Atleta Cristian Ribera nos Jogos Paralímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 | Foto: Alessandra Cabral/CPB
O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), por meio do Programa Atleta Cidadão
em parceria com a GERPPASS, divulga a lista dos 50 atletas selecionados
para a 1ª Mentoria Coletiva – Jornada Pessoal e de Carreira, que
acontece na quinta-feira, 16, das 19h às 21h (horário de Brasília).
A Mentoria Coletiva – Jornada Pessoal e de Carreira acontecerá
virtualmente, em encontro único, e os contemplados receberão por e-mail e
WhatsApp o link de acesso.
Promovida pelo Programa Atleta Cidadão, a mentoria é voltada a
atletas e visa promover um encontro que proporcione reflexões sobre
desenvolvimento pessoal, escolhas profissionais e construção de
trajetórias.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro
Mauricio
Kubrusly enfrenta demência frontotemporal, mas mantém sua conexão com a
música e seu legado cultural, mostrando que emoções e memórias afetivas
resistem à doença.
Um
dos maiores críticos de cinema e TV do Brasil de todos os tempos,
Mauricio Kubrusly, o jornalista que marcou gerações na televisão
brasileira, foi diagnosticado com demência frontotemporal. A mesma
condição que afastou Bruce Willis do cinema.
Com
as sequelas, ele viu a própria identidade ser atravessada por uma
doença cruel. A linguagem falha. A personalidade muda. A memória escorre
pelos dedos. Mas algo permanece: o legado do homem, do profissional, do
que Kubrusly representou na história da cultura do nosso país.
Uma
parte de Kubrusly ficou e é latente, sobrepondo a demência. Entre mais
de 8 mil CDs, a música ainda o encontra e mexe com o jornalista. Ouvindo
seus CDs, ele canta, reconhece os artistas e se reconhece. Com a
música, ele sente.
Em
um documentário recente do Globoplay, ao reencontrar Gilberto Gil e
ouvir suas próprias críticas escritas décadas atrás, Mauricio provou que
nem tudo se apaga.
Hoje Kubrusly vive com a esposa Bia na Bahia.
Algumas doenças retiram palavras, apagam memórias. Mas não conseguem tocar aquilo que virou emoção e que marca uma vida.
Reunião do Comitê de Gestores avança nas parcerias intersetoriais para garantir direitos para PcDs
A Subsecretaria de Políticas Inclusivas realizou a reunião do Comitê
de Gestores, órgão formalmente instituído pelo Decreto nº 50.194, de 06
de março de 2026. O encontro, presidido pela subsecretária Bianca
Pacheco, reuniu representantes de diversas pastas e órgãos de controle
para alinhar as metas de acessibilidade e direitos da pessoa com
deficiência (PCD) para o ano de 2026.
Durante a plenária, a subsecretária destacou o protagonismo das
pessoas com deficiência na construção das políticas públicas do estado,
ressaltando a composição da própria equipe.
“É muito gratificante e com muito orgulho que eu posso dizer hoje que
sou minoria aqui. Não tenho deficiência e tenho a honra de ter ao meu
redor pessoas com deficiência em posições estratégicas neste comitê e na
subsecretaria, implementando políticas públicas que de fato fazem a
diferença”, afirmou Bianca Pacheco.
Conexão: diagnóstico e direitos
A coordenadora do Vale Social, Renata Ignarra, apresentou um balanço
das conexões firmadas no último ano e propôs uma nova dinâmica de
atendimento baseada em mutirões. A nova sede do Vale Social, inaugurada
em 18 de março, foi projetada para ser totalmente acessível, contando
inclusive com intérpretes de Libras para o atendimento ao público.
Uma das principais metas da parceria é estabelecer um fluxo direto
com o Centro de Diagnóstico do Autismo, da Secretaria de Saúde. A
proposta é que, ao receber o diagnóstico, o cidadão já seja orientado e
receba a documentação necessária para ingressar no Vale Social
imediatamente.
”Minha ideia é uma parceria sem custos, baseada na sensibilização.
Queremos que a pessoa que sai do centro de diagnóstico já saia com tudo
pronto para o Vale Social, garantindo seu direito à gratuidade de forma
ágil”, explicou Renata Ignarra.
Liderança e experiência técnica
À frente das diretrizes operacionais do comitê, o Dr. Geraldo
Nogueira, Superintendente de Ações para Pessoas com Deficiência (PcD) do
Estado, reforçou a necessidade de converter o texto legal em garantias
de acesso aos direitos práticos para a população. Advogado com mais de
25 anos de experiência e referência nacional na luta por acessibilidade,
Dr. Geraldo pontuou que o fortalecimento das políticas públicas passa
pela integração técnica entre as secretarias.
Somando-se ao corpo técnico, o evento também apresentou Marcos Santos
(Marcão), que assumiu a Superintendência de Paradesporto e Projetos
Inclusivos, trazendo sua expertise para fomentar o esporte adaptado como
ferramenta de cidadania e inclusão social.
A reunião contou ainda com uma presença expressiva de órgãos
estratégicos, consolidando a rede de proteção estadual, como o
Ministério Público (MP) e a Comissão da Pessoa com Deficiência da Alerj,
representantes da Polícia Militar, Polícia Civil, Defesa Civil e Corpo
de Bombeiros e gestores das áreas de Educação, Saúde, Esporte e
representantes da Uerj.
Acessibilidade e Cronograma
Como exemplo de boas práticas, a reunião foi conduzida com protocolos
de audiodescrição, garantindo que todos os participantes, incluindo
pessoas com deficiência visual, tivessem plena compreensão do ambiente.
Com a institucionalização pelo decreto 50.194/26, o comitê
estabeleceu um cronograma de 11 reuniões mensais para 2026. O foco será o
monitoramento rigoroso de metas de acessibilidade e o desenvolvimento
de novos fluxos de atendimento em todo o estado do Rio de Janeiro.
Karina Moura em disputa no Parapan de Jovens Santiago 2025 | Foto: Carol Coelho/CPB.
O Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, recebe desde
segunda-feira, 13, o camping preparatório da Seleção Brasileira de
jovens do tênis de mesa para o ITTF World Para Future de Santiago, no
Chile, que será realizado entre os dias 18 e 20 de abril.
A semana conta com nove atletas da Seleção de jovens da modalidade e
tem a presença da técnica neerlandesa Kelly van Zon, atual campeã
paralímpica da classe 7 (atletas que andam), em Paris 2024.
A treinadora ocupa esse cargo desde fevereiro deste ano
e tem como objetivo acompanhar o desenvolvimento dos atletas de forma
presencial a cada dois meses. Kelly também realiza consultorias online
para receber atualizações constantes, com foco no ciclo até os Jogos
Paralímpicos de Brisbane 2032.
Confira todos os convocados:
Ryan Saldanha – Classe 10
João Narvais – Classe 7
Tiago Albuquerque – Classe 8
Manuela Lima – Classe 10
Maria Clara Peralta – Classe 6
Mariana Castilho – Classe 6
Karina Becker – Classe 9
Arthur Costa Branco – Classe 5
Gustavo Rossi – Classe 9
Patrocínio
As Loterias Caixa são a patrocinadora oficial do tênis de mesa.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)
Filme
na Netflix retrata a descoberta do autismo na vida adulta, abordando
autoconhecimento, desafios e inclusão com sensibilidade.
O
filme Uma Mulher Diferente chegou à Netflix e acompanha uma história de
drama com romance focada em autodescoberta. A personagem da trama
sempre se considerou diferente dos outros, mas só aos 24 anos recebeu o
diagnóstico: estava no espectro autista. Isso explicava tanta coisa!
O
filme começa com as mudanças na vida de Katia (Jehnny Beth), que passa
do home-office para o trabalho no escritório como pesquisadora. A nova
pauta que recebe é sobre o espectro autista e precisará fazer sozinha
uma entrevista que faria em dupla. Ao participar de um seminário após a
entrevista, Katia se identifica com o que é falado e, após já ter sido
diagnosticada com depressão e ansiedade, resolve buscar um diagnóstico
definitivo.
O
diagnóstico de Katia vem na metade do filme. A profissional de saúde
afirma que Katia não é incapaz, é apenas diferente. Ela chora, aliviada.
O
filme é francês e, como dito nele, foi a paixão da França pela
psicanálise que atrasou o desenvolvimento de terapias para lidar com o
autismo, que naquele país foi considerado durante muitos anos uma doença
mental. O autismo só foi reconhecido como transtorno de desenvolvimento
por lá em 1996. O país já foi inclusive condenado pelo Conselho Europeu
por casos de discriminação.
Ao
longo do filme, a narrativa mostra como ela lidou com a necessidade de
se adaptar ao mundo ao seu redor. Vale muito a pena assistir.
Com
protagonismo PCD e diversidade familiar, Rebeca Kim apresenta história
sobre os desafios do amadurecimento no lançamento “Minha (quase)
ex-melhor amiga”
Manu e Duda sempre foram inseparáveis. Daquelas amizades que se
constroem nos pequenos rituais do dia a dia, como dividir o lanche no
intervalo, trocar confidências e encontrar um espaço seguro uma na
outra. No entanto, com a chegada do 6º ano na escola, algo começa a
mudar. Em meio a novas dinâmicas, sentimentos difíceis de nomear e
silêncios que passam a ocupar o lugar das conversas, a relação entre as
duas se transforma. É nesse território sensível de transição da infância
para a adolescência que acontece a narrativa de Minha (quase) ex-melhor amiga, lançamento de Rebeca Kim.
Na obra, publicada pela VR Editora, o leitor
acompanha o início desse distanciamento a partir de situações cotidianas
que, aos poucos, ganham novos significados. O ciúme diante de novas
amizades, pequenas atitudes mal interpretadas e um gesto impulsivo que
gera desconfiança passam a tensionar a relação das meninas. Esse acúmulo
de emoções é evidenciado durante os ensaios para a festa junina, quando
já não encontram mais o mesmo ritmo, nem na dança, nem na amizade.
O conflito ganha novos contornos quando a falta de sincronia dá
início a uma discussão verbal, que evolui para uma briga física, causa a
queda de Manu de sua cadeira de rodas e termina com as duas suspensas
por três dias. Longe da rotina escolar, é no silêncio da ausência que
percebem o quanto a amizade ainda ocupa um lugar central em suas vidas,
seja na falta das conversas sobre séries, das partidas de videogame ou
na simples presença uma da outra.
Incentivada pelas mães, Manu toma a iniciativa de se reaproximar, e o
reencontro acontece com o pretexto de ensaiarem a coreografia da
apresentação. Entre conversas e confissões, Duda revela o que não
conseguiu dizer antes e, pela primeira vez, conseguem falar sobre o que
estavam sentindo. Mais do que resolver o desentendimento, esse episódio
marca o início de uma nova forma de se relacionar: mais honesta, aberta e
atravessada pelas descobertas dessa fase.
Manu e Duda facilmente andariam no recreio, ou melhor,
no intervalo com minhas personagens. Em “Minha (quase) ex-melhor amiga”,
você vai ver que com uma boa rede de apoio podemos passar pela adolescência
com mais carinho e entender que todos os sentimentos são válidos
— a gente só precisa não ter medo de entendê-los melhor.
Thalita Rebouças, escritora best-seller
Carioca, nipo-brasileira e cadeirante, Rebeca Kim constrói
um enredo em que a diversidade aparece de forma orgânica, integrada à
vida das personagens, sem ser tratada como obstáculo. Ao trazer uma
protagonista negra, cadeirante e filha de duas mulheres com naturalidade
e afeto, a autora amplia as possibilidades de identificação para jovens
leitores, sem recorrer a estereótipos ou a uma visão limitada dessas
vivências. Com ilustrações delicadas de Purin Naka, que retrata cada fase da amizade das protagonistas, Minha (quase) ex-melhor amiga é
uma história sobre amadurecimento que acolhe, representa e convida à
empatia, reforçando que toda experiência merece ser vista em sua
complexidade e, sobretudo, em sua potência.
Ficha Técnica: Título: Minha (quase) ex-melhor amiga Volume: 01 Autora: Rebeca Kim Ilustradora: Purin Naka Editora: VR Editora Edição/ano: 1ª/2026 ISBN do livro físico: 978-85-507-0793-8 ISBN do e-book: 978-85-507-0794-5 Gênero: Literatura infantojuvenil Idade recomendada: A partir de 10 anos Número de páginas: 132 Preço: R$ 59,90 Onde encontrar: Amazon | E-commerce VR Editora | Mercado Livre | Principais livrarias do Brasil
Sobre a autora: Rebeca Kim é neta de japoneses,
cadeirante, vascaína, formada em Direito e nascida em Niterói (RJ), de
onde sempre parte para novos destinos de viagens. Além de escrever para
blogs de cultura pop, ela também publicou histórias independentes na
internet. Minha quase ex-melhor amiga é seu livro de estreia.
Semana de treino da seleção de feminina de Basquete em
Cadeira de Rodas no CT Paralímpico, em São Paulo | Foto: Alessandra
Cabral/CPB
O Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, recebe a terceira
fase de treinamento da Seleção Brasileira feminina de basquete em
cadeira de rodas. Ao todo, foram convocadas 13 atletas, que estarão na
capital paulista entre os dias 11 e 18 de abril.
A equipe nacional feminina da modalidade assegurou a vaga no
Campeonato Mundial após conquistar a inédita medalha de prata na Copa
América de 2025, disputada em Bogotá, na Colômbia. Na decisão do
torneio, o Brasil foi superado pelos Estados Unidos por 77 a 37.
Como parte da preparação para o Mundial, a equipe realizará cinco
períodos de treinamento. A próxima fase inclui um intercâmbio com a
seleção do Canadá, em Ottawa, programado para junho.
Confira as convocadas: Brenda Bauer (1.0) – APP/Valkirias/UNIPAM/DB (MG) Ana Kelvia (1.0) – ADESUL (CE) Maxcileide Ramos (1.0) – Unipol Briantea84 (ITA) Denise Eusébio (1.5) – Menari Joventut Perla Assunção (2.0) – All Star Rodas Pará/Banco da Amazônia (PA) Gabriela Oliviera (2.5) – IREFES/SESPORT (ES) Ivanilde da Silva (3.5) – IREFES/SESPORT (ES) Paola Klokler (3.5) – IREFES/SESPORT (ES) Oara Uchoa (4.0) – ADESUL (CE) Geisa Vieira (4.0) – APP/Valkirias/UNIPAM/DB (MG) Adrienne de Souza – (4.0) APP/Valkirias/UNIPAM/DB (MG) Vileide Brito (4.5) – All Star Rodas Pará/Banco da Amazônia (PA) Lia Martins (4.5) – ADESUL (CE)
*Com informações da Confederação Brasileira de Basquetebol em Cadeira de Rodas (CBBC)
Patrocínio A Caixa e as Loterias Caixa são as patrocinadoras oficiais do basquete em cadeira de rodas.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)
Japão
aprova terapia com células iPS para Parkinson, marcando avanço
importante da medicina regenerativa, ainda sob avaliação de segurança e
eficácia.
O
mundo está assistindo a um avanço que, por muito tempo, parecia
distante. Em março de 2026, o Japão concedeu aprovação condicional e com
prazo limitado à primeira terapia derivada de células iPS para
Parkinson, desenvolvida a partir de células reprogramadas para gerar
neurônios produtores de dopamina.
Isso
não significa milagre imediato, nem cura garantida para todos. Mas
representa algo muito importante: a medicina regenerativa começou a sair
do campo da promessa e entrar, com cautela, no campo da aplicação real.
A própria aprovação exige acompanhamento adicional de segurança e
eficácia.
Para
quem vive com medo de um diagnóstico difícil, notícias assim lembram
que a ciência continua avançando. E que, mesmo quando a resposta ainda
não é definitiva, cada passo sério abre caminho para novas
possibilidades.
Entre rotinas intensas de cuidado, renúncias pessoais e falta de
apoio, muitas mães atípicas enfrentam uma solidão silenciosa que
raramente é percebida pela sociedade.
A solidão nem sempre significa estar fisicamente sozinho. Muitas vezes, ela surge mesmo quando estamos cercados por pessoas.
Para muitas mães atípicas, essa é uma realidade cotidiana. Em meio a
consultas médicas, sessões de terapia, acompanhamento escolar e uma
rotina intensa de cuidados, o mundo ao redor parece seguir em frente
enquanto suas próprias vidas passam a girar quase exclusivamente em
torno das necessidades dos filhos.
A maternidade atípica — vivida por mulheres que criam filhos com
deficiência ou condições que exigem atenção constante — é marcada por
amor, dedicação e resiliência. Mas também pode ser acompanhada por um
sentimento silencioso de isolamento que poucas pessoas conseguem
perceber.
Quando a rotina de cuidados ocupa todos os espaços
Imagine uma rotina em que a agenda da semana é organizada em torno de
consultas médicas, sessões de terapia, reuniões escolares e
deslocamentos constantes.
Para muitas mães atípicas, essa não é uma situação ocasional, mas parte permanente da vida.
Os dias começam cedo e terminam tarde. Entre compromissos, cuidados
domésticos e atenção contínua aos filhos, sobra pouco espaço para
descanso ou para atividades pessoais.
Projetos profissionais são interrompidos, encontros com amigos
tornam-se raros e momentos de lazer passam a ser cada vez mais difíceis
de encaixar na rotina.
Com o tempo, a vida social se reduz e o contato com o mundo exterior vai diminuindo de forma quase imperceptível.
O afastamento social que poucos percebem
A solidão das mães atípicas muitas vezes não é resultado de uma escolha, mas de um processo gradual.
Algumas deixam de participar de eventos sociais por receio de que
seus filhos não sejam compreendidos. Outras enfrentam dificuldades
práticas, como a falta de ambientes acessíveis ou preparados para
acolher crianças com necessidades específicas.
Há também situações em que o cansaço emocional fala mais alto.
Uma simples saída para um encontro entre amigos pode exigir uma
organização complexa: encontrar alguém que possa ajudar com os cuidados,
avaliar se o ambiente será adequado para a criança e lidar com a
possibilidade de imprevistos.
Diante de tantas dificuldades, muitas mães acabam optando por permanecer em casa.
Com o tempo, convites diminuem e a convivência social se torna cada vez mais limitada.
A importância de ser ouvida e compreendida
Em meio a essa realidade, uma das maiores necessidades relatadas por mães atípicas é a possibilidade de serem ouvidas.
Ter espaço para compartilhar experiências, falar sobre desafios e
dividir conquistas pode fazer uma enorme diferença no enfrentamento das
dificuldades do cotidiano.
Grupos de apoio, redes de mães e espaços de diálogo têm se mostrado ferramentas importantes nesse processo.
Quando mulheres que vivem experiências semelhantes se encontram,
surge um ambiente de compreensão mútua. Não é necessário explicar
longamente a rotina de cuidados ou justificar sentimentos de cansaço,
porque todas ali reconhecem, de alguma forma, aquela realidade.
Esse sentimento de identificação cria vínculos e reduz o peso da solidão.
Construindo redes de apoio
Combater a solidão das mães atípicas exige um esforço coletivo.
Famílias, amigos, instituições e a própria sociedade precisam
compreender que o cuidado com crianças com deficiência não pode ser uma
responsabilidade isolada.
Pequenos gestos de apoio podem fazer uma grande diferença: ouvir sem
julgamentos, oferecer ajuda em momentos difíceis ou simplesmente
reconhecer os desafios enfrentados diariamente.
Criar redes de apoio é essencial para que essas mulheres não se sintam sozinhas em uma jornada que já exige tanto.
Nenhuma mãe deveria caminhar sozinha
A maternidade atípica revela diariamente a força e a dedicação de
mulheres que enfrentam desafios constantes para garantir qualidade de
vida e oportunidades para seus filhos.
Mas essa jornada não deveria ser solitária.
Reconhecer a solidão que muitas dessas mães enfrentam é o primeiro
passo para construir uma sociedade mais empática e mais consciente da
importância de apoiar quem dedica grande parte da própria vida ao
cuidado do outro.
Porque cuidar também exige cuidado.
E nenhuma mãe deveria caminhar sozinha.
* Igor Lima é advogado (OAB/RJ), especialista em Direitos Humanos e
sustentabilidade, e pessoa com deficiência. Coordenador da coletânea
jurídica “Deficiência e os Desafios para uma Sociedade Inclusiva”,
citada no STJ, TST, STF e presente em instituições como Harvard e
Universidade de Coimbra. Autor de artigos publicados em espaços como
ABDConst, Future Law e revistas jurídicas nacionais, atua como
palestrante em instituições como UERJ, UFRJ, UFF, OAB/RJ e MPRJ.
Dedica-se à pesquisa e defesa dos direitos das pessoas com deficiência,
com experiência em inclusão, políticas públicas e ESG.
Luan espera à beira da piscina para disputar uma de suas cinco provas no Meeting do Acre | Foto: Pablo Araújo/CPB
O jovem acreano Luan de Lima Pereira, 22, viu sua vida mudar após um
acidente em novembro de 2012. À época, com 8 anos, ele e sua irmã Laiane
de Lima Pereira, 10, foram atropelados por um ônibus quando estavam
próximos à escola onde estudavam, na cidade de Cruzeiro do Sul, cerca de
635 km da capital Rio Branco.
A notícia que chegou à Maria José de Lima Pereira, mãe das crianças,
era de que ambos os filhos estavam mortos. A primogênita, de fato,
faleceu. Luan foi levado à UTI, onde ficou por 12 dias, e teve as duas
pernas amputadas.
Quase quatorze anos depois de ser atropelado, Luan mora em Rio
Branco, estuda Ciências Sociais na Universidade Federal do Acre e, como
nadador, defende as cores da instituição em competições paralímpicas.
Neste sábado, 11, ele teve a oportunidade de nadar “em casa” no Meeting Paralímpico Loterias Caixa do
estado. Saiu do evento com cinco medalhas: dois ouros (100m peito na
classe SB5 e 400m livre na classe S6 — para atletas com limitação
físico-motora) e três pratas (50m e 100m livre, além dos 100m costas da
classe S6). Luan foi um dos 89 inscritos na competição — foram 65
participantes nas provas de atletismo, no Sesi, e 24 nas de natação, na
Esscola Estadual Armando Nogueira.
Antes do acidente, o acreano gostava de jogar vôlei com seus amigos.
Após ter as pernas amputadas, jurou para si mesmo que iria “andar,
brincar e correr”. Anos depois, trocou as quadras pelas piscinas e,
hoje, concilia a rotina de estudos com os três treinos semanais no Centro de Referênciade
Rio Branco, projeto do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) que
aproveita espaços esportivos em todo o país para a prática esportiva da
base ao alto rendimento.
Aos 12 anos, Luan teve a sua primeira
experiência com a natação. À ocasião, ele não se sentiu atraído pela
modalidade. “Parei. Achava que não era para mim. Não gostava tanto, mas
quando entrei na graduação, senti o interesse e a necessidade de nadar,
já que tinha um projeto [Centro de Referência]. Foi um avanço muito
grande. Lá, nos meus 12 anos, tinham alguns treinadores, mas não era
nada oficial. Agora, temos uma estrutura completa”, comentou.
Fã
de K Pop (gênero musical sul-coerano) e literatura, principalmente
relacionada às Ciências Sociais, Luan nutre o sonho de evoluir dentro do
esporte, melhorar suas marcas e aproveitar as oportunidades abertas
pela natação paralímpica. E, para tanto, ele tem o apoio incondicional
daquela que largou a casa e o comércio em Cruzeiro do Sul para
acompanhá-lo em Rio Branco, na busca de uma nova vida após a
biamputação.
“Minha mãe me incentiva a nadar. Ela sabe que faz bem para a saúde
física e mental. É a minha maior incentivadora. E ter um Meeting aqui,
em Rio Branco, também me ajuda nos meus objetivos. O esporte é inclusão e
salva vidas”, concluiu.
A temporada de 2026 do Meeting Paralímpico Loterias Caixa, aberta
neste sábado, 11, irá passar por todos os estados brasileiros e se
encerrará em São Paulo, de 6 a 8 de agosto.
O Meeting Paralímpico Loterias Caixa também contou com uma etapa emBelém (PA),
com provas de atletismo e natação neste sábado, 11. A próxima etapa do
Meeting Paralímpico Loterias Caixa acontecerá em São Luis (MA), no dia
25 de abril.
Patrocínio As Loterias Caixa, a Caixa, a Braskem e a Asics são as patrocinadoras oficiais do atletismo. As Loterias Caixa e a Caixa são as patrocinadoras oficiais da natação.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)