Evento
acontecerá na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa.
Solicitação de Audiência Pública foi apresentada pelo Senador Flávio
Arns
A CHD – Comissão de Direitos Humanos do
Senado Federal realizará no dia 3 de setembro uma Audiência Pública para
debater a inclusão das pessoas com deficiência no âmbito do processo
eleitoral de 2026.
O Requerimento foi apresentado pelo
Senador Flávio Arns. O debate deverá ser transmitido pelo canal do
Senado Federal no YouTube.
A Senador Damares Alves é a presidente da
CDH, e deve presidir o evento, que terá como convidados para debater o
tema representantes ABRA (Associação Brasileira de Autismo), TSE –
Tribunal Superior Eleitoral, MOAB Brasil – Movimento Orgulho Autista,
ANAPcD (Associação Nacional de Apoio às Pessoas com Deficiência) e
Retina Brasil.
Para Abrão Dib, presidente da ANAPcD, “é o
momento de questionarmos algumas posições tomadas pelo TSE – Tribunal
Superior Eleitoral que ‘indiretamente’ discriminaram pessoas com
deficiência em campanhas insitucionias, assim como mostrar para a
sociedade que ‘nada sobre nós, sem nós’ deve ser praticado, inclusive,
no momento de escolher os representantes em todas as Casas Legislativas e
no Poder Executivo. É o momento dos candidatos e candidatas estarem
presentes”.
As Eleições 2026 terão o maior número de eleitoras e eleitores com deficiência já registrado pela Justiça Eleitoral. Segundo as estatísticas eleitorais,
são 1.970.165 pessoas aptas a votar, o que representa um aumento de 42%
em relação às Eleições Gerais de 2022, quando esse público somava
1.381.348 pessoas.
Entre os diferentes tipos de deficiência
registrados no cadastro eleitoral, 617.996 eleitoras e eleitores têm
deficiência de locomoção, 319.489 apresentam deficiência visual, 182.341
têm deficiência auditiva e 64.851 registraram dificuldade para o
exercício do voto. A categoria “Outros” reúne 994.472 registros.
De acordo com o TSE nas eleições de 2026
foram regristrados 518 pedidos de registros de candidatas e candidatos
que declararam possuir algum tipo de deficiência.
Nas eleições de 2022 foram solicitados o
registro de 489 candidatos e candidatas que se identificaram com algum
tipo de deficiência
CONFIRA: Diário PcD prepara primeira relação com informações de candidatos e candidatas com deficiência que disputam as eleições 2026 –
https://diariopcd.com.br/diario-pcd-anuncia-projeto-eleicoes-inclusivas-com-a-divulgacao-de-candidatos-e-candidatas-com-deficiencia-em-2026/
O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), por meio da sua área de Educação Paralímpica,
está com inscrições abertas para o Seminário presencial sobre
Transtorno do espectro autista (TEA), jogos e brincadeiras para pessoas
com deficiência, que será realizado na Universidade Federal de Mato
Grosso do Sul (UFMS), no dia 27 de agosto.
As inscrições são
gratuitas e podem ser realizadas pelo site da Educação Paralímpica. A
carga horária é de oito horas e serão disponibilizadas 150 vagas.
Os
conteúdos foram desenvolvidos pelos professores André Schlieman, David
Farias Costa e Gabriella Andreeta Figueiredo. Os participantes contarão
com os seguintes conteúdos: apresentação de programas e projetos do CPB,
orientações no atendimento de estudantes com autismo na educação
escolar, caminhos para participação e desenvolvimento, e inclusão de
crianças com deficiência.
Para obter mais informações ou sanar dúvidas sobre novos cursos e seminários, os interessados devem enviar um e-mail para educ.paralimpica@cpb.org.br.
Serviço Curso
presencial – Transtorno do espectro autista (TEA), brincadeiras e jogos
para pessoas com deficiência – Universidade Federal de Mato Grosso do
Sul (UFMS) Data e horário: 27 de agosto, das 8h às 13h e das 14h às 18h (sempre no horário de Brasília). Local: Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Endereço: Cidade Universitária, Av. Costa e Silva – Pioneiros, Campo Grande – MS. Inscrições: até 26 de agosto de 2026, neste link.
Patrocínio As Loterias Caixa e a Caixa são as patrocinadoras oficiais da Educação Paralímpica
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro
Pesquisa
mostra que quase 80% dos adolescentes brasileiros passam mais de três
horas por dia conectados; especialistas alertam para o risco de
transformar redes sociais em ferramenta de “diagnóstico” do
desenvolvimento
A internet mudou a maneira como pais
procuram informações sobre saúde e desenvolvimento dos filhos. Diante de
um atraso na fala, uma dificuldade escolar, uma criança que não tolera
determinadas texturas ou apresenta comportamentos diferentes dos
colegas, é cada vez mais comum recorrer às redes sociais em busca de
respostas. O problema começa quando a informação deixa de ser ponto de
partida e passa a funcionar como diagnóstico.
Nesse cenário, conteúdos sobre
autismo, TDAH, atraso de fala, dificuldades de aprendizagem e questões
sensoriais encontram um público especialmente interessado: pais que
querem entender rapidamente o comportamento dos filhos.
O alerta ganha força diante de novos dados
sobre a relação dos jovens brasileiros com o ambiente digital. A
pesquisa “Adolescência Sem Filtro”, divulgada pelo Instituto Alana em 12
de agosto, ouviu 505 adolescentes de 13 a 17 anos e mostrou que quase
80% passam mais de três horas por dia conectados, enquanto 15%
permanecem online por mais de oito horas. Metade dos entrevistados
afirma passar mais tempo na internet do que gostaria. Entre os impactos
negativos percebidos pelos próprios adolescentes estão a piora da
qualidade do sono e do tempo dedicado aos estudos, além de preocupação
com dependência de celular e internet.
Para a fonoaudióloga Paula Anderle, a
informação disponível nas redes pode ser positiva, mas não substitui uma
avaliação individual. “Uma criança que fala menos do que os colegas
pode ter diferentes motivos para isso. O conteúdo de um vídeo pode
ajudar uma família a perceber que determinada questão merece atenção,
mas não consegue explicar o que está acontecendo especificamente com
aquela criança”, afirma.
A terapeuta ocupacional Catiuscia Homem
faz alerta semelhante em relação às características sensoriais e à
autonomia. “Nem todo comportamento sensorial significa autismo e nem
toda dificuldade para realizar uma atividade cotidiana representa um
transtorno. Precisamos olhar para a frequência, o contexto, o impacto
funcional e, principalmente, para a criança como um todo”, explica.
Na área educacional, a neuropsicopedagoga
Silvia Kelly Bosi observa fenômeno semelhante. “Uma dificuldade de
concentração, organização ou aprendizagem pode ter diferentes causas. O
risco de buscar respostas prontas é transformar um comportamento em um
rótulo sem compreender o que existe por trás dele”, afirma.
As especialistas defendem que as redes
sociais podem funcionar como porta de entrada para a informação, mas não
como substitutas da avaliação profissional.
Cinco perguntas antes de concluir que há um transtorno
Esse comportamento é persistente ou acontece ocasionalmente?
Ele aparece em diferentes ambientes?
Está causando prejuízo real à rotina da criança?
Existem outras habilidades preservadas que precisam ser consideradas?
O conteúdo visto na internet apresenta evidências ou apenas relatos e promessas?
A proposta, segundo as especialistas, não é
afastar os pais das redes, mas ajudá-los a utilizá-las de forma mais
crítica. “A informação deve despertar uma pergunta, não entregar um
diagnóstico pronto”, resume Paula.
Cálculo considera 20.560 candidaturas em todo o país e orienta a destinação de recursos dos Fundos Partidário e Eleitoral. Falta legislação para incluir candidatos com deficiência nessa destinação.
O TSE – Tribunal Superior Eleitoral
divulgou em sua página oficial os percentuais de candidaturas de
mulheres, pessoas negras e indígenas por partido.
Mas não tem nenhuma informação sobre
estatísticas das pessoas com deficiência que disputam as eleições deste
ano. A ausência dessas informações está relacionada a falta de
legislações que destinem recursos para candidatos e candidatas com
deficiência.
Na página do Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), foram disponibilizados os percentuais de candidaturas de
mulheres, pessoas negras e indígenas por partido político para as
Eleições Gerais de 2026. Os dados servem de referência para a destinação
de recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de
Campanha (FEFC), conhecido como Fundo Eleitoral.
O cálculo considera as candidaturas que
constaram de pedidos coletivos (Requerimento de Registro de Candidatura)
e individuais (Requerimento de Registro de Candidatura Individual), em
todo o território nacional.
Os percentuais são apurados pelo TSE ao
término do período definido no calendário eleitoral e divulgados para
orientar a aplicação dos recursos destinados às candidaturas de
mulheres, pessoas negras e indígenas. Para esse cálculo, são
consideradas as candidaturas com pedidos aceitos até as 23h59 de 18 de
agosto de 2026, data-limite prevista no Calendário Eleitoral, e
desconsideradas as candidaturas substitutas. Trata-se de um recorte
específico para a destinação dos recursos do Fundo Partidário e do FEFC.
Por isso, os quantitativos podem ser diferentes dos apresentados nas estatísticas do
TSE sobre candidaturas, que continuam sendo atualizados com registros
aceitos e alterações posteriores. As quantidades e os percentuais
considerados para essa finalidade permanecem fixos e também podem ser
consultados no portal Estatísticas Eleitorais, na área de Prestação de contas.
Projeto
que reserva percentual dos fundos eleitoral e partidário a candidaturas
de pessoas com deficiência tramita na Câmara dos Deputados
O Projeto de Lei 4325/24 estabelece
reserva de 10% a 15% dos recursos dos fundos eleitoral e partidário para
candidaturas de pessoas com deficiência. O texto está em análise na
Câmara dos Deputados e foi sugerido por Luciana Trindade, coordenadora
nacional do PSB Inclusão.
O texto também iguala o tempo de
propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão ao percentual de
recursos repassados pelos fundos a essas candidaturas.
De acordo com a justificação do projeto de
lei, “os recursos atuais são insuficientes para aumentar a quantidade
de pessoas com deficiência eleitas nas casas legislativas. Ele argumenta
que essas candidaturas precisam de investimentos adicionais, como a
contratação de veículos adaptados a cadeirantes, intérpretes de Libras e
outros recursos de acessibilidade.
Em junho de 2025 o projeto teve parecer
favorável aprovado na Comissão dos Direitos das Pessoas com Deficiência.
Desde então, não houve mais nenhuma tramitação. O tema permanece na
Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. O texto depois
seguirá para ser apreciado pelo Plenário e dependerá de sanção
presidencial.
Fonte: Agência Câmara de Notícias e Secretaria de Comunicação e Multimídia do TSE – Tribunal Superior Eleitoral
CONFIRA: Diário PcD prepara primeira relação com informações de candidatos e candidatas com deficiência que disputam as eleições 2026 –
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Julio Braz tentando fazer o try entre dois atletas da
Nova Zelândia, no Mundial de rúgbi em cadeira de rodas, no CT
Paralímpico | Foto: Marcello Zambrana/WWR
A partida começou equilibrada no primeiro
quarto, mas, após a expulsão da neozelandesa Maia Marshall-Amai, no
segundo período, a equipe brasileira abriu vantagem no placar e
administrou o resultado até o fim. Com a diferença estabelecida, o
técnico brasileiro promoveu diversas substituições para dar oportunidade
e experiência aos jogadores reservas.
O capitão da Seleção Brasileira, o paulista Gabriel Feitosa, marcou 24 dos 53 pontos da equipe na partida. Julio Braz fez outros 21 pontos.
“O Brasil queria estar nas quartas de
final, talvez até uma semifinal, mas o que a gente tira de aprendizado é
que a gente precisa, sim, ter outras linhas para a gente poder estar
tocando com o nosso line principal. Mas tudo serve de experiência. É
isso que a gente leva, porque agora a gente tem mais dois jogadores que,
quando a gente se machucar, a gente consegue colocar, que eles vão dar
conta. Isso a gente tira de aprendizado também, que, ao longo do
campeonato, os jogadores foram evoluindo e isso que importa. A gente tem
um grupo forte, isso é muito importante. Todas as equipes têm troca,
isso faz total diferença no final das partidas”, explicou o carioca Julio Braz, eleito pela segunda vez o melhor jogador da partida na competição.
Com o resultado, o Brasil igualou a
colocação do último Mundial, disputado em 2022, quando terminou em 11º
lugar. Na ocasião, a Seleção conquistou uma única vitória na competição,
sobre a Suíça, por 48 a 44. Neste ano, a equipe brasileira venceu duas partidas: contra o Canadá, por 49 a 48, e contra a Nova Zelândia, por 58 a 44, ainda na fase de grupos.
O Brasil disputou outros três jogos na primeira fase. Na estreia, foi derrotado pelos Países Baixos por 49 a 47. Depois, venceu o Canadá e perdeu para a Austrália por 59 a 32. Na quinta-feira, 20, pela manhã, superou a Nova Zelândia. À noite, perdeu para os Estados Unidos por 57 a 56, em uma partida decidida nos últimos segundos.
Sem
a classificação para as quartas de final, a Seleção Brasileira disputou
nesta sexta-feira, 21, a partida que definiria as equipes que brigariam
pelo nono lugar na competição. O Brasil foi derrotado pela Colômbia por 52 a 45.
Apesar de o resultado não ter sido o
esperado pelos atletas e pela comissão técnica brasileira, Julio Braz
destacou que a equipe encerra a competição com aprendizados e já mira os
próximos objetivos. “Faltou pouco para não classificarmos para as fases
eliminatórias. A gente fez jogo ‘pau a pau’ contra os Estados Unidos,
um ponto só de diferença, foi no detalhe. Então, o nosso próximo
objetivo é chegar na final do Parapan-Americano de 2027 e conseguir
vencer a seleção dos Estados Unidos e conseguir a vaga para Los Angeles
2028”, finalizou Braz.
Classificação As
quatro primeiras equipes de cada grupo avançaram às quartas de final,
disputadas nesta sexta-feira, 21. No primeiro confronto, a Austrália
venceu a Dinamarca por 59 a 47. Na sequência, o Japão, número um do
ranking mundial, derrotou os Países Baixos por 58 a 44.
Os outros dois jogos foram entre Canadá e
Grã-Bretanha e França e Estados Unidos. Os britânicos levaram a melhor
por 54 a 51, enquanto os estadunidenses venceram por 53 a 42.
As equipes derrotadas nas quartas de final
disputam neste sábado, 22, os confrontos de classificação entre o
quinto e o oitavo lugares. Também estão previstas para a tarde as duas
semifinais.
No domingo, 23, serão realizadas as
disputas pelas posições do quinto ao oitavo lugar, pela manhã, além das
partidas pelo bronze e pelo ouro, marcadas para as 14h30 e 16h30,
respectivamente. A partida que define o campeão da competição será
transmitida pelos canais SporTV
Sobre o Mundial Organizado
pela World Wheelchair Rugby (WWR), federação internacional da
modalidade, o Campeonato Mundial reúne 12 seleções e aproximadamente 140
atletas.
Esta é a a primeira vez que a principal competição
internacional da modalidade é realizada na América do Sul. Atualmente, o
Brasil ocupa a sétima posição no ranking mundial.
O Mundial tem
entrada gratuita e é aberto ao público. Os interessados podem comparecer
ao Centro de Treinamento Paralímpico, na zona sul de São Paulo, para
acompanhar os jogos da Seleção Brasileira e das demais equipes
participantes.
Confira os confrontos deste sábado (22/08): Dinamarca 51 x 50 Canadá Brasil 53 x 37 Nova Zelândia 11h – Países Baixos 48 x 55 França 11h30 – Colômbia 37 x 65 Alemanha 14h30 – Austrália x Grã-Bretanha 16h30 – Japão x Estados Unidos
Confira os confrontos deste domingo (23/08): 9h – Canadá x Países Baixos (disputa do 7º ligar) 11h – Dinamarca x França (disputa do 5º lugar) 14h30 – Disputa pelo bronze 16h30 – Disputa pelo ouro
Imprensa Os
profissionais de imprensa interessados em cobrir o Campeonato Mundial
de rúgbi em cadeira de rodas deve enviar um e-mail para imp@cpb.org.br com
os seguintes dados: nome completo, RG ou CPF, veículo por qual irá
cobrir o evento. No dia da competição, os profissionais deverão se
identificar na sala de imprensa do local.
Serviço Campeonato Mundial de rúgbi em cadeira de rodas Datas: de 17 a 23 de agosto Local: Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro (CTPB) Endereço: Rodovia dos Imigrantes KM 11,5 – Vila Guarani – São Paulo
Patrocínio A CAIXA e as Loterias CAIXA são as patrocinadoras oficiais do rúgbi em cadeira de rodas.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)
Pesquisa foi realizada com 595 mães de crianças diagnosticadas com TEA – Transtorno do Espectro Autista
Artigo publicado no Journal Einstein chama
atenção para uma questão que muitas vezes fica em segundo plano quando
se fala sobre autismo: a saúde e o bem-estar de quem cuida.
O conteúdo é assinado por Patrícia Souza
de Almeida, Carlos Eduaro Lins e Silva, Alisson Henrique de Almeida,
Flávio Eloize de Souza e Silva, Rafael Mendes Ritti-Dias, Ozeas Lima
Lins Filho e Breno Quintella Farah.
A pesquisa analisou a qualidade e a
duração do sono de 595 mães de crianças e adolescentes diagnosticados
com TEA – Transtorno do Espectro Autista. A idade média das mães era de
37 anos, enquanto as crianças e adolescentes tinham, em média, 8,1 anos.
O resultado é expressivo: 44% das mães
relataram qualidade ruim do sono, enquanto 70,4% não dormiam entre sete e
nove horas por noite, faixa considerada recomendada no estudo.
Mais do que dormir pouco
A pesquisa não avaliou apenas quantas
horas as mães dormiam. Os pesquisadores também investigaram
características demográficas, informações relacionadas aos filhos,
condições de saúde e hábitos de vida.
Entre os fatores associados à pior
qualidade do sono estavam não ser casada, presença de doença cardíaca,
sintomas de depressão, comportamento sedentário durante a semana,
insatisfação com a terapia do filho e duração inadequada do sono.
Um dos resultados que mais chama atenção é
a associação entre dormir menos do que o recomendado e apresentar pior
qualidade do sono: as mães com duração inadequada do sono apresentaram
maior probabilidade de também relatar baixa qualidade do descanso.
Depressão aparece entre os fatores associados
Os sintomas de depressão também aparecem de maneira importante nos resultados.
Segundo o estudo, eles estiveram associados tanto à pior qualidade do sono quanto à duração inadequada do sono.
Isso reforça a importância de olhar para a
mãe — e para o cuidador — como alguém que também precisa de atenção
dentro da rede de cuidados.
Quando uma família recebe um diagnóstico
de autismo, é comum que a discussão se concentre imediatamente na
criança: diagnóstico, terapias, escola, medicamentos, desenvolvimento,
inclusão e direitos. Mas existe uma pergunta que também precisa ser
feita:
Quem está cuidando dessa criança está conseguindo cuidar de si mesmo?
A rotina também pesa
O estudo encontrou associação entre comportamento sedentário durante os dias da semana e pior qualidade do sono.
Também apareceu uma relação entre a
satisfação das mães com a terapia dos filhos e a qualidade do próprio
sono. Mães que relataram insatisfação com a terapia apresentaram maior
probabilidade de ter sono ruim.
Esse resultado é particularmente
importante porque mostra que a experiência da família não pode ser
analisada apenas pelo número de terapias oferecidas.
A qualidade e a adequação do atendimento também podem fazer parte da realidade vivida pelos cuidadores.
E quando há mais de uma criança autista?
A pesquisa também encontrou associação entre a duração inadequada do sono e o número de filhos com TEA.
O número total de filhos também apareceu associado à duração do sono.
Isso ajuda a mostrar que a realidade das
famílias é diferente e que políticas públicas e serviços de apoio
precisam considerar a complexidade da rotina familiar, e não apenas a
condição individual da pessoa autista.
Um alerta para toda a rede de atendimento
Os pesquisadores concluem que a maioria
das mães avaliadas apresentava qualidade ruim do sono e/ou duração
inadequada do sono, e que fatores demográficos, relacionados aos filhos,
condições clínicas, sintomas depressivos e comportamento sedentário
estavam associados aos problemas de sono.
O estudo, entretanto, é transversal. Isso
significa que ele identifica associações entre os fatores analisados,
mas não permite concluir, sozinho, que um determinado fator seja
necessariamente a causa do problema de sono.
Uma questão que precisa entrar no debate sobre autismo
Os números apresentados pela pesquisa
levantam uma discussão que vai além do sono. Cuidar também precisa
significar cuidar de quem cuida.
Uma política pública voltada às pessoas
autistas não pode ignorar a realidade das famílias. Acesso a
diagnóstico, terapias, educação inclusiva, assistência social e direitos
são fundamentais — mas o cuidador também precisa ter acesso a apoio,
orientação e atenção à própria saúde.
Programação prevê ações no Recife e em todo o estado de Pernambuco até a próxima sexta-feira (28)
Semana
Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla tem início
nesta sexta-feira (21), com programação no Recife e outras cidades de
Pernambuco - Wagner Ramos/PCR
A
Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla tem
início nesta sexta-feira (21), com o objetivo de evidenciar a
importância da inclusão e dos desafios ainda enfrentados por essa
população no acesso a direitos básicos.
No Brasil, o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência
com dois anos ou mais de idade, o equivalente a 7,3% da população do
país.
Em Pernambuco,
alguns municípios da Região Metropolitana do Recife, Agreste e
Sertão se mobilizam com ações para reforçar o debate do público sobre o
tema até a próxima sexta-feira (28).
Confira a programação da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla no Recife e na RMR:
Recife
Com o tema “Acessibilidade, o Caminho que nos Conduz à Cidadania e a
Inclusão”, a prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Direitos
Humanos e Juventude, realizará a 25ª Semana Municipal da Pessoa com
Deficiência a partir desta sexta-feira (21) até o dia 28 de agosto.
A proposta é promover debates, atividades e formações, informando os
recifenses sobre os direitos das pessoas com deficiência e contribuindo
para a igualdade de oportunidades e a inclusão social.
“Ao longo desses dias, teremos atividades de formação,
sensibilização, cultura, lazer e participação social, envolvendo
diferentes públicos e espaços da cidade”, destacou o secretário de
Direitos Humanos e Juventude, Marco Aurélio Filho.
Além disso, a Secretaria de Saúde do Recife (Sesau) lançou o Guia
Anticapacitista da Política Municipal de Saúde da Pessoa com Deficiência
do Recife nesta sexta-feira (21).
A publicação reúne orientações para fortalecer práticas de cuidado,
atendimento e convivência livres de preconceito e discriminação contra
pessoas com deficiência nos serviços de saúde.
“A Semana Municipal da Pessoa com Deficiência é um momento importante
para ampliar o debate sobre inclusão e, principalmente, reforçar que
acessibilidade é um direito e uma condição fundamental para o exercício
da cidadania”, completou o secretário.
O lançamento ocorre durante o evento “Entre Barreiras e Pontes: 10
anos na Garantia de Direitos à Saúde Integral da Pessoa com Deficiência
no Município do Recife”, realizado no auditório do Centro Universitário
Tiradentes de Pernambuco (Unit-PE).
A atividade integra a programação da 25ª Semana Municipal da Pessoa
com Deficiência, iniciativa da Secretaria de Direitos Humanos e
Juventude do Recife.
“A publicação representa mais um passo no enfrentamento ao capacitismo,
prática que estabelece barreiras, estigmas e preconceitos em relação às
pessoas com deficiência, e busca contribuir para a construção de uma
assistência cada vez mais inclusiva e alinhada à garantia de direitos no
âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS”, comemorou a coordenadora da
Política de Atenção Integral à Saúde da Pessoa com Deficiência, Erika
Aparecida Alves.
O guia integra um conjunto de iniciativas adotadas pelo Recife para qualificar a atenção à saúde da pessoa com deficiência.
Confira a programação completa:
21 de agosto (sexta-feira) – Abertura
Solenidade de abertura da 25ª Semana Municipal da Pessoa com
Deficiência, com a realização do seminário Entre Barreiras e Pontes: 10
Anos da Política de Atenção Integral à Saúde da Pessoa com Deficiência
do Recife.
Local: Auditório da UNIT – Av. Marechal Mascarenhas de Morais, 3905, Imbiribeira
23 de agosto (domingo) – Pedalada Inclusiva em parceria com a Uninassau
Pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida vão pedalar juntas pelo
Bairro do Recife. Cada participante deverá levar a sua bike, mas algumas
bicicletas adaptadas também serão disponibilizadas.
Horário: das 8h às 12h
Local: A concentração será na Av. Rio Branco ao lado da Associação
Comercial e seguirá pela Av. Alfredo Lisboa, Av. Cais do Apolo,
retornando para a Av. Rio Branco
24 de agosto (segunda-feira) – Roda de Conversa - Refletindo e Trabalhando contra o Capacitismo
Atividade ministrada pela militante das causas das pessoas com
deficiência, Arenilda Duque, para profissionais do Compaz Leda Alves.
Horário: 13h30
Local: Compaz Leda Alves
25 de agosto (terça-feira) – Ação educativa do COMUD/Recife
Sensibilização e distribuição de materiais para divulgação dos direitos das pessoas com deficiência.
Horário: 14h
Local: Praça do Derby
26 de agosto (quarta-feira) – Visita guiada ao MAMAM, gratuita e aberta ao público
Membros da Central de Acessibilidade Comunicacional (CAC) vão conduzir a visita à exposição Amorí, de Vladimir Pauna.
Horário: 14h
Local: Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM). Rua da Aurora, 265 - Boa Vista
27 de agosto (quinta-feira) – 20 anos do COMUD/Recife
Solenidade em comemoração aos 20 anos do Conselho Municipal de Defesa
dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Recife (COMUD/Recife)
Horário: 14h
Local: Auditório Capiba, 15º andar do edifício-sede da Prefeitura do Recife
28 de agosto (sexta-feira) – Oficina de Libras para os servidores do Reciprev e do Saúde Recife
Horário: 9h
Local: Reciprev. Av. Manoel Borba, 488 - Boa Vista
Pernambuco
Entre os dias 21 e 28 de agosto, a Semana Estadual da Pessoa com
Deficiência passará por diversas regiões do estado, como Recife,
Petrolina, Caruaru, Angelim e Santa Cruz do Capibaribe, com foco em
acessibilidade, cidadania e direitos.
A atividade será realizada em parceria com a Secretaria de Criança e
Juventude, Secretaria de Desenvolvimento Profissional e Empreendedorismo
de Pernambuco, Secretaria de Cultura, e o Conselho Estadual de Defesa
dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Sob o tema "Pessoa com Deficiência: você sabe quem sou? Da
identidade, do direito e da cidadania", a edição deste ano propõe uma
reflexão sobre o reconhecimento da identidade, a afirmação dos direitos e
o fortalecimento da cidadania plena das pessoas com deficiência.
Em 2026, a programação leva ações para a Região Metropolitana do
Recife, o Sertão (Petrolina) e o Agreste (Caruaru e Santa Cruz do
Capibaribe), ampliando o acesso a informações, serviços e atividades
culturais para pessoas com deficiência em diferentes territórios do
estado.
“A Semana Estadual da Pessoa com Deficiência é um momento de afirmar,
com ações concretas em todo o território pernambucano, a garantia de
direitos. Nós entendemos que construir políticas públicas para pessoas
com deficiência só faz sentido quando elas próprias estão no centro
dessa construção”, afirma Joanna Figueiredo, Secretária da SJDH.
Ao longo dos oito dias, a programação articula frentes estratégicas
como capacitação de redes de atendimento e transporte especializado,
acessibilidade comunicacional (audiodescrição e Libras), inclusão
cultural e esportiva, empregabilidade e fortalecimento do controle
social por meio do sistema de conselhos.
Confira a programação:
21 de agosto (sexta-feira) – Abertura Oficial em Petrolina
Em Petrolina, no Sertão, ocorre a abertura oficial com a Formação
Integrada na FUNASE Petrolina, com módulos de audiodescrição (CAD/PE) e
Libras (CIL/PE), das 9h às 16h.
No mesmo dia, também estão previstas a Caminhada Inclusiva da APAE
Petrolina, em parceria com o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos
da Pessoa com Deficiência, e o Balcão SEAD, no município de Angelim.
22 e 23 de agosto (sábado e domingo) – Cinema Acessível e Bike Sem Barreiras
No Recife, as sessões de Cinema Acessível serão promovidas com a
exibição acessível de filmes no Cinema São Luiz, para famílias atendidas
pelo Programa PE Conduz, em ambos os dias, a partir das 14h.
Também ocorre a ação Bike Sem Barreiras, no Parque Municipal Josepha Coelho.
24 de agosto (segunda-feira) – Dia D da Empregabilidade
O Dia D da Empregabilidade da Pessoa com Deficiência acontece na sede da
SEDEPE, das 9h às 16h, com participação de empresas parceiras e
recursos de acessibilidade comunicacional (Libras e audiodescrição).
25 de agosto (terça-feira) – Formação em Audiodescrição e Abordagem Inclusiva
Formação em Audiodescrição para servidores públicos, no Edifício
Palmira II, e formação de motoristas do Programa PE Conduz sobre
abordagem inclusiva.
26 de agosto (quarta-feira) – Balcão SEAD em Santa Cruz do Capibaribe
Em Santa Cruz do Capibaribe, acontece o Balcão SEAD de Cidadania da
Pessoa com Deficiência, das 9h às 15h, em parceria com a Prefeitura
Municipal.
27 de agosto (quinta-feira) – Palestra "Acolhimento e
Inclusão: Da Sensibilização às Práticas de Inserção Produtiva e Geração
de Renda"
A atividade, promovida em parceria com o Conselho Estadual de Defesa dos
Direitos da Pessoa com Deficiência, tem como foco o fortalecimento do
controle social e das políticas públicas voltadas à pessoa com
deficiência.
28 de agosto (sexta-feira) – Encerramento da Semana
O encerramento da semana acontece em Recife, com a Formação Introdutória
em Libras e na Plataforma Tá Na Mão, pela manhã, e em Caruaru, durante a
noite, com a Rota Acessível ao Festival Pernambuco Meu País.
Paulista
A cidade de Paulista, na Região Metropolitana do Recife, promove uma ação especial em alusão à Semana da Pessoa com Deficiência.
A programação será realizada na próxima segunda-feira (24), das 9h às
12h, na UBS Mirueira I, localizada na Travessa do Campo, nº 366, em
Mirueira.
Com o tema “Inclusão, Cidadania, Saúde e Qualidade de Vida”, a
iniciativa é voltada para pessoas com deficiência intelectual e múltipla
e famílias atípicas e reúne, em um único espaço, serviços de saúde,
cidadania e orientações sobre direitos.
Na área da saúde, serão oferecidos serviços de vacinação, aferição de
pressão arterial, atendimento médico e orientações sobre saúde bucal.
Também serão disponibilizados serviços relacionados às políticas
sociais e à garantia de direitos, como atualização do Cadastro Único
(CadÚnico), orientações sobre o Vem Livre Acesso, emissão da Carteira de
Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA) e
emissão do RG.
A ação integra a programação da Semana da Pessoa com Deficiência e
tem o objetivo de facilitar o acesso das famílias aos serviços públicos,
além de ampliar a oferta de informações sobre saúde, cidadania e
direitos das pessoas com deficiência.
Paralímpiadas Escolares 2025, realizada no CT Paralímpico em São Paulo. Foto: Marcello Zambrana/CPB
O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), abre nesta sexta-feira, 21, as inscrições para voluntários para a etapa nacional das Paralimpíadas Escolares 2026,
maior evento esportivo do mundo voltado exclusivamente a jovens com
deficiência, que acontece no Centro de Treinamento Paralímpico, em São
Paulo, de 16 a 28 de novembro.
A atuação como voluntário se dará no
controle de acesso aos espaços de competição e diretamente nas
modalidades esportivas, de acordo com a indicação da equipe de
coordenação.
O CPB oferecerá hospedagem (alojamento),
alimentação, camisa do evento, certificado de horas complementares e
traslado entre local de alojamento e de competição. Passagens aéreas ou
rodoviárias para os selecionados não serão custeadas pelo CPB.
As inscrições devem ser realizadas até o dia 25 de setembro por meio deste formulário.
As Paralimpíadas Escolares serão divididas em duas semanas, e os participantes podem optar por trabalhar em apenas uma delas ou nas duas.
Na semana do dia 16 acontecem as disputas
de atletismo, basquete em cadeira de rodas, paraesgrima, futebol de
cegos, goalball, rúgbi em cadeira de rodas, taekwondo e tênis em cadeira
de rodas.
A segunda semana terá competições de badminton, bocha, futebol PC, halterofilismo, judô, natação, tênis de mesa e vôlei sentado.
Em 2025, as Paralimpíadas Escolares
receberam mais de dois mil atletas em idade escolar de todos os Estados
brasileiros e do Distrito Federal, recorde de público da competição.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro
Serviço
itinerante e gratuito da Prefeitura de SP (SMPED/SMS em parceria com a
AACD) para manutenção e reparos em equipamentos de tecnologia assistiva
obtidos pelo SUS (cadeiras de rodas, órteses, próteses, andadores,
etc.).
A
cidade de São Paulo/SP possui a Paraoficina Móvel, que é uma van
itinerante da Prefeitura que realiza manutenção preventiva, corretiva e
pequenos reparos GRATUITOS em equipamentos de tecnologia assistiva
obtidos pelo SUS. O serviço é uma iniciativa conjunta da SMPED -
Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e da Secretaria Municipal
da Saúde, operado em parceria com a AACD.
O programa realiza reparos em diversos dispositivos auxiliares de
locomoção, como: cadeiras de rodas (motorizadas e manuais), órteses e
próteses, muletas, bengalas e andadores.
Para
ser atendido, o munícipe deve obrigatoriamente realizar um agendamento
prévio pelo telefone direto: (11) 3913-4071.
Ou pela Central SP156: digitando 156 por telefone. Ou no Portal de
Atendimento SP156, presencialmente, diretamente nos CERs - Centros
Especializados em Reabilitação participantes.
Os locais de Atendimento da Oficina Móvel é nos CERs parceiros, que são as seguintes unidades da rede municipal de saúde:
• CER Campo Limpo
• CER Flavio Gianotti
• CER Interlagos
• CER Lapa
• CER M'Boi Mirim
• CER Parelheiros
• CER Santo Amaro
• CER São Miguel
• CER Sé
• CER Tucuruvi
Para ser atendido, as
regras básicas são: ser residente na cidade de São Paulo/SP, ter
adquirido o equipamento originalmente pelo SUS - Sistema Único de Saúde.
Para isso é preciso levar no dia agendado o cartão do SUS e um documento
de identidade com foto.
Há um silêncio específico que atravessa a
vida de muitas mães de crianças com deficiência ou autismo no Brasil.
Não é o silêncio da ausência de amor, é exatamente o oposto: é o
silêncio de quem ama tanto que não sobra tempo, nem espaço social, nem
permissão emocional para dizer que está exausta. E, quando tentam
verbalizar esse cansaço, muitas vezes esbarram numa resposta que fere
mais do que ajuda: que é frescura, que toda mãe é cansada, que ela
escolheu ser mãe e agora precisa dar conta.
A ciência não corrobora esse discurso. Ela desmente.
Uma revisão sistemática com meta-análise
conduzida por Scherer, Verhey e Kuper, publicada na revista PLOS One em
julho de 2019, reuniu dezenove estudos internacionais sobre pais de
crianças com deficiência intelectual e do desenvolvimento e constatou
que, em média, 31% desses pais apresentavam níveis elevados de sintomas
depressivos, acima do ponto de corte clínico para depressão moderada,
contra 7% entre pais de crianças sem essa condição. O mesmo estudo
identificou que a gravidade da deficiência e a menor renda familiar
estavam entre os fatores associados a níveis mais altos de sintomas
depressivos entre esses pais. Outro estudo publicado na mesma revista,
conduzido com base em pesquisa nacional japonesa sobre cuidadores de
crianças com deficiência, identificou que o apoio de familiares além do
cônjuge, incluindo avós, reduzia os efeitos negativos da deficiência do
filho sobre a saúde mental parental, e que a ausência de apoio do
cônjuge ou dos avós configurava fator de risco significativo para o
adoecimento psíquico do cuidador.
No Brasil, a literatura acadêmica caminha
na mesma direção. Artigo publicado na Revista FT, sobre os impactos
psicossociais da maternagem atípica, aponta que essas mães vivenciam
sobrecarga física e emocional significativa, marcada por sentimentos
ambíguos de amor, culpa, exaustão e impotência diante das demandas
cotidianas, e que essa sobrecarga está associada à insuficiência das
redes de apoio institucional e à fragilidade das políticas públicas
voltadas à saúde mental das cuidadoras. Uma revisão sistemática
publicada na revista ID on line, de Psicologia, chegou a conclusão
semelhante ao identificar, entre as categorias mais recorrentes na
literatura sobre mães atípicas no Brasil, a sobrecarga de cuidar, a
falta de rede de apoio, as barreiras no acesso aos serviços de saúde e o
despreparo das escolas, fatores que acarretam desgaste emocional e
comprometem a saúde mental dessas mães.
Esse conjunto de estudos, nacionais e
internacionais, converge para um ponto que merece ser dito com todas as
letras: o problema não é a maternidade atípica em si. É a ausência
estrutural de rede, institucional, familiar e comunitária. Quando essa
rede existe, o impacto emocional diminui de forma documentada na
literatura científica. Quando não existe, a mãe adoece, silenciosamente,
muitas vezes sem sequer perceber que aquilo que sente tem nome, tem
causa identificada e tem, principalmente, solução possível.
A Lei Brasileira de Inclusão e a Política
Nacional de Saúde Mental já preveem, ao menos no papel, estruturas de
apoio às famílias de pessoas com deficiência. Mas a efetividade prática
dessas políticas ainda esbarra em limitações concretas, como falta de
profissionais especializados e descontinuidade de programas municipais
de apoio.
Fica aqui um convite, mais do que uma
reflexão: se você é mãe atípica e se reconhece em cada linha deste
texto, procure apoio psicológico, procure outras mães que vivam essa
mesma realidade, procure associações e grupos de apoio na sua cidade.
Pedir ajuda não é fraqueza. É, segundo a própria evidência científica, o
fator que mais protege sua saúde mental, e, por consequência, a
qualidade do cuidado que você consegue oferecer ao seu filho. Você não
precisa sofrer calada. Você precisa, e merece, ser cuidada também.
* Igor Lima é advogado (OAB/RJ), especialista em Direitos Humanos e
sustentabilidade, pesquisador e pessoa com deficiência. Com formação
complementar em Direitos das Pessoas com Deficiência pela PUC-Rio e em
Direito Antidiscriminatório, construiu sua trajetória na interseção
entre o Direito, a inclusão e a transformação social.
É idealizador e coordenador da coletânea jurídica Deficiência e os
Desafios para uma Sociedade Inclusiva, obra que reúne 90 autores e
contribuições dedicadas aos direitos das pessoas com deficiência, com
referências no STF, STJ e TST e presença em instituições como Harvard e a
Universidade de Coimbra.
Autor de artigos publicados em espaços como ABDConst, Future Law e
revistas jurídicas nacionais, atua como palestrante em instituições como
UERJ, UFRJ, UFF, OAB/RJ e Ministério Público do Estado do Rio de
Janeiro. Sua experiência profissional reúne atuação nos setores público e
privado, produção intelectual e participação em iniciativas
relacionadas à inclusão, acessibilidade e direitos das pessoas com
deficiência.
Sua atuação articula conhecimento jurídico, pesquisa, experiência
institucional e vivência da deficiência, com foco em direitos das
pessoas com deficiência, acessibilidade, políticas públicas e ESG. A
partir dessa perspectiva, desenvolve pesquisas, conteúdos e iniciativas
que buscam ampliar o debate sobre inclusão e transformar conhecimento em
diálogo, participação e mudanças concretas na sociedade e nas
instituições.