14/04/2026

Como uma amizade sobrevive à transição da infância para a adolescência?

Como uma amizade sobrevive à transição da infância para a adolescência?

Com protagonismo PCD e diversidade familiar, Rebeca Kim apresenta história sobre os desafios do amadurecimento no lançamento “Minha (quase) ex-melhor amiga”

Manu e Duda sempre foram inseparáveis. Daquelas amizades que se constroem nos pequenos rituais do dia a dia, como dividir o lanche no intervalo, trocar confidências e encontrar um espaço seguro uma na outra. No entanto, com a chegada do 6º ano na escola, algo começa a mudar. Em meio a novas dinâmicas, sentimentos difíceis de nomear e silêncios que passam a ocupar o lugar das conversas, a relação entre as duas se transforma. É nesse território sensível de transição da infância para a adolescência que acontece a narrativa de Minha (quase) ex-melhor amiga, lançamento de Rebeca Kim.

Na obra, publicada pela VR Editora, o leitor acompanha o início desse distanciamento a partir de situações cotidianas que, aos poucos, ganham novos significados. O ciúme diante de novas amizades, pequenas atitudes mal interpretadas e um gesto impulsivo que gera desconfiança passam a tensionar a relação das meninas. Esse acúmulo de emoções é evidenciado durante os ensaios para a festa junina, quando já não encontram mais o mesmo ritmo, nem na dança, nem na amizade.

O conflito ganha novos contornos quando a falta de sincronia dá início a uma discussão verbal, que evolui para uma briga física, causa a queda de Manu de sua cadeira de rodas e termina com as duas suspensas por três dias. Longe da rotina escolar, é no silêncio da ausência que percebem o quanto a amizade ainda ocupa um lugar central em suas vidas, seja na falta das conversas sobre séries, das partidas de videogame ou na simples presença uma da outra.

Incentivada pelas mães, Manu toma a iniciativa de se reaproximar, e o reencontro acontece com o pretexto de ensaiarem a coreografia da apresentação. Entre conversas e confissões, Duda revela o que não conseguiu dizer antes e, pela primeira vez, conseguem falar sobre o que estavam sentindo. Mais do que resolver o desentendimento, esse episódio marca o início de uma nova forma de se relacionar: mais honesta, aberta e atravessada pelas descobertas dessa fase.

Manu e Duda facilmente andariam no recreio, ou melhor,
no intervalo com minhas personagens. Em “Minha (quase) ex-melhor amiga”,
você vai ver que com uma boa rede de apoio podemos passar pela adolescência
com mais carinho e entender que todos os sentimentos são válidos
— a gente só precisa não ter medo de entendê-los melhor.

Thalita Rebouças, escritora best-seller

Carioca, nipo-brasileira e cadeirante, Rebeca Kim constrói um enredo em que a diversidade aparece de forma orgânica, integrada à vida das personagens, sem ser tratada como obstáculo. Ao trazer uma protagonista negra, cadeirante e filha de duas mulheres com naturalidade e afeto, a autora amplia as possibilidades de identificação para jovens leitores, sem recorrer a estereótipos ou a uma visão limitada dessas vivências. Com ilustrações delicadas de Purin Naka, que retrata cada fase da amizade das protagonistas, Minha (quase) ex-melhor amiga é uma história sobre amadurecimento que acolhe, representa e convida à empatia, reforçando que toda experiência merece ser vista em sua complexidade e, sobretudo, em sua potência.

Ficha Técnica:
Título: Minha (quase) ex-melhor amiga
Volume: 01
Autora: Rebeca Kim
Ilustradora: 
Purin Naka
Editora: VR Editora
Edição/ano: 1ª/2026
ISBN do livro físico:  978-85-507-0793-8
ISBN do e-book: 978-85-507-0794-5
Gênero: Literatura infantojuvenil
Idade recomendada: A partir de 10 anos
Número de páginas: 132
Preço: R$ 59,90
Onde encontrarAmazon | E-commerce VR Editora | Mercado Livre | Principais livrarias do Brasil

Sobre a autora: Rebeca Kim é neta de japoneses, cadeirante, vascaína, formada em Direito e nascida em Niterói (RJ), de onde sempre parte para novos destinos de viagens. Além de escrever para blogs de cultura pop, ela também publicou histórias independentes na internet. Minha quase ex-melhor amiga é seu livro de estreia.

Redes sociais:

Fonte https://diariopcd.com.br/como-uma-amizade-sobrevive-a-transicao-da-infancia-para-a-adolescencia/

Postado Pôr Antônio Brito 

Seleção Brasileira feminina de basquete em CR realiza 3ª fase de treinamento no CT Paralímpico

Semana de treino da seleção de feminina de Basquete em Cadeira de Rodas no CT Paralímpico, em São Paulo | Foto: Alessandra Cabral/CPB

O Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, recebe a terceira fase de treinamento da Seleção Brasileira feminina de basquete em cadeira de rodas. Ao todo, foram convocadas 13 atletas, que estarão na capital paulista entre os dias 11 e 18 de abril.

A semana tem como objetivo a preparação para o Mundial de Ottawa, que será realizado no Canadá, em setembro. A segunda semana de treinamento foi realizada em março, também na capital paulista.

A equipe nacional feminina da modalidade assegurou a vaga no Campeonato Mundial após conquistar a inédita medalha de prata na Copa América de 2025, disputada em Bogotá, na Colômbia. Na decisão do torneio, o Brasil foi superado pelos Estados Unidos por 77 a 37.

Como parte da preparação para o Mundial, a equipe realizará cinco períodos de treinamento. A próxima fase inclui um intercâmbio com a seleção do Canadá, em Ottawa, programado para junho.

Confira as convocadas:
Brenda Bauer (1.0) – APP/Valkirias/UNIPAM/DB (MG)
Ana Kelvia (1.0) – ADESUL (CE)
Maxcileide Ramos (1.0) – Unipol Briantea84 (ITA)
Denise Eusébio (1.5) – Menari Joventut
Perla Assunção (2.0) – All Star Rodas Pará/Banco da Amazônia (PA)
Gabriela Oliviera (2.5) – IREFES/SESPORT (ES)
Ivanilde da Silva (3.5) – IREFES/SESPORT (ES)
Paola Klokler (3.5) – IREFES/SESPORT (ES)
Oara Uchoa (4.0) – ADESUL (CE)
Geisa Vieira (4.0) – APP/Valkirias/UNIPAM/DB (MG)
Adrienne de Souza – (4.0) APP/Valkirias/UNIPAM/DB (MG)
Vileide Brito (4.5) – All Star Rodas Pará/Banco da Amazônia (PA)
Lia Martins (4.5) – ADESUL (CE)

*Com informações da Confederação Brasileira de Basquetebol em Cadeira de Rodas (CBBC)

Patrocínio
A Caixa e as Loterias Caixa são as patrocinadoras oficiais do basquete em cadeira de rodas.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

Fonte https://cpb.org.br/noticias/selecao-brasileira-feminina-de-basquete-em-cr-realiza-3a-fase-de-treinamento-no-ct-paralimpico/

Postado Pôr Antônio Brito 

Japão na frente com tratamento com células iPS para Parkinson

Japão aprova terapia com células iPS para Parkinson, marcando avanço importante da medicina regenerativa, ainda sob avaliação de segurança e eficácia.

Japão na frente com tratamento com células iPS para Parkinson

O mundo está assistindo a um avanço que, por muito tempo, parecia distante. Em março de 2026, o Japão concedeu aprovação condicional e com prazo limitado à primeira terapia derivada de células iPS para Parkinson, desenvolvida a partir de células reprogramadas para gerar neurônios produtores de dopamina.

Isso não significa milagre imediato, nem cura garantida para todos. Mas representa algo muito importante: a medicina regenerativa começou a sair do campo da promessa e entrar, com cautela, no campo da aplicação real. A própria aprovação exige acompanhamento adicional de segurança e eficácia.

Para quem vive com medo de um diagnóstico difícil, notícias assim lembram que a ciência continua avançando. E que, mesmo quando a resposta ainda não é definitiva, cada passo sério abre caminho para novas possibilidades.

Vamos acompanhar os avanços no Japão!

Fonte https://revistareacao.com.br/noticias/noticia?id=46769db2-1697-458d-89c6-391d943c030d

Postado Pôr Antônio Brito 

13/04/2026

A solidão das mães atípicas: quando o cuidado se torna uma jornada solitária


A solidão das mães atípicas: quando o cuidado se torna uma jornada solitária - OPINIÃO - * Por Igor Lima

OPINIÃO

  • * Por Igor Lima

Entre rotinas intensas de cuidado, renúncias pessoais e falta de apoio, muitas mães atípicas enfrentam uma solidão silenciosa que raramente é percebida pela sociedade.

A solidão nem sempre significa estar fisicamente sozinho. Muitas vezes, ela surge mesmo quando estamos cercados por pessoas.

Para muitas mães atípicas, essa é uma realidade cotidiana. Em meio a consultas médicas, sessões de terapia, acompanhamento escolar e uma rotina intensa de cuidados, o mundo ao redor parece seguir em frente enquanto suas próprias vidas passam a girar quase exclusivamente em torno das necessidades dos filhos.

A maternidade atípica — vivida por mulheres que criam filhos com deficiência ou condições que exigem atenção constante — é marcada por amor, dedicação e resiliência. Mas também pode ser acompanhada por um sentimento silencioso de isolamento que poucas pessoas conseguem perceber.

Quando a rotina de cuidados ocupa todos os espaços

Imagine uma rotina em que a agenda da semana é organizada em torno de consultas médicas, sessões de terapia, reuniões escolares e deslocamentos constantes.

Para muitas mães atípicas, essa não é uma situação ocasional, mas parte permanente da vida.

Os dias começam cedo e terminam tarde. Entre compromissos, cuidados domésticos e atenção contínua aos filhos, sobra pouco espaço para descanso ou para atividades pessoais.

Projetos profissionais são interrompidos, encontros com amigos tornam-se raros e momentos de lazer passam a ser cada vez mais difíceis de encaixar na rotina.

Com o tempo, a vida social se reduz e o contato com o mundo exterior vai diminuindo de forma quase imperceptível.

O afastamento social que poucos percebem

A solidão das mães atípicas muitas vezes não é resultado de uma escolha, mas de um processo gradual.

Algumas deixam de participar de eventos sociais por receio de que seus filhos não sejam compreendidos. Outras enfrentam dificuldades práticas, como a falta de ambientes acessíveis ou preparados para acolher crianças com necessidades específicas.

Há também situações em que o cansaço emocional fala mais alto.

Uma simples saída para um encontro entre amigos pode exigir uma organização complexa: encontrar alguém que possa ajudar com os cuidados, avaliar se o ambiente será adequado para a criança e lidar com a possibilidade de imprevistos.

Diante de tantas dificuldades, muitas mães acabam optando por permanecer em casa.

Com o tempo, convites diminuem e a convivência social se torna cada vez mais limitada.

A importância de ser ouvida e compreendida

Em meio a essa realidade, uma das maiores necessidades relatadas por mães atípicas é a possibilidade de serem ouvidas.

Ter espaço para compartilhar experiências, falar sobre desafios e dividir conquistas pode fazer uma enorme diferença no enfrentamento das dificuldades do cotidiano.

Grupos de apoio, redes de mães e espaços de diálogo têm se mostrado ferramentas importantes nesse processo.

Quando mulheres que vivem experiências semelhantes se encontram, surge um ambiente de compreensão mútua. Não é necessário explicar longamente a rotina de cuidados ou justificar sentimentos de cansaço, porque todas ali reconhecem, de alguma forma, aquela realidade.

Esse sentimento de identificação cria vínculos e reduz o peso da solidão.

Construindo redes de apoio

Combater a solidão das mães atípicas exige um esforço coletivo.

Famílias, amigos, instituições e a própria sociedade precisam compreender que o cuidado com crianças com deficiência não pode ser uma responsabilidade isolada.

Pequenos gestos de apoio podem fazer uma grande diferença: ouvir sem julgamentos, oferecer ajuda em momentos difíceis ou simplesmente reconhecer os desafios enfrentados diariamente.

Criar redes de apoio é essencial para que essas mulheres não se sintam sozinhas em uma jornada que já exige tanto.

Nenhuma mãe deveria caminhar sozinha

A maternidade atípica revela diariamente a força e a dedicação de mulheres que enfrentam desafios constantes para garantir qualidade de vida e oportunidades para seus filhos.

Mas essa jornada não deveria ser solitária.

Reconhecer a solidão que muitas dessas mães enfrentam é o primeiro passo para construir uma sociedade mais empática e mais consciente da importância de apoiar quem dedica grande parte da própria vida ao cuidado do outro.

Porque cuidar também exige cuidado.

E nenhuma mãe deveria caminhar sozinha.

  • * Igor Lima é advogado (OAB/RJ), especialista em Direitos Humanos e sustentabilidade, e pessoa com deficiência. Coordenador da coletânea jurídica “Deficiência e os Desafios para uma Sociedade Inclusiva”, citada no STJ, TST, STF e presente em instituições como Harvard e Universidade de Coimbra. Autor de artigos publicados em espaços como ABDConst, Future Law e revistas jurídicas nacionais, atua como palestrante em instituições como UERJ, UFRJ, UFF, OAB/RJ e MPRJ. Dedica-se à pesquisa e defesa dos direitos das pessoas com deficiência, com experiência em inclusão, políticas públicas e ESG.   
  • Linkedin:https://www.linkedin.com/in/igor-lima-pcd-404321198/
  • Instagram: https://www.instagram.com/igor_lima_adv/

Fonte https://diariopcd.com.br/a-solidao-das-maes-atipicas-quando-o-cuidado-se-torna-uma-jornada-solitaria/

Postado Pôr Antônio Brito 

Jovem que perdeu as duas pernas e irmã em acidente sobe 5 vezes ao pódio no Meeting do Acre

Luan espera à beira da piscina para disputar uma de suas cinco provas no Meeting do Acre | Foto: Pablo Araújo/CPB

O jovem acreano Luan de Lima Pereira, 22, viu sua vida mudar após um acidente em novembro de 2012. À época, com 8 anos, ele e sua irmã Laiane de Lima Pereira, 10, foram atropelados por um ônibus quando estavam próximos à escola onde estudavam, na cidade de Cruzeiro do Sul, cerca de 635 km da capital Rio Branco. 

A notícia que chegou à Maria José de Lima Pereira, mãe das crianças, era de que ambos os filhos estavam mortos. A primogênita, de fato, faleceu. Luan foi levado à UTI, onde ficou por 12 dias, e teve as duas pernas amputadas. 

Quase quatorze anos depois de ser atropelado, Luan mora em Rio Branco, estuda Ciências Sociais na Universidade Federal do Acre e, como nadador, defende as cores da instituição em competições paralímpicas. Neste sábado, 11, ele teve a oportunidade de nadar “em casa” no Meeting Paralímpico Loterias Caixa do estado. Saiu do evento com cinco medalhas: dois ouros (100m peito na classe SB5 e 400m livre na classe S6 — para atletas com limitação físico-motora) e três pratas (50m e 100m livre, além dos 100m costas da classe S6). Luan foi um dos 89 inscritos na competição — foram 65 participantes nas provas de atletismo, no Sesi, e 24 nas de natação, na Esscola Estadual Armando Nogueira.

Antes do acidente, o acreano gostava de jogar vôlei com seus amigos. Após ter as pernas amputadas, jurou para si mesmo que iria “andar, brincar e correr”. Anos depois, trocou as quadras pelas piscinas e, hoje, concilia a rotina de estudos com os três treinos semanais no Centro de Referência de Rio Branco, projeto do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) que aproveita espaços esportivos em todo o país para a prática esportiva da base ao alto rendimento. 

Aos 12 anos, Luan teve a sua primeira experiência com a natação. À ocasião, ele não se sentiu atraído pela modalidade. “Parei. Achava que não era para mim. Não gostava tanto, mas quando entrei na graduação, senti o interesse e a necessidade de nadar, já que tinha um projeto [Centro de Referência]. Foi um avanço muito grande. Lá, nos meus 12 anos, tinham alguns treinadores, mas não era nada oficial. Agora, temos uma estrutura completa”, comentou.

Fã de K Pop (gênero musical sul-coerano) e literatura, principalmente relacionada às Ciências Sociais, Luan nutre o sonho de evoluir dentro do esporte, melhorar suas marcas e aproveitar as oportunidades abertas pela natação paralímpica. E, para tanto, ele tem o apoio incondicional daquela que largou a casa e o comércio em Cruzeiro do Sul para acompanhá-lo em Rio Branco, na busca de uma nova vida após a biamputação. 

“Minha mãe me incentiva a nadar. Ela sabe que faz bem para a saúde física e mental. É a minha maior incentivadora. E ter um Meeting aqui, em Rio Branco, também me ajuda nos meus objetivos. O esporte é inclusão e salva vidas”, concluiu. 

A temporada de 2026 do Meeting Paralímpico Loterias Caixa, aberta neste sábado, 11, irá passar por todos os estados brasileiros e se encerrará em São Paulo, de 6 a 8 de agosto.

O Meeting Paralímpico Loterias Caixa também contou com uma etapa em Belém (PA), com provas de atletismo e natação neste sábado, 11. A próxima etapa do Meeting Paralímpico Loterias Caixa acontecerá em São Luis (MA), no dia 25 de abril.

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As Loterias Caixa, a Caixa, a Braskem e a Asics são as patrocinadoras oficiais do atletismo.
As Loterias Caixa e a Caixa são as patrocinadoras oficiais da natação.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

Fonte https://cpb.org.br/noticias/jovem-que-perdeu-as-duas-pernas-e-irma-em-acidente-sobe-5-vezes-ao-podio-no-meeting-do-acre/

Postado Pôr Antônio Brito 

Islandês é 1º paciente do mundo com transplante duplo de braço e ombro

Felix Gretarsson tornou-se o primeiro paciente do mundo a receber transplante duplo de braços e ombros após grave acidente, recuperando movimentos e retomando atividades do cotidiano.

Islandês é 1º paciente do mundo com transplante duplo de braço e ombro

Um eletricista islandês, Felix Gretarsson, de 48 anos, teve a vida transformada em 1998, quando sofreu um grave acidente enquanto trabalhava com uma linha de alta tensão.

Uma descarga de 11 mil volts provocou queimaduras severas, lançou seu corpo ao chão e levou à amputação imediata dos dois braços, além de deixá-lo em coma por meses.

Anos depois, após uma longa jornada de adaptação e superação, Felix entrou para a história da medicina.

Em uma cirurgia de 14 horas realizada em Lyon, na França, ele se tornou o primeiro paciente do mundo a receber um transplante duplo de braços e ombros.

Cerca de 50 médicos se envolveram em todo o processo do implante, até que os doadores adequados fossem encontrados.

Desde então, vem recuperando movimentos e retomando atividades do cotidiano que antes pareciam impossíveis — um processo que, para ele, significa muito mais do que reabilitação.

É a chance de voltar a viver experiências simples, como abraçar suas filhas.

Atualmente, Felix compartilha sua rotina com milhares de seguidores, além de realizar palestras motivacionais contando sua história e dividindo sua parceria com a esposa.

Fonte https://revistareacao.com.br/noticias/noticia?id=6cc6fe91-6b84-4e01-b3cf-c3c7b24c093e

Postado Pôr Antônio Brito 

11/04/2026

Escola vai indenizar criança autista por falha em acompanhamento

Escola é condenada a indenizar mãe de criança autista por falhas no acompanhamento escolar, que causaram prejuízos emocionais, regressão comportamental e lesões físicas ao aluno.

Escola vai indenizar criança autista por falha em acompanhamento

A notícia saiu publicada no site Migalhas.com.br. A 10ª Câmara Cível do TJ/MG majorou o montante indenizatório que uma instituição de ensino deverá pagar à mãe de um menino diagnosticado com autismo com grau de suporte moderado.

O acompanhamento oferecido pela escola foi considerado insatisfatório, resultando em prejuízos de ordem emocional, retrocesso comportamental e lesões físicas ao estudante.

Os magistrados enfatizaram a relevância da LBI, que estabelece “o dever da comunidade escolar de assegurar o recebimento de educação de qualidade”.

Em primeira instância, a comarca de Belo Horizonte/MG havia fixado a indenização por danos morais em R$ 10 mil, valor que foi majorado para R$ 15 mil por decisão dos desembargadores.

A demanda judicial foi motivada pela percepção da mãe quanto à deterioração do comportamento do filho. Segundo seu relato, o menor, que inicialmente apresentava dificuldades na fala, havia desenvolvido a comunicação após tratamento multidisciplinar.

Contudo, ao ingressar na escola, passou a relatar xingamentos frequentes, o que resultou em dificuldades de socialização e regressão na capacidade comunicativa.

Conforme consta no processo, o acompanhamento escolar era inadequado e, quando disponibilizado, o aluno era mantido isolado dos demais colegas.

Em um dos episódios narrados, a mãe constatou a presença de arranhões no braço e ferimento na boca do filho ao buscá-lo na escola.

A instituição justificou o ocorrido alegando que o aluno teria sido atingido durante o transporte de um computador por um funcionário.

A psicóloga que acompanha a criança atestou que o comportamento e a socialização apresentaram melhora significativa após a mudança de escola.

A instituição de ensino, em sua defesa, alegou que oferecia acompanhamento adequado à realidade do aluno e que os ferimentos decorreram de intercorrências acidentais no ambiente escolar.

O processo tramita sob segredo de Justiça.

Saiba mais no link:

 
Fonte https://revistareacao.com.br/noticias/noticia?id=d17713f7-1a8e-4a9f-a785-67beb8fddc6e
 
Postado Pôr Antônio Brito 

Seleção Brasileira de jovens da natação tem 2ª semana de treinos no CT Paralímpico

Semana de treinamento de jovens da Natação no CT Paralímpico, em São Paulo | Foto: Alessandra Cabral/CPB.

O Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, recebe, a partir de domingo, 12, a segunda semana de treinamento da Seleção Brasileira de jovens da natação. Foram convocados 27 atletas para participar das atividades até sábado, 18.

A semana tem como objetivo promover a preparação, o desenvolvimento e a avaliação de jovens atletas – de até 20 anos –, contribuindo para o aprimoramento técnico e para a evolução do processo de formação esportiva.

A programação de atividades inclui palestras com profissionais de diferentes áreas, treinos na piscina, exercícios na sala de musculação e avaliações físicas e técnicas.

Como desafios para o primeiro semestre, a Seleção de jovens disputará o IDM Berlim, na Alemanha, de 10 a 12 de maio, e o Circuito Paralímpico Loterias Caixa de natação, realizado no CT Paralímpico, em São Paulo, nos dias 12 e 13 de junho.

Confira todos os convocados:
Aldrey Mykaella Lemes De Oliveira (ABDA)
Ana Julia De Barros Roso (SEAS)
Arthur Antoniassi Souza (Instituto Athlon)
Arthur Teotonio De Oliveira (AM Paradesporto)
Barbara Britto Cruz (ABDA)
Brian Henrique Ferreira Cavalcanti (AM Paradesporto)
Camila Emanuelly Teixeira Dias (Vasco)
Cauã Felizardo Vieira (AM Paradesporto)
Douglas Pierry Damasceno Da Silva (SADEF-RN)
Emanuella Araujo Cafaro (AM Paradesporto)
Enzo Rafael Martins (AAF Nauru)
Felipe Braga Pereira (AAF Nauru)
Geovanna Amaduci Lopes Da Silva (AAF Nauru)
Jade Villas Bôas Herdy (Vasco)
José Gustavo Ribeiro De Oliveira (SADEF-RN)
Julia Dare Andrade (AM Paradesporto)
Kauã Oliveira Mansano Assencio (AAF Nauru)
Laura Sanches Silva Ghelere (APAN Maringá – Nauru)
Lucas José Macarin Brandi (APNH/SPFC)
Luciano Canavez Neto (AAF Nauru)
Luiz Fernando Antonio Rodrigues (ABDA)
Maria Clara De Souza Andrade (APABV)
Mariane Silva Ribeiro (AAF Nauru)
Nicolas Fonseca Coelho (SR Mampituba)
Nicolas Silvestre França (Vasco)
Valentina Lopes Ferreira (APAN Maringá – Nauru)
Vitória Crystina Abranges (CEPE)

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As Loterias Caixa e a Caixa são as patrocinadoras oficiais da natação.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

Fonte https://cpb.org.br/noticias/selecao-brasileira-de-jovens-da-natacao-tem-2a-semana-de-treinos-no-ct-paralimpico/

Postado Pôr Antônio Brito 

A Crise Invisível: Como as Mudanças Climáticas Ameaçam a Autonomia e a Segurança das Pessoas com Deficiência

A Crise Invisível: Como as Mudanças Climáticas Ameaçam a Autonomia e a Segurança das Pessoas com Deficiência - OPINIÃO - * Por Thierry Cintra Marcondes e Marta Almeida Gil

OPINIÃO

  • * Por Thierry Cintra Marcondes e Marta Almeida Gil

Estamos vivendo a era mais quente da história humana. Dados científicos robustos confirmam que 2023 foi o ano mais quente desde o início dos registros sistemáticos, com temperaturas globais 1,48°C acima dos níveis pré-industriais [1]. Este recorde segue uma tendência alarmante – os últimos nove anos foram os mais quentes já registrados. Ondas de calor extremo não são meramente desconfortáveis; são fatais. Causam fadiga, reduzem a produtividade econômica em até 20% em setores expostos [2] e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS)[3], contribuíram para aproximadamente 489.000 mortes anuais relacionadas ao calor entre 2000 e 2019.

O aquecimento global, no entanto, não se resume ao aumento de temperaturas ou aos termômetros. É um catalisador de eventos extremos: chuvas torrenciais, inundações, ventanias e secas prolongadas, que desestabilizam ecossistemas, economias e, sobretudo, a vida das pessoas mais socialmente vulnerabilizadas.

  1. O Ônus Climático Desigual e a Interseção com a Deficiência

Conceitos cruciais são criados: “ônus climático” e muitos já começam a falar sobre “justiça climática”.

Populações em situação de vulnerabilização socioeconômica são as primeiras e as mais gravemente impactadas.

No entanto, há um grupo ainda mais negligenciado: são as mais de 1,3 bilhão de pessoas com deficiência no mundo (16% da população global, segundo o Relatório Mundial sobre Deficiência da OMS[4]): 80% delas moram em países pobres e em áreas de alto risco. Para elas, as mudanças climáticas representam uma ameaça multiplicada, atacando sua autonomia, segurança e dignidade de formas específicas e frequentemente invisibilizadas.

  • Os Desastres como Causa de Novas Deficiências e Agravamento de Condições

Eventos climáticos extremos são “geradores diretos” de deficiência. Enxurradas, desmoronamentos, acidentes e outros causam lesões que podem resultar em deficiências físicas permanentes.

Após o furacão Katrina, por exemplo, 15% dos sobreviventes de Nova Orleans (EUA) relataram ter adquirido uma deficiência física nova ou temporária [5], fora o trauma psicológico decorrente das perdas e do medo constante que exacerba condições de saúde mental. Estudos indicam que a prevalência de transtorno de estresse pós-traumático pode dobrar em comunidades afetadas por desastres [6], como aconteceu nas enchentes no Rio Grande do Sul em 2024. Porém, não precisamos ir longe: os apagões causados pela ENEL Brasil em São Paulo causaram traumas, como a impossibilidade de carregar baterias do celular, da cadeira de rodas, aparelhos auditivos ou equipamentos de suporte à vida.

  • Autismo e calor

Pessoas autistas apresentam, com frequência, alterações no processamento sensorial e na regulação térmica, o que torna o calor excessivo e as mudanças bruscas de temperatura particularmente difíceis de tolerar.

Estudos indicam que esses indivíduos podem ter hiper ou hipossensibilidade interoceptiva, dificultando a percepção e o controle da própria temperatura corporal, além de maior sensibilidade ao suor, à umidade e ao contato da roupa com a pele.

O calor intenso pode amplificar a sobrecarga sensorial, levando ao aumento de ansiedade, irritabilidade, fadiga cognitiva, dificuldade de concentração e maior incidência de crises (meltdowns).

Mudanças rápidas de temperatura — como a transição entre ambientes externos quentes e locais com ar condicionado muito frio — também afetam a previsibilidade sensorial, fator central para o bem-estar de pessoas autistas.

Do ponto de vista fisiológico, há evidências de diferenças na resposta do sistema nervoso autônomo, com menor eficiência na adaptação térmica, o que reforça a importância de ambientes termicamente estáveis, planejamento climático e adaptações razoáveis como controle de temperatura, ventilação adequada e pausas para autorregulação.

  •  O Ataque Direto aos Suportes Vitais: Dados Técnicos e Econômicos

Para quem já vive com uma deficiência, o clima extremo é um agressor do seu suporte vital, com custos econômicos diretos e significativos.

  • Calor Extremo: A eficiência de baterias de lítio, comuns em cadeiras de rodas motorizadas e dispositivos de comunicação, cai drasticamente acima de 35°C e sua vida útil é reduzida permanentemente.

O custo médio de uma cadeira de rodas motorizada ultrapassa US$ 2.000 (nos EUA), com baterias representando até 30% do valor. A substituição precoce devido a danos térmicos impõe um custo extra.

Medicamentos essenciais, que exigem cadeia de frio (como insulina), podem se tornar inutilizáveis, gerando perdas diretas e riscos à saúde.

  • Falhas no Fornecimento de Energia: Apagões prolongados desconectam a pessoa de sua rede de autonomia.

Nos EUA, entre 2011 e 2021, o número de apagões relacionados ao clima mais que dobrou, afetando desproporcionalmente comunidades vulneráveis[7]. Para quem depende de ventilação pulmonar ou de uma bomba de infusão de nutrição, uma queda de energia sem backup significa emergência médica imediata.

  • Custos Exponenciais: O custo de vida é substancialmente mais alto para uma pessoa com deficiência. No Reino Unido, a Scope [8]estima que esse custo extra (“disability price tag“) seja em média £ 975 por mês (cerca de R$ 6.000,00), correspondente a equipamentos, tratamentos, transportes especializados e necessidades energéticas maiores.

Mudanças climáticas inflacionam esse custo, demandando investimentos em adaptação residencial (geradores, sistemas de resfriamento, proteção contra inundação) que podem variar de US$ 3.000 a US$ 15.000 por domicílio[9].

3. A Exclusão na Resposta a Desastres e os Custos Sociais

A ausência de medidas de proteção a pessoas com deficiência durante desastres resulta em expressivos custos humanos e econômicos. Durante o incêndio de Paradise, na Califórnia (2018), a taxa de mortalidade de pessoas com deficiência foi desproporcionalmente alta, evidenciando a falha dos planos de evacuação[10].

Reconstruir uma vida após perder equipamentos essenciais em um desastre não é apenas caro para o indivíduo: também sobrecarrega os sistemas de saúde e assistência social.

A dependência forçada, por falta de adaptação, demanda iniciativas que geram custos a longo prazo, que poderiam ser evitados com investimentos antecipados.

  • Conclusão: Imperativos de Liderança, Inovação e Inclusão Estratégica

A crise climática é, portanto, também uma crise aguda de acessibilidade. Ignorar essa interseção é um erro estratégico, moral e econômico.

Para os líderes empresariais e formuladores de políticas, o caminho a seguir é claro:

  • Inovar considerando a Resiliência Inclusiva: O mercado de tecnologia assistiva, projetado para resistir a extremos climáticos, representa uma oportunidade econômica e de impacto social. Normas de durabilidade térmica e hidráulica devem ser incorporadas.
  • Garantir Infraestrutura Crítica Inclusiva: Planos de resiliência energética devem identificar e priorizar o fornecimento de tecnologias médicas para pessoas dependentes de tecnologias médicas, mitigando riscos e custos emergenciais posteriores.
  • Incluir nos Planos de Risco e Orçamentos: Todos os planos de resposta a desastres e políticas de adaptação climática devem ter capítulos específicos e orçamento dedicado para a proteção de pessoas com deficiência, seguindo o princípio “Nada sobre nós, sem nós”. Todos podem se beneficiar: idosos, obesos, pessoas com mobilidade reduzida (situacional, temporária ou permanente). Ou seja: trata-se de investimento e não somente de custo ou adequação para compliance.
  • Financiar e direcionar a adaptação: Mecanismos financeiros, como subsídios e seguros acessíveis, devem cobrir os custos extras de adaptação climática para pessoas com deficiência, reconhecendo essa vulnerabilidade específica.

Combater as mudanças climáticas com uma lente de acessibilidade não é um gasto; é um investimento em dignidade humana, em resiliência econômica e em justiça social.

A verdadeira medida do nosso progresso não será dada apenas pela redução das emissões de carbono, mas pela segurança e autonomia que garantiremos aos mais vulnerabilizados em um mundo em transformação.

O clima está mudando. Nossa resposta não pode deixar ninguém para trás. A hora de agir, de forma inclusiva e decisiva, é agora.


[1] Copernicus Climate Change Service, 2024.

[2] OIT – Organização Internacional do Trabalho, 2019.

[3] Organização Mundial da Saúde, 2024.

[4] Relatório Mundial sobre Deficiência

[5]  White et al., 2007

[6] Goldmann & Galea, 2014.

[7] Climate Central, 2022.

[8] Scope, 2023.

[9] Valor estimado para pessoas com renda média, valor inacessível para a população em geral

[10] Fry, 2029.

Fontes e Referências

  1. Copernicus Climate Change Service (ECMWF). 2024, 9 de Janeiro. 2023 is the hottest year on record, with global temperatures close to the 1.5°C limit. In: https://climate.copernicus.eu/copernicus-2023-hottest-year-record
  2. Organização Internacional do Trabalho (ILO). (2019). Working on a warmer planet: the impact of heat stress on labour productivity and decent work. In: https://www.ilo.org/sites/default/files/wcmsp5/groups/public/%40dgreports/%40dcomm/%40publ/documents/publication/wcms_711919.pdf
  3. Organização Mundial da Saúde, “Calor e Saúde”. In: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/climate-change-heat-and-health
  4. Organização Mundial da Saúde (OMS) e Banco Mundial. (2011). Relatório Mundial sobre a Deficiência. In: https://www.who.int/teams/noncommunicable-diseases/sensory-functions-disability-and-rehabilitation/world-report-on-disability
  5. White, G. W., Fox, M. H., Rooney, C., & Cahill, A. (2007). Assessing the Impact of Hurricane Katrina on Persons with Disabilities. Universidade do Kansas. In: https://disability.law.uiowa.edu/dpn_hi/345.pdf
  6. Goldmann, E., & Galea, S. (2014). Mental health consequences of disasters. Annual review of public health, 35, 169-183. In: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24159920/
  7. Climate Central. (2022). Power Outages and Climate Change. In: https://www.climatecentral.org/report/surging-power-outages-and-climate-change
  8. Scope (UK). (2023). The Disability Price Tag. In: https://www.google.com/search?q=The+Disability+Price+Tag&rlz=1C1GCEA_enBR1148BR1148&oq=The+Disability+Price+Tag&gs_lcrp=EgZjaHJvbWUyBggAEEUYOTIHCAEQABjvBTIHCAIQABjvBTIHCAMQABjvBTIKCAQQABiABBiiBDIHCAUQABjvBdIBCTQzMzlqMGoxNagCCLACAfEFarx5RChi7rE&sourceid=chrome&ie=UTF-8
  9. Fry, K. (2019). The Deadly Disregard for Disabled People in Wildfire Zones. Bloomberg. In: https://pulitzercenter.org/stories/many-disabled-fire-victims-los-angeles-continuing-trauma
  10. “Custos Adicionais da Pessoa com Deficiência física”. Jornal Brasileiro de Economia da Saúde”. In: https://jbes.com.br/index.php/jbes/article/view/203. ”. Arquivos /

v. 11 n. 1 (2019) /

  • *  Marta Gil é Especialista parceira da Labor em inclusão social. Socióloga, fundadora e coordenadora executiva do Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas; Fellow da Ashoka Empreendedores Sociais, membro do conselho administrativo da FBASD, consultora para o setor público e privado; consultora para o Banco Mundial e OIT Genebra; autora de publicações e artigos; palestrante em eventos nacionais e internacionais; prêmios de reconhecimento pelo trabalho.
  • * Thierry Cintra Marcondes é Especialista em Acessibilidade/ Diversidade, Inovação e ESG | Conselheiro | Empreendedor | Investidor | Palestrante | Professor | Conector de Impacto e Criador de Negócios Futurísticos
 Fonte https://diariopcd.com.br/a-crise-invisivel-como-as-mudancas-climaticas-ameacam-a-autonomia-e-a-seguranca-das-pessoas-com-deficiencia/
 
Postado Pôr Antônio Brito

09/04/2026

O preconceito contra crianças com deficiência dentro da própria família

O preconceito contra crianças com deficiência dentro da própria família - OPINIÃO - * Por Igor Lima

OPINIÃO

  • * Por Igor Lima

Mesmo sendo o espaço que deveria oferecer acolhimento e proteção, a família ainda pode reproduzir preconceitos que impactam profundamente crianças com deficiência e suas mães.

Era para ser apenas mais um almoço de família.

A casa cheia, conversas cruzadas, crianças brincando e o barulho típico de um encontro familiar. Em meio a esse cenário, uma criança começa a se incomodar com o excesso de estímulos, cobre os ouvidos ou reage de forma diferente ao ambiente.

Antes que alguém tente compreender o que está acontecendo, surge o comentário:
“Essa criança precisa de limites.”

Situações como essa ainda fazem parte da realidade de muitas famílias que convivem com a deficiência.

Embora o preconceito contra pessoas com deficiência seja frequentemente associado a ambientes externos, como escolas ou espaços públicos, ele também pode surgir dentro da própria família — justamente o lugar onde se espera encontrar acolhimento e compreensão.

Quando a falta de informação gera julgamento

Grande parte das situações de preconceito dentro da família nasce da falta de informação.

Ainda existe pouca compreensão sobre as características e necessidades de crianças com deficiência ou transtornos do neurodesenvolvimento. Como resultado, comportamentos relacionados à condição da criança podem ser interpretados de forma equivocada.

Frases como “na minha época não existia isso”, “é só falta de disciplina” ou “precisa de mais limites” ainda são ouvidas por muitas mães.

Mesmo quando não há intenção de ferir, essas falas acabam reforçando estigmas e desconsiderando completamente a realidade da criança.

Constrangimento em momentos que deveriam ser de convivência

Eventos familiares que deveriam representar momentos de convivência e afeto podem se transformar em situações de tensão.

Ambientes com muito barulho, iluminação intensa ou grande circulação de pessoas podem ser desafiadores para algumas crianças com deficiência, especialmente aquelas com transtornos do espectro autista.

Quando a família não compreende essas particularidades, surgem olhares de reprovação, comentários inadequados ou atitudes de impaciência.

Para muitas mães, esses momentos são especialmente difíceis.

Além de lidar com a situação da criança, elas ainda precisam enfrentar julgamentos que partem justamente de pessoas próximas.

O impacto emocional sobre as mães

Quando o preconceito acontece dentro da própria família, o impacto emocional pode ser ainda mais profundo.

Muitas mães relatam sentir tristeza e frustração ao perceber que pessoas próximas não conseguem compreender os desafios que enfrentam diariamente.

Em alguns casos, esse cenário leva ao afastamento gradual de encontros familiares.

Para evitar situações constrangedoras ou proteger os filhos de comentários inadequados, algumas mães preferem reduzir a participação em eventos ou reuniões.

Esse distanciamento, embora muitas vezes necessário como forma de proteção, pode gerar ainda mais isolamento.

Informação e empatia como caminhos para a inclusão

Superar o preconceito dentro da família exige diálogo, informação e empatia.

Compreender a deficiência, conhecer as necessidades da criança e ouvir as experiências das mães são passos fundamentais para construir relações familiares mais respeitosas.

A convivência com a diversidade também representa uma oportunidade de aprendizado coletivo.

Quando familiares se abrem para compreender a realidade da deficiência, criam um ambiente mais acolhedor e seguro para todos.

O acolhimento começa dentro de casa

Construir uma sociedade inclusiva começa nas relações mais próximas.

A família tem um papel fundamental na formação de valores e na construção de ambientes onde a diferença seja respeitada.

Quando crianças com deficiência encontram apoio dentro do próprio lar, elas crescem com mais segurança, autoestima e senso de pertencimento.

Mais do que evitar preconceitos, é necessário promover uma cultura de acolhimento e empatia.

Porque, para muitas crianças, a inclusão começa dentro de casa.

  • * Igor Lima é advogado (OAB/RJ), especialista em Direitos Humanos e sustentabilidade, e pessoa com deficiência. Coordenador da coletânea jurídica “Deficiência e os Desafios para uma Sociedade Inclusiva”, citada no STJ, TST, STF e presente em instituições como Harvard e Universidade de Coimbra. Autor de artigos publicados em espaços como ABDConst, Future Law e revistas jurídicas nacionais, atua como palestrante em instituições como UERJ, UFRJ, UFF, OAB/RJ e MPRJ. Dedica-se à pesquisa e defesa dos direitos das pessoas com deficiência, com experiência em inclusão, políticas públicas e ESG.   
  • Linkedin:https://www.linkedin.com/in/igor-lima-pcd-404321198/
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Fonte https://diariopcd.com.br/o-preconceito-contra-criancas-com-deficiencia-dentro-da-propria-familia/

Postado Pôr Antônio Brito