Exposição
gratuita retrata a trajetória do CTPB, equipamento do Governo de São
Paulo, desde sua concepção arquitetônica até a consolidação como
referência internacional em inclusão e paradesporto
O Museu da Inclusão abre, a partir do dia 2 de junho, a exposição
“CTPB 10 anos”, em celebração à primeira década do Centro de Treinamento
Paralímpico Brasileiro (CTPB), equipamento do Governo do Estado de São
Paulo, vinculado à Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com
Deficiência e gerido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro.
A mostra reúne registros históricos, vídeos, painéis e depoimentos
que retratam a trajetória do espaço, desde a elaboração do projeto
arquitetônico até sua consolidação como um dos principais centros de
referência do paradesporto mundial.
Entre os destaques da exposição estão recordes históricos
conquistados por atletas brasileiros, além de relatos emocionantes de
protagonistas que transformaram o Centro Paralímpico em uma verdadeira
segunda casa. Os visitantes também poderão acompanhar entrevistas com
personagens que participaram diretamente da concepção, construção e
desenvolvimento do equipamento.
A exposição evidencia ainda a dimensão estrutural, esportiva e social
do CTPB, um complexo multifuncional que recebe atletas para
treinamentos, competições e hospedagem. Para muitos jovens com
deficiência, o local representa o primeiro contato com modalidades
paralímpicas, contribuindo para inclusão social, fortalecimento da
autoestima e desenvolvimento da autonomia.
As instalações esportivas retratadas na mostra já sediaram 2.688
eventos esportivos, recebendo 195.544 atletas em competições e
treinamentos, além de 56.415 visitantes.
Segundo o secretário de Estado dos Direitos da Pessoa com
Deficiência, Marcos da Costa, o impacto do Centro Paralímpico vai além
do desempenho esportivo: “Tenho orgulho de acompanhar de perto como essa
estrutura ajudou a posicionar o Brasil entre as grandes potências
paralímpicas do mundo. Mas o impacto vai muito além das medalhas: está
na vida de cada pessoa com deficiência que encontrou no esporte um
caminho de autonomia, autoestima e pertencimento”, afirmou.
A curadoria da exposição é assinada pelos servidores da SEDPcD Allan
Cunha, produtor cultural, e Cássio Rodrigo, assessor especial, que
desenvolveram uma representação artística da história e da importância
do complexo esportivo.
O resultado é um panorama marcado por histórias de superação,
excelência, cidadania e transformação social, disponível gratuitamente
ao público.
Serviço
Exposição: CTPB 10 anos
Local: Museu da Inclusão: Av. Mário de Andrade, 564 – Portão 10
Atletas praticam tiro com arco em Camping realizado no Rio de Janeiro | Foto: André Durão/CPB
O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB)
divulga nesta sexta-feira, 29, a lista de 50 atletas convocados para o
13º Camping Militar e Civil Paralímpico. O evento acontece entre 12 e 19
de julho, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo.
O evento é realizado por meio do Programa
Militar e Civil Paralímpico e tem o objetivo de apresentar o tiro
esportivo e o tiro com arco para potenciais atletas a partir de uma
vivência nas duas modalidades.
Durante o período no CT os participantes
também passarão por testes e avaliações físicas, e serão acompanhados
por uma equipe multidisciplinar.
Duas das vagas disponíveis para a ação foram reservadas para atletas com deficiência visual.
O Camping Militar e Civil Paralímpico,
teve sua primeira edição neste ano em abril. O evento ainda terá uma
terceira edição em 2026 no mês de outubro.
Adolescente inglesa ficou tetraplégica após sofrer um raro AVC na medula espinhal durante recuperação de sintomas gripais.
O
nome da garota é Lexi Brown e ela tinha 14 anos quando se recuperava de
sintomas gripais em casa, no condado de Essex, Inglaterra, quando
começou a sentir dores intensas e perdeu os movimentos do braço.
Pouco
depois, a adolescente parou de respirar e precisou ser reanimada por
paramédicos com manobras de ressuscitação cardiopulmonar.
A
jovem foi levada às pressas para um hospital, em Cambridge, onde os
médicos decidiram colocá-la em coma induzido por 5 dias enquanto
investigavam o que havia provocado o quadro. Quando acordou, Lexi estava
tetraplégica.
Os
exames mostraram que a adolescente sofreu um AVC espinhal, condição
rara causada pela interrupção do fluxo sanguíneo na medula espinhal.
Segundo relatos da família, os médicos não encontraram doenças prévias
que justificassem o problema. A principal suspeita é de que a
complicação tenha ocorrido durante a recuperação da gripe.
Lexi também passou a depender de uma traqueostomia para respirar e falar.
O
AVC espinhal, também chamado de AVC na medula, acontece quando o fluxo
de sangue que leva oxigênio e nutrientes para a medula espinhal é
interrompido. A condição é considerada rara e diferente do AVC cerebral,
mais conhecido pela população.
A
medula espinhal funciona como uma espécie de “ponte” entre o cérebro e o
restante do corpo. Quando há falha na circulação sanguínea da região,
células nervosas podem morrer rapidamente, causando danos neurológicos
graves.
O
problema pode surgir após bloqueios em artérias, formação de coágulos
ou redução importante da circulação sanguínea. Em alguns casos,
infecções, inflamações e alterações vasculares também podem estar
associadas ao quadro.
Os
sintomas costumam aparecer de forma súbita. Entre os principais sinais
estão: dor forte nas costas ou no pescoço; fraqueza muscular; perda de
sensibilidade; dificuldade para movimentar braços e pernas; alterações
respiratórias.
Dependendo
da área atingida na medula, o paciente pode desenvolver paralisia
parcial ou total. Também podem ocorrer perda do controle da bexiga e do
intestino, além de dificuldades para respirar sem auxílio de aparelhos.
Especialistas
apontam que o diagnóstico pode ser difícil porque muitas pessoas não
associam sintomas neurológicos a um problema na medula espinhal. Além
disso, o AVC espinhal é muito menos frequente do que o AVC cerebral.
Lexi,
hoje com 15 anos, continua internada e faz fisioterapia intensiva para
tentar recuperar funções motoras. Segundo a família, ela voltou a
movimentar parcialmente os membros e já consegue respirar sozinha
durante parte do dia, embora ainda use ventilação mecânica em alguns
períodos.
A
adolescente também consegue falar por meio da traqueostomia, mas segue
sem conseguir realizar tarefas básicas de forma independente.
Um caso no mínimo curioso e raro, que pode servir de exemplo e atenção para o resto do mundo.
Enquanto os pais acompanham mais uma sessão de terapia, o outro filho
espera em silêncio, acostumado a entender cedo demais que algumas
prioridades da vida não giram em torno dele.
Quando uma família recebe o diagnóstico de uma criança com
deficiência, quase toda a atenção naturalmente se volta para ela.
Consultas médicas, terapias, adaptações, preocupações, medos e cuidados
passam a ocupar grande parte da rotina da casa.
Mas, no meio desse processo, muitas vezes existe alguém que acaba ficando invisível: o irmão.
Os irmãos das pessoas com deficiência costumam amadurecer cedo demais.
Ainda crianças, aprendem a compreender limitações, crises,
internações, dificuldades financeiras, barreiras sociais e preconceitos.
Aprendem a esperar. Aprendem a ceder. Aprendem que, muitas vezes, as
necessidades do irmão precisarão vir primeiro.
E isso não significa falta de amor.
Pelo contrário.
Na maioria das vezes, esses irmãos desenvolvem vínculos profundos,
empatia, sensibilidade e um senso de proteção gigantesco. Mas também
carregam sentimentos complexos que raramente são verbalizados.
O peso do amadurecimento precoce
Muitos irmãos de pessoas com deficiência deixam de viver partes naturais da infância.
Enquanto outras crianças estão preocupadas apenas com brincadeiras,
eles já entendem questões médicas, dificuldades motoras, crises
sensoriais, acessibilidade e preconceito.
Muitas vezes ajudam em tarefas dentro de casa, acompanham consultas,
cuidam emocionalmente dos pais e sentem a responsabilidade de “não dar
trabalho”, porque percebem que a família já enfrenta muitos desafios.
Alguns crescem rápido demais.
Aprendem cedo a ser fortes.
Mas nem sempre alguém pergunta se eles também estão cansados.
Muitos irmãos aprendem desde cedo a engolir sentimentos porque percebem que a família já carrega dores demais.
O filho que espera a mãe terminar mais uma sessão de terapia do irmão
para mostrar um desenho feito na escola talvez aprenda cedo demais o
que significa esperar.
O amor também convive com sentimentos difíceis
Existe outro ponto sobre o qual quase ninguém fala: irmãos também
podem sentir ciúmes, tristeza, raiva, culpa e até sensação de abandono
emocional.
E isso não faz deles pessoas ruins.
Muitas vezes, os pais estão tão sobrecarregados física e emocionalmente que sobra pouco tempo para atenção individualizada.
O irmão entende racionalmente o motivo.
Mas emocionalmente continua sendo uma criança querendo colo, presença e atenção.
E então nasce a culpa.
Culpa por sentir ciúmes. Culpa por reclamar. Culpa por desejar mais
atenção. Culpa até por, em alguns momentos, sentir raiva da situação.
São sentimentos humanos.
Muitos irmãos crescem tentando não demonstrar tristeza para não aumentar o peso emocional dos pais.
O problema é que muitos irmãos aprendem a escondê-los para não parecerem egoístas diante da realidade vivida pela família.
Muitos aprendem a sufocar as próprias dores porque acreditam que
reclamar seria injusto diante das dificuldades enfrentadas pelo irmão.
O medo do futuro
Talvez uma das maiores angústias silenciosas seja o futuro.
Muitos irmãos crescem ouvindo, mesmo que indiretamente:
“Quando eu não estiver mais aqui, ele dependerá de você.”
Essa frase, dita ou apenas sentida no ambiente familiar, pode gerar um peso emocional enorme.
Porque junto do amor nasce também o medo.
Medo de não conseguir cuidar. Medo de falhar. Medo de não dar conta. Medo do futuro.
Em muitos casos, os irmãos passam a construir suas vidas já carregando a responsabilidade emocional de serem futuros cuidadores.
A importância de olhar também para os irmãos
Falar sobre os irmãos das pessoas com deficiência não diminui em nada
a importância da inclusão ou das necessidades da pessoa com
deficiência.
Pelo contrário.
Uma família emocionalmente acolhida funciona de maneira mais saudável para todos.
Os irmãos também precisam ser vistos, ouvidos e acolhidos.
Precisam de espaço para falar sobre sentimentos difíceis sem culpa.
Precisam viver a própria infância. Precisam entender que não precisam
ser perfeitos o tempo inteiro. Precisam receber amor individualizado.
Porque eles também enfrentam dores silenciosas.
O amor que cresce junto com a luta
Apesar dos desafios, muitas relações entre irmãos são marcadas por um amor profundo e transformador.
Muitos irmãos se tornam pessoas extremamente humanas, empáticas e
conscientes das diferenças justamente pela convivência diária com a
deficiência.
Aprendem desde cedo valores que grande parte da sociedade ainda precisa aprender.
E mesmo diante das dificuldades, criam laços de companheirismo, proteção e afeto que atravessam a vida inteira.
Mas é importante lembrar:
irmãos de pessoas com deficiência não precisam ser fortes o tempo inteiro.
Também podem cansar. Também podem sentir medo. Também podem precisar de ajuda.
Porque cuidar de quem cuida emocionalmente também é inclusão.
Os irmãos das pessoas com deficiência passam grande parte da vida
aprendendo a cuidar. Mas também precisam aprender que merecem ser
cuidados.
Muitos irmãos de pessoas com deficiência passam a vida aprendendo a
dividir atenção. O que quase ninguém percebe é que, muitas vezes, também
aprenderam cedo demais a abrir mão de si mesmos.
* Igor Lima é advogado (OAB/RJ), especialista em Direitos Humanos e
sustentabilidade, e pessoa com deficiência. Coordenador da coletânea
jurídica “Deficiência e os Desafios para uma Sociedade Inclusiva”,
citada no STJ, TST, STF e presente em instituições como Harvard e
Universidade de Coimbra. Autor de artigos publicados em espaços como
ABDConst, Future Law e revistas jurídicas nacionais, atua como
palestrante em instituições como UERJ, UFRJ, UFF, OAB/RJ e MPRJ.
Dedica-se à pesquisa e defesa dos direitos das pessoas com deficiência,
com experiência em inclusão, políticas públicas e ESG.
Em destaque, atirador Nivaldo Gadelha no Circuito
Paralímpico Loterias Caixa de tiro esportivo 2025 no Rio de Janeiro |
Foto: Alexandre Loureiro/CPB
O Meeting Paralímpico
de João Pessoa (PB), realizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro
(CPB), acontece neste sábado, 30, com 287 atletas em duas localidades. A
Vila Olímpica da Parahyba recebe provas de atletismo e natação, com 234 e 40 esportistas, respectivamente. Na mesma manhã, o Império Shot Clube recebe 13 inscritos, marcando a estreia do tiro esportivo na temporada 2026 do Meeting.
Em cada etapa do Meeting acontecem tanto provas válidas para o alto
rendimento como também para atletas em desenvolvimento, divididos por
faixa etária – a partir da categoria sub-11.
Com a estreia do tiro esportivo no calendário do Meeting Paralímpico
deste ano, o paraibano Nivaldo Gadelha, 24, vive a expectativa por sua
primeira competição da modalidade em 2026. O atleta é o mais jovem
inscrito nas disputas, que reúnem competidores com média de idade de 44
anos.
Nivaldo competirá na pistola de ar comprimido da classe SH1 (não
requer suporte para a arma). A relação com o tiro esportivo, porém,
começou com sua profissão, antes mesmo do acidente sofrido em 2021,
quando ele e um colega de trabalho, que estavam em uma motocicleta,
foram atropelados por uma carreta. O episódio resultou na amputação de
sua perna direita. Militar, o paraibano encontrou no esporte uma conexão
imediata com sua vida antes do acidente e tornou a prática esportiva
seu refúgio.
“Após o acidente, pensei: ‘acabou tudo. Não vou conseguir fazer mais
nada.’ Mas com o passar do tempo, vi que estava totalmente errado.
Voltei a fazer coisas que achava que não conseguiria mais, como dirigir.
Hoje eu procuro mais coisas ainda para fazer e vejo que há todo o tipo
de oportunidade no mundo”, reflete Gadelha.
Desde o início no esporte em 2023, Nivaldo passou por diversas competições, como o Camping Militar Paralímpico e o Circuito Paralímpico Loterias Caixa
de tiro esportivo, realizadas em São Paulo e Rio de Janeiro,
respectivamente. Para o Meeting de João Pessoa, o atleta já tem uma meta
traçada: fazer sua melhor marca pessoal, com 650 pontos na pistola de
ar comprimido.
Já no campo, o Meeting da capital paraibana aguarda o medalhista paralímpico do lançamento de dardo Cícero Lins Nobre, da classe F57 (competem em cadeira de rodas).
“Apesar de estar em fase de treinamento, em que não são esperados
grandes resultados, vou competir dando o meu melhor. As maiores
expectativas ficam para o Para Sul-Americano; lá, quero lançar acima dos
50m”, avaliou Cícero, que se prepara para a principal competição do
ano, os Jogos Parasul-Americanos de Valledupar, na Colômbia, que
acontecem entre os dias 3 e 15 de julho.
Paramigos Imparáveis A etapa do Meeting
Paralímpico de João Pessoa será a primeira a receber a ativação
presencial dos personagens da série de animação Paramigos Imparáveis. Na oportunidade, o personagem Guará, um lobo ultrarrápido que usa próteses, fará interação com o público infantil do evento.
Na série criada pelo CPB, os personagens Geeky, Turi, Nina, Narciso,
Guará e Zoom são porta-vozes da inclusão e reforçam valores como
empatia, diversidade, trabalho em equipe e convivência.
O Meeting Paralímpico Loterias Caixa percorrerá todas as Unidades
Federativas brasileiras até o mês de agosto, com a última etapa
programada para São Paulo, de 6 a 8 de agosto.
Ainda neste sábado o CPB realizará uma etapa do Meeting Paralímpico
Loterias Caixa em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, com 173 atletas
em provas de atletismo e natação.
As marcas obtidas em todas as categorias dos Meetings Paralímpicos
são válidas para os respectivos rankings brasileiros, utilizados como
critério de classificação para etapas nacionais de competições
organizadas pelo CPB, como as Paralimpíadas Escolares, Paralimpíadas
Universitárias e os Circuitos Brasileiros.
Imprensa Os profissionais de imprensa
interessados em cobrir o Meeting Paralímpico Loterias Caixa de João
Pessoa devem enviar um e-mail para imp@cpb.org.br com
os seguintes dados: nome completo, RG ou CPF e veículo pelo qual irá
cobrir o evento. No dia da competição, os profissionais deverão se
identificar na sala de imprensa do local.
Meeting Paralímpico Loterias Caixa – Etapa de João Pessoa
Atletismo e Natação Local: Vila Olímpica da Parahyba Endereço: Rua Desportista Aurélio Rocha, S/N –
Tiro Esportivo Local: Império Shot Clube Endereço: Rua Rotariano Antônio Telino de Lacerda, 155
Patrocínio As Loterias CAIXA, a CAIXA, a Braskem e a Asics são as patrocinadoras oficiais do atletismo. A CAIXA e as Loterias CAIXA são as patrocinadoras oficiais da natação e do tiro esportivo.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)
Projeto
“Vozes Visuais”, em Manaus/AM, ensina cinema para alunos cegos usando
sons, memória afetiva e experiências sensoriais como linguagem
audiovisual.
O
projeto “Vozes Visuais” propõe uma experiência inédita na capital
amazonense ao ensinar cinema e produção audiovisual a partir da
percepção sonora, da memória afetiva e das experiências sensoriais dos
participantes.
As
aulas acontecem na própria Biblioteca Braille do Amazonas, localizada
no Bloco C do Sambódromo, na avenida Pedro Teixeira, bairro Flores, zona
Centro-Sul de Manaus/AM.
A
iniciativa é conduzida pela produtora cultural e psicóloga Keylla
Gomes, de 43 anos, que já desenvolveu projetos culturais voltados para
pessoas com deficiência, especialmente oficinas de teatro e cinema para
pessoas surdas.
A
ideia do “Vozes Visuais” surgiu dentro da cultura e da inclusão, de uma
inquietação sobre a presença de pessoas cegas nos espaços de produção
audiovisual.
A proposta do curso parte de uma visão diferente da percepção tradicional do cinema, normalmente associada apenas à imagem.
Cinema não é só imagem, mas também é som, emoção, memória e sensação, segundo a professora responsável pelo projeto.
No
“Vozes Visuais”, o som deixa de ser apenas um apoio da imagem e passa a
ser protagonista da narrativa. Durante as aulas, os alunos trabalham
com sons do cotidiano, vozes, objetos, silêncio, vento e chuva para
construir cenas e atmosferas cinematográficas.
Nele,
os alunos começam a construir cenas através dos sons da cidade, da
natureza, das vozes, dos passos, do vento, da chuva, do silêncio e dos
objetos do dia a dia. Tudo vira linguagem cinematográfica.
Para
a realização das oficinas, o curso precisou adaptar a forma tradicional
de ensinar audiovisual. As aulas são pensadas a partir da escuta, da
orientação espacial, do toque e da percepção dos ambientes.
A
experiência tem provocado mudanças na autoestima e no sentimento de
pertencimento dos participantes. Muitos alunos chegam inseguros, porque
cresceram ouvindo que certos espaços não foram pensados para eles. E,
aos poucos, eles começam a perceber que conseguem criar, dirigir,
gravar, pensar cenas e construir narrativas próprias.
Plenário
aprovou Projeto de Lei Complementar 11/2026 que ‘devolve’ isenção total
do IPI para pessoas com deficiência que perderam o benefício após
medida do Governo Federal. Tema segue para Câmara dos Deputados
O Projeto de Lei Complementar 11 de 2026 – de autoria do Senador
Flávio Arns foi aprovado no Plenário do Senado Federal na noite desta
quarta-feira, 27.
A proposta altera uma medida adotada pelo Poder Executivo no final de
2025 que reduziu em 10% vários benefícios tributários, dentre eles uma
‘interpretação’ da Receita Federal que deixou de implantar a isenção
total.
Um dos questionamentos feitos pelos Senadores foi o descumprimento do
que prevê a Lei Federal 8989/1995 que determina a isenção total até 31
de dezembro de 2026.
De acordo com o Senador Flávio Arns, “a Lei Complementar (LC) nº
224/2025 determinou o corte linear nos incentivos e benefícios de
natureza tributária, financeira ou creditícia concedidos no âmbito da
União. Não há qualquer justificativa de ordem ético-política ou racional
que justifique tal cobrança indevida e tratamento tributário desigual
entre as entidades sem fins lucrativos que, de forma imprescindível,
contribuem com o Estado brasileiro na execução de políticas públicas e
serviços de interesse coletivo que constitucionalmente lhe são
obrigatórios”.
https://www.youtube.com/shorts/1qynbmcjx4I
Na tramitação no Senado Federal, a Senadora Damares Alves apresentou a
Emenda 3 “preserva a efetividade das políticas públicas de inclusão e
mobilidade das pessoas com deficiência, mediante a exclusão dos
incentivos, isenções e benefícios fiscais a elas destinados da
incidência automática da redução linear prevista na Lei Complementar nº
224/2025. A matéria possui inequívoca relevância social e
constitucional. A proteção das pessoas com deficiência constitui dever
expresso do Estado brasileiro, decorrente dos princípios da dignidade da
pessoa humana, da igualdade material e da promoção da inclusão social,
previstos na Constituição Federal e reafirmados pela Convenção
Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, incorporada
ao ordenamento jurídico brasileiro com status constitucional”. Para a
Senadora, “os benefícios fiscais relacionados à aquisição de veículos
por pessoas com deficiência não podem ser tratados como incentivos
tributários ordinários de natureza estritamente econômica ou setorial.
Ao contrário, possuem evidente caráter social, inclusivo e
compensatório, constituindo mecanismo essencial de redução de
desigualdades e promoção da autonomia individual”.
A Senadora Dorinha Seabra foi a relatora do projeto. “Entre outras medidas, a LCP nº 224, de 2025, estabeleceu, em regra,
uma redução linear de 10% nos incentivos e benefícios de natureza
tributária, financeira ou creditícia concedidos pela União. A Emenda nº.
3, de autoria da Senadora Damares Alves, merece ser igualmente acatada.
Ela visa a excluir do escopo de aplicação da LCP 224, de 2025, as
isenções relativas à aquisição de automóveis por pessoa com deficiência,
uma vez que aprovamos recentemente uma legislação nova, no âmbito
Reforma Tributária, no sentido de ampliar e modernizar esse mesmo
benefício, não sendo oportuno, portanto, reduzi-lo no atual momento em
prejuízo da população com deficiência do nosso país. Inclusive,
importante salientar que, em decorrência dessa situação trazida pela LCP
224, de 2025, as montadoras já anunciaram recentemente o aumento
específico de preços dos automóveis para as pessoas com deficiência,
situação essa injusta que vamos corrigir com a referida emenda”.
O plenário discutiu o Projeto de Lei e o Relatório da Senadora
Dorinha Seabra, que acatou a emenda da Senadora Damares Alves, além de
outras.
Para aprovação o tema precisava de 41 votos, ou seja, a metade do
número de Senadores, mais um voto. Atualmente o Senado é composto por 81
parlamentares.
O projeto foi aprovado por unanimidade com 69 votos. Todos os Senadores presentes foram favoráveis.
A proposta agora segue para a Câmara dos Deputados. Se não houver
modificação no texto, o texto seguirá para sanção ou veto presidencial.
Se os Deputados Federais alterarem o conteúdo, o texto voltará ao Senado
Federal.
Simone Camargo, coordenadora do Atleta Cidadão, discursa durante Fórum | Foto: Ana Patrícia/CPB.
O Conselho de Atletas do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), em parceria com o Programa Atleta Cidadão,
abre nesta terça-feira, 26, 135 vagas para interessados em participar
do III Fórum de Atletas Paralímpicos Nacional de 2026, que será
realizado em São Paulo, de 23 a 27 de setembro, no Centro de Treinamento
Paralímpico.
As inscrições devem ser feitas a partir deste link até o dia 8 de junho. As vagas serão preenchidas por ordem de inscrição.
O CPB irá custear passagem, hospedagem e alimentação para os 135
atletas participantes, distribuídos considerando o limite de até 5
participantes por unidade federativa, incluindo o Distrito Federal. Confira o edital neste link.
Para que o atleta seja contemplado, é necessário que ele participe
dos encontros online preparatórios, entre junho e julho. Os esportistas
beneficiados serão informados por e-mail; o resultado também será
publicado no site do CPB em breve.
A primeira edição do Fórum de Atletas Paralímpicos, de abrangência
nacional, foi realizada em dezembro de 2023, no Centro de Treinamento
Paralímpico, em São Paulo. O evento trouxe painéis e palestras sobre
experiências de atletas em conselhos de confederações, informações sobre
a estrutura do Movimento Paralímpico no Brasil e tratou de habilidades
importantes para interessados em atuar em prol das demandas dos
esportistas.
O Conselho de Atletas foi criado em 2009 e tem como objetivo a
representação dos esportistas dentro do CPB, tendo diálogo aberto com a
Diretoria Executiva do Comitê e um assento no Conselho de Administração
da entidade.
O Programa Atleta Cidadão tem como objetivo estimular o
desenvolvimento pleno da cidadania de atletas e ex-atletas paralímpicos
em todas as fases da carreira (iniciação, alto rendimento e
pós-carreira), por meio de formação educacional, capacitação e
orientação profissional.
Em caso de dúvidas, entre em contato pelo e-mail atletacidadao@cpb.org.br.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro
Exposição
coletiva do Museu do Artista reúne 29 artistas no Circolo Italiano, em
São Paulo, com entrada gratuita e acessibilidade.
Na
sexta-feira, dia 15 de maio, aconteceu na capital paulista a abertura
da Exposição Coletiva do Museu do Artista, no icônico Circolo Italiano,
na região central da cidade.
Consolidado
como um verdadeiro sucesso de público, o evento foi um importante ponto
de encontro entre artistas, curadores e entusiastas da arte.
A mostra exalta a pluralidade cultural por meio de uma seleção cuidadosa de obras com diversas temáticas.
Ao todo, 29 artistas ocupam a galeria do 2º andar de um dos maiores marcos arquitetônicos de São Paulo/SP.
Dentre
todos os artistas sob a batuta e curadoria de Andrezza Kniff,
organização e realização do Museu do Artista, está o hoje artista
plástico Osmar Santos, ex-narrador esportivo, um dos maiores ícones da
comunicação do nosso país, hoje pessoa com deficiência.
A
exposição vai até o dia 2 de junho, aberta para visitação de segunda a
sexta, das 10h às 17h, e aos sábados somente com hora marcada.
O evento conta com acessibilidade, é aberto ao público, gratuito e com classificação livre.
O Circolo Italiano fica no Edifício Itália, na Av. Ipiranga, 344, 2º andar, no centro de São Paulo/SP.
Especialista
da Laramara traz reflexões sobre como promover mais acolhimento,
qualidade de vida e saúde mental para pessoas com deficiência visual
Quando se pensa em inclusão e acessibilidade para pessoas com
deficiência visual, normalmente pensamos em pisos táteis, semáforos
sonoros, braille, ampliação e contraste de placas, leitores de tela em
celulares, bengalas e cães guias. Embora esses recursos sejam
imprescindíveis para garantir autonomia, conforto e segurança, a
inclusão de pessoas cegas ou com baixa visão envolve muitos outros
desafios.
“Existe uma visão equivocada de que a acessibilidade está relacionada
apenas à estrutura física, quando, na verdade, ela também envolve a
forma como as pessoas se relacionam. A ausência de comunicação acessível
e de atitudes inclusivas faz com que pessoas cegas ou com baixa visão
se sintam deslocadas, ignoradas ou incapazes de participar ativamente de
situações sociais simples”, explica Danilo Namo, psicólogo da Laramara –
Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual.
Essas experiências podem refletir diretamente na saúde mental.
Fatores como solidão, redução das interações sociais e exclusão em
ambientes educacionais, profissionais e de lazer impactam o bem-estar
emocional e reforçam a importância de uma rede de apoio acessível e
acolhedora. No entanto, o acesso a atendimentos em saúde mental e
acompanhamentos multiprofissionais ainda encontra obstáculos, seja pela
falta de recursos acessíveis, seja pelo despreparo de alguns
profissionais para atender pessoas com deficiência visual.
“Hoje, há uma compreensão mais ampla sobre saúde mental e
deficiência, considerando não apenas aspectos individuais, mas também
fatores como relações sociais, contexto em que a pessoa está inserida,
acessibilidade e acesso a oportunidades, que influenciam diretamente no
bem-estar emocional”, afirma Namo.
A superproteção é outro ponto muito importante. Muitas pessoas com
deficiência visual ainda enfrentam situações em que terceiros tomam as
decisões por elas ou limitam sua independência. Incentivar a autonomia
em deslocamentos, atividades do dia a dia, trabalho e nas decisões da
própria vida, fortalece a autoconfiança e a autoestima.
Comportamentos capacitistas ainda são comuns, como falar apenas com
acompanhantes, ignorar a pessoa durante a conversa, deixar de descrever
ambientes ou utilizar vocabulário infantilizado.
Garantir acessibilidade e saúde mental significa assegurar que
pessoas com deficiência visual tenham autonomia, acolhimento e condições
reais de exercer plenamente sua cidadania. “Inclusão não acontece
apenas por meio de adaptações físicas, mas também pelo reconhecimento da
autonomia, da participação e da individualidade dessas pessoas.”,
conclui o psicólogo da Laramara.
Sobre a Laramara: Fundada em
1991 pelo casal Mara e Victor Siaulys, a Laramara é referência nacional
no atendimento a pessoas cegas e com baixa visão, contribuindo de forma
pioneira na promoção da autonomia, educação, formação profissional,
cultura e convivência inclusiva. Ao lado de parceiros e apoiadores, a
associação desenvolve programas inovadores que impactam milhares de
famílias em todo o país.