamento e torneios que servirão como eventos-teste para a Paralimpíada.
Confira as listas de atletas convocados por cada modalidade:
O atletismo voltou aos treinos após o recesso no Centro de Treinamento Paralímpico já na primeira semana útil do ano. A modalidade entrou numa nova fase de treinos na preparação para os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020, em agosto.
O atletismo conquistou 35 vagas no Mundial de Atletismo, ocorrido em novembro de 2019, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Antes disso, o Brasil tinha garantido uma vaga no Mundial de Maratona, em Londres. O período de obtenção do índice mínimo, estabelecido pelo Departamento Técnico do CPB, para compor a delegação brasileira em Tóquio segue até 15 de maio.
"Essas duas primeiras semanas nós chamamos de processo adaptativo, porque realmente virá uma sequência de treino. É uma semana de adaptação não só do atleta, mas dos treinamentos" comenta Amauri Veríssimo, técnico-chefe da modalidade.
Até esta sexta-feira, 13 atletas participam de um treinamento intensivo no CT, junto aos atletas do Centro de Referência da modalidade que funciona no local. Eles foram selecionados por apresentarem potencial competitivo. "O objetivo é dar condição para esses atletas que não tem a estrutura do CT melhorarem os seus resultados e irem para as Paralimpíadas de Tóquio" explica Amauri.
Rayane Soares está entre os atletas do treino intensivo. No ano passado, a maranhense da classe T13 (para atletas com baixa visão) conquistou o ouro nos 400m e a prata nos 200m no Mundial de Atletismo em Dubai e uma prata nos 100m nos Jogos Parapan-Americanos de Lima. Na prova dos 400m, ela já tem índice para Tóquio.
"Os treinos estão bem fortes e cansativos. Estamos fazendo bastante trabalho de força e de resistência. Eu tive essa oportunidade de começar a treinar no CT no início do ano passado e retornei outras vezes durante o ano. Agora, tive novamente a oportunidade de voltar e quero aproveitar tudo o que está acontecendo", comenta a velocista que tem baixa visão devido à microftalmia bilateral congênita.
Outro atleta entre os treze participantes do treinamento intensivo é Thomaz Ruan, que também medalhou no Mundial de Atletismo em Dubai: prata nos 400m na classe T47. O paulista de Jundiaí nasceu com uma má-formação no braço direito. Com índice nos 400m já conquistado, a meta agora é ser medalhista na capital japonesa.
"Treinar no CT é maravilhoso, é como se fosse um paraíso: tem tudo que um atleta precisa, tudo é ótimo. Eu estou fora de casa, mas com pessoas novas e que me ajudam todos os dias. Estou gostando muito da experiência aqui. Agora meu principal objetivo esse ano é ser medalhista nas Paralímpiadas."
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)
Um projeto muito bacana está levando jovens com deficiência intelectual para conhecer as belezas do fundo do mar. A iniciativa recebeu o nome de Mergulho Adaptado.
A idealizadora do projeto é a professora de Educação Física Chrystianne Simões, doutoranda em Distúrbios do Desenvolvimento, oferecido pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Tive a oportunidade de bater um bom papo com ela, que me contou detalhes da iniciativa.
Chrystianne mergulha há mais de 10 anos e fez o curso Adaptive Techniques pela PADI, que permite ao profissional trabalhar com pessoas com diferentes tipos de deficiência. Como nunca tinha visto aulas de mergulho para pessoas com deficiência intelectual, encontrou aí uma oportunidade bacana de criar o projeto.
“Quando decidi fazer o doutorado, precisava apresentar uma ideia inusitada e inovadora. Como as aulas para a prática de mergulho possuem muitos exercícios respiratórios, decidi juntar essas técnicas com pessoas com deficiência intelectual e Síndrome de Down”, conta Christianne.
O início do projeto de mergulho
Com o apoio do curso de doutorado e da escola Scafo Mergulho ABC, foram selecionados 20 alunos da APAE de Barueri, com deficiência intelectual de leve a moderada e idade mínima de 10 anos, para participarem do projeto.
Essa espécie de “peneira” foi necessária, porque os participantes deveriam responder a um questionário e apresentar um determinado nível de compreensão para atender às ordens de comando nas atividades de mergulho.
Chrystianne conta que, nesta turma experimental do projeto, não havia pessoas com transtorno do espectro autista (TEA). “Porém, depois do projeto finalizado atendi pessoas com experiências de mergulho em piscina na superfície, entre elas autistas e pessoas com paralisia cerebral que apresentavam comprometimentos severos e quadriplegia.”
Para quem não tem deficiência, as aulas de mergulho são ministradas em um final de semana. Já para esta turma especial o curso durou 14 aulas, entre teoria e prática, oferecidas gratuitamente.
As aulas de mergulho podem ser praticadas em qualquer lugar, mas o projeto acontece em Ilha Grande, no Rio de Janeiro. “Hospedamos os alunos na Pousada Nautilus, por ser acessível, assim como o Píer e o local escolhido para mergulho. O lugar é bem apropriado para eles”, comenta Chrystianne.
E quais os benefícios das aulas de mergulho para estes jovens?
Bem, Chrystianne explica que foram feitos testes diafragmáticos com espirometria, testes de oximetria e caminhadas de seis minutos três vezes durante seis meses. “Identificamos uma melhora mínima de 17% na capacidade respiratória e diafragmática”, aponta a professora de Educação Física.
É importante lembrar que a prática do mergulho, assim como outras atividades físicas, trabalha a interação social, uma característica essencial para a melhorar a convivência em família e com a sociedade.
Alunos devidamente certificados para a prática do mergulho!
Esta iniciativa tão bacana da Chrystianne teve como consequência um feito inédito no Brasil e, talvez para o mundo: 11 dos 20 alunos obtiveram uma certificação Scuba Divers, uma licença que permite a eles levarem adiante suas práticas de mergulho.
“Com essa certificação, os alunos com deficiência intelectual só podem praticar mergulho com dive masters (mergulhador que trabalha em parceria com o instrutor) ou instrutores e descer numa profundidade máxima de 12 metros”, explica Chrystianne.
Os pais que desejam inserir seus filhos na prática de mergulho adaptado devem procurar a escola Scafo Mergulho ABC, levando um exame médico para a prática do exercício e capacidade para realizar atividades debaixo d’água.
“Nós vamos fazer uma análise para sabermos se o jovem pode praticar mergulho para obter a certificação. Caso ele não tenha a possibilidade de adquirir a licença, receberá as instruções de como utilizar os equipamentos e um certificado de participação”, esclarece a idealizadora do projeto.
Muito legal este projeto da Crhystianne Simões! Eu, que trabalho aproximando o esporte de crianças com transtorno do espectro autista, sempre gosto de divulgar iniciativas que têm como foco a inclusão e o desenvolvimento motor e cognitivo de crianças, jovens e adultos.
Que venham mais projetos assim!
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Para ver nossos outros artigos, clique aqui. Imagens: Arquivo Pessoal / Crhystianne Simões Fontehttps://www.esporteeinclusao.com.br/esporte-e-inclusao/mergulho-adaptado-como-inserir-pessoas-com-deficiencia-intelectual-neste-esporte/?utm_source=Instagram&utm_medium=Artigo&utm_campaign=Mergulho%20adaptado:%20como%20inserir%20pessoas%20com%20defici%C3%AAncia%20intelectual%20neste%20esporte%3F&utm_term=Esporte%20e%20Inclus%C3%A3o&utm_content=mergulho-adaptado-como-inserir-pessoas-com-deficiencia-intelectual-neste-esporte/ Postado por Antônio Brito
Profissionais deverão ser capacitados para ajudar pessoas com deficiência visual durante as compras.
A Câmara Municipal aprovou três projetos de lei com o intuito de garantir maior acessibilidade a pautas relacionadas às pessoas com deficiência. As três matérias ainda dependem de sanção do prefeito Antônio Almas (PSDB). Em um deles, o Poder Legislativo obriga hipermercados e supermercados de médio e grande porte em disponibilizarem funcionários capacitados para auxiliar as pessoas com deficiência visual em suas compras.
De acordo com a proposição, que é de autoria do presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Câmara Municipal, o vereador João Coteca (PR), “o porte dos estabelecimentos comerciais será identificado em médio e grande, de acordo com a classificação por número de empregados conforme os critérios do Sebrae e da legislação tributária vigente”. O projeto define ainda que tais estabelecimentos deverão afixar cartazes em local visível com informações acerca da obrigação.
Aprovado pelo Legislativo, o texto prevê sanções para os hipermercados e supermercados que descumprirem a exigência. Em um primeiro momento, os estabelecimentos infratores, quando do desrespeito à regra, serão advertidos por escrito na primeira infração. Em caso de uma segunda ocorrência, estarão sujeitos a multa de R$ 500, a ser aplicada em dobro na reincidência.
Reserva de espaço para cadeiras de rodas
Outro projeto de lei aprovado nesta quarta, último dia de sessões do período legislativo de janeiro – também de autoria de João Coteca e carente de sanção da Prefeitura – defende a criação de espaços reservados para pessoas que utilizam cadeira de rodas em estabelecimentos como auditórios, ginásios esportivos, locais de conferências, salas de aulas e outros de natureza similar. A matéria prevê que a exigência tenha validade para espaços públicos e privados em funcionamento em Juiz de Fora e tem por objetivo “facilitar as condições de acesso, circulação, comunicação e acessibilidade”.
A matéria define ainda que o espaço reservado corresponderá à ocupação de duas cadeiras de rodas por sala, “devendo ser demarcado com faixas ou pintura”. Segundo o texto, “os estabelecimentos definirão os espaços reservados de maneira a bem atender o usuário da cadeira de rodas”. A regra também defende que a “construção, a ampliação ou a reforma de edifícios públicos ou privados destinados ao uso coletivo deverão ser executadas de modo que sejam ou se tornem acessíveis às pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida”.
A proposta define ainda que o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência deverá promover campanhas informativas e educativas dirigidas à população em geral, com finalidade de conscientizá-la e sensibilizá-la quanto à acessibilidade e à integração social da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida
‘Dia Municipal do Deficiente Visual’
Outro texto, este de autoria do vereador Wagner do Sindicato (PTB), institui o “Dia Municipal do Deficiente Visual”. A proposição define que a data será comemorada no dia 4 de janeiro, data de nascimento de Louis Braille (Coupvray, 4 de janeiro de 1809 – Paris, 6 de janeiro de 1852), francês que criou o sistema Braille de leitura para cegos. A proposta também depende de sanção do Poder Executivo.
De acordo com o projeto de lei, na data em questão, as “entidades públicas e privadas realizarão eventos destinados a reverenciar a memória de Louis Braille, divulgando e destacando a importância do seu sistema na educação, habilitação, reabilitação e profissionalização da pessoa cega”.
Entre as ações apontadas no texto, estão o fortalecimento do debate social acerca dos direitos da pessoa cega e a sua plena integração na sociedade; a promoção da inserção da pessoa cega no mercado de trabalho; a difusão das orientações sobre a prevenção da cegueira e de informações sobre a acessibilidade; o incentivo à produção de textos em Braille; e a capacitação de profissionais para atuarem na educação, habilitação e reabilitação da pessoa cega.
Medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Havana-1992 e líder do ranking nacional por dois anos, a segunda maior tenista do Brasil aponta alternativas para o país virar potência.
Cláudia Chabalgoity: "Quem rouba o esporte não rouba", (Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press. Brasil)
Depois de Maria Esther Bueno, a brasiliense Cláudia Chabalgoity é reconhecida como uma das maiores tenistas do país. Embora hoje se dedique ao projeto Tô no Jogo, que pretende, pelo tênis, desenvolver e incluir pessoas com deficits físicos e intelectuais, continua sendo uma observadora privilegiada do esporte, sobretudo aquele no qual brilhou — foi campeã pan-americana nos Jogos de Havana e líder do ranking brasileiro por dois anos consecutivos. E o que enxerga não é bom, embora perceba esforços isolados para que o país vá além de modalidades nas quais já é referência, e se torne uma potência esportiva. A seguir, trechos da conversa com o Correio, numa tarde de chuva torrencial, em Brasília.
Em 2020, o Brasil terá somente um torneio da ATP, enquanto a China terá quatro. O Brasil teve Maria Ester Bueno, Gustavo Kuerten, você, Patrícia Medrado, e outros tenistas de expressão. Por que a China, que não tem a tradição brasileira, está com mais importância no circuito internacional?
O Brasil foi um dos países a terem mais torneios ranqueados. Se a gente for falar de economia, nada é desprendido. A gente fala de todo um sistema econômico, cultural e de amor ao esporte, da importância dada ao esporte. Mas o que o Brasil estruturou quando teve vários torneios? Nada, eram só torneios. É uma cultura que ainda enxerga, aqui, o tênis como esporte de elite. Não é mais! Olhando para a América do Sul, a impressão que se tem é que a Argentina tem mais tenistas de expressão que nós. A sensação hoje é Diego Schwartzman (14º). Tem ainda o Guido Pella (25º). O brasileiro mais bem colocado é Thiago Monteiro (89º). A Argentina é mais pobre, numa situação econômica pior que a do Brasil. Como pode? É outra estrutura. As pessoas lá gostam do tênis, assistem tênis. Nossa “diferença” com os argentinos é global: é no futebol, na literatura, nas artes... Essa concorrência entre Brasil e Argentina tem que existir, é legal para poder crescer. Só que a Argentina cresceu e a gente começou agora a crescer, a fazer trabalho de base.
No esporte brasileiro, quem tem estrutura está separado do todo. É o vôlei, o futebol... a natação era genial, até descobrirem que o presidente está sendo investigado em 8 de outubro, a imprensa noticiou que o Tribunal Regional Federal de São Paulo condenou o ex-presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, Coaracy Nunes, a 11 anos e oito meses de reclusão e a três anos de detenção por desvios de recursos públicos na entidade. Ele foi condenado ainda ao pagamento de 487 dias-multa. A decisão foi proferida em primeira instância e a defesa anunciou então que recorreria. O esporte ainda tem que conviver com essas nuances, esses interesses. Quem ama o esporte não rouba — isso é o que eu acredito. Quer que o dinheiro do esporte seja reinvestido no próprio esporte. No Brasil, ainda não dão valor para a psicologia do esporte porque não vai fazer o campeão. Mas vai fazer uma pessoa, e essa pessoa, quando ela é inteira, com autonomia, com conhecimento do que está sentindo, sobre o que está vendo, vai saber jogar melhor. Vai ter mais chance de atingir o total potencial do que quem é comandado.
O Brasil está abrindo os olhos para coisas assim, mas ainda vai depender muito de quem está no comando.
"A iniciativa privada séria vai investir em algo sério"
Em 2010, circulou na internet um vídeo de um menino cobrando do então governador Sérgio Cabral e do ex-presidente Lula uma quadra de tênis, prevista para a comunidade de Manguinhos, em que morava, no Rio. Lula, como resposta, disse que tênis era “esporte de burguês”. Essa visão ainda persiste? É desconhecimento. Porque o esporte de burguês está nos países da África em piso de terra, com raquete de madeira. Se não é com a raquete do (Novak) Djokovic, OK, mas pode estar ali um jogador. A Federação Internacional (ITF) faz um trabalho justamente para acabar com essa ideia de que o tênis é um esporte de burguês, e isso já tem anos. Vão dizer que o material é caro, mas quem quer joga com raquete de madeira, improvisa. Hoje, tem muita gente saindo de comunidade carente, aqui e lá fora, ganhando campeonato; tem muito trabalho social trazendo o tênis para a meninada. Eu não sou burguesa! E o que é ser burguês?
Num país que teve Maria Ester, Patrícia Medrado, Nanda Alves, você e poucas outras, Bia Haddad (119º da WTP) é mais uma ave rara? As mulheres são vistas como aves raras não somente no esporte, mas em vários ramos de atividade. No esporte, eram vistas como homens. Ninguém olhava a tenista como mulher. Já escutei absurdos, tais como o de que toda mulher fica masculinizada no tênis. Imagina! Há mulheres lindas no tênis, femininas. Ver diferentemente disso é falta de cultura, preconceito falar que a mulher se transforma no esporte. Esporte salva vidas, tira gente da miséria.
Falta visão à cartolagem do esporte brasileiro, e do tênis em particular, para buscar iniciativas de popularização, e ganhar apoio de governos e da iniciativa privada? Ou o sistema existente distorce e obriga quem nele entra a jogar de forma que só uns poucos ganham, em detrimento da sociedade? Uma iniciativa privada séria só vai investir em algo sério. Os governos não sabem o quanto é necessária uma Bolsa-atleta, porque entram e tiram várias delas de pessoas que precisavam para desenvolver suas atividades. Numa transição de governo, as pessoas devem estudar não o que foi feito pelo outro, mas o que está dando certo no esporte. Por que derrubar? No esporte tem dinheiro, mas o poder público tem que sinalizar corretamente. Veja o caso da Olimpíada do Rio: todos nós gritamos “o que vão fazer depois?” Ninguém ouviu. Está tudo largado, gastaram um dinheirão, gente foi presa. Coisas assim só contribuem para afastar o investidor.
Se está falando de esportes, tem que ter alguém com olhar esportivo ali dentro (sobre o Arena Brasília)
Brasília tem um projeto ambicioso para a região do Mané Garrincha. A ideia dos futuros administradores do complexo é, inclusive, investir em quadras de tênis, aumentando a quantidade das que estão lá, abandonadas. Dá para ter esperança de que iniciativas assim ajudam a popularizar o tênis? Não tem problema a iniciativa privada investir, mas em parceria com o governo. Porque o investidor vai, legitimamente, querer retirar aquilo que aplicou. Mas tem que haver a participação da sociedade, a aula grátis, o espaço para a inclusão. E deve ser proporcionado tudo do bom e do melhor nesse processo. O governo deve fazer valer sua obrigação de ser o agente social. Acho ótimo que o empresário aplique seu recurso, mas quem vai comandar o processo? Quem está olhando para o negócio? Se está falando de esporte, tem que haver alguém com esse olhar ali dentro. A iniciativa privada deve participar de acordo com o ideal do governo. Há que se manter os objetivos da sociedade nessas parcerias entre a iniciativa privada e o poder público. O esporte transforma vidas e o investidor deve ter também essa pretensão. Se quem aplica dinheiro for convencido disso, arrisco dizer que daríamos um grande passo para acabar com coisas como o tráfico de drogas. Que criança não prefere uma bola a traficar?
Se no tênis “comum” o Brasil tem imensas dificuldades, no paralímpico esses problemas são exponencialmente maiores. Você tem um projeto para deficientes intelectuais e físicos. Já pensou alguma vez em desistir diante de tamanhas barreiras? Jamais, porque é isso que me dá vida. Não sou eu que levo vida para eles. Depois que parei de jogar, foi o projeto do tênis em cadeira de rodas que fez meu olho brilhar. E veio quando eu menos esperava. Me perguntei: “O que é que vou fazer? Não quero ser professora de tênis, diretora de escola de tênis”.
Eu queria mais do que quatro linhas, a gente tem potencial para enxergar o mundo além delas. E eu me sentia muito limitada ali. O projeto Tô no Jogo trouxe o projeto de tênis em cadeira de rodas junto com o desenvolvimento da modalidade e, junto com isso, tive a sorte de ter um presidente do Comitê Paralímpico, o Andrew (Parsons), que fez um trabalho estratégico maravilhoso, e hoje o nosso paralímpico é melhor que o olímpico. O Brasil é um dos poucos países cujo desempenho do paralímpico ultrapassa o olímpico. Esse é um trabalho estruturado.
O novo presidente, Mizael Conrado, está olhando para as escolas, que vão complementar todo esse trabalho bem feito olhando a base. Temos atletas magníficos e conhecidos internacionalmente.
Por isso, não penso em desistir porque isso não é o tênis. O que eu faço no projeto é pegar toda essa experiência para desenvolver o ser humano. Foram eles (os deficientes) que me reincluíram, porque eu estava perdida, até que vi o tênis em cadeira de rodas.
Estamos em negociação para 2020 com a Caixa (Econômica Federal) para o tênis voltado para o deficiente físico e intelectual, para o autista, para o Down, para o cego, para o surdo. A ideia é incluir todos que quiserem. O tênis é só uma ferramenta. Temos uma pessoa forte encabeçando o trabalho social, que é a primeira-dama (Michelle Bolsonaro). E hoje (a entrevista foi feita em 18 de dezembro), eu tive a certeza de que ela está realmente envolvida. Isso me deu muito mais força.
"Uma criança prefere uma bola a traficar"
Raros são os atletas que atingem o auge em Brasília, pois, geralmente, vão para o Rio ou São Paulo, senão para o exterior, em busca de melhores condições de desenvolvimento (o exemplo mais recente é o do jogador Reinier, que foi para o Flamengo e, há dias, negociado com o Real Madrid). O que falta para a capital do país ser um polo esportivo, sobretudo agora que a cidade está às portas dos 60 anos?
Talvez precisemos de um líder com essa visão. A Carmem de Oliveira (ex-maratonista) está aí, a Ricarda (Lima, jogadora de vôlei) voltou, a Leila (Barros, ex-jogadora de vôlei) está no Senado. Brasília é uma cidade perfeita para treinamento. Em São Paulo, você anda muito entre a casa e o treino. Aqui é vasto, é plano, logística favorável com mais facilidade do que no Rio ou em São Paulo. É uma torcida que eu tenho pela nossa cidade. Tivemos bons treinadores e atletas e, de repente, parou. A gente merece muito mais. Fale sobre seu projeto, o Tô no Jogo? Estamos negociando com a Caixa para 2020 e estou muito feliz com isso. Geralmente, os ex-atletas montam projetos na periferia, mas preferi focar no deficiente, e de forma natural. Então, nada melhor para incluir que o próprio banco da inclusão social.
A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, é do Distrito Federal. Ela tem envolvimento com a comunidade dos surdos-mudos, um traço de união com outras comunidades de deficientes. É um ponto favorável, é uma nova visão, uma sensibilidade? Isso te anima? Me deixou muito motivada. Vim do lançamento do Projeto Sinais (lançado em 18 de dezembro, é promovido conjuntamente pelos ministérios da Cidadania e da Educação) e ela está envolvida. O projeto não vai levar apenas esporte, mas também arte e cultura. Desejo demais que ela siga fazendo esse trabalho. O primeiro discurso que ela fez foi em libras e essa parcela da população participou. Isso é emocionante. O social vai vir à tona, o esporte para deficiente vai ganhar o espaço que merece. Teremos o centro de surdos aqui, em Brasília, que ela negociou; a Confederação Brasileira de Desporto para Surdos vem para cá... Estou botando muita fé que, em 2020, as coisas vão seguir em frente.
Consórcio Fênix foi multado por problemas de acessibilidade para cadeirantes em ônibus na capital — Foto: Luiz Gustavo Silva de Freitas/Divulgação
O Procon de Santa Catarina multou o consórcio Fênix, responsável pelo transporte coletivo de Florianópolis, em mais de R$ 74 mil por falta de acessibilidade para cadeirantes nos ônibus. O Consórcio Fênix informou ao G1 que respeita a decisão do Procon, mas que vai recorrer na Justiça.
A empresa já tinha sido notificada em novembro de 2019 após usuários denunciarem, pelas redes sociais, o defeito em um equipamento usado por cadeirantes na entrada de um ônibus. Como a situação não foi resolvida o Consórcio acabou sendo multado.
O Procon abriu um processo administrativo e constatou problemas em elevadores e no equipamento eletromecânico de deslocamento vertical, que garante o serviço.
O Consórcio questiona e diz que o problema foi um fato isolado. "O Consórcio Fênix não concorda que problemas isolados em dois elevadores de acessibilidade a cadeirantes permita a aplicação de multa tão elevada. Atualmente 85% de sua frota possui estes equipamentos instalados, totalizando 400 ônibus adaptados que circulam na capital", informou por meio da assessoria de imprensa.
A prefeitura informou que vai cobrar mais atenção do Consórcio em relação à manutenção dos elevadores utilizados pelos cadeirantes e diz que a capital tem uma das frotas mais acessíveis do país. Ainda conforme a prefeitura nem todas as linhas são utilizadas por cadeirantes e a prefeitura também serviço Porta a Porta, para transportar cadeirantes gratuitamente. O G1 mostrou no projeto Promessas que esta é uma das ações cumpridas parcialmente pelo prefeito Gean Loureiro.
Será construído em uma área de 15 mil/ m², localizada às margens da AL-220
Laís Pita com Assessoria
A prefeitura de Arapiraca divulgou nessa quarta-feira (15) que o Hospital de Câncer de Barretos, agora Hospital de Amor, vai chegar em Alagoas. A construção da primeira unidade de prevenção do hospital em Alagoas - e a 21ª no Brasil - começa ainda este ano.
A conquista será viabilizada através de emendas parlamentares da deputada federal Tereza Nelma e do senador Rodrigo Cunha, que serão utilizadas na construção da unidade, em terreno doado pela Prefeitura de Arapiraca, a partir de aprovação do Poder Legislativo Municipal.
A ideia é iniciar na cidade os serviços do Hospital de Amor, a partir do departamento de prevenção e diagnóstico do câncer de mama e colo do útero. Além da unidade fixa, que será a clínica de prevenção, uma unidade móvel irá percorrer e realizar o rastreamento dos dois tipos de câncer e beneficiar os moradores dos 46 municípios da 2ª Macrorregião de Saúde.
Conquista
“Esta iniciativa dos parlamentares, prontamente abraçada pelo prefeito de Arapiraca, através da doação de uma área para a construção da unidade de prevenção, representa uma mudança da história do câncer de mama e colo do útero aqui no interior de Alagoas. Acho que é um grande passo para o Estado. Espero que outros parlamentares se sensibilizem com essa ideia, junção de forças, levando mais prevenção e saúde à população”, destacou Raphael Haikel, médico e coordenador das unidades de prevenção do Hospital de Amor.
O prefeito Rogério Teófilo afirma que a instalação da unidade, que é uma instituição reconhecida no Brasil e no mundo, como referência na atuação do campo da oncologia, com elevados padrões de qualidade e de humanização no atendimento, será um marco para a cidade e o Estado, que passará a ser referência no segmento de diagnóstico precoce do câncer.
A conquista da vinda do Hospital do amor é um sonho. Ganha Arapiraca e o Estado de Alagoas, com uma unidade dessa, conquistada a partir da união das forças. A prefeitura doa o terreno, a câmara aprova a lei, os parlamentares viabilizam os recursos e a equipe do hospital traz o serviço e a tecnologia”, ressaltou o prefeito.
A área de 15 mil/ m², localizada às margens da AL-220, destinada ao Hospital do Amor, já foi visitada e aprovada pelo médico e coordenador, Raphael Haikel. Em região privilegiada, a unidade vai compor o complexo de saúde, onde já funcionam hospitais, a Unidade de Emergência do Agreste e novos empreendimentos do setor.
“Arapiraca dá mais um salto na prestação de serviços nessa linha de cuidado. A gente sabe que o grande desafio do Estado de Alagoas é conseguir fechar o diagnóstico para identificar mulheres câncer. A partir dessa parceria com o Hospital de Barretos, muito em breve nós vamos conseguir alcançar novos patamares e ter os nossos indicadores mais elevados. A gente vai poder detectar o câncer em estágio inicial, aumentando a chance de cura dos usuários e reduzindo despesas”, completou o secretário municipal de Saúde, Glifson Magalhães.
Dona Alda, 93 anos: idosa teve o braço rasgado por profissional que ignorou reclamações de dor e choro da aposentada
Uma ida ao Hospital municipal Rocha Faria, em Campo Grande, para retirar um gesso do braço, se tornou um pesadelo para a aposentada Alda Waltz Lisboa, de 93 anos, nesta quarta-feira. Com uma tesoura, um funcionário, responsável por retirar o material, ignorou o fato de Alda reclamar de dores e afirmou que era "impossível" que ele a estivesse cortando, pois o material "não tinha ponta". O resultado até agora está exposto no braço da idosa: 18 pontos. A imagem é forte.
— Quando ele começou a cortar na reta da mão dela, ela reclamou que estava sendo cortada e ele continuou. Quando chegou próximo ao cotovelo, ele disse que o que ela estava sentindo era o gelado da tesoura, mesmo com ela chorando, e afundou a tesoura. Foi quando fez o corte mais fundo no braço. Quando ele retirou a atadura e viu a quantidade de sangue, ficou muito nervoso e saiu dizendo que era "superficial" e chamando um outro enfermeiro para fazer o curativo — conta Thaísa Gazoni Waltz, sobrinha-neta de Alda, que estava com ela quando tudo aconteceu.
— Ele respondeu que era impossível estar rasgando porque a tesoura era sem ponta e continuou mesmo assim — acrescenta Ully Waltz, sobrinha-neta da idosa.
Thaísa diz que, no momento, se sentiu impotente, e que foi tudo muito rápido. Quando ela percebeu o que havia acontecido, diz que sentiu que deveria manter a calma pelo bem da avó.
— Eu sinceramente não sabia como reagir, o que fazer. Fiquei muito nervosa quando vi o braço dela, mas não fiz escândalo, não gritei, não debati nem nada, porque ela estava muito assustada, óbvio, sentiu muita dor e estava chorando. Por ela ser bem idosa fiquei com medo dela passar mal do coração, então, tentei manter a calma. Meu pai, que levou a gente lá, ficou muito estressado e vai entrar na Justiça contra o Hospital. Estamos indignados. Do meu lado sinto impotência, por ter permitido que isso tivesse acontecido, mas foi tudo muito rápido — relata Thaísa.
Segundo a família, quando viu o sangue e a gravidade do que havia feito, o profissional, identificado por eles apenas como Marcelo, um homem de meia idade, chegou a afirmar que a pele dela era "muito flácida" e, em seguida, tentou rapidamente tapar o machucado com gaze, dizendo que era superficial. Foi quando ele, então, teria chamado um outro enfermeiro, que disse que ela precisava urgentemente ir à sala médica para receber pontos.
— A médica ficou abismada com o que ele havia feito e sugeriu que eu fosse à ouvidoria do hospital — conta.
— Foi uma situação de muito descaso... mas ontem mesmo minha prima foi à ouvidoria na direção, e eles nos garantiram que não ficaria impune, e que foi de fato uma coisa muito séria. Em seguida, fomos à 35 ªDP, onde registramos o caso. Amanhã (sexta-feira) ela vai fazer o corpo de delito, porque não tinha condições de nos acompanhar na polícia durante tanto tempo. Nós queremos que ele seja punido de alguma forma, não pode ficar assim — conclui Ully.
Por fim, nesta quinta-feira, as primas contam que dona Alda entrou em contato com elas contando que o Hospital Rocha Faria disponibilizou dois enfermeiros e assistentes sociais após o ocorrido.
— Ela agora está bem, dentro do possível, em casa. Mas com 18 pontos no braço. Ela não tem noção do quão grande foi o corte nem tem muita noção, também, do que aconteceu. Foi uma cena de terror. Ela chorava e ele continuava cortando... e eu não consegui intervir — se emociona Thaísa.
Procurada, a direção do Hospital municipal Rocha Faria respondeu em nota que lamenta profundamente o que aconteceu com a Sra. Alda, pediu desculpas à idosa, e afirmou que já iniciou uma investigação interna sobre a conduta do profissional, que, durante o processo, ficará afastado de suas funções. Confira:
A direção do Hospital Municipal Rocha Faria lamenta profundamente o que aconteceu com a Sra. Alda e informa que já iniciou uma investigação interna sobre a conduta do profissional. Durante o processo, ele ficará afastado das suas funções. A unidade não tem compromisso com o erro, nossa obrigação é prestar o melhor atendimento, ouvindo sempre o paciente. A direção pede desculpas à Sra. Alda e à sua família e já ofereceu toda assistência necessária e apoio diante desse acidente lamentável. Uma enfermeira e uma assistente social foram à casa da paciente nesta quinta-feira para realizar a troca do curativo e apoio para a família. O coordenador de enfermagem também esteve com os familiares para pedir desculpas pessoalmente em nome da direção do hospital. As visitas serão diárias até que ela se recupere. Os próprios familiares usaram suas redes sociais para informar que toda a assistência está sendo prestada.