07/01/2026

Vitória Miranda é eleita a melhor jovem do tênis em cadeira de rodas de 2025 pela ITF

Vitória Miranda comemora no Parapan de Jovens Santiago 2025, Chile | Foto: Marcello Zambrana/CPB.

A mineira Vitória Miranda, 18, foi eleita a melhor jovem do tênis em cadeira de rodas de 2025 pela Federação Internacional de Tênis (ITF). É a primeira vez que uma jovem brasileira conquista este reconhecimento da entidade.

Em 2025, Vitória conquistou dez títulos em simples e oito em duplas, incluindo os títulos de simples e de duplas em dois Grand Slams na categoria Júnior, no Aberto da Austrália e em Roland Garros, na França.

No Parapan de Jovens de Santiago, a atleta mineira também garantiu duas medalhas: ouro na disputa de simples e nas duplas mistas, ao lado de Luiz Calixto.

Além do prêmio internacional, Vitória recebeu o troféu de melhor atleta de tênis em cadeira de rodas no Prêmio Brasil Paralímpico, realizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) em dezembro de 2025.

“Tive um ano muito bom, com muita evolução e títulos importantes. Foi um período incrível, cheio de novidades e sonhos realizados. Terminei minha trajetória no júnior e começo agora como adulta com o pé direito. Estou muito feliz por estar aqui e pelo reconhecimento do meu trabalho”, disse Vitória Miranda no Prêmio Brasil Paralímpico.

A premiação, organizada pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), teve transmissão do SporTV3 e apresentação dos jornalistas Vinicius Rodrigues e Joanna de Assis. O evento contou ainda com apresentações artísticas da Orquestra Sinfônica Mundana Refugi e dos artistas Mart’nália e Luiz Otávio.

Além de homenagear atletas, treinadores e apoiadores do Movimento Paralímpico que se destacaram em 2025, o evento celebrou os 30 anos do CPB, fundado em 9 de fevereiro de 1995, em Niterói (RJ).

Patrocínio
O Prêmio Brasil Paralímpico é patrocinado pelas Loterias Caixa.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

Fonte https://cpb.org.br/noticias/vitoria-miranda-e-eleita-a-melhor-jovem-do-tenis-em-cadeira-de-rodas-de-2025-pela-itf/

Postado Pôr Antônio Brito 

06/01/2026

Xadrez político: mudanças de cargos do 1º escalão e os impactos nas políticas públicas para as pessoas com deficiência em todo o Brasil

Xadrez político: mudanças de cargos do 1º escalão e os impactos nas políticas públicas para as pessoas com deficiência em todo o Brasil

EXCLUSIVO – Diário PcD repercute possíveis mudanças no Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania e na Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência

À medida que as eleições se aproximam, o cenário político nacional se transforma em um verdadeiro xadrez.

Nomes desconhecidos, nomeações estratégicas, exonerações por descontentamento e afastamentos no primeiro escalão dos governos marcam esse período, com ministros e secretários deixando seus cargos para concorrer nas eleições do próximo ano.

https://youtu.be/WFHfkOVULBw 

No entanto, esse processo, que parece ser uma prática comum e esperada, levanta questões importantes sobre as consequências para a administração pública e a efetividade das políticas direcionadas às necessidades da população.

Especificamente em relação às pessoas com deficiência, a Ministra Macaé Evaristo, que se afastou do cargo de Deputada Estadual em Minas Gerais para assumir o MDHC – Ministérios dos Direitos Humanos e Cidadania, deverá se afastar do cargo para disputar uma vaga para a Câmara dos Deputados.

https://www.congressoemfoco.com.br/noticia/115228/ao-menos-20-ministros-devem-deixar-o-governo-lula-ate-abril

O grande detalhe é o que está por vir na SNDPcD – Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, que nos últimos 3 anos esteve sob o comando de Anna Paula Feminella.

Nos bastidores, desde as eleições do CONADE, se comenta sobre possível mudança na pasta.

Fontes garantiram ao Diário PcD que Feminella enfrenta resistência dentro da pasta e principalmente com interlocutores da Ministra. Inclusive existem apurações sendo feitas em âmbito interno para apurar posturas adotadas em momentos de discussões e decisões.

Até o final da tarde desta segunda-feira, 5, a Assessoria de Comunicação da Ministra Macaé Evaristo não havia respondido as demandas encaminhadas nesta manhã pelo jornalismo do Diário PcD.

Diante do fortalecimento das informações de que Feminella seria realmente exonerada, entidades da sociedade brasileira passaram a se manifestar.

Documento elaborado pela Frente Nacional de Mulheres com Deficiência, encaminhado a Macaé manifestou apoio político, institucional e coletivo à permanência de Anna Paula Feminella no cargo. “Esta manifestação fundamenta-se na avaliação política e técnica da atual gestão, no reconhecimento da trajetória histórica da Secretária Anna Paula Feminella e na compreensão de que a continuidade do trabalho em curso é estratégica para a consolidação das políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência, com especial atenção às mulheres com deficiência, historicamente invisibilizadas nas ações do Estado. A permanência é estratégica para assegurar continuidade administrativa, coerência política e aprofundamento das ações em curso, evitando rupturas em processos estruturantes e garantindo a consolidação das políticas públicas já iniciadas”. Há ainda o pedido de uma audiência com urgência com a Ministra para debater o teor da manifestação.

Outra manifestação que o Diário PcD teve acesso foi de Cinthya Campos de Oliveira Mascena, Secretária de Inclusão Acadêmica e Acessibilidade da Universidade Federal do Espírito Santo, que manifestou publicamente o apoio à permanência de Feminella à frente da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, “reconhecendo a relevância de sua atuação para o fortalecimento das políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência no Brasil. Ao longo de sua gestão, Ana Paula Feminella tem exercido papel estratégico na retomada do diálogo democrático, na reconstrução de instâncias participativas e no reposicionamento da pauta dos direitos das pessoas com deficiência como eixo central da agenda pública nacional. Destaca-se, de modo especial, sua contribuição para a retomada do funcionamento democrático do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CONADE), restabelecendo processos de participação social que haviam sido fragilizados em períodos anteriores”.

Já a Rede In – Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, que reúne dezenas de entidades em todo o Brasil, também em Nota Oficial, manifestou apoio à permanência da secretária Anna Paula Feminella e solicitou audiência para tratar da importância da preservação da secretária na coordenação da Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). “O apoio manifestado tem como base a atuação da secretária Anna Paula Feminella na condução dos assuntos pertinentes à sua pasta e na compreensão de que a descontinuidade do trabalho que vem sendo realizado por ela e sua equipe pode repercutir negativamente na implementação dos programas, políticas e ações relacionadas às pessoas com deficiência. No delicado momento político em que nos encontramos, em que o governo necessita de estabilidade institucional e união da sociedade progressista em torno dos ideais por essa compartilhados, não interessam rupturas administrativas, que podem gerar fragilização das políticas voltadas à consolidação dos direitos das pessoas com deficiência e fragmentação do movimento”.

Entidades como a ABRAÇA- Associação Brasileira para Ação por Direitos das Pessoas Autistas e Setorial Nacional de Pessoas com Deficiência do Partido dos Trabalhadores (PT) também se manifestaram apoiando a permanência da secretária.

Feminella sempre destaca em suas redes sociais alguns itens importantes durante a sua gestão:

*Implantação do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Viver sem Limites II;

*Início da implementação da Avaliação Biopsicossocial Unificada da Deficiência;

*Convocação e realização da 5ª Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência;

*Fortalecimento do CONADE e dos espaços de participação social;

*Promoção da transversalidade das políticas públicas e da abordagem interseccional, incluindo o recorte de gênero.

Apuração Diário PcD

De acordo com fontes do Diário PcD, Feminella deveria ter sido exonerada por Macaé ainda no final do ano passado. Por sinal, essa notícia esteve nos bastidores na Capital Federal, principalmente durante as eleições do CONADE realizadas em novembro de 2025. O assunto causou enorme mal-estar no momento em que representantes do segmento de todo Brasil estiveram reunidos.

A expectativa do segmento era de que algumas decisões mais importantes deveriam ter sido adotadas por Macaé, enquanto Ministra.

Uma delas é a interlocução com o Governo Federal e demais Ministérios para a efetiva implantação da Avaliação Biopsicossocial Unificada, que está ‘engavetada’ desde setembro de 2024, quando o ex-ministro Silvio Almeida fez o encaminhamento dos estudos do Grupo de Trabalho ao Presidente Lula.

Desde então, as únicas movimentações sobre o assunto foram ‘projetos pilotos’ realizados em alguns estados brasileiros.

A expectativa agora é para o que de positivo possa acontecer em 2026 no principal órgão federal com relação direta às pessoas com deficiência.  

Fonte https://diariopcd.com.br/xadrez-politico-mudancas-de-cargos-do-1o-escalao-e-os-impactos-nas-politicas-publicas-para-as-pessoas-com-deficiencia-em-todo-o-brasil/

Postado Pôr Antônio Brito 

O impacto na vida financeira nas doenças raras: o que os dados já gritam?

O impacto na vida financeira nas doenças raras: o que os dados já gritam? - OPINIÃO - * Por Geisa Luz

OPINIÃO

  • * Por Geisa Luz 

Na comunidade das doenças raras, existe um tipo de cansaço que quase nunca aparece nas campanhas: o cansaço financeiro. Ele não é só sobre “remédios caros”. É sobre a soma silenciosa de gastos que se acumulam por anos: transporte, alimentação fora de casa, adaptações, terapias, faltas no trabalho, perda de renda e dívidas. E sobre a sensação de que, para sobreviver, muitas famílias precisam negociar a própria estabilidade.

A pergunta que eu mais ouço, em diferentes tons, é simples e devastadora:

“Quem paga essa conta?”

A conta não é só médica e no Brasil isso já foi medido

Um estudo brasileiro com 99 famílias de crianças e adolescentes com fibrose cística, mucopolissacaridoses e osteogênese imperfeita, atendidas em hospital de referência no Rio de Janeiro, mostrou números que ajudam a tirar o tema do “achismo”:

  • Custo direto não médico (mediano) para as famílias: R$ 2.156,56 (fibrose cística), R$ 1.060,00 (mucopolissacaridoses) e R$ 1.908,00 (osteogênese imperfeita).
  • Perda de renda: “superou 100%” nas três condições analisadas (na prática: o impacto pode ultrapassar toda a renda familiar disponível).
  • 54% das famílias não recebiam benefícios assistenciais.
  • Estratégias de sobrevivência financeira: 69% recorreram a empréstimos e 22,5% venderam bens para lidar com custos do tratamento.
  • O estudo também relata ocorrência de gastos catastróficos para as famílias investigadas.

Esses dados reforçam uma verdade dura: mesmo quando existe cuidado no SUS, a jornada de uma doença rara frequentemente exige despesas que a família precisa cobrir “por fora”.

No mundo, o padrão se repete: custos altos e risco real de empobrecimento

Em Hong Kong, um estudo com pacientes e cuidadores de doenças raras (106 condições) estimou um custo anual total de US$ 62.084 por paciente, e encontrou catástrofe financeira (catastrophic health expenditure) em 36,3% das famílias no limiar de 10% de gasto do domicílio, além de empobrecimento (impoverishing health expenditure) em 8,8%.

Ou seja: não é “aperto”, é risco estatístico de colapso econômico.

3) A “odisseia diagnóstica” também custa caro (e custa antes do tratamento)

Quando o diagnóstico atrasa, a família paga em dinheiro e em tempo de vida. Um estudo sobre a jornada diagnóstica de casos suspeitos de doença rara (sem diagnóstico confirmado no início) mostrou custos diretos médios de € 26.999, cerca de 7,6 vezes maiores do que controles comparáveis (€ 3.561) (“The cost of the diagnostic odyssey of patients with suspected rare diseases”, 2025).

Isso ajuda a explicar por que tantas famílias descrevem a fase “antes do nome da doença” como uma fase de gastos sem fim e sem direção.

O impacto econômico é gigantesco

Nos EUA, uma análise do impacto econômico de 379 doenças raras estimou um custo total de US$ 997 bilhões em 2019, com composição que mostra como a conta extrapola o hospital:

  • US$ 449 bi em custos médicos diretos (45%)
  • US$ 437 bi em custos indiretos (44%)
  • US$ 73 bi em custos não médicos (7%)
  • US$ 38 bi em custos de saúde não cobertos por seguro (4%)

O recado é claro: políticas focadas apenas no custo do tratamento deixam de fora uma parte enorme do problema.

O que a comunidade de doenças raras espera quando fala de “impacto financeiro”

Quando famílias, pacientes e cuidadores falam sobre dinheiro, raramente o pedido é “privilégio”. É previsibilidade, proteção e dignidade. Na prática, isso costuma se traduzir em cinco expectativas bem objetivas:

O ponto não é “quanto custa a doença rara”, é quem fica com a fatura

Quando a família precisa fazer empréstimo (69%) e vender bens (22,5%) para sustentar cuidado, isso não é um “problema individual”. É um sinal de que a política pública ainda não está cobrindo o que deveria cobrir.

LEIA MAIS AQUI: Cuidado complexo, custo elevado e perda de renda: o que não é raro para as famílias de crianças e adolescentes com condições de saúde raras. Cad Saude Publica. 2019 Sep 9;35(9):e00180218.

Se a comunidade de doenças raras pudesse resumir sua expectativa em uma frase, talvez fosse esta:

“Não queremos heroísmo financeiro. Queremos um sistema que não nos empurre para a dívida para conseguir viver.”

  • * Geisa Luz e Consultora em Doenças Raras | Enfermagem Pediátrica | TEDx Speaker | Docente Adjunto Doutora FAMEMA | Líder GNNRD BRASIL

ARTIGO ORIGINALMENTE PUBLICADO EM: https://www.linkedin.com/pulse/o-impacto-na-vida-financeira-nas-doen%C3%A7as-raras-que-os-geisa-luz-xwmif/?trackingId=J63ug9bWTxeMdGZiWd09mg%3D%3D

Fonte https://diariopcd.com.br/o-impacto-na-vida-financeira-nas-doencas-raras-o-que-os-dados-ja-gritam/

Postado Pôr Antônio Brito  

05/01/2026

Burnout parental e famílias de crianças com TEA: uma realidade que exige apoio estruturado

Burnout parental e famílias de crianças com TEA: uma realidade que exige apoio estruturado

Clínicas especializadas da Dasa ampliam atenção não só ao autista, mas também ao cuidador

Famílias de crianças com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) enfrentam rotinas intensas. Consultas, terapias, adaptações diárias, mediação de comportamentos e estímulos contínuos recaem, muitas vezes, sobre uma única pessoa. Esse cenário favorece o chamado burnout parental, condição caracterizada por exaustão física, emocional e sensação de incapacidade no papel de cuidador. Apesar de pouco discutido, o fenômeno aparece com frequência relevante em pesquisas científicas¹,².

Estudos mostram que cuidadores de crianças com TEA apresentam níveis elevados de estresse. Uma pesquisa coordenada pela Universidade de Wuhan, na China, identificou burnout em 19,9% dos pais avaliados e estresse parental alto em 72,3%². No Brasil, levantamento com 182 responsáveis registrou risco moderado de burnout em 11% e quadro confirmado em 3,3%³. Entre os fatores associados estão carga de cuidados, pouca divisão de responsabilidades e ausência de suporte social³.

Diante desse cenário, modelos integrados que organizam diagnóstico, terapias e apoio ao cuidador têm ganhado relevância. A criação de redes estruturadas permite reduzir deslocamentos, otimizar rotinas e oferecer suporte contínuo à família — elementos que reduzem a sobrecarga e favorecem um ambiente mais estável para a criança.

Apoio que ultrapassa o atendimento clínico

Para além das terapias, especialistas reforçam que o bem-estar da família interfere no desenvolvimento da criança. “O cuidado exige tanto das famílias que, sem uma estrutura de suporte adequado, o impacto na saúde mental dos responsáveis é inevitável”, afirma Fabiane Minozzo, Gerente de Programas de Saúde e Cuidado da Dasa. A ausência de acompanhamento psicológico, impossibilidade de dividir tarefas e a falta de orientação sobre autocuidado são citadas por ela como pontos críticos.

Modelos centralizados — que reúnem diagnóstico, intervenções multidisciplinares e orientações aos responsáveis — facilitam a logística e reduzem o isolamento. Ao colocar o cuidador dentro da estratégia terapêutica, ampliam a efetividade do tratamento e diminuem fatores associados ao burnout³,⁴.

Diagnóstico precoce e intervenções adaptadas

O diagnóstico precoce permanece um dos fatores que mais influenciam o desenvolvimento de crianças e adolescentes no espectro. “Combinamos observação clínica, relatos familiares e ferramentas padronizadas para obter uma análise consistente e adaptar os planos de terapia conforme necessário”, explica Tarcizio Brito, neurologista e coordenador das Clínicas Especializadas em TEA da Dasa. Segundo ele, intervenções iniciadas cedo aumentam o potencial de progresso e permitem ajustar o cuidado de acordo com a evolução da criança.

Além de beneficiar o desenvolvimento infantil, a identificação precoce reduz incertezas e ajuda a família a se reorganizar — fator protetor contra o esgotamento emocional¹,⁴.

Estrutura e inclusão: dois eixos do bem-estar familiar

Ambientes preparados para acolher famílias de crianças com TEA também influenciam a rotina dos cuidadores. Unidades que oferecem estações de trabalho, orientação profissional, suporte online e grupos de acolhimento diminuem o tempo ocioso entre terapias, ampliam o acesso à informação e criam espaços para trocar experiências.

Essas iniciativas ajudam a reduzir o isolamento, apontado por pesquisas como um dos principais catalisadores do burnout¹³. Indo além do acompanhamento clínico, modelos que integram diagnóstico, terapias e suporte aos responsáveis reconhecem o cuidador como parte ativa do processo. Com isso, reduzem fatores de risco ligados à exaustão, preservam o equilíbrio emocional da família e reforçam que o bem-estar da criança passa, inevitavelmente, pelo bem-estar de quem cuida.

Referências

¹ Estudo brasileiro citado no texto (Anais COMCISA / UNIPAM – burnout parental) https://anais.unipam.edu.br/index.php/comcisa/article/view/3020

² Estudo chinês com 231 pais — 19,9% de burnout e 72,3% de alto estresse parental https://www.techscience.com/IJMHP/v27n3/60242/html https://www.researchgate.net/publication/389805512_The_Relationship_between_Parenting_Stress_and_Parenting_Burnout_in_

Parents_of_Children_with_Autism_The_Chain_Mediating_Role_of_Social_Support_and_Coping_Strategies

³ Estudo brasileiro com 182 cuidadores — risco moderado de burnout (11%) e burnout confirmado (3,3%) http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/80493

⁴ Referência geral sobre impacto do diagnóstico precoce no desenvolvimento e na carga familiar https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31821935/

Fonte https://diariopcd.com.br/burnout-parental-e-familias-de-criancas-com-tea-uma-realidade-que-exige-apoio-estruturado/

Postado Pôr Antônio Brito 

Pedagogia da Exclusão

Pedagogia da Exclusão - OPINIÃO - * Por Dr. Ademar Santos

OPINIÃO

A expansão do discurso da inclusão educacional nas últimas décadas produziu um aparente consenso em torno da ideia de uma escola para todos. Documentos oficiais, legislações, políticas públicas e projetos pedagógicos reiteram o compromisso com o acesso universal e com o reconhecimento da diversidade.

No entanto, a permanência de elevados índices de evasão, reprovação, fracasso escolar e silenciamento de sujeitos historicamente marginalizados evidencia uma contradição estrutural que não pode ser ignorada. A escola inclui formalmente, mas continua excluindo de modo sistemático.

É nesse cenário que se impõe a necessidade de retomar e atualizar o debate sobre a pedagogia da exclusão, compreendida aqui, não como exceção ou desvio, mas como princípio histórico de organização da instituição escolar.

Desde sua constituição como instituição moderna, a escola assumiu uma função ambígua. Ao mesmo tempo em que se apresentava como espaço de democratização do conhecimento, operava como instância de seleção social.

O acesso aos saberes escolares sempre esteve condicionado à assimilação de códigos culturais específicos, associados às classes socialmente dominantes. Dessa forma, a escola não apenas ensinou conteúdos, mas legitimou determinados modos de pensar, falar, escrever e se comportar como socialmente superiores.

Aqueles que não correspondiam a esses padrões passaram a ser identificados como insuficientes, imaturos ou incapazes, inaugurando um processo de naturalização do fracasso escolar.

A pedagogia da exclusão se consolida, portanto, quando a escola transforma diferenças sociais, culturais e cognitivas em desigualdades educacionais. Esse processo não se dá apenas pela negação do acesso, mas sobretudo pela imposição de um modelo único de aluno ideal, de currículo legítimo e de desempenho esperado.

A avaliação, nesse contexto, desempenha papel central ao classificar, hierarquizar e selecionar, convertendo trajetórias desiguais em resultados aparentemente objetivos. O fracasso deixa de ser compreendido como efeito das condições institucionais e passa a ser atribuído ao indivíduo, deslocando a responsabilidade da escola para o estudante e sua família.

Ao longo do século XX, essa lógica foi reforçada pela organização seriada do ensino, pela fragmentação curricular e pela consolidação de práticas avaliativas classificatórias. A reprovação e a evasão tornaram-se mecanismos recorrentes de regulação do sistema escolar, legitimados por discursos pedagógicos que associavam sucesso ao mérito individual.

No campo da educação especial, essa racionalidade assumiu contornos ainda mais evidentes. A distinção entre normal e anormal estruturou práticas segregadoras, sustentadas por diagnósticos clínicos e testes psicométricos, que afastaram da escola comum aqueles considerados fora do padrão. A diversidade passou a ser tratada como problema a ser corrigido ou administrado, e não como princípio constitutivo da educação.

Com a ampliação do acesso à escola, especialmente nas últimas décadas, esperava-se que esses mecanismos fossem superados. Contudo, a universalização da matrícula não foi acompanhada por transformações estruturais equivalentes.

A escola passou a receber públicos cada vez mais diversos sem revisar de forma profunda seus currículos, metodologias e critérios de avaliação. Esse descompasso produziu o que se pode compreender como inclusão excludente. Os estudantes ingressam na escola, mas não encontram condições reais de participação, aprendizagem e reconhecimento. Permanecem presentes fisicamente, mas excluídos pedagogicamente.

Nesse novo cenário, a pedagogia da exclusão não desaparece, mas se reorganiza. A exclusão desloca-se do acesso para a permanência e para o êxito escolar. Avaliações padronizadas, currículos homogeneizadores e práticas pedagógicas pouco sensíveis às diferenças produzem fracasso, desinteresse e abandono.

A escola continua funcionando como filtro social, agora sob a aparência de neutralidade técnica. A meritocracia educacional cumpre papel decisivo nesse processo ao legitimar desigualdades como resultado do esforço individual, ocultando as condições sociais e institucionais que moldam as trajetórias escolares.

Temos, a partir dos anos 1990, a intensificação das políticas educacionais orientadas pela racionalidade neoliberal que aprofundou esse quadro. A educação passou a ser concebida como investimento em capital humano, e a escola foi progressivamente submetida a critérios de eficiência, produtividade e desempenho mensurável.

Avaliações em larga escala, ranqueamento de escolas e padronização curricular consolidaram uma cultura educacional que privilegia resultados quantitativos em detrimento dos processos formativos. A diversidade dos estudantes passou a ser vista como obstáculo à eficiência do sistema, e não como elemento constitutivo do direito à educação.

É nesse cenário, que a pedagogia da exclusão assume uma dimensão claramente política. Políticas apresentadas como técnicas e neutras produzem efeitos profundamente desiguais. Escolas situadas em territórios vulnerabilizados são penalizadas por baixos resultados sem receber suporte estrutural adequado.

Estudantes que não atingem os padrões estabelecidos são responsabilizados por seu desempenho e empurrados para trajetórias marcadas pela repetência, evasão ou certificação precária. A exclusão, assim, deixa de ser um efeito colateral e passa a ser parte integrante do funcionamento do sistema educacional.

Além das dimensões estruturais e econômicas, a exclusão se manifesta cotidianamente no plano simbólico, curricular e identitário. O currículo opera como artefato de poder ao selecionar saberes considerados legítimos e silenciar outros.

Conhecimentos produzidos por grupos historicamente marginalizados, experiências comunitárias e culturas não hegemônicas permanecem à margem do reconhecimento escolar. Ao mesmo tempo, corpos e identidades que escapam aos padrões normativos enfrentam práticas de invisibilização, estigmatização e baixas expectativas pedagógicas. Estar matriculado não significa, necessariamente, ser reconhecido como sujeito de aprendizagem e de direitos.

Ainda nesse cenário contemporâneo, a exclusão digital surge como atualização da pedagogia da exclusão. A ampliação do uso de tecnologias educacionais, sem políticas consistentes de acesso, formação e letramento crítico, aprofunda desigualdades já existentes.

A conectividade, quando não acompanhada de condições materiais e pedagógicas adequadas, produz uma inclusão apenas aparente. Estudantes formalmente escolarizados permanecem excluídos do pleno exercício da cidadania, agora mediada pelas tecnologias digitais.

A análise da escola de ontem e da escola de hoje permite afirmar que a pedagogia da exclusão não foi superada. Ela se reinventa, se adapta aos discursos do presente e convive com políticas inclusivas sem ser estruturalmente enfrentada.

A exclusão deixou de ser explícita para tornar-se administrada, normalizada e, em muitos casos, legitimada pelo próprio discurso da inclusão. Compreender essa permanência é condição indispensável para pensar a escola que queremos.

Não se trata de negar os avanços normativos, mas de reconhecer que não há inclusão possível sem ruptura com as racionalidades pedagógicas, avaliativas e políticas que continuam produzindo desigualdade no interior da escola.

Pensar a escola que queremos exige, antes de tudo, reconhecer que a superação da pedagogia da exclusão não se dará por ajustes pontuais ou por acréscimos compensatórios ao modelo vigente.

A inclusão não pode ser tratada como programa, metodologia ou estratégia paralela, mas como princípio político estruturante da educação. Isso implica compreender a escola como espaço de disputa de projetos societários e assumir que toda prática pedagógica expressa uma concepção de justiça, de democracia e de humanidade.

A inclusão, quando reduzida ao acesso formal, mostrou-se insuficiente para romper com as desigualdades historicamente produzidas pela escola. A experiência brasileira evidencia que a matrícula universal, embora necessária, não garante participação, aprendizagem nem pertencimento.

A escola que queremos parte do reconhecimento de que igualdade e diferença não são valores opostos, mas indissociáveis. Tratar igualmente sujeitos profundamente desiguais é perpetuar injustiças. Por essa razão, a inclusão deve ser orientada pelo princípio da equidade, entendida como a oferta de condições diferenciadas para garantir direitos iguais.

Assumir a inclusão como projeto político significa deslocar o foco do estudante para a instituição escolar. O problema não está nos sujeitos que aprendem de modos diversos, mas em uma escola organizada para poucos. Transformar essa lógica exige revisar currículos, avaliações, tempos, espaços e expectativas pedagógicas.

O currículo, em especial, deixa de ser mera seleção de conteúdos e passa a ser compreendido como território de disputa simbólica e política. A escola inclusiva é aquela que reconhece a pluralidade epistemológica, valoriza saberes produzidos em diferentes contextos sociais e rompe com hierarquizações que historicamente silenciaram culturas, identidades e experiências.

Nesse sentido, a revisão curricular, reitero, não se limita à inserção de novos temas, mas envolve questionar quais conhecimentos são legitimados, quem fala, quem é ouvido e quem permanece invisível. A escola que queremos reconhece que o conhecimento escolar não é neutro e que a justiça curricular é condição para a justiça educacional. Isso implica enfrentar o racismo estrutural, o capacitismo, o sexismo, a heteronormatividade e todas as formas de desigualdade que atravessam o cotidiano escolar e moldam expectativas de sucesso ou fracasso.

A avaliação ocupa lugar central nessa transformação. Enquanto permanecer orientada pela lógica classificatória e meritocrática, continuará operando como mecanismo de exclusão. A escola inclusiva exige uma avaliação formativa, processual e contextualizada, comprometida com o acompanhamento das aprendizagens e não com a seleção dos considerados aptos.

Avaliar, nesse horizonte, é produzir informações para reorientar o trabalho pedagógico, apoiar estudantes e garantir que todos avancem, ainda que por percursos distintos. A reprovação sistemática e a padronização de critérios revelam-se incompatíveis com um projeto educacional comprometido com direitos.

A formação docente constitui outro eixo inegociável da escola que queremos. Não se trata de responsabilizar individualmente professores por desafios estruturais, mas de reconhecer que a transformação das práticas pedagógicas requer investimento contínuo em formação inicial e continuada, articulada às condições reais de trabalho. A docência inclusiva demanda conhecimento pedagógico, sensibilidade ética e compreensão política do papel social da escola. Professores não podem ser convocados a incluir sem que a instituição se transforme para incluir.

A inclusão, então, também precisa ser pensada à luz da cultura digital. A escola que queremos não pode ignorar que o acesso às tecnologias e o domínio crítico das linguagens digitais tornaram-se dimensões centrais da cidadania. A exclusão digital não é um fenômeno à parte, mas atualização das desigualdades educacionais históricas. Garantir inclusão, nesse cenário, significa assegurar acesso, formação e uso pedagógico crítico das tecnologias, evitando que a inovação tecnológica se converta em novo filtro de exclusão.

A escola inclusiva é, igualmente, espaço de reconhecimento e pertencimento. Não basta que estudantes estejam presentes; é necessário que sejam reconhecidos como sujeitos de direitos, saberes e histórias.

A pedagogia da exclusão operou historicamente por meio do não reconhecimento, da invisibilização e da estigmatização. Superá-la implica construir práticas pedagógicas que valorizem a escuta, o diálogo e a participação, criando vínculos entre escola, famílias e comunidades. O pertencimento não é efeito espontâneo da matrícula, mas resultado de relações pedagógicas baseadas no respeito e na dignidade humana.

Assumir a inclusão como projeto político, como já ressaltado aqui, também exige enfrentar as contradições entre discurso e prática. O Brasil dispõe de um arcabouço legal robusto que afirma o direito à educação inclusiva. Contudo, a distância entre norma e materialidade escolar revela que a exclusão persiste não por ausência de políticas, mas pela dificuldade de transformar estruturas, culturas institucionais e racionalidades pedagógicas. A escola que queremos depende de decisões políticas concretas, financiamento adequado, gestão democrática e compromisso público com a justiça social.

Superar a pedagogia da exclusão, portanto, não é tarefa exclusiva da escola, mas tampouco pode prescindir dela. A educação não resolve sozinha desigualdades estruturais, mas pode contribuir para reproduzi-las ou enfrentá-las. A escola que queremos é aquela que reconhece sua implicação política, recusa a neutralidade e assume a inclusão como escolha ética.

Trata-se de uma escola que não se limita a administrar diferenças, mas que se organiza a partir delas; que não naturaliza o fracasso, mas o interroga; que não seleciona, mas acolhe; que não silencia, mas reconhece.

Concluir essa reflexão implica afirmar que a pedagogia da exclusão não será superada enquanto a inclusão for tratada como concessão ou retórica. A inclusão que transforma é aquela que rompe com lógicas seletivas, enfrenta desigualdades históricas e reafirma a educação como direito humano fundamental.

Enfim, a escola que queremos não é utopia ingênua, mas projeto político possível, desde que haja decisão coletiva de romper com as formas sutis e persistentes de exclusão que ainda estruturam a educação.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Maria de Lourdes Pinto de. Políticas educacionais e pedagogia da exclusão: a escola em xeque no Brasil do século XXI. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, v. 6, n. 24, p. 111–127, 2006.

BOURDIEU, Pierre. A reprodução: elementos para uma teoria do sistema de ensino. Tradução de Reynaldo Bairão. Petrópolis: Vozes, 2014.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Presidência da República, 1988.

BRASIL. Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009. Promulga a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 26 ago. 2009.

BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 dez. 1996.

BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 7 jul. 2015.

BRASIL. Ministério da Educação. Política nacional de educação especial na perspectiva da educação inclusiva. Brasília, DF: MEC/SEESP, 2008.

BRASIL. Ministério da Educação. Programa ética e cidadania: construindo valores na escola e na sociedade. Fascículo 1: Ética, inclusão e exclusão social. Brasília, DF: MEC/SEDH, 2007.

BÜLL, Thalita Giovanna. Política educacional e neoliberalismo no Brasil: uma leitura sob a ótica do serviço social. Serviço Social em Revista, Londrina, v. 13, n. 2, p. 1–20, 2011.

BUTLER, Judith. Quadros de guerra: quando a vida é passível de luto? Tradução de Sérgio Lamarão e Arnaldo Marques da Cunha. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015.

DUBET, François. A escola e a exclusão. Tradução de Neide Luzia de Rezende. Petrópolis: Vozes, 2003.

HOOKS, bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. Tradução de Marcelo Brandão Cipolla. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2013.

MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? por quê? como fazer? São Paulo: Moderna, 2006.

ORRICO, Katiucha; FERRARI, Gláucia Maria. A inclusão legitima a exclusão? Reflexões sobre equidade, currículo e práticas pedagógicas. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Pedagogia). Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, 2025.

PAIVA, Suzy Helen Santos de. O ensino médio e a continuidade da pedagogia da exclusão. Revista Cocar, Belém, v. 15, n. 31, p. 1–20, 2021.

SAMPAIO, Fabrício de Sousa. Deslocamentos butlerianos contra as pedagogias da exclusão. Revista Educação e Realidade, Porto Alegre, v. 45, n. 4, p. 1–22, 2020.

SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. 8. ed. Rio de Janeiro: WVA, 2010.

SAVIANI, Dermeval. Escola e democracia. 42. ed. Campinas: Autores Associados, 2018.

STRECK, Danilo Romeu. Da pedagogia do oprimido às pedagogias da exclusão. Revista Educação, Porto Alegre, v. 32, n. 3, p. 241–252, 2009.

UNESCO. Declaração de Salamanca e linha de ação sobre necessidades educativas especiais. Brasília, DF: UNESCO, 1994.

  • * Dr. Ademar Santos é Vice-president and Co-founder of @ANIDE | Adjunct Professor at UFU | Diversity | Inclusion | Equity | Brazil |

Fonte https://diariopcd.com.br/pedagogia-da-exclusao/

Postado Pôr Antônio Brito 

03/01/2026

Livros sobre motivação e disciplina positiva ganham espaço na educação inclusiva

Livros sobre motivação e disciplina positiva ganham espaço na educação inclusiva

Obras que discutem relações não punitivas e engajamento ganham relevância diante do aumento de estudantes neurodivergentes nas escolas

O avanço da educação inclusiva no país tem ampliado a procura por livros que tratam de motivação e disciplina positiva aplicadas ao ambiente escolar. O movimento acompanha a expansão das matrículas de estudantes com Transtorno do Espectro Autista, que passaram de 105 mil em 2018 para mais de 212 mil em 2021, segundo o Censo Escolar. No mesmo período, o IBGE registrou 18,9 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência. Estimativas internacionais indicam que entre 15% e 20% da população mundial é neurodivergente, número adotado por especialistas da área de neuroeducação .

A neuropedagoga Mara Duarte da Costa, diretora pedagógica da Rhema Neuroeducação, afirma que compreender o que motiva o aluno é fundamental para que professores consigam estruturar intervenções inclusivas. “Quando o professor entende o que mobiliza a criança, ele consegue planejar práticas que respeitam o ritmo do aluno e aumentam as chances de engajamento. A literatura sobre disciplina positiva e motivação oferece caminhos seguros para isso”, afirma a especialista .

A disciplina positiva, abordagem que substitui punições por orientação firme e cuidadosa, aparece entre os eixos mais presentes nos livros usados por educadores. Para Mara Duarte, essa metodologia dialoga com as necessidades de alunos com TEA, TDAH, dislexia e outros transtornos do neurodesenvolvimento. “Estratégias punitivas tendem a gerar ansiedade e desorganização. Métodos baseados em reforço positivo e previsibilidade favorecem a autorregulação e a segurança emocional”, explica.

Outro tema recorrente nas obras é a relação entre motivação e neuroplasticidade. Estudos do Center on the Developing Child, da Universidade de Harvard, apontam que o cérebro infantil forma cerca de um milhão de novas conexões neurais por segundo nos primeiros anos de vida. Para Mara Duarte, esse processo reforça a importância de estímulos consistentes, afetivos e adaptados às particularidades de cada criança. “Ambientes enriquecidos, atividades lúdicas, repetição intencional e interação social fortalecem conexões neurais e ampliam competências cognitivas e emocionais”, diz a especialista .

A literatura também tem ajudado professores a diferenciar comportamentos de indisciplina de manifestações de TDAH e outras neurodivergências. Em análises divulgadas pela Rhema Neuroeducação, Mara Duarte aponta que muitos educadores ainda fazem essa confusão, o que prejudica o processo de aprendizagem e afeta a autoestima dos alunos. A Organização Mundial da Saúde estima que o TDAH atinge cerca de 5% das crianças em idade escolar .

As obras voltadas a famílias também ganham espaço, especialmente as que abordam rotina estruturada, regulação emocional e construção de autonomia. Para Mara, esse alinhamento entre escola e casa traz resultados significativos. “Quando responsáveis e educadores utilizam referências semelhantes, a criança encontra estabilidade e previsibilidade. Isso reduz a ansiedade e melhora o engajamento nas atividades”, afirma .

Especialistas recomendam que professores e pais priorizem livros com fundamentação científica, linguagem clara e propostas práticas. Obras que tratam de comunicação não violenta, mediação de conflitos, reforço positivo, organização visual e técnicas de manejo emocional costumam ser as mais eficazes no cotidiano escolar.

Com o crescimento das matrículas de estudantes neurodivergentes e a ampliação das formações continuadas, o tema deve ganhar ainda mais relevância. Para Mara Duarte, a leitura especializada contribui diretamente para a qualidade da inclusão. “O conhecimento é a base de qualquer processo inclusivo. A leitura qualificada amplia repertórios, ajusta práticas e favorece ambientes escolares mais acolhedores”, conclui.

Fonte https://diariopcd.com.br/livros-sobre-motivacao-e-disciplina-positiva-ganham-espaco-na-educacao-inclusiva/

Postado Pôr Antônio Brito 

Ler com as mãos, incluir com intenção: o papel do Braille na construção de uma Literatura Acessível

Ler com as mãos, incluir com intenção: o papel do Braille na construção de uma Literatura Acessível - OPINIÃO - Por Carina Alves

OPINIÃO

  • * Por Carina Alves

A leitura sempre foi, para mim, um instrumento de emancipação. É por meio dela que ampliamos horizontes, desenvolvemos consciência crítica e afirmamos direitos. O dia 4 de janeiro, referência mundial para a reflexão sobre o sistema Braille, reforça a urgência de compreender a leitura como um direito estruturante, sobretudo em uma sociedade que ainda impõe barreiras às pessoas cegas.

O Braille é um sistema de leitura e escrita tátil composto por combinações de seis pontos em relevo, organizados em duas colunas. Cada célula braille permite representar letras, números, sinais matemáticos, símbolos científicos e notações musicais, constituindo uma linguagem completa. Sua importância vai além da alfabetização, pois garante desenvolvimento cognitivo, autonomia intelectual e participação nos espaços educacionais e culturais. Defender o Braille é reconhecer que a escrita é condição essencial para o pensamento crítico e para a cidadania plena.

Foi a partir dessa compreensão que nasceu o projeto Literatura Acessível. Em 2014, durante a defesa da minha dissertação de mestrado, quando fui provocada a refletir sobre o destino das histórias presentes na pesquisa. Uma das integrantes da banca, a professora doutora Marcia Campeão, afirmou: “Pense nas crianças, a base da nossa educação precisa saber e aprender mais sobre a diversidade humana”. Saí daquela sala inquieta e foi dessa inquietação que surgiu a decisão de escrever para o público infantil.

O projeto contempla um box com 10 livros contando trajetórias sensíveis do cotidiano de personagens com deficiência. São narrativas que evidenciam preconceitos, discriminações e processos de ressignificação da identidade social. Embora paradidáticos e direcionados ao público infantojuvenil, os livros dialogam com leitores de todas as idades.

Com uma proposta baseada na multiplicidade e no protagonismo da diversidade, o Literatura Acessível estimula debates dentro e fora das escolas. Aborda, de forma lúdica, temas como inclusão, empoderamento feminino, educação emancipatória, multilinguismo, pessoas refugiadas, respeito ao próximo e acessibilidade. Os dez livros do box contam com o recurso do sistema Braille, além de outros recursos de acessibilidade, e o projeto está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

O Dia Mundial do Braille nos lembra que a leitura precisa ser um território comum. Quando garantimos livros pensados desde a origem para diferentes formas de leitura, fortalecemos uma educação mais justa, plural e inclusiva.

Carina Alves é Psicóloga, Doutora em Educação, Empreendedora Social e Fundadora-Presidente do Instituto Incluir. Ativista pelos direitos humanos, idealizou o projeto Literatura Acessível e atua como avaliadora de acessibilidade pelo Zero Project (ONU). Foi a primeira brasileira premiada pela UNESCO Paris e pelo Governo da China com o Prêmio Confúcio (2022) e recebeu a Medalha Chiquinha Gonzaga (2024). 

Fonte https://diariopcd.com.br/ler-com-as-maos-incluir-com-intencao-o-papel-do-braille-na-construcao-de-uma-literatura-acessivel/

Postado Pôr Antônio Brito 

02/01/2026

Praias cheias, direitos vazios: a falta de acessibilidade para pessoas com deficiência no litoral brasileiro

                                    Praias cheias, direitos vazios: a falta de acessibilidade para pessoas com deficiência no litoral brasileiro OPINIÃO - * Por Igor Lima
OPINIÃO

    * Por Igor Lima

O verão chega, as praias se tornam o principal cartão-postal do país e o Brasil volta a se apresentar ao mundo como destino turístico. No entanto, para muitas pessoas com deficiência, a pergunta que permanece é simples e incômoda: as praias são realmente para todos?

A exclusão não começa na areia. Ela começa muito antes — no caminho até o mar.
O trajeto já é uma barreira

Durante o final de ano, com cidades lotadas e transporte público sobrecarregado, chegar à praia se transforma em um verdadeiro desafio para pessoas com deficiência. Ônibus superlotados, metrôs sem condições adequadas de circulação, estações com elevadores inoperantes e ausência de informação acessível fazem parte da realidade.

Somam-se a isso situações recorrentes envolvendo carros por aplicativo. Um exemplo comum ilustra bem essa exclusão:

    Uma pessoa usuária de cadeira de rodas solicita um carro por aplicativo para ir à praia. Ao perceber a cadeira, o motorista cancela a corrida ou alega falta de espaço no veículo. O resultado é atraso, constrangimento e exclusão.

Esse tipo de prática não é mero desconforto — é discriminação, vedada pela Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), que assegura o direito ao transporte acessível e à mobilidade em igualdade de condições.
Quando o acesso termina antes da areia

Mesmo quando o deslocamento é possível, o cenário nas praias segue excludente. Falta de rampas adequadas, ausência de pisos acessíveis, inexistência de cadeiras anfíbias, banheiros inacessíveis e equipes despreparadas impedem que pessoas com deficiência usufruam do lazer de forma autônoma e segura.

Outro exemplo recorrente evidencia essa realidade:

    Uma pessoa chega à orla, mas não consegue acessar a faixa de areia porque não há rampas ou passarelas. O mar está ali — mas inacessível.

O direito ao lazer, previsto na Constituição Federal (art. 6º), não pode ser simbólico. Ele precisa ser exercido na prática.
A falsa oposição entre meio ambiente e acessibilidade

É comum ouvir o argumento de que praias são áreas ambientalmente sensíveis e que adaptações poderiam causar impactos ambientais. A preservação ambiental é, de fato, um dever constitucional (art. 225 da Constituição). Contudo, esse dever não pode ser utilizado como justificativa para negar direitos fundamentais.

A acessibilidade não é inimiga do meio ambiente. Ela pode — e deve — ser pensada de forma sustentável, temporária e reversível, respeitando os ecossistemas naturais.

Negar acessibilidade sob o pretexto de proteção ambiental é criar uma falsa dicotomia: ou se protege o meio ambiente, ou se garantem direitos. O ordenamento jurídico brasileiro exige os dois.
Grandes eventos, grandes lucros, pequenas prioridades

No final do ano, praias como Copacabana recebem milhões de pessoas. Shows da virada, queima de fogos, patrocínios milionários e ampla cobertura internacional movimentam cifras expressivas e projetam a imagem do Brasil para o mundo.

Ainda assim, a acessibilidade segue sendo tratada como detalhe. Um exemplo emblemático demonstra essa escolha:

    Estruturas temporárias são montadas para palcos, áreas VIP e camarotes, mas não há espaços acessíveis adequados para que pessoas com deficiência assistam aos shows com segurança e autonomia.

Quando há dinheiro, planejamento e interesse, a infraestrutura aparece. A ausência de acessibilidade revela, portanto, uma escolha política e administrativa, não uma impossibilidade técnica.
O dever coletivo de não normalizar a exclusão

A responsabilidade pela acessibilidade não é exclusiva do poder público. A sociedade também é parte ativa na construção da exclusão — ou da inclusão.

Aceitar que uma pessoa com deficiência fique isolada em um canto distante durante um show, sem visibilidade ou segurança, é naturalizar a segregação. Considerar “normal” que alguém não consiga acessar a praia porque “dá muito trabalho” é reproduzir capacitismo.

Situações que não devem ser aceitas:

    o cadeirante colocado atrás de grades, longe do palco, “para não atrapalhar”;
    a justificativa de que não houve planejamento porque “é só um evento temporário”;
    o silêncio diante da recusa de transporte ou da ausência de rampas e acessos.

A inclusão só avança quando a sociedade se recusa a tratar a exclusão como inevitável. Questionar, cobrar e não se conformar também são formas de garantir direitos.
Acessibilidade é direito, não concessão

A Lei Brasileira de Inclusão é clara ao assegurar:

    o direito à acessibilidade em espaços públicos (arts. 53 e seguintes);
    o direito à participação plena na vida cultural, recreativa e de lazer;
    a vedação de qualquer forma de discriminação.

Praias urbanas, especialmente aquelas que recebem grandes eventos e intensa exploração econômica, não podem ser territórios de exclusão.
O Brasil que se mostra ao mundo

Quando turistas do mundo inteiro chegam ao país e frequentam nossas praias, a imagem projetada não é apenas a da paisagem natural. É também a da forma como tratamos nossos cidadãos.

Uma praia inacessível comunica algo claro: nem todos são bem-vindos.
Quando a acessibilidade acontece: exemplos que desmentem o discurso da impossibilidade

A ideia de que praias não podem ser acessíveis por razões ambientais ou logísticas não se sustenta diante de experiências reais já implementadas no Brasil.

Um exemplo concreto é o projeto Praia Para Todos, desenvolvido no Rio de Janeiro, que oferece acesso ao banho de mar para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida por meio de esteiras removíveis na areia, cadeiras anfíbias e equipes capacitadas.

A iniciativa demonstra que é possível conciliar acessibilidade, lazer e preservação ambiental, sem impactos permanentes ao ecossistema.

Seu funcionamento deixa evidente que:

    as estruturas podem ser temporárias e reversíveis;
    o acesso ao mar pode ocorrer de forma segura, organizada e ambientalmente responsável;
    a inclusão não depende de soluções complexas, mas de prioridade política e planejamento.

Se projetos como esse funcionam em praias urbanas e turísticas, não há justificativa plausível para que grandes eventos, como shows de réveillon em praias mundialmente conhecidas, continuem ignorando a acessibilidade.

O que falta, portanto, não é técnica nem referência. Falta decisão.
A acessibilidade não pode ser sazonal

Quando turistas do mundo inteiro frequentam nossas praias, especialmente em períodos como a virada do ano, a imagem projetada não é apenas a da paisagem natural ou dos grandes eventos. É também a da forma como o Brasil garante — ou nega — direitos básicos às pessoas com deficiência.

A existência de iniciativas como o Praia Para Todos desmonta qualquer argumento de impossibilidade. O projeto demonstra, na prática, que é viável garantir acesso ao mar com respeito ambiental, segurança e dignidade.

No entanto, é preciso deixar claro: acessibilidade não pode ser tratada como ação pontual, projeto piloto ou medida restrita à alta temporada. O direito ao lazer não surge no verão e não desaparece no inverno.

Pessoas com deficiência vivem a cidade o ano inteiro e têm direito ao acesso contínuo aos espaços públicos.

Garantir acessibilidade apenas no fim do ano ou durante eventos de grande visibilidade é transformar direito em espetáculo. Isso não é inclusão — é marketing.

Praias urbanas devem ser acessíveis de forma permanente, com planejamento estruturado, políticas públicas contínuas e fiscalização efetiva. A experiência do Praia Para Todos mostra que isso é possível.

Enquanto a pessoa com deficiência depender da boa vontade, da sorte ou do calendário para acessar o mar, estaremos falhando como sociedade.

Praia é espaço público.
Lazer é direito fundamental.
E acessibilidade precisa estar presente todos os dias do ano — não apenas quando o país decide se mostrar ao mundo.

    Igor Lima é advogado (OAB/RJ), especialista em Direitos Humanos e sustentabilidade, e pessoa com deficiência. Coordenador da coletânea jurídica “Deficiência e os Desafios para uma Sociedade Inclusiva”, citada no STJ, TST, STF e presente em instituições como Harvard e Universidade de Coimbra. Autor de artigos publicados em espaços como ABDConst, Future Law e revistas jurídicas nacionais, atua como palestrante em instituições como UERJ, UFRJ, UFF, OAB/RJ e MPRJ. Dedica-se à pesquisa e defesa dos direitos das pessoas com deficiência, com experiência em inclusão, políticas públicas e ESG.   

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Fonte https://diariopcd.com.br/praias-cheias-direitos-vazios-a-falta-de-acessibilidade-para-pessoas-com-deficiencia-no-litoral-brasileiro/

Postado Pôr Antônio Brito

Férias também são direito: o descanso da pessoa com deficiência à luz da legislação brasileira

Férias também são direito: o descanso da pessoa com deficiência à luz da legislação brasileira - OPINIÃO - * Por Igor Lima
OPINIÃO

    * Por Igor Lima

O final do ano costuma ser marcado por recessos, férias coletivas e a expectativa social de descanso. Contudo, para muitas pessoas com deficiência, esse período expõe uma contradição: enquanto a sociedade desacelera, as barreiras aumentam e os direitos são relativizados. É justamente nesse contexto que se impõe uma afirmação necessária: o direito ao descanso da pessoa com deficiência é um direito fundamental, protegido pela legislação brasileira, e não pode ser suspenso pelo calendário.
Descanso, saúde e dignidade

A Constituição Federal de 1988 assegura a dignidade da pessoa humana como fundamento da República (art. 1º, III) e reconhece como direitos sociais, entre outros, a saúde e o lazer (art. 6º). O descanso, portanto, não é apenas uma conveniência, mas um elemento essencial para a preservação da saúde física e mental.

No caso das pessoas com deficiência, esse direito ganha contornos ainda mais relevantes. O descanso atua como medida preventiva, evitando o agravamento de condições crônicas, o adoecimento emocional e a sobrecarga decorrente de um cotidiano marcado por barreiras estruturais e atitudinais.
O que diz a Lei Brasileira de Inclusão

A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015) reforça esse entendimento ao garantir que a pessoa com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades e à não discriminação (art. 4º).

Além disso, a lei assegura:

    “o direito à saúde, em todos os níveis de atenção, por meio do Sistema Único de Saúde, garantido acesso universal e igualitário” (art. 18).

E também protege o direito à participação em atividades de lazer, turismo e vida social, desde que asseguradas condições de acessibilidade e segurança.

Em outras palavras, não há respaldo legal para a suspensão ou precarização desses direitos durante períodos de recesso ou férias.
Quando o cuidado é interrompido

🔹 Exemplo hipotético comum no fim do ano:
Uma pessoa com deficiência realiza acompanhamento terapêutico contínuo pelo SUS. Com a chegada do recesso, os atendimentos são suspensos por semanas, sem alternativa de continuidade. O resultado é regressão funcional, dor e perda de autonomia.

Essa situação não configura mero inconveniente administrativo. Trata-se de violação do direito à saúde, pois o cuidado contínuo é condição indispensável para a dignidade da pessoa com deficiência.
Descanso sem acessibilidade não existe

A LBI define acessibilidade como condição para o exercício de direitos (art. 3º) e impõe sua observância em transportes, edificações, serviços e espaços de lazer.

🔹 Exemplo hipotético recorrente:
Durante as férias, uma pessoa com deficiência deixa de viajar com a família porque o hotel não possui banheiro acessível ou o transporte turístico não comporta cadeira de rodas. O lazer, que deveria promover descanso, se torna fonte de exclusão.

Quando não há acessibilidade, o direito ao descanso é esvaziado.
Trabalho, recesso e falso descanso

A LBI também garante à pessoa com deficiência condições de trabalho acessíveis e compatíveis com suas necessidades (art. 34).

🔹 Exemplo hipotético frequente:
Mesmo em férias ou recesso, um trabalhador com deficiência é constantemente acionado por mensagens e demandas informais, sob o argumento de urgência. Essa prática ignora limites e compromete a saúde mental, configurando desrespeito ao direito ao descanso.

Descansar não é falta de compromisso. É proteção legal.
Barreiras atitudinais no convívio social

A legislação reconhece como barreira atitudinal qualquer comportamento que limite ou impeça a participação social da pessoa com deficiência.

🔹 Exemplo cotidiano:
Em encontros familiares de fim de ano, a pessoa com deficiência é desencorajada a participar de passeios “para não dar trabalho”. Ainda que disfarçada de cuidado, essa atitude reforça exclusão e nega autonomia.

Capacitismo também viola direitos.
Quando o direito é respeitado: um exemplo positivo

🔹 Boa prática possível:
Uma empresa, ao organizar férias coletivas, garante planejamento prévio, respeito integral ao período de descanso e manutenção de adaptações e apoios necessários. O trabalhador com deficiência retorna ao trabalho com sua saúde preservada e sem prejuízo à autonomia.

Esse exemplo demonstra que cumprir a lei é viável quando há compromisso institucional.
Direitos não entram em recesso

O encerramento do ano não autoriza a suspensão de direitos fundamentais. O descanso da pessoa com deficiência integra o direito à saúde, ao lazer e à dignidade, sendo dever do Estado, dos empregadores e da sociedade assegurá-lo de forma plena.

Enquanto o descanso continuar condicionado à boa vontade ou à adaptação individual, a inclusão permanecerá incompleta.

Direitos não tiram férias.
E dignidade não pode esperar o próximo ano.

É fundamental que gestores públicos, empregadores, famílias e a sociedade reflitam sobre suas práticas neste período. Descanso acessível também é inclusão. Reconhecer isso é o primeiro passo para transformar direitos escritos em realidade vivida.

    Igor Lima é advogado (OAB/RJ), especialista em Direitos Humanos e sustentabilidade, e pessoa com deficiência. Coordenador da coletânea jurídica “Deficiência e os Desafios para uma Sociedade Inclusiva”, citada no STJ, TST, STF e presente em instituições como Harvard e Universidade de Coimbra. Autor de artigos publicados em espaços como ABDConst, Future Law e revistas jurídicas nacionais, atua como palestrante em instituições como UERJ, UFRJ, UFF, OAB/RJ e MPRJ. Dedica-se à pesquisa e defesa dos direitos das pessoas com deficiência, com experiência em inclusão, políticas públicas e ESG.   

Linkedin:https://www.linkedin.com/in/igor-lima-pcd-404321198/

Instagram: https://www.instagram.com/igor_lima_adv/

Fonte https://diariopcd.com.br/ferias-tambem-sao-direito-o-descanso-da-pessoa-com-deficiencia-a-luz-da-legislacao-brasileira/

Postado Pôr Antônio Brito

31/12/2025

Fim de ano: como evitar o aumento do estresse e cuidar da​saúde​ ment​al​​​

Fim de ano: como evitar o aumento do estresse e cuidar da​saúde​ ment​al​​​ 

Psiquiatra do CEJAM alerta para os impactos emocionais do período e orienta sobre como lidar com expectativas, luto e solidão

As festas de fim de ano costumam ser associadas à alegria, à confraternização e à esperança de recomeços. No entanto, para muitas pessoas, esse período também pode despertar sentimentos de tristeza, solidão, frustração ou sobrecarga emocional. Segundo a ISMA-Brasil (International Stress Management Association-Brasil), o nível de estresse pode aumentar em até 75% nessa época, impulsionado por metas não atingidas, expectativas sociais e a pressão por encerrar o ano “com chave de ouro”.
 

O psiquiatra Dr. Rodrigo Lancelotti, diretor do Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental Franco da Rocha (CAISM), unidade gerenciada pelo CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”), em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP), explica que o fim de ano costuma reavivar lembranças e emoções profundas, muitas vezes contraditórias.
 

“As celebrações remetem à infância, quando essas datas eram sinônimo de magia, união e carinho. Na vida adulta, esse resgate pode despertar sentimentos ambíguos​:​ alegria pelas boas lembranças e tristeza pela ausência de pessoas queridas”, comenta.
 

Por outro lado, o médico lembra que nem todos tiveram experiências positivas​.​​ ​“Para alguns, a infância foi marcada por conflitos familiares ou frustrações e isso pode transformar as festas em momentos de dor. Nesses casos, o importante é acolher os próprios sentimentos, sem se forçar a viver uma felicidade que não corresponde ao momento emocional”, orienta.
 

​​Dr. ​Lancelotti também observa que a pressão social e a exposição nas redes intensificam o desgaste emocional. “O fim de ano é um período em que as pessoas se comparam mais em relação às conquistas, relacionamentos, viagens, celebrações etc. Essa comparação constante cria a ilusão de que todos estão felizes e realizados, o que aumenta a sensação de fracasso ou solidão. Estabelecer metas realistas e valorizar pequenas vitórias é essencial”, reforça.
 

Segundo o especialista, o estresse crônico é outro ponto de atenção. “Durante situações de tensão, o corpo libera cortisol, hormônio responsável por ajudar a reagir ao estresse. Mas, quando os níveis permanecem altos por muito tempo, podem afetar o funcionamento do cérebro e aumentar o risco de ansiedade e depressão. Cuidar da saúde mental é tão importante quanto cuidar da física”, ​enfatiza.​​ ​

Para o psiquiatra, o fim de ano também pode ser um momento de reflexão e renovação interna. “A verdadeira celebração começa de dentro para fora. Há quem precise de silêncio e introspecção para se reorganizar emocionalmente e isso é legítimo. Respeitar o próprio tempo e exercitar a empatia é fundamental, porque muitos à nossa volta podem estar enfrentando sentimentos semelhantes”, destaca.
 

Ele acrescenta que ​a ocasião​ pode ser uma boa oportunidade para fortalecer laços, esclarecer conflitos e praticar a sinceridade emocional. “Conversar, escutar e demonstrar afeto de forma genuína são maneiras de reconectar-se com o que realmente importa. A saúde mental se fortalece quando há equilíbrio entre olhar para si e se abrir para o outro”, afirma.

Cinco dicas para cuidar da mente nas festas de fim de ano: 
 

​​- Respeite seus sentimentos: tristeza, saudade e cansaço são naturais​.​​

– Evite comparações: cada pessoa tem uma trajetória e um ritmo diferentes.

– Estabeleça metas possíveis: pequenas mudanças podem representar grandes avanços.

– Valorize conexões genuínas: priorize relações e momentos que tragam leveza e acolhimento.

– Busque apoio: se ​sentir necessidade​, procure ajuda profissional.
 

“O encerramento do ano não precisa ser uma maratona de celebrações nem um período de cobranças. Ele pode e deve ser um convite à pausa, à escuta interna e à criação de novos caminhos com mais leveza e autocompaixão”, conclui o médico.

Sobre o CEJAM     

O CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos. Fundada em 1991, a Instituição atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Campinas, Carapicuíba, Barueri, Franco da Rocha, Guarulhos, Santos, São Roque, Ribeirão Preto, Lins, Assis, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe e São José dos Campos.

A organização faz parte do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), e tem a missão de ser instrumento transformador da vida das pessoas por meio de ações de promoção, prevenção e assistência à saúde.

O CEJAM é considerado uma Instituição de excelência no apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS), tendo conquistado, em 2025, a certificação Great Place to Work. O seu nome é uma homenagem ao Dr. João Amorim, médico obstetra e um dos fundadores da Instituição. 

No ano de 2025, a organização lança a campanha “365 novos dias de saúde, inovação e solidariedade”, reforçando seu compromisso com os princípios de ESG (Ambiental, Social e Governança). 
Siga o CEJAM nas redes sociais (@cejamoficial) e acompanhe os conteúdos divulgados no site da instituição. 

Fonte https://diariopcd.com.br/fim-de-ano-como-evitar-o-aumento-do-estresse-e-cuidar-dasaude-mental/

Postado Pôr Antônio Brito