Lei Federal 15.378 estabelece o Estatuto dos Direitos do Paciente, mas não garante agilidade no atendimento em todo o Brasil
A agilidade no atendimento aos brasileiros à saúde deveria estar
garantido conforme prevê a Constituição da República Federativa do
Brasil de 1988, principalmente nos artigos 6º e 196 e também na Lei nº
8.080/1990 (Lei Orgânica da Saúde);
A recente criação do Estatuto dos Direitos do Paciente, instituído
pela Lei Federal nº 15.378/2026 não estabelece, de forma expressa,
prazo máximo ou obrigação objetiva de atendimento rápido nas unidades de
saúde do país.
https://youtu.be/kRoQ5bVuoi8?si=YrbC0yN2AkOc_WWw
A agilidade no atendimento está – superficialmente citada no artigo 8º
Art. 8º O paciente tem o direito de ter acesso a cuidados em
saúde de qualidade, no tempo oportuno, e de ser atendido em instalações
físicas limpas e adequadas, bem como por profissionais de saúde
adequadamente formados e capacitados.
Parágrafo único. O direito previsto no caput deste artigo compreende:
I – o direito de ser transferido para outra unidade de saúde,
quando se encontrar em condições clínicas que permitam a transferência
em segurança, em conformidade com seu melhor interesse, respeitadas a
disponibilidade de leitos e a ordem de regulação; e
II – o direito a que o registro do atendimento ou dos
procedimentos efetuados seja encaminhado pelo serviço médico de origem
ao local de sua transferência.
O texto do Estatuto prevê direitos como acesso à informação clara,
confidencialidade, consentimento informado, presença de acompanhante e
atendimento sem discriminação. Também assegura cuidados de qualidade e
respeito à privacidade do paciente.
O Estatuto não determina tempo limite para consultas, exames,
internações ou atendimentos emergenciais nas redes pública e privada.
Confira a íntegra do Estatuto dos Direitos do Paciente:
Andreza Oliveira em disputa nos Jogos Parapan de Santiago 2023 | Foto: Ana Patrícia/CPB.
O Brasil estreia nesta terça-feira, 2, na
etapa de Astana, no Cazaquistão, da Copa do Mundo de bocha. A competição
é dividida em duas fases: individual, entre os dias 2 e 6, e pares e
equipes, entre os dias 7 e 9.
Ao todo, três atletas representam o país no torneio: a pernambucana Andreza Oliveira,
campeã mundial em 2022, na classe BC1 (atletas que têm opção de
auxílio), o potiguar José Antônio Santos e a paraibana Laissa Guerreira,
da classe BC4 (outras deficiências severas, mas que não recebem
assistência).
Como principal competição para este ano, a Seleção Brasileira tem o Mundial da modalidade, que será realizado entre os dias 24 de agosto e 4 de setembro, em Seul, na Coreia do Sul.
Patrocínio A CAIXA e as Loterias CAIXA são as patrocinadoras oficiais da bocha.
Programa Loterias CAIXA Atletas de Alto Nível As
atletas Andreza Oliveira e Laissa Guerreira são integrantes do Programa
Loterias CAIXA Atletas de Alto Nível, programa de patrocínio individual
das Loterias CAIXA e da CAIXA que beneficia 141 atletas.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)
Audiência
pública na ALMG debateu desafios para garantir acessibilidade à
comunidade surda em Minas Gerais, apesar dos avanços legais já
conquistados no estado.
Embora
tenha sido o primeiro estado a reconhecer a Língua Brasileira de Sinais
(LIBRAS) como meio de comunicação de uso corrente e a determinar a
presença de intérpretes de LIBRAS em repartições públicas, Minas Gerais
ainda enfrenta desafios para efetivar a acessibilidade. Esse foi o tema
da audiência pública realizada semana passada na Assembleia Legislativa
de Minas Gerais (ALMG).
A Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência recebeu profissionais e representantes da comunidade surda.
Um vídeo da própria ALMG mostra o fato.
A matéria completa sobre o caso e o vídeo estão no link:
Atividades
no Sesc Itaquera e Sesc Casa Verde promoveram vivência na prática,
aproximação com atletas paralímpicos e conscientização sobre
acessibilidade e diversidade
A ADD – Associação Desportiva para Deficientes participou no último
dia 27 de maio, de duas ações em unidades do Sesc São Paulo, promovendo
experiências de basquete em cadeira de rodas e reflexões sobre inclusão,
acessibilidade e convivência com a diversidade. As atividades
aconteceram no Sesc Itaquera e no Sesc Casa Verde, com a participação de
atletas da equipe Magic Hands, referência nacional no esporte adaptado.
Para Valci Santos, atleta do Magic Hands, essa experiência tem um
papel fundamental na conscientização do público. “Essa vivência é muito
importante porque permite que as pessoas experimentem, na prática, como o
esporte adaptado e o esporte paralímpico são capazes de promover
fortalecimento emocional, psicológico, físico e social. As pessoas
percebem que jogar basquete em cadeira de rodas não é simples, mas
também entendem que não é impossível. Com a prática, aquilo que
inicialmente parece difícil se torna mais natural e acessível”, afirma.
No Sesc Itaquera, foi realizada a atividade “Vivência de basquete em
cadeira de rodas”, que convida crianças e adultos a conhecerem a
modalidade de forma prática, compreendendo os desafios, habilidades e
estratégias do esporte adaptado. Já no Sesc Casa Verde, a equipe Magic
Hands participou da programação do Dia do Desafio com partidas
demonstrativas e interação com o público. Iniciativas como essas
promovem transformação social ao aproximar a população do universo
paralímpico e estimular reflexões sobre inclusão, empatia e
acessibilidade.
“Quando as pessoas experimentam a cadeira de rodas durante a
vivência, elas passam a perceber, na prática, quantos espaços e
situações do cotidiano ainda não estão preparados para garantir
acessibilidade plena. Mais do que falar sobre inclusão, precisamos
compreender que a acessibilidade deveria ser algo natural para todos.
Esse tipo de atividade desperta sensibilidade não pela pena, mas pela
consciência de que todos fazem parte da mesma sociedade e merecem as
mesmas oportunidades. Por isso, considero extremamente importante essa
iniciativa do Sesc de promover essa interação entre o público e o
esporte adaptado”, completa Valci.
Além do impacto esportivo, ações como essas reforçam o papel das
organizações do terceiro setor na promoção da cidadania e do
desenvolvimento humano. Há quase três décadas, a ADD atua na inclusão de
pessoas com deficiência por meio do esporte, desenvolvendo projetos de
iniciação esportiva, formação e alto rendimento, impactando milhares de
crianças, jovens e famílias.
“Promover vivências como essa é criar uma oportunidade real de
transformação de olhar. O esporte adaptado aproxima as pessoas, quebra
preconceitos e demonstra, na prática, o potencial, a autonomia e a
capacidade das pessoas com deficiência. Mais do que uma atividade
esportiva, trata-se de uma experiência de conscientização social, que
estimula a empatia e reforça a importância de construirmos ambientes
verdadeiramente acessíveis e acolhedores para todos”, explica Eliane
Miada, fundadora e presidente do Conselho da ADD.
CRÉDITO/IMAGEM: Divulgação: ADD – Associação Desportiva para Deficientes
Por que especialistas, gestores públicos e entidades de defesa dos
direitos das pessoas com deficiência questionam o Projeto de Lei nº
2.199/2022
Nos últimos meses, voltou ao debate nacional uma proposta que, à
primeira vista, pode parecer apenas uma alteração estética, a
substituição do atual Símbolo Internacional de Acesso — a tradicional
figura da pessoa em cadeira de rodas — por um novo pictograma que
pretende representar de forma mais ampla todas as deficiências.
A proposta está contida no Projeto de Lei nº 2.199/2022. Entretanto,
uma análise mais cuidadosa revela que a discussão vai muito além do
design. O tema envolve acessibilidade, segurança da informação,
normatização técnica, direitos fundamentais e a própria autonomia das
pessoas com deficiência.
A pergunta que precisamos fazer é simples: a mudança proposta realmente melhora a acessibilidade?
O símbolo atual não é apenas um desenho
O Símbolo Internacional de Acesso (SIA) foi criado em 1968 e, ao
longo de mais de cinco décadas, tornou-se um dos símbolos mais
reconhecidos do mundo.
Ele está presente em aeroportos, estações de transporte, hospitais,
escolas, edifícios públicos, centros comerciais, hotéis, vagas
reservadas, sanitários acessíveis, elevadores e rotas de circulação.
Mais do que um ícone gráfico, trata-se de uma linguagem universal de orientação.
Sua função principal não é representar todas as experiências da
deficiência, mas identificar, de forma rápida e inequívoca, recursos e
ambientes acessíveis para pessoas com mobilidade reduzida.
Em acessibilidade, reconhecimento imediato salva tempo, reduz barreiras e promove autonomia.
O problema da proposta
O principal argumento utilizado para justificar a mudança é que o
novo símbolo teria sido aprovado internacionalmente pela Organização das
Nações Unidas (ONU).
Entretanto, essa afirmação não encontra respaldo técnico.
Diversos estudos e análises demonstram que o pictograma utilizado
como justificativa foi criado em 2013 para uso específico em um evento
no Centro de Acessibilidade da sede da ONU, em Nova York. O símbolo
nunca foi oficialmente adotado pela ONU como padrão universal de
acessibilidade e tampouco substituiu o atual Símbolo Internacional de
Acesso reconhecido mundialmente.
Mais importante ainda, não houve alteração das normas internacionais de padronização que regulamentam a sinalização acessível.
Portanto, não existe atualmente qualquer reconhecimento internacional
formal que obrigue ou recomende a substituição do símbolo utilizado em
todo o mundo.
Acessibilidade exige padronização
Na engenharia de acessibilidade, a padronização não é um detalhe burocrático.
Símbolos precisam ser compreendidos rapidamente por pessoas de diferentes culturas, idiomas, idades e condições cognitivas.
Quando uma pessoa procura um banheiro acessível, uma vaga reservada,
uma rota de fuga ou um elevador adaptado, ela precisa identificar
imediatamente a informação desejada.
Qualquer alteração que reduza essa capacidade de reconhecimento pode
gerar o que especialistas chamam de “ruído informacional”. Em outras
palavras, a mensagem deixa de ser instantaneamente compreendida.
Isso pode afetar especialmente pessoas com deficiência intelectual,
pessoas idosas, turistas, usuários com baixa visão ou indivíduos com
pouca familiaridade com novos sistemas de comunicação visual.
O Brasil possui um sistema normativo consolidado
A legislação brasileira não trata a acessibilidade como uma questão opcional.
A Lei Brasileira de Inclusão (LBI), a ABNT NBR 9050, o Decreto nº
5.296/2004 e diversas outras normas estruturam um sistema técnico e
jurídico que garante segurança, previsibilidade e uniformidade.
O atual símbolo está integrado a esse sistema há décadas.
Sua eventual substituição exigiria revisão de normas técnicas,
atualização de regulamentos, adaptação de projetos arquitetônicos,
alteração de manuais operacionais e substituição de sinalizações em
milhares de espaços públicos e privados.
Tudo isso teria elevado custo econômico e operacional.
Mais preocupante ainda, até o momento não foi apresentada nenhuma
evidência científica demonstrando que o novo símbolo é mais eficiente
que o atual.
Nada sobre nós sem nós
Outro aspecto fundamental nessa discussão é a participação social.
A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que possui
status constitucional no Brasil, consagrou um princípio que se tornou
referência mundial. “Nada sobre nós sem nós.”
Isso significa que mudanças que impactam diretamente a vida das
pessoas com deficiência deve ser construída com ampla participação dos
próprios interessados.
Alterar um dos símbolos mais importantes da acessibilidade mundial
sem amplo debate técnico, consulta pública e participação das entidades
representativas contraria esse princípio.
O verdadeiro desafio da acessibilidade
O Brasil ainda convive com problemas muito mais urgentes do que a troca de um símbolo amplamente reconhecido.
Milhões de pessoas continuam enfrentando dificuldades para acessar
transporte, educação, saúde, emprego, moradia, tecnologia assistiva e
espaços urbanos adequados.
A discussão sobre representatividade visual é legítima e merece
reflexão. Entretanto, ela não pode substituir o compromisso com a
eliminação das barreiras reais que ainda limitam a participação social
das pessoas com deficiência.
Acessibilidade não se mede apenas por símbolos. Ela se mede pela
capacidade de uma pessoa exercer seus direitos com autonomia, segurança e
igualdade de oportunidades.
Conclusão
O debate sobre o Projeto de Lei nº 2.199/2022 oferece uma
oportunidade importante para refletirmos sobre inclusão e representação
social.
No entanto, qualquer alteração de um símbolo internacional
consolidado deve ser precedida por estudos científicos, validação
internacional, atualização normativa e ampla participação das pessoas
com deficiência.
Sem esses requisitos, a mudança corre o risco de produzir mais confusão do que inclusão.
O verdadeiro avanço não está em substituir um símbolo amplamente
reconhecido, mas em garantir que a acessibilidade saia do papel e esteja
presente, de fato, na vida cotidiana de todos os brasileiros.
Geraldo Nogueira é Diretor da Pessoa cm Deficiência na OAB/RJ e
Superintendente de Políticas Inclusivas no Estado do RJ e especialista
em políticas públicas para pessoas com deficiência, ativista da inclusão
e defensor da acessibilidade como instrumento de cidadania e
transformação social.
Prefeitura
de Guarulhos/SP é denunciada após suspensão de transporte escolar para
crianças com deficiência, obrigando mãe de autista a caminhar 16 km por
dia.
A
Prefeitura de Guarulhos/SP, na região metropolitana, foi denunciada ao
Ministério Público do Estado (MPSP) pela deputada estadual Andréa Werner
(PSB), após o portal Metrópoles revelar o caso de uma mãe que caminha
16 km por dia para levar e buscar o filho autista na escola.
Ela
se chama Marcela Nascimento e faz esse percurso desde o início de
abril, quando o transporte escolar para crianças com deficiência no
município foi suspenso. Ela mora em uma área rural da cidade e precisa
levar o pequeno Matias, de 7 anos, para as aulas. O menino tem autismo
nível 3 de suporte.
Em
nota, a Prefeitura de Guarulhos informou que o tema está sendo
analisado pelas áreas técnicas responsáveis. Uma vergonha para uma
cidade do porte e importância de Guarulhos/SP.
Pelo que consta, parece que a situação vem sendo enfrentada por ao menos 26 crianças da Escola Municipal Manoel Rezende.
Acompanhe a matéria completa no Programa Balanço Geral da TV Record.
Exposição
gratuita retrata a trajetória do CTPB, equipamento do Governo de São
Paulo, desde sua concepção arquitetônica até a consolidação como
referência internacional em inclusão e paradesporto
O Museu da Inclusão abre, a partir do dia 2 de junho, a exposição
“CTPB 10 anos”, em celebração à primeira década do Centro de Treinamento
Paralímpico Brasileiro (CTPB), equipamento do Governo do Estado de São
Paulo, vinculado à Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com
Deficiência e gerido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro.
A mostra reúne registros históricos, vídeos, painéis e depoimentos
que retratam a trajetória do espaço, desde a elaboração do projeto
arquitetônico até sua consolidação como um dos principais centros de
referência do paradesporto mundial.
Entre os destaques da exposição estão recordes históricos
conquistados por atletas brasileiros, além de relatos emocionantes de
protagonistas que transformaram o Centro Paralímpico em uma verdadeira
segunda casa. Os visitantes também poderão acompanhar entrevistas com
personagens que participaram diretamente da concepção, construção e
desenvolvimento do equipamento.
A exposição evidencia ainda a dimensão estrutural, esportiva e social
do CTPB, um complexo multifuncional que recebe atletas para
treinamentos, competições e hospedagem. Para muitos jovens com
deficiência, o local representa o primeiro contato com modalidades
paralímpicas, contribuindo para inclusão social, fortalecimento da
autoestima e desenvolvimento da autonomia.
As instalações esportivas retratadas na mostra já sediaram 2.688
eventos esportivos, recebendo 195.544 atletas em competições e
treinamentos, além de 56.415 visitantes.
Segundo o secretário de Estado dos Direitos da Pessoa com
Deficiência, Marcos da Costa, o impacto do Centro Paralímpico vai além
do desempenho esportivo: “Tenho orgulho de acompanhar de perto como essa
estrutura ajudou a posicionar o Brasil entre as grandes potências
paralímpicas do mundo. Mas o impacto vai muito além das medalhas: está
na vida de cada pessoa com deficiência que encontrou no esporte um
caminho de autonomia, autoestima e pertencimento”, afirmou.
A curadoria da exposição é assinada pelos servidores da SEDPcD Allan
Cunha, produtor cultural, e Cássio Rodrigo, assessor especial, que
desenvolveram uma representação artística da história e da importância
do complexo esportivo.
O resultado é um panorama marcado por histórias de superação,
excelência, cidadania e transformação social, disponível gratuitamente
ao público.
Serviço
Exposição: CTPB 10 anos
Local: Museu da Inclusão: Av. Mário de Andrade, 564 – Portão 10
Atletas praticam tiro com arco em Camping realizado no Rio de Janeiro | Foto: André Durão/CPB
O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB)
divulga nesta sexta-feira, 29, a lista de 50 atletas convocados para o
13º Camping Militar e Civil Paralímpico. O evento acontece entre 12 e 19
de julho, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo.
O evento é realizado por meio do Programa
Militar e Civil Paralímpico e tem o objetivo de apresentar o tiro
esportivo e o tiro com arco para potenciais atletas a partir de uma
vivência nas duas modalidades.
Durante o período no CT os participantes
também passarão por testes e avaliações físicas, e serão acompanhados
por uma equipe multidisciplinar.
Duas das vagas disponíveis para a ação foram reservadas para atletas com deficiência visual.
O Camping Militar e Civil Paralímpico,
teve sua primeira edição neste ano em abril. O evento ainda terá uma
terceira edição em 2026 no mês de outubro.
Adolescente inglesa ficou tetraplégica após sofrer um raro AVC na medula espinhal durante recuperação de sintomas gripais.
O
nome da garota é Lexi Brown e ela tinha 14 anos quando se recuperava de
sintomas gripais em casa, no condado de Essex, Inglaterra, quando
começou a sentir dores intensas e perdeu os movimentos do braço.
Pouco
depois, a adolescente parou de respirar e precisou ser reanimada por
paramédicos com manobras de ressuscitação cardiopulmonar.
A
jovem foi levada às pressas para um hospital, em Cambridge, onde os
médicos decidiram colocá-la em coma induzido por 5 dias enquanto
investigavam o que havia provocado o quadro. Quando acordou, Lexi estava
tetraplégica.
Os
exames mostraram que a adolescente sofreu um AVC espinhal, condição
rara causada pela interrupção do fluxo sanguíneo na medula espinhal.
Segundo relatos da família, os médicos não encontraram doenças prévias
que justificassem o problema. A principal suspeita é de que a
complicação tenha ocorrido durante a recuperação da gripe.
Lexi também passou a depender de uma traqueostomia para respirar e falar.
O
AVC espinhal, também chamado de AVC na medula, acontece quando o fluxo
de sangue que leva oxigênio e nutrientes para a medula espinhal é
interrompido. A condição é considerada rara e diferente do AVC cerebral,
mais conhecido pela população.
A
medula espinhal funciona como uma espécie de “ponte” entre o cérebro e o
restante do corpo. Quando há falha na circulação sanguínea da região,
células nervosas podem morrer rapidamente, causando danos neurológicos
graves.
O
problema pode surgir após bloqueios em artérias, formação de coágulos
ou redução importante da circulação sanguínea. Em alguns casos,
infecções, inflamações e alterações vasculares também podem estar
associadas ao quadro.
Os
sintomas costumam aparecer de forma súbita. Entre os principais sinais
estão: dor forte nas costas ou no pescoço; fraqueza muscular; perda de
sensibilidade; dificuldade para movimentar braços e pernas; alterações
respiratórias.
Dependendo
da área atingida na medula, o paciente pode desenvolver paralisia
parcial ou total. Também podem ocorrer perda do controle da bexiga e do
intestino, além de dificuldades para respirar sem auxílio de aparelhos.
Especialistas
apontam que o diagnóstico pode ser difícil porque muitas pessoas não
associam sintomas neurológicos a um problema na medula espinhal. Além
disso, o AVC espinhal é muito menos frequente do que o AVC cerebral.
Lexi,
hoje com 15 anos, continua internada e faz fisioterapia intensiva para
tentar recuperar funções motoras. Segundo a família, ela voltou a
movimentar parcialmente os membros e já consegue respirar sozinha
durante parte do dia, embora ainda use ventilação mecânica em alguns
períodos.
A
adolescente também consegue falar por meio da traqueostomia, mas segue
sem conseguir realizar tarefas básicas de forma independente.
Um caso no mínimo curioso e raro, que pode servir de exemplo e atenção para o resto do mundo.
Enquanto os pais acompanham mais uma sessão de terapia, o outro filho
espera em silêncio, acostumado a entender cedo demais que algumas
prioridades da vida não giram em torno dele.
Quando uma família recebe o diagnóstico de uma criança com
deficiência, quase toda a atenção naturalmente se volta para ela.
Consultas médicas, terapias, adaptações, preocupações, medos e cuidados
passam a ocupar grande parte da rotina da casa.
Mas, no meio desse processo, muitas vezes existe alguém que acaba ficando invisível: o irmão.
Os irmãos das pessoas com deficiência costumam amadurecer cedo demais.
Ainda crianças, aprendem a compreender limitações, crises,
internações, dificuldades financeiras, barreiras sociais e preconceitos.
Aprendem a esperar. Aprendem a ceder. Aprendem que, muitas vezes, as
necessidades do irmão precisarão vir primeiro.
E isso não significa falta de amor.
Pelo contrário.
Na maioria das vezes, esses irmãos desenvolvem vínculos profundos,
empatia, sensibilidade e um senso de proteção gigantesco. Mas também
carregam sentimentos complexos que raramente são verbalizados.
O peso do amadurecimento precoce
Muitos irmãos de pessoas com deficiência deixam de viver partes naturais da infância.
Enquanto outras crianças estão preocupadas apenas com brincadeiras,
eles já entendem questões médicas, dificuldades motoras, crises
sensoriais, acessibilidade e preconceito.
Muitas vezes ajudam em tarefas dentro de casa, acompanham consultas,
cuidam emocionalmente dos pais e sentem a responsabilidade de “não dar
trabalho”, porque percebem que a família já enfrenta muitos desafios.
Alguns crescem rápido demais.
Aprendem cedo a ser fortes.
Mas nem sempre alguém pergunta se eles também estão cansados.
Muitos irmãos aprendem desde cedo a engolir sentimentos porque percebem que a família já carrega dores demais.
O filho que espera a mãe terminar mais uma sessão de terapia do irmão
para mostrar um desenho feito na escola talvez aprenda cedo demais o
que significa esperar.
O amor também convive com sentimentos difíceis
Existe outro ponto sobre o qual quase ninguém fala: irmãos também
podem sentir ciúmes, tristeza, raiva, culpa e até sensação de abandono
emocional.
E isso não faz deles pessoas ruins.
Muitas vezes, os pais estão tão sobrecarregados física e emocionalmente que sobra pouco tempo para atenção individualizada.
O irmão entende racionalmente o motivo.
Mas emocionalmente continua sendo uma criança querendo colo, presença e atenção.
E então nasce a culpa.
Culpa por sentir ciúmes. Culpa por reclamar. Culpa por desejar mais
atenção. Culpa até por, em alguns momentos, sentir raiva da situação.
São sentimentos humanos.
Muitos irmãos crescem tentando não demonstrar tristeza para não aumentar o peso emocional dos pais.
O problema é que muitos irmãos aprendem a escondê-los para não parecerem egoístas diante da realidade vivida pela família.
Muitos aprendem a sufocar as próprias dores porque acreditam que
reclamar seria injusto diante das dificuldades enfrentadas pelo irmão.
O medo do futuro
Talvez uma das maiores angústias silenciosas seja o futuro.
Muitos irmãos crescem ouvindo, mesmo que indiretamente:
“Quando eu não estiver mais aqui, ele dependerá de você.”
Essa frase, dita ou apenas sentida no ambiente familiar, pode gerar um peso emocional enorme.
Porque junto do amor nasce também o medo.
Medo de não conseguir cuidar. Medo de falhar. Medo de não dar conta. Medo do futuro.
Em muitos casos, os irmãos passam a construir suas vidas já carregando a responsabilidade emocional de serem futuros cuidadores.
A importância de olhar também para os irmãos
Falar sobre os irmãos das pessoas com deficiência não diminui em nada
a importância da inclusão ou das necessidades da pessoa com
deficiência.
Pelo contrário.
Uma família emocionalmente acolhida funciona de maneira mais saudável para todos.
Os irmãos também precisam ser vistos, ouvidos e acolhidos.
Precisam de espaço para falar sobre sentimentos difíceis sem culpa.
Precisam viver a própria infância. Precisam entender que não precisam
ser perfeitos o tempo inteiro. Precisam receber amor individualizado.
Porque eles também enfrentam dores silenciosas.
O amor que cresce junto com a luta
Apesar dos desafios, muitas relações entre irmãos são marcadas por um amor profundo e transformador.
Muitos irmãos se tornam pessoas extremamente humanas, empáticas e
conscientes das diferenças justamente pela convivência diária com a
deficiência.
Aprendem desde cedo valores que grande parte da sociedade ainda precisa aprender.
E mesmo diante das dificuldades, criam laços de companheirismo, proteção e afeto que atravessam a vida inteira.
Mas é importante lembrar:
irmãos de pessoas com deficiência não precisam ser fortes o tempo inteiro.
Também podem cansar. Também podem sentir medo. Também podem precisar de ajuda.
Porque cuidar de quem cuida emocionalmente também é inclusão.
Os irmãos das pessoas com deficiência passam grande parte da vida
aprendendo a cuidar. Mas também precisam aprender que merecem ser
cuidados.
Muitos irmãos de pessoas com deficiência passam a vida aprendendo a
dividir atenção. O que quase ninguém percebe é que, muitas vezes, também
aprenderam cedo demais a abrir mão de si mesmos.
* Igor Lima é advogado (OAB/RJ), especialista em Direitos Humanos e
sustentabilidade, e pessoa com deficiência. Coordenador da coletânea
jurídica “Deficiência e os Desafios para uma Sociedade Inclusiva”,
citada no STJ, TST, STF e presente em instituições como Harvard e
Universidade de Coimbra. Autor de artigos publicados em espaços como
ABDConst, Future Law e revistas jurídicas nacionais, atua como
palestrante em instituições como UERJ, UFRJ, UFF, OAB/RJ e MPRJ.
Dedica-se à pesquisa e defesa dos direitos das pessoas com deficiência,
com experiência em inclusão, políticas públicas e ESG.