09/01/2026

CT Paralímpico sediará disputas internacionais em 2026; confira lista

Final da Copa América de Rugby em Cadeira de Rodas de 2025 entre Brasil e Estados Unidos, no CT Paralímpico | Foto: Alessandra Cabral/CPB

O Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, vai sediar competições internacionais entre abril e novembro de 2026.

O calendário terá entre os pontos altos o Mundial de rúgbi em cadeira de rodas, de 15 a 24 de agosto (incluindo período de chegada dos atletas, treinamentos e classificação esportiva paralímpica). Em 2025, o espaço sediou a Copa América da modalidade, que terminou com a medalha de prata inédita conquistada pelo Brasil.

A programação começa já no dia 31 de março, com a estreia do Circuito Paralímpico Loterias Caixa de Atletismo — Fase Internacional, competição organizada pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), entidade responsável pela gestão da modalidade no Brasil.

Outras modalidades que terão disputas abertas a atletas de todo o mundo serão o tênis de mesa, o badminton e a bocha.

Haverá ainda competições continentais, incluindo o Regional das Américas de paraesgrima e a Copa América de futebol de cegos, que contará, pela primeira vez, com disputas masculinas e femininas.

O Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro está localizado no Parque Fontes do Ipiranga, na zona sul de São Paulo, e conta com instalações esportivas indoor e outdoor que servem para treinamentos, competições e intercâmbios de atletas e seleções em 20 modalidades paralímpicas.

São, ao todo, 95 mil metros quadrados de área construída. O espaço conta com duas quadras de vôlei sentado, uma quadra de basquete em cadeira de rodas, uma quadra de rúgbi em cadeira de rodas, uma quadra de goalball, 12 mesas de tênis de mesa, dois tatames de judô, seis áreas para halterofilismo, quatro para a paraesgrima, seis canchas de bocha, centro aquático com uma piscina olímpica e uma semiolímpica, um campo de futebol PC, um campo de futebol de cegos, duas quadras de tênis em cadeira de rodas, uma pista de atletismo, uma pista de atletismo indoor, academia para apoio e condicionamento físico, fitness e fisioterapia, vestiários, centro administrativo, centro de medicina e ciência do esporte, zona hoteleira com cerca de 300 leitos e área administrativa.

Confira as competições internacionais no CT Paralímpico em 2026:

Atletismo
31 de março a 2 de abril — Circuito Paralímpico Loterias Caixa – Fase Internacional

Tênis de Mesa
21 a 27 de abril — Challenger

Badminton
27 de julho a 2 de agosto — Internacional do Brasil 2026

Rúgbi em Cadeira de Rodas
15 a 24 de agosto — WWR World Championship 2026

Futebol de Cegos
3 a 13 de setembro — Copa América de Futebol de Cegos 2026 (masculina e feminina)

Paraesgrima
26 de outubro a 2 de novembro — Campeonato Regional das Américas 2026

Bocha
3 a 11 de novembro — Copa do Mundo

Patrocínio
As Loterias Caixa, a Caixa, a Braskem e a ASICS são as patrocinadoras oficiais do atletismo.
As Loterias Caixa e a Caixa são as patrocinadoras oficiais do badminton, goalball, bocha, rúgbi em cadeira de rodas e tênis de mesa.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

Fonte https://cpb.org.br/noticias/ct-paralimpico-sediara-disputas-internacionais-em-2026-confira-lista/

Postado Pôr Antônio Brito 

Planalto ‘sonda’ Ivan Baron para a Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência

Planalto 'sonda' Ivan Baron para a Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência

Influenciador tem o nome cogitado após a exoneração de Anna Paula Feminella da Secretaria Nacional das Pessoas com Deficiência.

Assim como o o Diário PcD vem divulgando desde a última segunda-feira, 5, a saída de Anna Paula Feminella da Secretaria Nacional dos Direitos Pessoas com Deficiência iniciou um período de especulação sobre o sucessor, que deve ser nomeado por Macaé Evaristo, Ministra dos Direitos Humanos e Cidadania – com o aval do Palácio do Planalto.

O Diário PcD confirmou que nos bastidores ganha força a indicação de Ivan Baron para o cargo. Formado em pedagogia, ele possui paralisia cerebral decorrente de uma meningite viral que contraiu aos 3 anos de idade, em razão de uma intoxicação alimentar. O influencer é ativista pela causa das pessoas com deficiência, e teve sua imagem divulgada em todo o mundo, ao subir a rampa do Palácio do Planalto na posse do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em janeiro de 2023.

Na solenidade de posse, usou um terno branco que trazia estampadas frases anticapacitistas como “pare de nos excluir”, “acolher quem é desacreditado”.

“Tento passar para as pessoas diariamente que eu não sou apenas esse rótulo. Quem já me seguia e me acompanhava antes da posse sabe do meu histórico na internet e que sou um sujeito de muitas possibilidades. Aquela subida da rampa me deu mais força ainda para que a minha mensagem chegasse para mais pessoas”, afirmou Baron.

Com mais de 540 mil seguidores apenas no Instagram, em suas publicações aborda o universo da pessoa com deficiência, e a inclusão de maneira didática e divertida. “Sou uma pessoa com deficiência conquistando espaços de visibilidade a cada dia. Antes eu era uma pessoa mais discreta, não tinha seguidores nem um público por quem eu era responsável. Hoje, tenho ciência de que existem pessoas que curtem meu trabalho e de toda a história que eu construí por meio dos meus conteúdos informativos e educativos”, afirma Baron.

Embora tenha participado da cerimônia de posse do presidente, ao longo de 2024, Baron criticou Lula, afirmando que a gestão estaria burocratizando e dificultando o acesso ao BPC – Benefício da Prestação Continuada.

Pré-Candidato

Ivan Baron anunciou sua pré-candidatura a deputado estadual pelo Rio Grande do Norte, pelo Partido Verde (PV). Segundo ele, o estado nunca elegeu um parlamentar estadual com deficiência, revelando a permanência do capacitismo estrutural na política brasileira.

Especulação pela nomeação

A possibilidade de Ivan Baron assumir o cargo gera expectativa. Embora não tenha havido um anúncio formal, ele admitiu ao Diário PcD o que vem sendo debatido nos bastidores da capital federal.

Em nota oficial, sua assessoria informou que seu nome circulou nos corredores do Palácio do Planalto e “me surpreendeu positivamente essa possibilidade. Até fui procurado por lideranças do movimento, mas nada oficial por parte do Gabinete da Ministra Macaé”.

A transição na Secretaria Nacional das Pessoas com Deficiência acontece em um momento delicado, já que os ocupantes de cargos no Poder Executivo – e candidatos às eleições de 2026, precisam se desimcopatibilizar das funções. 

Fonte https://diariopcd.com.br/planalto-sonda-ivan-baron-para-a-secretaria-nacional-dos-direitos-das-pessoas-com-deficiencia/

Postado Pôr Antônio Brito 

08/01/2026

Feminella não é mais Secretária Nacional da Pessoas com Deficiência

Feminella não é mais Secretária Nacional da Pessoas com Deficiência

Exoneração é a primeira baixa do ano do Governo Lula no alto escalão e foi anunciado por Anna Paula Feminella, que comandava a Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas com deficiência, ógão vinculado ao MDHC – Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania

Assim como o Diário PcD havia anunciado na última segunda-feira, 5, o mal estar no Ministério dos Direitos Humanos era muito grande, e a Ministra Macaé Evaristo deveria anunciar a saída de Anna Paula Feminella que ocupou desde o início da gestão Lula a Secretaria Nacional das Pessoas com Deficiência.

Nos bastidores, desde as eleições do CONADE – Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – ocorrida em novembro, já se dava como certa a possível mudança na pasta.

Fontes garantiram ao Diário PcD que Feminella enfrentava resistência dentro da pasta e principalmente com interlocutores da Ministra. Inclusive existem apurações sendo feitas em âmbito interno para apurar posturas adotadas em momentos de discussões e decisões, com supostas denúncias de agressões verbais e mútuas.

A Assessoria de Comunicação da Ministra Macaé Evaristo preferiu não comentar o caso. Por sinal, a Ministra tem seu perfil no Instagram bloqueado para que pessoas possam enviar mensagens ou marcá-la em postagens.

Mesmo com importantes entidades da sociedade civil solicitando a permanência de Feminella na pasta, desde a noite de ontem o cargo está sem comando.

Feminella anunciou nesta quarta-feira, 7, o pedido de exoneração. “Encerrar um ciclo nunca é sobre sair. É sobre seguir levando o que foi construído! Depois de quase três anos à frente da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, deixo o cargo com a certeza de que o trabalho coletivo transforma estruturas, mesmo quando elas resistem. Foram muitas entregas, outras tantas em processo, e aprendizados profundos sobre como o capacitismo ainda opera de forma estrutural nas instituições. E fica, acima de tudo, a convicção de que o lugar das pessoas com deficiência é de protagonismo, em qualquer espaço, em qualquer tempo. Onde eu estiver, seguirei somando esforços. Porque a luta não se encerra em cargos. Ela vive na união das pessoas com deficiência, dos ativistas, dos pesquisadores, da agenda de visibilidade e de um horizonte que insiste em existir”.

Fontes do Diário PcD comentaram que Feminella permanecerá no Governo Federal, ocupando outro cargo nos ministérios. Ela é funcionária pública fedeeral concursada da Escola Nacional de Administração Pública e especialista em Gestão Pública. 

“Aquele imagem de Lula subindo a rampa durante a sua posse com pessoas com deficiência ao seu lado, vai aos poucos mostrando que tudo parecia mesmo uma estratégia de marketing. Seu governo – em nenhum momento, priorizou as pessoas com deficiência, ao contrário, buscou retirar direitos. Infelizmente permanecemos à mercê de esmolas, sem políticas públicas verdadeiras para o segmento. Será que esse Governo terá coragem de – ao menos, implantar a Avaliação Biopsicossocial Unificada? Ou terá mesmo o anseio de retirar os direitos às isenções nas aquisições de veículos por pessoas com deficiência”, afirmou Abrão Dib, presidente da ANAPcD – Associação Nacional de Apoio às Pessoas com Deficiência.

Fonte https://diariopcd.com.br/feminella-nao-e-mais-secretaria-nacional-da-pessoas-com-deficiencia/

Postado Pôr Antônio Brito 

Confira Mundiais paralímpicos programados para 2026

O ano de 2026 no esporte paralímpico terá um calendário movimentado por mais de quinze mundiais entre fevereiro e dezembro.

As disputas começam logo no segundo mês do ano, quando a Seleção Brasileira de badminton disputa o Mundial da modalidade em Manama, no Bahrein.

Dois dos Mundiais serão de modalidades gerenciadas pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). O de tiro esportivo acontecerá em setembro, na cidade sul-coreana de Changwon, enquanto Manama volta ará a sediar um Mundial em dezembro, desta vez o de halterofilismo.

Em 2025, o Brasil obteve a sua melhor classificação na história dos Mundiais de halterofilismo , na quinta posição do quadro de medalhas na edição realizada no Cairo, no Egito. O resultado veio com a conquista de uma medalha de ouro, três de prata e duas de bronze.

Já no último Mundial de tiro esportivo, o país conquistou sua primeira medalha na história da competição, um bronze obtido pelo trio formado pelo paulista Alexandre Galgani, o capixaba Bruno Kiefer e a catarinense Jéssica Michalak na prova R4 Carabina de Ar – 10 m – Posição em pé SH2.

Algumas Seleções disputarão o Mundial defendendo títulos conquistados na última edição do evento de suas modalidades. É o caso da Seleção Brasileira de judô, vencedora em Astana, no Cazaquistão, em 2025; da Seleção masculina de goalball, campeã na China em 2022, e da equipe feminina de vôlei sentado, medalha de ouro na Bósnia no mesmo ano.

Outro destaque da temporada será a realização do Mundial de rúgbi em cadeira de rodas em São Paulo, no Centro de Treinamento paralímpico, em agosto. Em 2025, o espaço sediou a Copa América da modalidade, na qual o Brasil conquistou uma medalha de prata inédita.

Confira o calendário de Mundiais de 2026*

Fevereiro
Badminton
8/2 a 14/2 – Manama (Bahrein)

Junho
Goalball
5/6 a 16/6 – Hangzhou (China)

Julho
Rúgbi em Cadeira de Rodas
15/7 a 24/7 – São Paulo (Brasil)

Vôlei Sentado
8/7 a 17/8 – Hangzhou (China)

Agosto
Hipismo
19/8 a 23/8 – Aachen (Alemanha)

Bocha
24/8 a 4/9 – Seul (Coreia do Sul)

Remo
24/8 a 30/8 – Amsterdã (Holanda)

Canoagem
26/8 a 28/8 – Poznan (Polônia)

Setembro
Ciclismo de Estrada
4/9 a 7/9 – Huntsville (Estados Unidos)

Tiro Esportivo
7/9 a 18/9 – Changwon (Coreia do Sul)

Basquete em Cadeira de Rodas
9/9 a 19/9 – Ottawa (Canadá)

Judô
20/9 a 28/9 – Tbilisi (Geórgia)

Triatlo
25/9 a 27/9 – Pontevedra (Espanha)

Outubro
Ciclismo de Pista
29/10 a 1/11 – Apeldoorn (Holanda)

Novembro
Taekwondo
local e data a confirmar

Tênis de Mesa
13/11 a 19/11 – Pattaya (Tailândia)

Dezembro
Halterofilismo
Data a confirmar – Manama (Bahrein)

  • *Sujeito a alterações

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As Loterias Caixa e a Caixa são patrocinadoras oficiais do badminton, bocha, basquete em cadeira de rodas, canoagem, goalball, halterofilismo, judô, rúgbi em cadeira de rodas, taekwondo, triatlo, tênis de mesa, tiro esportivo e vôlei sentado.

Fonte https://cpb.org.br/noticias/confira-mundiais-paralimpicos-programados-para-2026/

Postado Pôr Antônio Brito 

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro imp@cpb.org.br)

07/01/2026

Autismo Visível

Autismo Visível - OPINIÃO - * Por André Naves

OPINIÃO

  • * Por André Naves

Recentemente, a PUCPR publicou um relatório, baseado no Censo de 2022, que deveria nos convidar a uma profunda reflexão coletiva. Saber que aproximadamente 306 mil brasileiros com 60 anos ou mais se autodeclaram no espectro autista é uma forte evidência, com fortes fundamentos demográficos, de um entendimento que a ciência e os movimentos sociais vêm afirmando há anos: o autismo sempre existiu. O que é novo é a nossa capacidade — e dever — de percebê-lo.
 

Vivemos bombardeados por clichês perigosos e equivocados, que mentem que enfrentamos uma “epidemia” ou “explosão” de casos de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Essa ideia, no entanto, não encontra amparo em evidências científicas sólidas.
 

Pelo contrário, ela é frequentemente alimentada por uma avalanche de desinformação que busca culpados fáceis e soluções mágicas, associando o autismo a vacinas, ao uso de paracetamol, a certos alimentos ou a estilos de vida.
 

Essas mentiras, além de infundadas, cumprem um propósito nefasto: desviam o foco do debate real e semeiam pânico, servindo como uma cortina de fumaça para o verdadeiro fundamento por trás dessa percepção de “aumento”: o preconceito.
 

A verdade é que só agora as pessoas autistas estão sendo percebidas. Antes, elas eram completamente invisibilizadas, diluídas em um mar de rótulos estigmatizantes. O homem idoso que hoje se reconhece autista era, em sua juventude, apenas o “excêntrico”. A mulher que passou a vida com dificuldades de interação social era a “antissocial”. A criança com uma necessidade visceral de rotina era a “teimosa” ou “problemática”.
 

Esses rótulos eram a expressão de uma violência simbólica, manifestada por uma sociedade que insiste em encaixar a riqueza da experiência humana em padrões rígidos e excludentes.
 

É importante frisar que no caso dos idosos, essa violência é dupla, somando o capacitismo ao etarismo — essa forma perversa de discriminação que vê o envelhecimento como sinônimo de decadência.
 

Os 306 mil idosos autistas pesquisados pela Universidade não são somente números ou estatísticas; são 306 mil biografias de resiliência que nos contam uma história de silenciamento.
 

São pessoas que atravessaram a vida sem compreender por que se sentiam deslocadas, por que a socialização era tão exaustiva ou por que o mundo, tantas vezes, parecia um lugar caótico e hostil. O diagnóstico tardio, para muitos, é a chance de, finalmente, nomear a própria experiência e se perdoar por não se encaixar em um molde que nunca lhes serviu.
 

Como, então, superamos décadas de preconceito e um presente inundado de mentiras? A resposta é dupla e exige nosso compromisso ativo: convivência e informação qualificada.
 

Primeiro, a convivência. A diversidade, por si só, é pedagógica. É no encontro, na partilha de espaços e na construção de laços que os estereótipos se desfazem. Ambientes de trabalho, escolas e comunidades que acolhem a pluralidade não apenas cumprem uma função social; elas se tornam mais inteligentes, criativas e humanas.
 

A inclusão real, estruturada, é o antídoto mais potente contra o veneno do preconceito, pois ela nos força a enxergar o outro em sua humanidade plena, para além de qualquer diagnóstico.
 

Segundo a busca por informação verdadeira. Em um ecossistema digital onde a desinformação floresce, temos a responsabilidade de sermos curadores ativos do conhecimento que consumimos e partilhamos. Isso significa desconfiar de soluções milagrosas, checar fontes, valorizar a ciência e, acima de tudo, ouvir as vozes das próprias pessoas autistas. Elas são as verdadeiras especialistas de suas vidas e as protagonistas indispensáveis desta conversa.
 

O chamado, portanto, vai muito além que a simples análise e indignação. Convido você, leitor, a levar essa reflexão para a prática.
 

Em sua vida privada, busque ativamente fontes de informação qualificadas e confiáveis, que substituam o medo pelo conhecimento. E, em sua vida pública, como cidadão, profissional e ser humano, ajude a construir as estruturas sociais inclusivas e justas que permitam uma convivência verdadeiramente plural.

Não há uma “explosão” de autismo. O que há é a esperança de que, como sociedade, estamos finalmente começando a abrir os olhos.
 

Que possamos construir um mundo onde ninguém precise esperar uma vida inteira para, simplesmente, ser quem é.

  • André Naves é Defensor Público Federal. Especialista em Direitos Humanos e Sociais, Inclusão Social e em Economia Política. (Instagram: @andrenaves.def).
Fonte https://diariopcd.com.br/autismo-visivel/
 
Postado Pôr Antônio Brito

Vitória Miranda é eleita a melhor jovem do tênis em cadeira de rodas de 2025 pela ITF

Vitória Miranda comemora no Parapan de Jovens Santiago 2025, Chile | Foto: Marcello Zambrana/CPB.

A mineira Vitória Miranda, 18, foi eleita a melhor jovem do tênis em cadeira de rodas de 2025 pela Federação Internacional de Tênis (ITF). É a primeira vez que uma jovem brasileira conquista este reconhecimento da entidade.

Em 2025, Vitória conquistou dez títulos em simples e oito em duplas, incluindo os títulos de simples e de duplas em dois Grand Slams na categoria Júnior, no Aberto da Austrália e em Roland Garros, na França.

No Parapan de Jovens de Santiago, a atleta mineira também garantiu duas medalhas: ouro na disputa de simples e nas duplas mistas, ao lado de Luiz Calixto.

Além do prêmio internacional, Vitória recebeu o troféu de melhor atleta de tênis em cadeira de rodas no Prêmio Brasil Paralímpico, realizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) em dezembro de 2025.

“Tive um ano muito bom, com muita evolução e títulos importantes. Foi um período incrível, cheio de novidades e sonhos realizados. Terminei minha trajetória no júnior e começo agora como adulta com o pé direito. Estou muito feliz por estar aqui e pelo reconhecimento do meu trabalho”, disse Vitória Miranda no Prêmio Brasil Paralímpico.

A premiação, organizada pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), teve transmissão do SporTV3 e apresentação dos jornalistas Vinicius Rodrigues e Joanna de Assis. O evento contou ainda com apresentações artísticas da Orquestra Sinfônica Mundana Refugi e dos artistas Mart’nália e Luiz Otávio.

Além de homenagear atletas, treinadores e apoiadores do Movimento Paralímpico que se destacaram em 2025, o evento celebrou os 30 anos do CPB, fundado em 9 de fevereiro de 1995, em Niterói (RJ).

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O Prêmio Brasil Paralímpico é patrocinado pelas Loterias Caixa.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

Fonte https://cpb.org.br/noticias/vitoria-miranda-e-eleita-a-melhor-jovem-do-tenis-em-cadeira-de-rodas-de-2025-pela-itf/

Postado Pôr Antônio Brito 

06/01/2026

Xadrez político: mudanças de cargos do 1º escalão e os impactos nas políticas públicas para as pessoas com deficiência em todo o Brasil

Xadrez político: mudanças de cargos do 1º escalão e os impactos nas políticas públicas para as pessoas com deficiência em todo o Brasil

EXCLUSIVO – Diário PcD repercute possíveis mudanças no Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania e na Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência

À medida que as eleições se aproximam, o cenário político nacional se transforma em um verdadeiro xadrez.

Nomes desconhecidos, nomeações estratégicas, exonerações por descontentamento e afastamentos no primeiro escalão dos governos marcam esse período, com ministros e secretários deixando seus cargos para concorrer nas eleições do próximo ano.

https://youtu.be/WFHfkOVULBw 

No entanto, esse processo, que parece ser uma prática comum e esperada, levanta questões importantes sobre as consequências para a administração pública e a efetividade das políticas direcionadas às necessidades da população.

Especificamente em relação às pessoas com deficiência, a Ministra Macaé Evaristo, que se afastou do cargo de Deputada Estadual em Minas Gerais para assumir o MDHC – Ministérios dos Direitos Humanos e Cidadania, deverá se afastar do cargo para disputar uma vaga para a Câmara dos Deputados.

https://www.congressoemfoco.com.br/noticia/115228/ao-menos-20-ministros-devem-deixar-o-governo-lula-ate-abril

O grande detalhe é o que está por vir na SNDPcD – Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, que nos últimos 3 anos esteve sob o comando de Anna Paula Feminella.

Nos bastidores, desde as eleições do CONADE, se comenta sobre possível mudança na pasta.

Fontes garantiram ao Diário PcD que Feminella enfrenta resistência dentro da pasta e principalmente com interlocutores da Ministra. Inclusive existem apurações sendo feitas em âmbito interno para apurar posturas adotadas em momentos de discussões e decisões.

Até o final da tarde desta segunda-feira, 5, a Assessoria de Comunicação da Ministra Macaé Evaristo não havia respondido as demandas encaminhadas nesta manhã pelo jornalismo do Diário PcD.

Diante do fortalecimento das informações de que Feminella seria realmente exonerada, entidades da sociedade brasileira passaram a se manifestar.

Documento elaborado pela Frente Nacional de Mulheres com Deficiência, encaminhado a Macaé manifestou apoio político, institucional e coletivo à permanência de Anna Paula Feminella no cargo. “Esta manifestação fundamenta-se na avaliação política e técnica da atual gestão, no reconhecimento da trajetória histórica da Secretária Anna Paula Feminella e na compreensão de que a continuidade do trabalho em curso é estratégica para a consolidação das políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência, com especial atenção às mulheres com deficiência, historicamente invisibilizadas nas ações do Estado. A permanência é estratégica para assegurar continuidade administrativa, coerência política e aprofundamento das ações em curso, evitando rupturas em processos estruturantes e garantindo a consolidação das políticas públicas já iniciadas”. Há ainda o pedido de uma audiência com urgência com a Ministra para debater o teor da manifestação.

Outra manifestação que o Diário PcD teve acesso foi de Cinthya Campos de Oliveira Mascena, Secretária de Inclusão Acadêmica e Acessibilidade da Universidade Federal do Espírito Santo, que manifestou publicamente o apoio à permanência de Feminella à frente da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, “reconhecendo a relevância de sua atuação para o fortalecimento das políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência no Brasil. Ao longo de sua gestão, Ana Paula Feminella tem exercido papel estratégico na retomada do diálogo democrático, na reconstrução de instâncias participativas e no reposicionamento da pauta dos direitos das pessoas com deficiência como eixo central da agenda pública nacional. Destaca-se, de modo especial, sua contribuição para a retomada do funcionamento democrático do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CONADE), restabelecendo processos de participação social que haviam sido fragilizados em períodos anteriores”.

Já a Rede In – Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, que reúne dezenas de entidades em todo o Brasil, também em Nota Oficial, manifestou apoio à permanência da secretária Anna Paula Feminella e solicitou audiência para tratar da importância da preservação da secretária na coordenação da Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). “O apoio manifestado tem como base a atuação da secretária Anna Paula Feminella na condução dos assuntos pertinentes à sua pasta e na compreensão de que a descontinuidade do trabalho que vem sendo realizado por ela e sua equipe pode repercutir negativamente na implementação dos programas, políticas e ações relacionadas às pessoas com deficiência. No delicado momento político em que nos encontramos, em que o governo necessita de estabilidade institucional e união da sociedade progressista em torno dos ideais por essa compartilhados, não interessam rupturas administrativas, que podem gerar fragilização das políticas voltadas à consolidação dos direitos das pessoas com deficiência e fragmentação do movimento”.

Entidades como a ABRAÇA- Associação Brasileira para Ação por Direitos das Pessoas Autistas e Setorial Nacional de Pessoas com Deficiência do Partido dos Trabalhadores (PT) também se manifestaram apoiando a permanência da secretária.

Feminella sempre destaca em suas redes sociais alguns itens importantes durante a sua gestão:

*Implantação do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Viver sem Limites II;

*Início da implementação da Avaliação Biopsicossocial Unificada da Deficiência;

*Convocação e realização da 5ª Conferência Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência;

*Fortalecimento do CONADE e dos espaços de participação social;

*Promoção da transversalidade das políticas públicas e da abordagem interseccional, incluindo o recorte de gênero.

Apuração Diário PcD

De acordo com fontes do Diário PcD, Feminella deveria ter sido exonerada por Macaé ainda no final do ano passado. Por sinal, essa notícia esteve nos bastidores na Capital Federal, principalmente durante as eleições do CONADE realizadas em novembro de 2025. O assunto causou enorme mal-estar no momento em que representantes do segmento de todo Brasil estiveram reunidos.

A expectativa do segmento era de que algumas decisões mais importantes deveriam ter sido adotadas por Macaé, enquanto Ministra.

Uma delas é a interlocução com o Governo Federal e demais Ministérios para a efetiva implantação da Avaliação Biopsicossocial Unificada, que está ‘engavetada’ desde setembro de 2024, quando o ex-ministro Silvio Almeida fez o encaminhamento dos estudos do Grupo de Trabalho ao Presidente Lula.

Desde então, as únicas movimentações sobre o assunto foram ‘projetos pilotos’ realizados em alguns estados brasileiros.

A expectativa agora é para o que de positivo possa acontecer em 2026 no principal órgão federal com relação direta às pessoas com deficiência.  

Fonte https://diariopcd.com.br/xadrez-politico-mudancas-de-cargos-do-1o-escalao-e-os-impactos-nas-politicas-publicas-para-as-pessoas-com-deficiencia-em-todo-o-brasil/

Postado Pôr Antônio Brito 

O impacto na vida financeira nas doenças raras: o que os dados já gritam?

O impacto na vida financeira nas doenças raras: o que os dados já gritam? - OPINIÃO - * Por Geisa Luz

OPINIÃO

  • * Por Geisa Luz 

Na comunidade das doenças raras, existe um tipo de cansaço que quase nunca aparece nas campanhas: o cansaço financeiro. Ele não é só sobre “remédios caros”. É sobre a soma silenciosa de gastos que se acumulam por anos: transporte, alimentação fora de casa, adaptações, terapias, faltas no trabalho, perda de renda e dívidas. E sobre a sensação de que, para sobreviver, muitas famílias precisam negociar a própria estabilidade.

A pergunta que eu mais ouço, em diferentes tons, é simples e devastadora:

“Quem paga essa conta?”

A conta não é só médica e no Brasil isso já foi medido

Um estudo brasileiro com 99 famílias de crianças e adolescentes com fibrose cística, mucopolissacaridoses e osteogênese imperfeita, atendidas em hospital de referência no Rio de Janeiro, mostrou números que ajudam a tirar o tema do “achismo”:

  • Custo direto não médico (mediano) para as famílias: R$ 2.156,56 (fibrose cística), R$ 1.060,00 (mucopolissacaridoses) e R$ 1.908,00 (osteogênese imperfeita).
  • Perda de renda: “superou 100%” nas três condições analisadas (na prática: o impacto pode ultrapassar toda a renda familiar disponível).
  • 54% das famílias não recebiam benefícios assistenciais.
  • Estratégias de sobrevivência financeira: 69% recorreram a empréstimos e 22,5% venderam bens para lidar com custos do tratamento.
  • O estudo também relata ocorrência de gastos catastróficos para as famílias investigadas.

Esses dados reforçam uma verdade dura: mesmo quando existe cuidado no SUS, a jornada de uma doença rara frequentemente exige despesas que a família precisa cobrir “por fora”.

No mundo, o padrão se repete: custos altos e risco real de empobrecimento

Em Hong Kong, um estudo com pacientes e cuidadores de doenças raras (106 condições) estimou um custo anual total de US$ 62.084 por paciente, e encontrou catástrofe financeira (catastrophic health expenditure) em 36,3% das famílias no limiar de 10% de gasto do domicílio, além de empobrecimento (impoverishing health expenditure) em 8,8%.

Ou seja: não é “aperto”, é risco estatístico de colapso econômico.

3) A “odisseia diagnóstica” também custa caro (e custa antes do tratamento)

Quando o diagnóstico atrasa, a família paga em dinheiro e em tempo de vida. Um estudo sobre a jornada diagnóstica de casos suspeitos de doença rara (sem diagnóstico confirmado no início) mostrou custos diretos médios de € 26.999, cerca de 7,6 vezes maiores do que controles comparáveis (€ 3.561) (“The cost of the diagnostic odyssey of patients with suspected rare diseases”, 2025).

Isso ajuda a explicar por que tantas famílias descrevem a fase “antes do nome da doença” como uma fase de gastos sem fim e sem direção.

O impacto econômico é gigantesco

Nos EUA, uma análise do impacto econômico de 379 doenças raras estimou um custo total de US$ 997 bilhões em 2019, com composição que mostra como a conta extrapola o hospital:

  • US$ 449 bi em custos médicos diretos (45%)
  • US$ 437 bi em custos indiretos (44%)
  • US$ 73 bi em custos não médicos (7%)
  • US$ 38 bi em custos de saúde não cobertos por seguro (4%)

O recado é claro: políticas focadas apenas no custo do tratamento deixam de fora uma parte enorme do problema.

O que a comunidade de doenças raras espera quando fala de “impacto financeiro”

Quando famílias, pacientes e cuidadores falam sobre dinheiro, raramente o pedido é “privilégio”. É previsibilidade, proteção e dignidade. Na prática, isso costuma se traduzir em cinco expectativas bem objetivas:

O ponto não é “quanto custa a doença rara”, é quem fica com a fatura

Quando a família precisa fazer empréstimo (69%) e vender bens (22,5%) para sustentar cuidado, isso não é um “problema individual”. É um sinal de que a política pública ainda não está cobrindo o que deveria cobrir.

LEIA MAIS AQUI: Cuidado complexo, custo elevado e perda de renda: o que não é raro para as famílias de crianças e adolescentes com condições de saúde raras. Cad Saude Publica. 2019 Sep 9;35(9):e00180218.

Se a comunidade de doenças raras pudesse resumir sua expectativa em uma frase, talvez fosse esta:

“Não queremos heroísmo financeiro. Queremos um sistema que não nos empurre para a dívida para conseguir viver.”

  • * Geisa Luz e Consultora em Doenças Raras | Enfermagem Pediátrica | TEDx Speaker | Docente Adjunto Doutora FAMEMA | Líder GNNRD BRASIL

ARTIGO ORIGINALMENTE PUBLICADO EM: https://www.linkedin.com/pulse/o-impacto-na-vida-financeira-nas-doen%C3%A7as-raras-que-os-geisa-luz-xwmif/?trackingId=J63ug9bWTxeMdGZiWd09mg%3D%3D

Fonte https://diariopcd.com.br/o-impacto-na-vida-financeira-nas-doencas-raras-o-que-os-dados-ja-gritam/

Postado Pôr Antônio Brito  

05/01/2026

Burnout parental e famílias de crianças com TEA: uma realidade que exige apoio estruturado

Burnout parental e famílias de crianças com TEA: uma realidade que exige apoio estruturado

Clínicas especializadas da Dasa ampliam atenção não só ao autista, mas também ao cuidador

Famílias de crianças com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) enfrentam rotinas intensas. Consultas, terapias, adaptações diárias, mediação de comportamentos e estímulos contínuos recaem, muitas vezes, sobre uma única pessoa. Esse cenário favorece o chamado burnout parental, condição caracterizada por exaustão física, emocional e sensação de incapacidade no papel de cuidador. Apesar de pouco discutido, o fenômeno aparece com frequência relevante em pesquisas científicas¹,².

Estudos mostram que cuidadores de crianças com TEA apresentam níveis elevados de estresse. Uma pesquisa coordenada pela Universidade de Wuhan, na China, identificou burnout em 19,9% dos pais avaliados e estresse parental alto em 72,3%². No Brasil, levantamento com 182 responsáveis registrou risco moderado de burnout em 11% e quadro confirmado em 3,3%³. Entre os fatores associados estão carga de cuidados, pouca divisão de responsabilidades e ausência de suporte social³.

Diante desse cenário, modelos integrados que organizam diagnóstico, terapias e apoio ao cuidador têm ganhado relevância. A criação de redes estruturadas permite reduzir deslocamentos, otimizar rotinas e oferecer suporte contínuo à família — elementos que reduzem a sobrecarga e favorecem um ambiente mais estável para a criança.

Apoio que ultrapassa o atendimento clínico

Para além das terapias, especialistas reforçam que o bem-estar da família interfere no desenvolvimento da criança. “O cuidado exige tanto das famílias que, sem uma estrutura de suporte adequado, o impacto na saúde mental dos responsáveis é inevitável”, afirma Fabiane Minozzo, Gerente de Programas de Saúde e Cuidado da Dasa. A ausência de acompanhamento psicológico, impossibilidade de dividir tarefas e a falta de orientação sobre autocuidado são citadas por ela como pontos críticos.

Modelos centralizados — que reúnem diagnóstico, intervenções multidisciplinares e orientações aos responsáveis — facilitam a logística e reduzem o isolamento. Ao colocar o cuidador dentro da estratégia terapêutica, ampliam a efetividade do tratamento e diminuem fatores associados ao burnout³,⁴.

Diagnóstico precoce e intervenções adaptadas

O diagnóstico precoce permanece um dos fatores que mais influenciam o desenvolvimento de crianças e adolescentes no espectro. “Combinamos observação clínica, relatos familiares e ferramentas padronizadas para obter uma análise consistente e adaptar os planos de terapia conforme necessário”, explica Tarcizio Brito, neurologista e coordenador das Clínicas Especializadas em TEA da Dasa. Segundo ele, intervenções iniciadas cedo aumentam o potencial de progresso e permitem ajustar o cuidado de acordo com a evolução da criança.

Além de beneficiar o desenvolvimento infantil, a identificação precoce reduz incertezas e ajuda a família a se reorganizar — fator protetor contra o esgotamento emocional¹,⁴.

Estrutura e inclusão: dois eixos do bem-estar familiar

Ambientes preparados para acolher famílias de crianças com TEA também influenciam a rotina dos cuidadores. Unidades que oferecem estações de trabalho, orientação profissional, suporte online e grupos de acolhimento diminuem o tempo ocioso entre terapias, ampliam o acesso à informação e criam espaços para trocar experiências.

Essas iniciativas ajudam a reduzir o isolamento, apontado por pesquisas como um dos principais catalisadores do burnout¹³. Indo além do acompanhamento clínico, modelos que integram diagnóstico, terapias e suporte aos responsáveis reconhecem o cuidador como parte ativa do processo. Com isso, reduzem fatores de risco ligados à exaustão, preservam o equilíbrio emocional da família e reforçam que o bem-estar da criança passa, inevitavelmente, pelo bem-estar de quem cuida.

Referências

¹ Estudo brasileiro citado no texto (Anais COMCISA / UNIPAM – burnout parental) https://anais.unipam.edu.br/index.php/comcisa/article/view/3020

² Estudo chinês com 231 pais — 19,9% de burnout e 72,3% de alto estresse parental https://www.techscience.com/IJMHP/v27n3/60242/html https://www.researchgate.net/publication/389805512_The_Relationship_between_Parenting_Stress_and_Parenting_Burnout_in_

Parents_of_Children_with_Autism_The_Chain_Mediating_Role_of_Social_Support_and_Coping_Strategies

³ Estudo brasileiro com 182 cuidadores — risco moderado de burnout (11%) e burnout confirmado (3,3%) http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/80493

⁴ Referência geral sobre impacto do diagnóstico precoce no desenvolvimento e na carga familiar https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31821935/

Fonte https://diariopcd.com.br/burnout-parental-e-familias-de-criancas-com-tea-uma-realidade-que-exige-apoio-estruturado/

Postado Pôr Antônio Brito 

Pedagogia da Exclusão

Pedagogia da Exclusão - OPINIÃO - * Por Dr. Ademar Santos

OPINIÃO

A expansão do discurso da inclusão educacional nas últimas décadas produziu um aparente consenso em torno da ideia de uma escola para todos. Documentos oficiais, legislações, políticas públicas e projetos pedagógicos reiteram o compromisso com o acesso universal e com o reconhecimento da diversidade.

No entanto, a permanência de elevados índices de evasão, reprovação, fracasso escolar e silenciamento de sujeitos historicamente marginalizados evidencia uma contradição estrutural que não pode ser ignorada. A escola inclui formalmente, mas continua excluindo de modo sistemático.

É nesse cenário que se impõe a necessidade de retomar e atualizar o debate sobre a pedagogia da exclusão, compreendida aqui, não como exceção ou desvio, mas como princípio histórico de organização da instituição escolar.

Desde sua constituição como instituição moderna, a escola assumiu uma função ambígua. Ao mesmo tempo em que se apresentava como espaço de democratização do conhecimento, operava como instância de seleção social.

O acesso aos saberes escolares sempre esteve condicionado à assimilação de códigos culturais específicos, associados às classes socialmente dominantes. Dessa forma, a escola não apenas ensinou conteúdos, mas legitimou determinados modos de pensar, falar, escrever e se comportar como socialmente superiores.

Aqueles que não correspondiam a esses padrões passaram a ser identificados como insuficientes, imaturos ou incapazes, inaugurando um processo de naturalização do fracasso escolar.

A pedagogia da exclusão se consolida, portanto, quando a escola transforma diferenças sociais, culturais e cognitivas em desigualdades educacionais. Esse processo não se dá apenas pela negação do acesso, mas sobretudo pela imposição de um modelo único de aluno ideal, de currículo legítimo e de desempenho esperado.

A avaliação, nesse contexto, desempenha papel central ao classificar, hierarquizar e selecionar, convertendo trajetórias desiguais em resultados aparentemente objetivos. O fracasso deixa de ser compreendido como efeito das condições institucionais e passa a ser atribuído ao indivíduo, deslocando a responsabilidade da escola para o estudante e sua família.

Ao longo do século XX, essa lógica foi reforçada pela organização seriada do ensino, pela fragmentação curricular e pela consolidação de práticas avaliativas classificatórias. A reprovação e a evasão tornaram-se mecanismos recorrentes de regulação do sistema escolar, legitimados por discursos pedagógicos que associavam sucesso ao mérito individual.

No campo da educação especial, essa racionalidade assumiu contornos ainda mais evidentes. A distinção entre normal e anormal estruturou práticas segregadoras, sustentadas por diagnósticos clínicos e testes psicométricos, que afastaram da escola comum aqueles considerados fora do padrão. A diversidade passou a ser tratada como problema a ser corrigido ou administrado, e não como princípio constitutivo da educação.

Com a ampliação do acesso à escola, especialmente nas últimas décadas, esperava-se que esses mecanismos fossem superados. Contudo, a universalização da matrícula não foi acompanhada por transformações estruturais equivalentes.

A escola passou a receber públicos cada vez mais diversos sem revisar de forma profunda seus currículos, metodologias e critérios de avaliação. Esse descompasso produziu o que se pode compreender como inclusão excludente. Os estudantes ingressam na escola, mas não encontram condições reais de participação, aprendizagem e reconhecimento. Permanecem presentes fisicamente, mas excluídos pedagogicamente.

Nesse novo cenário, a pedagogia da exclusão não desaparece, mas se reorganiza. A exclusão desloca-se do acesso para a permanência e para o êxito escolar. Avaliações padronizadas, currículos homogeneizadores e práticas pedagógicas pouco sensíveis às diferenças produzem fracasso, desinteresse e abandono.

A escola continua funcionando como filtro social, agora sob a aparência de neutralidade técnica. A meritocracia educacional cumpre papel decisivo nesse processo ao legitimar desigualdades como resultado do esforço individual, ocultando as condições sociais e institucionais que moldam as trajetórias escolares.

Temos, a partir dos anos 1990, a intensificação das políticas educacionais orientadas pela racionalidade neoliberal que aprofundou esse quadro. A educação passou a ser concebida como investimento em capital humano, e a escola foi progressivamente submetida a critérios de eficiência, produtividade e desempenho mensurável.

Avaliações em larga escala, ranqueamento de escolas e padronização curricular consolidaram uma cultura educacional que privilegia resultados quantitativos em detrimento dos processos formativos. A diversidade dos estudantes passou a ser vista como obstáculo à eficiência do sistema, e não como elemento constitutivo do direito à educação.

É nesse cenário, que a pedagogia da exclusão assume uma dimensão claramente política. Políticas apresentadas como técnicas e neutras produzem efeitos profundamente desiguais. Escolas situadas em territórios vulnerabilizados são penalizadas por baixos resultados sem receber suporte estrutural adequado.

Estudantes que não atingem os padrões estabelecidos são responsabilizados por seu desempenho e empurrados para trajetórias marcadas pela repetência, evasão ou certificação precária. A exclusão, assim, deixa de ser um efeito colateral e passa a ser parte integrante do funcionamento do sistema educacional.

Além das dimensões estruturais e econômicas, a exclusão se manifesta cotidianamente no plano simbólico, curricular e identitário. O currículo opera como artefato de poder ao selecionar saberes considerados legítimos e silenciar outros.

Conhecimentos produzidos por grupos historicamente marginalizados, experiências comunitárias e culturas não hegemônicas permanecem à margem do reconhecimento escolar. Ao mesmo tempo, corpos e identidades que escapam aos padrões normativos enfrentam práticas de invisibilização, estigmatização e baixas expectativas pedagógicas. Estar matriculado não significa, necessariamente, ser reconhecido como sujeito de aprendizagem e de direitos.

Ainda nesse cenário contemporâneo, a exclusão digital surge como atualização da pedagogia da exclusão. A ampliação do uso de tecnologias educacionais, sem políticas consistentes de acesso, formação e letramento crítico, aprofunda desigualdades já existentes.

A conectividade, quando não acompanhada de condições materiais e pedagógicas adequadas, produz uma inclusão apenas aparente. Estudantes formalmente escolarizados permanecem excluídos do pleno exercício da cidadania, agora mediada pelas tecnologias digitais.

A análise da escola de ontem e da escola de hoje permite afirmar que a pedagogia da exclusão não foi superada. Ela se reinventa, se adapta aos discursos do presente e convive com políticas inclusivas sem ser estruturalmente enfrentada.

A exclusão deixou de ser explícita para tornar-se administrada, normalizada e, em muitos casos, legitimada pelo próprio discurso da inclusão. Compreender essa permanência é condição indispensável para pensar a escola que queremos.

Não se trata de negar os avanços normativos, mas de reconhecer que não há inclusão possível sem ruptura com as racionalidades pedagógicas, avaliativas e políticas que continuam produzindo desigualdade no interior da escola.

Pensar a escola que queremos exige, antes de tudo, reconhecer que a superação da pedagogia da exclusão não se dará por ajustes pontuais ou por acréscimos compensatórios ao modelo vigente.

A inclusão não pode ser tratada como programa, metodologia ou estratégia paralela, mas como princípio político estruturante da educação. Isso implica compreender a escola como espaço de disputa de projetos societários e assumir que toda prática pedagógica expressa uma concepção de justiça, de democracia e de humanidade.

A inclusão, quando reduzida ao acesso formal, mostrou-se insuficiente para romper com as desigualdades historicamente produzidas pela escola. A experiência brasileira evidencia que a matrícula universal, embora necessária, não garante participação, aprendizagem nem pertencimento.

A escola que queremos parte do reconhecimento de que igualdade e diferença não são valores opostos, mas indissociáveis. Tratar igualmente sujeitos profundamente desiguais é perpetuar injustiças. Por essa razão, a inclusão deve ser orientada pelo princípio da equidade, entendida como a oferta de condições diferenciadas para garantir direitos iguais.

Assumir a inclusão como projeto político significa deslocar o foco do estudante para a instituição escolar. O problema não está nos sujeitos que aprendem de modos diversos, mas em uma escola organizada para poucos. Transformar essa lógica exige revisar currículos, avaliações, tempos, espaços e expectativas pedagógicas.

O currículo, em especial, deixa de ser mera seleção de conteúdos e passa a ser compreendido como território de disputa simbólica e política. A escola inclusiva é aquela que reconhece a pluralidade epistemológica, valoriza saberes produzidos em diferentes contextos sociais e rompe com hierarquizações que historicamente silenciaram culturas, identidades e experiências.

Nesse sentido, a revisão curricular, reitero, não se limita à inserção de novos temas, mas envolve questionar quais conhecimentos são legitimados, quem fala, quem é ouvido e quem permanece invisível. A escola que queremos reconhece que o conhecimento escolar não é neutro e que a justiça curricular é condição para a justiça educacional. Isso implica enfrentar o racismo estrutural, o capacitismo, o sexismo, a heteronormatividade e todas as formas de desigualdade que atravessam o cotidiano escolar e moldam expectativas de sucesso ou fracasso.

A avaliação ocupa lugar central nessa transformação. Enquanto permanecer orientada pela lógica classificatória e meritocrática, continuará operando como mecanismo de exclusão. A escola inclusiva exige uma avaliação formativa, processual e contextualizada, comprometida com o acompanhamento das aprendizagens e não com a seleção dos considerados aptos.

Avaliar, nesse horizonte, é produzir informações para reorientar o trabalho pedagógico, apoiar estudantes e garantir que todos avancem, ainda que por percursos distintos. A reprovação sistemática e a padronização de critérios revelam-se incompatíveis com um projeto educacional comprometido com direitos.

A formação docente constitui outro eixo inegociável da escola que queremos. Não se trata de responsabilizar individualmente professores por desafios estruturais, mas de reconhecer que a transformação das práticas pedagógicas requer investimento contínuo em formação inicial e continuada, articulada às condições reais de trabalho. A docência inclusiva demanda conhecimento pedagógico, sensibilidade ética e compreensão política do papel social da escola. Professores não podem ser convocados a incluir sem que a instituição se transforme para incluir.

A inclusão, então, também precisa ser pensada à luz da cultura digital. A escola que queremos não pode ignorar que o acesso às tecnologias e o domínio crítico das linguagens digitais tornaram-se dimensões centrais da cidadania. A exclusão digital não é um fenômeno à parte, mas atualização das desigualdades educacionais históricas. Garantir inclusão, nesse cenário, significa assegurar acesso, formação e uso pedagógico crítico das tecnologias, evitando que a inovação tecnológica se converta em novo filtro de exclusão.

A escola inclusiva é, igualmente, espaço de reconhecimento e pertencimento. Não basta que estudantes estejam presentes; é necessário que sejam reconhecidos como sujeitos de direitos, saberes e histórias.

A pedagogia da exclusão operou historicamente por meio do não reconhecimento, da invisibilização e da estigmatização. Superá-la implica construir práticas pedagógicas que valorizem a escuta, o diálogo e a participação, criando vínculos entre escola, famílias e comunidades. O pertencimento não é efeito espontâneo da matrícula, mas resultado de relações pedagógicas baseadas no respeito e na dignidade humana.

Assumir a inclusão como projeto político, como já ressaltado aqui, também exige enfrentar as contradições entre discurso e prática. O Brasil dispõe de um arcabouço legal robusto que afirma o direito à educação inclusiva. Contudo, a distância entre norma e materialidade escolar revela que a exclusão persiste não por ausência de políticas, mas pela dificuldade de transformar estruturas, culturas institucionais e racionalidades pedagógicas. A escola que queremos depende de decisões políticas concretas, financiamento adequado, gestão democrática e compromisso público com a justiça social.

Superar a pedagogia da exclusão, portanto, não é tarefa exclusiva da escola, mas tampouco pode prescindir dela. A educação não resolve sozinha desigualdades estruturais, mas pode contribuir para reproduzi-las ou enfrentá-las. A escola que queremos é aquela que reconhece sua implicação política, recusa a neutralidade e assume a inclusão como escolha ética.

Trata-se de uma escola que não se limita a administrar diferenças, mas que se organiza a partir delas; que não naturaliza o fracasso, mas o interroga; que não seleciona, mas acolhe; que não silencia, mas reconhece.

Concluir essa reflexão implica afirmar que a pedagogia da exclusão não será superada enquanto a inclusão for tratada como concessão ou retórica. A inclusão que transforma é aquela que rompe com lógicas seletivas, enfrenta desigualdades históricas e reafirma a educação como direito humano fundamental.

Enfim, a escola que queremos não é utopia ingênua, mas projeto político possível, desde que haja decisão coletiva de romper com as formas sutis e persistentes de exclusão que ainda estruturam a educação.

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  • * Dr. Ademar Santos é Vice-president and Co-founder of @ANIDE | Adjunct Professor at UFU | Diversity | Inclusion | Equity | Brazil |

Fonte https://diariopcd.com.br/pedagogia-da-exclusao/

Postado Pôr Antônio Brito